Furacão Sandy em Nova Iorque: a realidade imita a ficção

Segunda-feira, meio-dia, em Nova Iorque a paisagem é insólita: ruas desertas, lojas fechadas, sacos de areia protegendo a entrada de edifícios, vitrines protegidas por fitas… E uma grande expectativa no ar. As filas nos supermercados, normalmente já enlouquecidamente grandes, durante todo o domingo estavam gigantes. A cidade espera o furacão Sandy, que deve chegar a qualquer momento entre hoje e amanhã, mas ninguém sabe exatamente quando, nem se, nem com que intensidade ele vai atingir a cidade.

Além da paisagem muito estranha – afinal, Nova Iorque é a cidade que nunca dorme, que compra e vende o tempo todo, em todas as ruas – impressiona sua  preparação para o desastre. Áreas baixas, sujeitas a inundação, foram evacuadas desde ontem. Da mesma forma, a rede de transporte público foi interrompida e todas as atividades públicas foram suspensas. Além disso, foram colocados avisos em toda a parte alertando as pessoas para que façam suas provisões.

São milhares os funcionários da prefeitura – bombeiros, empregados das empresas de transporte, do serviço de drenagem e coleta de lixo, entre outros – trabalhando   intensamente, pelo menos desde sábado, selando estações, montando barricadas, disseminando informação. Várias escolas públicas foram trasnformadas em centros de evacuação, indicadas em mapas postados em toda a parte, preparadas para receber as pessoas que saírem das áreas evacuadas (inclusive com seus pets!).

A impressionante imagem que está circulando nas redes sociais é um trabalho de Photoshop, combinando uma foto do porto de Nova York com outra tirada em 2004 pelo fotógrafo Mike Hollingshead.

Parece realmente que, inspirados pelos filmes de desastre que Hollywood adora produzir, todos se preparam para viver estas cenas. É impressionante também a indústria imediata do desastre – os kits desastre que apareceram nas lojas, incluindo de pilhas até geradores elétricos; a propaganda de aplicativos especiais para celular, como o “find your friends”… O sensacionalismo também se aproveita da situação – a imprensa produz edições especiais sobre o furacão Sandy, com instruções e previsões “precisas” que não batem uma com a outra…

Há uma espécie de excitação coletiva diante do desastre iminente, um misto de medo e entretenimento que os meios de comunicação exacerbam ao extremo. Mas para a administração da cidade, o furação e sua ameaça não têm nada a ver com show…

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15 comentários sobre “Furacão Sandy em Nova Iorque: a realidade imita a ficção

  1. Mas lá é um episódio, eles não passam uma estação se preparando, é uma semana devido a um evento ocasional. Nas temporadas de furacões dificilmente um local é afetado duas vezes por um furacão. Tanto que no inverno eles vivem “normalmente”, não há essa preparação. Quanto a industria do desastre ela já existe nos EUA, com furacões, tornados, terremotos, espalhados nacionalmente é natural que haja essa industria. O que temos no Brasil, fora as cheias lentas dos rios e alguns episódios de ventos mais fortes, são desastres criados pelo homem, que ocupa áreas sujeitas a deslizamentos e áreas onde os rios antes ocupavam nas cheias, a maioria dos desastres nacionais são criados e não fenômenos naturais.

    • Bem as suas palavras é mais ou menos a realidade, a época dos hurricanes e dos tufões como queiram chamar, vai na altura do final do verão principios de outono, massas de ar do sul quentes quando se aproximam das frias quem vêm do Norte, aí se dá o conflito dos hurricanes, normalmente atinga sempre o sul, North Carolina, Other Banks, Virginia, muito raro chagaren a New Jersey e New York, não há muito tempo um caso inédito, chegou a Massachussets, nada pode prever o que a Natureza Mãe possa fazer, mas no Verão e Inverno nada disto acontece, é só nesta altura do ano, falo porque estive nos EUA desde 1979 até o ano passado 2011, e infelizmente presenciei várias coisas desagradávéis, assim como os desastres no vosso País Brasil, o material perdido, compra-se novo, vidas perdidas não se pode recompor, que Deus nos ajude a todos.

  2. É impressionante como teus textos só tem críticas, nada de elogios. Até a preparação devida para catástrofes são vistos apenas os pontos negativos.

    • Concordo com o Aderson .Se enxergamos apenas o lado negativo das situações e ações governamentais certamente vamos promover a inquietação e a falta de esperança. Fenômenos da natureza são incontroláveis, mas os USA têm demonstrado estarem atentos e preparados para minimizar seus efeitos.
      Negativismo é um dos maiores entraves à obtenção de Paz e desenvolvimento e dos povos. Sejamos solidários na desgraça , mas também vamos saber reconhecer o mérito daqueles que se dedicam a minimizar os efeitos da tragégia , esta sim inevitável.

  3. Não acho que Raquel tenha apenas criticado. Ela descreveu muito bem a situação, e cada um que tire sua conclusão diante do exposto. Se vc tem isso como uma crítica negativa (já que disse que ela não elogiou), sinal que isso de fato se configura como uma situação crítica.

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