Campos Elíseos Vivo: um projeto coletivo para o centro de São Paulo

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Apresentação do projeto Campos Elíseos Vivo, pelo Fórum Aberto Mundaréu da Luz (Foto: Camila Almeida)

Uma das primeiras ações do prefeito João Doria, ao assumir a prefeitura de São Paulo, foi declarar que a Cracolândia, como é conhecida a área em que há concentração de usuários de crack e outras drogas na região da Luz, tinha acabado. A afirmação veio logo após uma série de ações policiais extremamente violentas contra as pessoas, que, na prática, dispersaram o chamado “fluxo” na direção das ruas do entorno, mas de jeito nenhum acabaram com ele.

Dizer que acabou com a Cracolândia é claramente uma jogada com apelo político, que foi combinada com uma intervenção urbanística com projetos como as Parcerias Público-Privadas de Habitação e do Hospital Pérola Byington. Essas últimas ações combinadas de órgãos da prefeitura e do governo do Estado de São Paulo arrebentaram, desapropriaram e demoliram casas, com expulsão de moradores e com a produção, evidentemente, de mais pessoas sem-teto e de uma situação de ainda maior vulnerabilidade nessa região.

Mas as pessoas atingidas, assim como um conjunto muito grande de entidades no campo da saúde mental, da assistência social, do urbanismo e da cultura, que já estavam atuando no território e se relacionando com as pessoas que moram e usam o local, começaram a se articular para montar uma alternativa de intervenção para essa área. A ideia foi propor uma possibilidade de melhoria das condições de vida no bairro, de forma que ele não fique como está, mas que a transformação seja feita de forma a respeitar profundamente quem mora lá.

O projeto Campos Elíseos Vivo, que é como se denominou a iniciativa desse coletivo chamado Fórum Aberto Mundaréu da Luz, formado em maio do ano passado quando ocorreram ações muito violentas no bairro, procura atender às necessidades da região, de seus moradores atuais e dos comerciantes que atuam no bairro.

Utilizando apenas os terrenos e imóveis vazios ou subutilizados que já foram notificados pelo poder público, e lançando mão de instrumentos que constam no próprio Plano Diretor Estratégico de São Paulo, é possível construir moradia para mais de 3.000 famílias — número mais do que suficiente para atender às famílias do bairro e para atrair novos moradores para a região central da cidade.

O projeto prevê que, com as novas unidades, é possível oferecer uma diversidade de formas de morar, para atender as mais diversas composições e situações domiciliares, com programas de locação social, locação temporária, moradia terapêutica e casa própria. Além disso, está proposto um conjunto de outras ações e intervenções, como acompanhamento para usuários de drogas, espaços de convivência para a comunidade e outros equipamentos públicos necessários, como parquinhos para as crianças e banheiros públicos.

É possível transformar respeitando as pessoas e o patrimônio material e imaterial do bairro, que é um dos mais antigos da cidade de São Paulo, e que não merece ser destruído em nome de uma guerra às drogas que, ao criminalizar todos e todas que vivem ou estão ali, é incapaz de lidar com a complexidade da região.

Para quem quiser conhecer melhor o projeto: mundareudaluz.org 

O Campos Elíseos Vivo foi tema da minha coluna semanal na Rádio USP. Você pode ouvir aqui.

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Um comentário sobre “Campos Elíseos Vivo: um projeto coletivo para o centro de São Paulo

  1. Não se pode falar em revitalização dos Campos Elísios sem se construir a estação metrô ferroviária do Bom Retiro no local do antigo moinho desativado.

    A escolha deste local,o Bom Retiro, entendo ser a última opção, pois consegue englobar em uma única estação as composições das antigas Sorocabana e Santos a Jundiaí e possíveis trens regionais de longo percurso, em uma descentralização tardia.

    O fato de se definir o Bom Retiro como local desta nova estação, entendo não significar que as outras sugestões sejam abandonadas, pois o sistema metrô ferroviário paulista vem aumentando continuamente o número de usuários, e os governantes tem que justificar suas intenções de priorizar o transporte coletivo de qualidade em detrimento do individual.

    A estação da Luz já estava com seu limite esgotado quando teve por um planejamento a instalação uma estação subterrânea como terminal da linha-4 Amarela do Metro, sem que a estação Nova Luz estivesse concluída, ou em outro local conveniente, isto fez que ela ficasse superlotada.

    A estação da Luz é uma estação de característica de passagem, e é um desperdício logístico utilizá-la, como terminal, pois o tempo perdido em que as composições tem que manobrar para mudar da plataforma de desembarque para a de embarque na linha 7 em plena área central de São Paulo.

    Algumas das últimas áreas periféricas paralelas disponíveis para estações ferroviárias em SP, como o;
    IªPátio do Pari;
    IIªÁrea entre a estação da Luz e Júlio Prestes no antigo moinho desativado, Bom Retiro e recentemente demolido;
    IIIª Priorizar a execução do projeto da Nova estação da Luz, integrando com a Júlio Prestes, que hoje esta subutilizada com previsão de encerramento como estação ferroviária;
    IVª Cercanias da estação da Mooca até a Av. do Estado na antiga engarrafadora de bebidas Antarctica desativada no município de São Paulo;
    Vª Unificação das linhas 7-Rubi e 10-Turquesa, ou seja, exatamente como era em passado recente e que nunca deveria ter mudado, utilizando composições mais potentes, para finalizar a alegação que a potência das composições atuais da linha 10 não é possível vencer a inclinação de linha 7, ou seja, exatamente do mesmo tipo das que são utilizadas hoje da Luz até Francisco Morato, com a aquisição de algumas unidades complementares as existentes.

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