Em cidades como Tóquio e Londres, os prédios são um dos maiores responsáveis pela emissão de CO2

Um dos temas fortes do Fórum Urbano Mundial, trazido principalmente por países europeus e, também, pela América do Norte e Austrália, é o tema da sustentabilidade, da emissão de carbono e toda a questão do impacto ambiental da organização das cidades. Sobre este tema eu gostaria de comentar especificamente sobre a discussão em torno dos edifícios.

Eu fiquei muito impressionada com um dado que afirma que em cidades como Tóquio ou Londres, e em várias cidades norte-americanas também, um dos maiores responsáveis pela emissão de carbono e pelo consumo de energia são os prédios. Evidentemente isso tem a ver com o problema da climatização, ou seja, com o aquecimento dos edifícios durante o inverno, principalmente nos lugares onde há vários meses de frio, mas também com o uso do ar-condicionado para resfriar e manter uma temperatura agradável no verão. Além disso, há o uso do elevador, da iluminação artificial e de muitos outros elementos.

Todas as políticas que pretendem cortar essas emissões e diminuir o consumo de energia exigem entrar nesta questão. E muitas cidades do mundo já estão adotando mudanças nos seus códigos de obras para transformar os edifícios em edifícios mais eficientes do ponto de vista da energia.

Mas a grande discussão é a seguinte: o que fazer com essas cidades que já têm um grande número de edifícios, de torres – principalmente essas torres enormes de vidro que não são nada eficientes do ponto de vista energético, já que exigem iluminação artificial, climatização permanente? Derrubar tudo e construir de novo geraria um custo enorme, seria um absurdo, geraria tanto entulho que se tornaria um problema ambiental muito mais complicado. Depois demandaria tanto cimento, e cimento é uma das indústrias que mais emitem carbono.

Encontrei no Fórum um stand muito interessante, apresentando a solução de criar uma espécie de envelope nos edifícios existentes, uma segunda pele, paralela à pele dos edifícios (a fachada) criando um colchão de ar entre a primeira e a segunda pele e permitindo que, a partir daí, o edifício conserve energia. Ou seja, que conserve calor durante o inverno e uma temperatura agradável durante o verão. Essa é uma idéia interessante que já está sendo adotada em algumas cidades. Johanesburgo, na África do Sul, é uma das cidades, Londres também tem um programa desse tipo, e Washington está adotando esse programa nos seus edifícios públicos. Enfim, esta é uma das tecnologias novas que estão aparecendo para se tentar enfrentar o sério problema ambiental que estamos vivendo hoje no nosso planeta.

Aqui no Rio de Janeiro, absolutamente todos os lugares têm ar-condicionado, senão morremos de calor. Mas isso não necessariamente deveria ser assim e existe tecnologia para se fazer edifícios muito melhores.