Leitores apresentam experiências de acondicionamento e coleta de lixo

Quando abordei a questão do acondicionamento, coleta e destinação do lixo aqui no blog na semana passada, recebi via twitter a informação de que na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, desde 2007 há um sistema de conteinerização e coleta mecanizada de lixo orgânico.

Segundo informações da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca), o sistema começou com a disponibilização, nas ruas centrais da cidade, de 500 contêineres verdes para lixo orgânico e 500 amarelos para lixo reciclável.

Em 2010, a cidade já contava com 2,8 mil contêineres (1400 para lixo orgânico e 1400 para resíduos seletivos). Clique aqui para saber mais sobre o sistema implementado em Caxias do Sul.

Sobre o acondicionamento do lixo doméstico – debate que precisa ser aprofundado – a Simone Dias deixou aqui no blog algumas dicas interessantes para economizar no uso de sacolas plásticas. Veja abaixo:

No banheiro: tenha 2 latinhas de lixo, uma para recicláveis (embalagens, miolo do rolo de papel, etc.) e outra para o papel higiênico e demais itens sujos. Somente esta recebe um saquinho plástico, e como o papel é macio, pode ser compactado e o saquinho leva um tempão para encher.

Na cozinha: tenha também duas latas de lixo para separar o orgânico do reciclável. Novamente só a lata de orgânico recebe saco plástico, pois a de recicláveis recebe dejetos limpos, embalagens enxaguadas, etc. O mais importante: a lata de lixo deve ser grande e ter uma tampa boa, assim não sai cheiro ruim e não precisa trocar o saco o tempo todo.

Na lavanderia: aí ficam duas lixeiras grandes (60l), com capacidade para o lixo da semana, separados, claro. Fica bem arrumadinho se você compactar o lixo reciclável amassando latas e desmontando caixas.

Como eu já disse aqui antes, o debate sobre acondicionamento, coleta e destinação do lixo precisa ser feito de forma integrada. Senão, as dicas da Simone e o sistema implementado em Caxias do Sul continuarão sendo experiências isoladas.

Proibição de sacolinhas plásticas e acondicionamento do lixo doméstico

O debate sobre a proibição da venda e distribuição das sacolinhas plásticas na cidade de São Paulo levanta outra importante questão: a do acondicionamento e descarte do lixo doméstico. Foram muitos os comentários aqui no blog sobre esse assunto. Como disse o Francisco, “a imensa maioria dos consumidores reutiliza as sacolas plásticas para acondicionar lixo”.

Maria Inês lembra que “a introdução dos saquinhos se deu como uma cortesia, quando houve a proibição de usar latões de lixo que eram descarregados nos caminhões”.

De fato, antigamente, as pessoas deixavam o lixo em latões nas calçadas e os lixeiros se encarregavam de despejar o conteúdo nos caminhões. Muitos prédios tinham também um duto no corredor de serviço por onde se jogava o lixo, que caía num contêiner comum.

Diante desse novo cenário, o Edson pergunta: “Se tiver que comprar sacolas de lixo, não dará na mesma? Eu sei a resposta, não. Terei que pagar mais, e alguém vai ficar mais rico vendendo sacolas de lixo.”

E o Antônio Carlos levanta uma preocupação muito importante: “Não estamos trocando plástico poluente por plástico poluente? Além da proibição da distribuição das sacolinhas nos mercados, temos que buscar materiais alternativos, que não o plástico, para transportar e acondicionar os dejetos. Até por uma questão de coerência…”.

A Vanessa também traz algumas questões sobre as quais precisamos pensar: “E os substitutos para as sacolinhas de plasticos, será o que? A de papel?? É biodegradavel (molha e vai se desmanchando… Mas para tanto.. materia prima do papel é… Árvores!!) ou mesmos as biodegradaveis plásticas que sobram… o ‘oxibiodegradavel’ ninguem sabe qual o ciclo de vida do catalisador do processo!”

Como disse o Antônio Carlos, precisamos buscar outras alternativas. Obviamente, não podemos voltar ao modelo dos latões. Parte do discurso que defende as sacolas plásticas é de que seu uso facilita o trabalho dos lixeiros. De fato, esse debate precisa levar em conta as condições de trabalho destas pessoas.

O modelo que temos hoje, em que os lixeiros andam pendurados na traseira do caminhão, correndo atrás de sacolas plásticas, me parece completamente arcaico e não oferece condições dignas de trabalho.

Precisamos pensar – e merecemos – um sistema mais sofisticado de acondicionamento, manipulação e coleta do lixo. Um exemplo que conheci em algumas cidades norte-americanas e europeias é um sistema que usa latões de plástico que se encaixam nos caminhões de coleta. O lixeiro não precisa abrir o latão e manipular o lixo, apenas facilitar seu encaixe no caminhão.

Outra forma que eu conheci numa pequena cidade da Europa é muito interessante: as pessoas levam o lixo para um lugar onde há vários compartimentos de aço subterrâneos, tampados. Daí aciona-se um mecanismo que permite a abertura do compartimento para o descarte do lixo, que já deve estar separado. Depois vem o caminhão, que encosta em cima do compartimento e remove todo o seu conteúdo. Obviamente essa solução só funciona em cidades pequenas.

O fato é que existem outros sistemas. Essa discussão precisa ser feita e não se esgota no uso ou não das sacolinhas plásticas nos supermercados e no acondicionamento do lixo doméstico, questão que precisa ser aprofundada. Essa discussão passa, principalmente, por um urgente debate sobre todo o ciclo de armazenamento, coleta e destinação do lixo.

Proibição das sacolinhas plásticas: o que não está sendo dito

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem um substitutivo ao Projeto de Lei 496/2007 que proíbe a distribuição e venda de sacolas plásticas em toda a capital paulista.  O projeto segue agora para sanção do prefeito Gilberto Kassab.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que esse é um debate, de fato, relevante. Em muitos países do mundo, essa proibição já existe há vários anos. A discussão parte de constatações relacionadas ao impacto ambiental da produção do plástico – o longo tempo para a sua degradação na natureza -, o impacto que as sacolinhas causam em períodos de enchente etc.

Mas algumas questões parece que não estão sendo ditas no debate que vem sendo feito na imprensa. A primeira versão do PL obrigava a substituição das sacolinhas de plástico por congêneres biodegradáveis: ou seja, diminuía o mercado dos produtores de sacolas plásticas e aumentava o mercado dos produtores de sacolas biodegradáveis, mas sem levar em consideração os impactos ambientais que estas últimas também geram.

No fim das contas, substituiríamos um produto por outro, mas sem tocar no tema dos limites para o planeta de uma produção infinita de produtos, biodegradáveis ou não. Afinal, toneladas de biodegradáveis também degradam o meio ambiente.

Na nova versão do projeto, que foi aprovada ontem, todos os estabelecimentos comerciais são proibidos de distribuir e vender sacolas plásticas de qualquer tipo aos consumidores para acondicionamento e transporte de mercadorias. Tais estabelecimentos devem estimular seus clientes a usar sacolas reutilizáveis.

Além disso, a Lei aprovada exclui da proibição as embalagens plásticas originais das mercadorias, e as utilizadas para venda de produtos a granel ou que vertam água. Assim, continuam as emabalagens plásticas.

O trecho mais curioso, no entanto, é o Artigo 5º, que  proíbe que fabricantes de sacolas plásticas insiram rótulos como “degradável”, “biodegradável”, “oxidegradável” e “oxibiodegradável”. Esse artigo é estranhíssimo. Significa que hoje os fabricantes de sacolas plásticas inserem essas terminologias de má fé? Que na verdade tais produtos não são o que indicam seus rótulos?

Diante dessas questões, fica a pergunta: estamos discutindo a indústria do degradável versus a indústria do biodegradável? Trata-se de uma guerra de mercados? Uma discussão que se pretende de sustentabilidade do planeta transformou-se numa guerra entre fabricantes de sacola X e fabricantes de sacola Y?

Se for isso, estamos desperdiçando uma oportunidade de avançar na discussão sobre a necessidade das embalagens, seus impactos ambientais, e também sobre o nível de consumo da nossa sociedade.