Eleições e o pulo do gato

 

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Foto: Pedro Fraça/Agência Senado

Na última terça-feira (16), foi dada a largada para as eleições municipais, cujo primeiro turno ocorrerá em 2 de outubro. Candidatos às prefeituras e câmaras municipais já podem realizar campanhas e divulgar seus números.

Nessa disputa, mais do que nunca, o debate sobre o destino das cidades e de questões específicas e locais deve ser ofuscado, já que o ambiente eleitoral está profundamente contaminado pela crise política que vive o país.

Estão no centro dessa crise, inclusive, o próprio modelo político-eleitoral, a representatividade e a forma como os partidos que hoje estão concorrendo ao pleito se estruturaram e cresceram.

Não houve ainda tempo para que os elementos dessa crise, há muito já diagnosticados, fossem resolvidos através de uma reforma política ou do surgimento de novos agrupamentos políticos ou coalizões que representem os anseios e projetos da sociedade e, mais que isso, que apresentem novas lideranças, surgidas no seio dos movimentos que têm disputado as ruas e debatido como nunca as cidades.

Evidentemente, em vários partidos existem candidaturas comprometidas com esses movimentos e com uma ampla plataforma de reforma política. Estamos nos referindo, entretanto, “as grandes” coalizões, aquelas que têm mais tempo na TV e mais recursos para financiar as campanhas justamente porque cresceram através das práticas que hoje a sociedade condena e deseja reverter.

Ainda assim, há espaço para que surja o novo, ou pelo menos, que sejam fortalecidas candidaturas até então secundarizadas ou marginalizadas nos próprios partidos existentes. A ideia de que governar é inaugurar obras e fazer campanha é anunciar canteiros fica prejudicada em um ambiente de crise econômica, como o que acorre agora, assim como ocorreu durante os anos 90. Isso exige que os candidatos sejam mais criativos e mobilizem uma imaginação transformadora, agenciando as forças que já atuam nessa direção.

Essa eleição também será marcada como a primeira sem financiamento de empresas. Privilegiar que pessoas físicas financiem candidatos fará com que essa disputa tenha menos dinheiro e, consequentemente, menos ações de marketing para vender os candidatos como se vende carro, máquina de lavar ou refrigerante.

Essa lógica pode ser muito positiva para alçar aos espaços institucionais, especialmente no caso dos vereadores, representantes legitimados socialmente antes mesmo das eleições. Esta pode ser, portanto, uma eleição de boca a boca, de militância pequena, voluntária, dependendo fundamentalmente da ação (mais do que reação) dos próprios eleitores. Confesso que não será fácil, considerando o quanto estamos revoltados, indignados e decepcionados.

Porém, o pulo do gato das eleições municipais terá o tamanho do pulo que nós cidadãos formos capazes de dar na direção da construção, hoje, de um projeto futuro e coletivo de cidade.

Publicado originalmente no Portal Yahoo!

5 comentários sobre “Eleições e o pulo do gato

  1. Cara Raquel e Leitores deste Blog
    Sabemos que não dará para fazer muita coisa em São Paulo, apesar das promessas inócuas.
    Sabemos , também, que qualquer Prefeito que seja eleito dentre os que se apresentam até o momento será bem melhor que o atual Prefeito.
    Sabemos , também, que os recursos serão bastantes escassos, apesar da Prefeitura ter quase dobrado o IPTU, aumentou diversas taxas municipais , o ITBI aumentou 50%, o outorga onerosa para construtores teve um aumento exponencial, e vai por aí. Uma conduta de todo governo Petista, aumentar muito taxas e impostos e não dar nada de retorno. A Cidade de São Paulo, hoje é um verdadeiro lixão a céu aberto. Este Prefeito só soube fazer ciclovias e corredores de ônibus, não que estas obras não sejam importantes, mas não justifica o alto custo das mesmas. O Tribunal de Contas e o Ministério Publico deveria investigar estas obras. Ainda o atual Prefeito tem a cara de pau de sair candidato a reeleição. Precisamos de um Prefeito que trabalhe em harmonia com o Governo do Estado, deixando de lado as diferenças partidárias, que pense mais no bem estar da população. Se formos aqui elencar Secretária por Secretaria do Governo Municipal, todas deixaram muito a desejar, começando pela Saúde e Educação. A SEHAB – que é Secretária da Habitação está sucateada e carente de funcionários, pois hoje qualquer projeto de construção ou reforma que dê entrada para aprovação, demora de um ano a dois anos. Isto deveria ser o mais rápido possivel, pois sabemos que a Construção Civil é grande geradora de empregos diretos e indiretos, e no atual momento de tantos desempregados, seria uma grande esperança para todos trabalhadores.
    A Secretaria do Serviço Social, está sem qualquer verba para tocar qualquer projeto social.
    As Subprefeituras só tem verba para atender emergência, e assim mesmo nem todas.
    Instalou-se na verdade em nossa Prefeitura de São Paulo, um verdadeiro caos, totalmente aparelhada pelos Cabidões de Emprego (Cargos de Confiança dados a militantes até de outros Estados) Um vergonha , como diria o Boris Casoy.
    Grato por mais esta oportunidade, abraços a todos
    Antonio da Ponte
    Ambientalista da Aclimação

    • Concordo com você meu caro Antônio da Ponte. São Paulo precisa de uma revolução.

      Mas sozinho um prefeito não é capaz de realizá-la.

  2. Preliminarmente concordo com a maioria das colocações do sr. Antônio da Ponte, exceto que qualquer prefeito que for eleito dentre os que se apresentam até o momento será bem melhor que o atual, e que foram construídos muitos corredores de ônibus pela administração atual, (não confundir com faixas).

    Devemos entender a complexidade que é governar um município como São Paulo, e é tarefa para uma equipe capacitada, e não de uma única pessoa.

    “Governar é definir prioridades”, nesta definição entendo que o sr. Haddad cometeu uma série de equívocos e inversão de valores das mesmas, com relação a mobilidade, pois principalmente os corredores e faixas de ônibus comprovadamente beneficiam um número maior de usuários, e deveriam obrigatoriamente preceder as ciclovias.

    No Brasil não existe uma lei semelhante a das Responsabilidades Fiscais (conhecida popularmente como “Pedaladas fiscais”), que pune o governante que gasta mais do que arrecada, ou que repassa para o seu sucessor as dívidas contraídas no seu período de mandato, e que burla a lei, por este motivo não acontece punição alguma para quem promete nas campanhas eleitorais e não as cumpre.

    Entendo que os alcaides ainda nem aprenderam a priorizar, planejar, executar e fiscalizar o trajeto dos corredores e faixas de ônibus e querem fazer isto, o atual prefeito prometeu 150 km + 23,4 km de corredores até dezembro de 2016, e com os R$ 350 milhões previstos para 2017, foi possível fazer somente entre 20 e 30 km de corredores, dependendo da estrutura exigida, só entregando ~37,5 km, 25% do previsto, e um dos motivos senão o principal alegado é a falta de verba, e em troca ampliou as ciclovias, a grande maioria subutilizada, ou seja se “trocou a qualidade pela quantidade”. simplesmente ocupando faixas de pedestres ou de veículos, e por consequência a diminuição da velocidade nas marginais com a suposta alegação de segurança, além de aumentar para gravíssima a multa do infeliz motorista que a ultrapasse, com o aval do governo federal.

    O resultado disto são inumeráveis obras incompletas e um infindável festival de compromissos não cumpridos, e os responsáveis imputados.

    Enquanto isto na região da Luz, a “cracolândia” segue a todo vapor, em mais um fracasso do governo municipal.

  3. O candidato mais bem colocado nas pesquisas falou que para prevenir acidentes, lombadas são mais eficientes que baixar o limite de velocidade. Já o segundo colocado disse que pretende privatizar as faixas de ônibus.

    Parecem declarações saídas da boca do Odorico Paraguassu, célebre personagem criado por Paulo Gracindo na novela ‘Saramandaia’. Mas são declarações dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto para prefeito da mais importante cidade do país.

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