Condephaat propõe alterações no tombamento do Pacaembu e dos Jardins

O Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo) está propondo mudanças no tombamento do Pacaembu e dos Jardins.

Associações de moradores desses bairros, que discordam das propostas, já estão se mobilizando, e realizam hoje uma reunião com o Secretário Estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, para discutir o assunto.

No caso do Pacaembu, entre as propostas do Condephaat estão alterações no perímetro tombado e também a permissão de remembramento, ou seja, de junção de lotes. No caso dos Jardins, trata-se de alterações de gabarito em um trecho, de recuos e ajardinamento.

Todo mundo sabe que a pressão do mercado imobiliário sobre estes bairros – localizados na região central e cercados de áreas verticalizadas – é muito grande e vem de longa data. E o tombamento foi utilizado pelos moradores sobretudo como instrumento para impedir a verticalização e preservar suas características urbanísticas.

Leia mais sobre o assunto nesta matéria do Estadão do dia 10 de dezembro.

E veja o documento do Condephaat sobre as propostas de mudança.

Regulação do estacionamento nas vias públicas permite a reordenação do tráfego e limita o uso do automóvel

Começou esta semana a restrição de estacionamento no bairro de Moema, que perdeu quase 4 mil vagas. A medida foi tomada pela prefeitura de São Paulo com o objetivo de trazer maior fluxo e dar mais velocidade ao trânsito nesta região da zona sul. Basicamente, trata-se da regulação do estacionamento nas vias públicas para permitir uma reordenação do tráfego. E Moema não é o primeiro local a passar por esse processo, que já ocorreu em regiões do Itaim Bibi, dos Jardins, da 25 de março, da Vila Olímpia, da Faria Lima, entre outras.

Estava pensando sobre esta questão e em como ela é contraditória, quase paradoxal. Porque para melhorar o trânsito de automóveis é preciso limitar o número de automóveis. Ou seja, para sustentar uma política de circulação que melhore as condições de trânsito dos automóveis – e também dos ônibus, claro – é preciso limitar o seu uso.

Portanto, na medida em que há menos opções de estacionamento ou que essas opções são mais caras, muitas vezes  inacessíveis, limita-se o uso do automóvel  nestas regiões. É basicamente isto que está acontecendo hoje na cidade de são Paulo com essas intervenções. Muitos moradores inicialmente estão reclamando, principalmente quem tem apenas uma vaga no condomínio e costuma deixar o carro rua.

De fato, com a restrição, fica proibido estacionar a não ser que você coloque a zona azul no seu veículo. E as pessoas vão ter que se adaptar porque esta é uma situação sem volta. E, a meu ver, ela terá dois tipos de efeito sobre a oferta no mercado imobiliário. De um lado, edifícios com mais vagas de garagem, o que aumenta custos, requer mais espaço, impermeabiliza mais, incide sobre o lençol freático, enfim, acarreta em muitas questões.

E a outra alternativa é realmente limitar o número de carros. As famílias terão que optar por ter apenas um carro em vez de dois e usar o transporte coletivo, mas para isso é preciso que esse transporte coletivo exista, funcione, seja eficiente, confortável e acessível financeiramente.