Começou a reconstrução do Teatro Cultura Artística. E a situação da Praça Roosevelt preocupa

Finalmente começaram as obras de reconstrução do Teatro Cultura Artística, que sofreu um incêndio em 2008. A primeira etapa da obra, que é o restauro da fachada, com aquele mosaico fantástico sobre uma obra de Di Cavalcanti, já começou. O teatro foi bastante destruído, mas felizmente a fachada e o mosaico, que são tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico),  não foram destruídos, embora tenham sido danificados. Então eles serão restaurados e voltarão a ser exatamente como eram.

A parte de trás do tetro é que será totalmente reconstruída. Em vez de ter duas salas como tinha, será apenas uma com 1.400 lugares. Haverá também uma cenotécnica totalmente renovada e um palco de múltiplo uso. Isso significa que ele poderá receber tanto apresentações de música, como é a história desse teatro, mas também de teatro, dança, além de outras manifestações e usos.

Essa boa notícia nos leva a comentar mais uma vez a questão da Praça Roosevelt, que fica muito perto do Teatro Cultura Artística. É preocupante a situação da praça.  Em função do que comentei aqui na semana passada, recebi informações um pouco mais precisa do que a que divulguei. O boletim da Associação Viva o Centro diz que finalmente houve uma licitação e que se não houver recursos de alguma empresa que foi desclassificada, dentro de um ou dois meses as empresas vencedoras da licitação estarão contratadas.

Mas o projeto ainda não foi totalmente aprovado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que é quem vai financiar a reforma e, portanto, a história ainda pode demorar. A notícia diz que o início da obra pode demorar 3 meses ou até mais um ano. Me pergunto, juntamente com os moradores e usuários da praça, se esse lugar vai ficar abandonado durante mais todo esse tempo, repetindo uma péssima prática que nós temos na cidade de São Paulo que é: enquanto uma área está em obra, em vez de receber mais cuidado exatamente porque está em obra, ela vai sendo deixada de lado e a situação fica terrível. E é o que está acontecendo com a Praça Roosevelt.

Será que agora sai a reforma da Praça Roosevelt?

Na semana passada, moradores e usuários da Praça Roosevelt se reuniram para retomar a pressão e o debate em torno do projeto de reforma da praça. Só para lembrar, o projeto foi anunciado em 2004, mas aí terminou uma gestão e começou uma nova e ele foi suspenso para ser reavaliado. Em 2006 foi licitado um novo projeto, que foi entregue em 2008. A partir daí, ele deveria ter sido implementado, mas surgiram problemas com o financiador, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), porque o convênio com eles estaria expirando e seria preciso estendê-lo.

Agora, finalmente, parece que a licitação vai acontecer. Nesse meio tempo, em 2008, teve início a demolição da praça. E é aí que começa uma polêmica que está envolvendo inclusive os moradores e usuários. Pelo que entendi, há tanto um abaixo-assinado a favor do novo projeto, que prevê a demolição total, quanto um abaixo-assinado pela reforma, mas sem demolição integral. Me parece que a maioria dos moradores está defendendo uma reforma sem demolição. Ou seja, a reforma é consenso. Todos acham que não dá para ficar do jeito que está, especialmente agora que a praça está semi-demolida, o que piorou muito sua condição.

A praça é constituída de 5 andares construídos em cima de uma via expressa. Uma parte já foi demolida e a grande discussão agora é sobre um pentágono de 5.400 m² que os moradores e usuários que são contra a demolição querem que seja mantido. Segundo eles, o espaço é uma ágora, um teatro a céu aberto, o único em São Paulo, e poderia ser utilizado assim.

O projeto que foi elaborado prevê a demolição total do espaço e construção de outro muito mais contínuo, sem desnível e com menos espaços fechados. Os moradores defendem que esses espaços fechados embaixo do pentágono sejam transformados em bibliotecas,  telecentros, oficinas, enfim.

A primeira grande questão em torno dessa polêmica é saber o quanto foi possível aos moradores participar da construção do projeto e discutir juntos com a prefeitura, que deveria levar em consideração os pontos colocados por eles. E a segunda questão é a enorme demora com muito pouca interlocução daqueles que efetivamente estão usando a praça e tentando transformá-la em um espaço legal de convívio para todos.