Porto Maravilha: começou mal e pode piorar

Mal foi aprovada, a legislação que regula a revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, conhecida como Projeto Porto Maravilha, já pode sofrer mudanças. Segundo matéria publicada domingo na Folha de São Paulo, a prefeitura do Rio pretende ampliar, em um único terreno, a altura permitida para as edificações. O terreno em questão é do Banco Central.

Segundo o jornal, a prefeitura enviou em janeiro, à Câmara Municipal, um projeto de lei que amplia de 18 para 30 metros, apenas no terreno do banco, a altura máxima das edificações dentro da área de preservação histórica e ambiental da região portuária.

Se vier a ser aprovada, a alteração casuística da lei – que já é questionável do jeito que está -, para atender o interesse específico de um proprietário, evidenciará a fragilidade da garantia do interesse público envolvido nesse projeto.

Aliás, um projeto que foi aprovado a toque de caixa na Câmara do Rio, sem discussão, e que tem sido objeto de vários questionamentos, tanto do ponto de vista urbanístico, quanto de seus efeitos para a população moradora do local atualmente.

Entre outras questões, a lei da revitalização da zona portuária altera de forma significativa a chamada paisagem cultural do Rio de Janeiro (que está sendo objeto agora de pedido de reconhecimento como patrimônio mundial da Unesco).

Além disso, a lei não garante que a valorização decorrente dos enormes potenciais construtivos atribuídos à região permitirá a construção de moradias de interesse social, nem que a população hoje residente no local não será expulsa.

9 comentários sobre “Porto Maravilha: começou mal e pode piorar

  1. Oi Raquel.

    Estou visitando a blogsesfera do WordPress e pela primeira vez estou visitando o seu blog. Gostei de sua proposta, e da cara do seu ambiente de publicação.

    Sucesso aqui no virtual. E espero que esteja tendo muito sucesso profissional também.

  2. Por ser de São Paulo , a jornalista não tem a menor ideia do impacto real do projeto Porto Maravilha. Como você é mais uma daquelas que ficam dentro de uma sala de universidade achando que sabe tudo , vou te dar uma ajuda , para que você conheça melhor o que é o Porto Maravilha antes de falar bobagens.

    A revitalização da Zona Portuária é pensada há mais de 3 décadas. Nunca saiu do papel. Uma região histórica , onde nasceu a cidade propriamente dita , que , assim como as demais zonas centrais mundo a fora , ficaram a merce de sua própria sorte , abandonada pelo setor publico e privado. O curioso é que , nessas 3 décadas , nenhum urbanista , arquiteto ou jornalista dessas faculdadezinhas que o Brasil tem , comprou a bandeira da região. Não !!!

    Afinal , isso dá trabalho e essa turminha de faculdade gosta mesmo é de ficar dentro de suas salas nas faculdades , formulando teorias contra todos aqueles que constroem o país.

    O projeto da Zona Portuária é fantástico. Engloba tudo. Novas avenidas , investimento em infra-estrutura , como rede de esgoto , VLT , prédios residenciais , grandes emprrendimentos comerciais de alto padrão , hoteis , shoppings , museus diversos , Circo de Soleid etc…

    Ou seja , uma região que estava riscada do mapa , está sendo trazida de volta pelos brilhantes administradores da cidade e do estado do Rio.

    E ainda temos que ler textos de “intelecutais frustrados” como esse.

  3. A população já está sendo expulsa. Semana passada teve um protesto de moradores do Morro da Providência reclamando das obras do Pac; meses atrás a prefeitura conseguiu desmanchar a ocupação Zumbi dos Palmares, q já acontecia há cinco anos, utilizando de meios de exceção/ barbárie (ameaças, cooptação de moradores, produção de paranóia em larga escala etc). Os moradores, em sua maioria, receberam 20 mil reais, o q deu p comprar casas em Queimados, São João de Meriti, por aí vai… Lugares já mais de 50 kms da zona portuária, o que é completamente contra as diretrizes de reassentamento, que aponta o direito dos moradores ficarem na mesma região de onde estão sendo removidos.
    Saudações
    Adriana

    • Adriana, a vida é assim! Tenho boa formação, um bom emprego e mesmo assim estou me desdobrando para pagar prestação de imóvel que nem é perto do centro…
      O problema é que no Rio, o cidadão quer morar com vista para o mar e perto do centro… Aí fica mais fácil fincar um barraco no morro mais próximo e morar de graça! Numa situação dessas, que estímulo terá alguém para melhorar e progredir na vida…
      Além do mais, quando você fala em morar em Queimados, São João de Meriti,… parece passar recibo de “trouxa” para quem mora lá e não foi esperto o bastante para morar no centro (morro da providência)!

      • “Aí fica mais fácil fincar um barraco no morro mais próximo e morar de graça”

        Claro, é muito mais fácil morar num barraco no alto do morro sem esgoto, sem comércio, convivendo com a violência, num lugar sem um mínimo de dignidade.

        E claro, pra quem constituiu sua vida no Rio, morar em Queimados, longe do local de trabalho, da escola das crianças, com transporte extremamente precário entre outros mil problemas, não é nada mal.

  4. Engraçado como o debate saudável de opiniões gera um bairrismo inaceitável. Não é uma questão de cariocas e paulistas, mas sim de crédulos e incrédulos que uma obra como essa não tem custo social obscuro. A obra Porto Maravilha (uma espécie de Puerto Madera carioca para atender a classe média) é no papel imponente, afinal revitalizar a zona portuária seja no Rio, ou na China, sempre é bem vindo, mas a que custo. Incrível que o projeto quase “fantástico” da Zona Portuária passou por obstáculos incríveis sem choradeira, a aprovação da Lei Complementar 101 em ano de pré-eleição que autoriza a obra quase prima de complexidade será a princípio financiada por incrédulos falsos futuros milagres (CEPACs). É a Disneylândia mesmo, aprovam a PPP, desapropriam casas, alguns terrenos já tem destino certo, serão utilizados pelas mesmas instituições que financiam o projeto, mas pare um pouco e pense, quem vai pagar por tudo isso no final quando a conta aumentar? Isso mesmo, os impostos dos brasileiros, sejam eles cariocas ou paulistas. Parabéns pela iniciativa do debate, Raquel.

  5. Parabéns, José Marx, pela lucidez e serenidade com que se pronunciou a respeito de mais um projeto fascista e higienista feito pelo Estado-Violência.
    Maquiagem de um lado – truculência policial de outro.
    PPPs de um lado – remoções unilaterais de outro.
    Aquários desnecessários e especistas de um lado – pobreza e miséria do outro.

    Gostaria que me enviassem mais materiais a respeito do Porto Maravilha (www.biavegan@yahoo.com.br), vez que será o objeto de um artigo científico por mim realizado para o ISMP.

    Abraços,

    Bianca Turano

    • Engraçado como pessoas gostam de usar termos como Fascista….. Faz rir a quem pelo menos se informa sobre o significado das coisas…. Mas de fato fica “bonitinho” em teorias conspiradoras sobre “projetos fascistas e higienistas”…… Se protestantes entrassem 1/2 horinha em uma biblioteca para ler algo sobre economia e política a vida de todos seria TAO MAIS FÁCIL…..

  6. A discussão é muito interessante, e gostaria de levá-la para a prática projetual. Existe alguma informação sobre o número de pessoas realocadas da região portuária com os projetos do Porto Maravilha?
    Abs,
    Isabel Lima
    Estudante FAU- UFRJ

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