Mulheres têm direito de ir e vir limitado nas cidades

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Para mulheres, o medo ainda é uma constante quando o assunto é transitar pelo espaço público (Pixabay/Creative Commons)

Neste Dia Internacional da Mulher, talvez não se tenha muito o que celebrar. Só a cidade de São Paulo registrou, em 2017, uma média de sete estupros por dia, e esse dado mostra que é absolutamente essencial discutir os problemas que impedem que as mulheres possam usufruir livremente dos seus corpos, das suas vidas e da cidade.

É evidente que parte significativa desses estupros acontecem na esfera privada e doméstica, mas as estatísticas de assédio no espaço público e particularmente no transporte público também são alarmantes — e simbólicas do quão grave é a insegurança enfrentada pela mulher ao tentar exercer seu direito de ir e vir. Na capital paulista, foram registrados 464 casos de assédio sexual em transportes coletivos em 2017, uma alta de 35% em relação ao número do ano anterior, também segundo dados da Secretaria de Segurança Pública.

Recentemente, houve uma grande celeuma na imprensa em torno desses ataques dentro de ônibus e metrôs, a partir da ampla divulgação de denúncias de homens ejaculando em mulheres e uma série de outras formas de violência — inclusive com discussão em torno da omissão da Justiça e da impunidade em relação a esses casos. Essa falta de acolhimento às denúncias feitas por mulheres, inclusive, é um dos motivos que desestimula que as vítimas recorram à notificação oficial dos casos. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que apenas 10% dos casos de estupro sejam denunciados.

Essa desassistência também acaba por influenciar o próprio comportamento das mulheres, que ainda se sentem ameaçadas no espaço público simplesmente por serem mulheres. Uma pesquisa da ONG Think Olga, que tem como objetivo o empoderamento feminino por meio da informação, revelou que 90% das mulheres já deixaram de usar roupas curtas ou decotadas por terem medo de sofrerem assédio nas ruas.

No fim das contas, o problema é maior do que a dificuldade para conseguir denunciar ataques. Nossa sociedade e nossas cidades ainda limitam a liberdade das mulheres sobre seu próprio corpo, e sua possibilidade de circulação plena. É preciso refletir profundamente e lutar, como as mulheres vêm lutando, contra essa cultura machista, para garantir às mulheres liberdade e direito à cidade.

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