Um mundo cada vez mais murado

fronteira eua mexico james reyes

Fronteira entre EUA e México. Foto: James Reyes.

Foi com entusiasmo que o mundo acompanhou pela TV, em 1989, a derrubada do muro de Berlim, que durante muito tempo separou a Alemanha Oriental, socialista, da Ocidental, capitalista, convertendo-se em ícone da Guerra Fria. O fim daquela barreira – que ficou conhecida como muro da vergonha – sinalizou para muita gente a chegada de uma era sem muros. De lá pra cá, porém, sem nenhum pudor, mais e mais muros vêm sendo erguidos, mais altos, mais robustos, e mais conectados em equipamentos e estruturas de vigilância…

Há poucos meses, em meio à crise de imigração vivida hoje pela Europa, vimos o governo da Hungria anunciar a construção de um muro para isolar seus mais de 170 km de fronteira com a Sérvia, por onde entram milhares de imigrantes provenientes principalmente do Oriente Médio e dos Bálcãs. A Bulgária também adotou em tempos recentes a mesma política, construindo uma muralha em sua fronteira com a Turquia. Até mesmo a Grécia, afundada pela crise econômica, em 2012 gastou milhões de euros para construir um muro em sua fronteira com a Turquia.

Outro exemplo é o muro que Israel construiu em sua fronteira com a Cisjordânia para evitar a circulação de palestinos nesse território. Sempre se lembra também da fronteira entre EUA e México, onde um muro foi construído pelos norte-americanos para evitar a entrada de latino-americanos.

Todos esses casos envolvem questões com implicações étnicas, políticas, sociais e éticas. E mostram que a humanidade vem lidando muito mal com a resolução de conflitos: em vez de trabalhar a questão em sua complexidade e buscar soluções, a opção muitas vezes é, simplesmente, construir um muro para isolar o problema. Como se fosse possível eliminá-lo, deixando-o do “lado de fora”. Essa política tem mostrado, no entanto, que os muros são, na verdade, formas típicas de não resolução de conflitos.

E quem pensa que isso só acontece em países com conflitos migratórios e políticos, engana-se. Por outras razões, aqui mesmo no Brasil temos exemplos fartos de como muros são construídos sob a falsa ideia da resolução de problemas. O caso mais concreto é o produto imobiliário surgido nos anos 1990 frente à escalada da violência urbana: o condomínio fechado e murado, forjado na ideia de que é possível construir um paraíso exclusivo para poucos e deixar os conflitos do lado de fora. Alphaville, em Barueri, região metropolitana de São Paulo, é o exemplo máximo disso. Não a toa o jornal inglês The Guardian incluiu os muros desse condomínio entre os dez maiores do mundo.

Como cidadã de São Paulo, e do mundo, tenho vergonha deste e dos demais muros que mencionei. Eles demonstram nosso absoluto fracasso em lidar com a liberdade e o reconhecimento e respeito à heterogeneidade e diversidade que esta implica.

*Texto originalmente publicado no Blog Habitat do portal Yahoo!.

10 comentários sobre “Um mundo cada vez mais murado

  1. Raquel, quando criança no início da década de 80 morei na Alemanha ocidental, antes da queda do muro. Tinha 5 anos de idade e ainda era muito pequeno para entender o que acontecia. Voltando para o Brasil também assisti a queda do muro pela TV, acho que a cobertura foi do Pedro Bial, hoje apresentador de um programa de bunda. Tinha então 10 anos e por sorte meus pais já haviam me explicado, pelo menos um pouco, o que aquilo significava.

    Voltei para a Alemanha em 2013, quando fiz uma viagem de bicicleta pela Europa, pedalando 9 mil km em 6 meses. Ao atravessar o país que outrora fora dividido ao meio pelo “muro da vergonha”, pude comprovar com estes mesmos olhos acostumados com as barbáries brasileiras: não há muros!

    Não há muros nas residências, nos comércios, em lugar algum. Sei que a Europa passa por mais um momento decisivo em sua história e que muitas mudanças devem ocorrer, e que o muro de Berlin deixou cicatrizes e um triste exemplo que está sendo copiado atualmente, mas diferente do nosso Brasil, em especial de nossos grandes centros, na Alemanha que já foi dividida pelo muro de Berlin, não há muros físicos de qualquer espécie, salvo em raras exceções.

  2. É obvio que ninguem pode gostar de muros, pois eles nos limitam o acesso fisico a algo que desejamos conhecer, ved, ou mesmo tocar, entretanto o que mais me chamou á atencao quando morei em terras europeias foi a ausencia de muros altos entre as casas, diferentemente do que temos aqui, na terra da solidariedade e da idiosoncrasia. Aqui, a cada dia, mesmo nos espacos nao condominiais, os muros crescem mais e mais. Causa ou efeito?

  3. Raquel, penso que estamos, cada vez, mais atrelados a barbárie, mais medievais…se é que um dia deixamos de sê-lo, nesta direção, sempre me lembro do quanto é visionário o livro Dialética do Esclarecimento de Adorno & Horhkeimer no sentido de perceber a matéria bruta que nos constitue, ou seja, nosso substrato bárbaro, que sempre vem a tona, por mais que estejamos “esclarecidos” ,tecnológica ou cientificamente.

  4. Cara Raquel,

    Mais de 30 anos já se passaram de quando fui sua aluna na Belas Artes.

    Voce deu um curso de Metodologia Científica junto com Nabil. Eramos da primeira turma.

    Bom, esse alô aqui é para te enviar um grande abraço, dizer que acompanho seu blog e admiro sua firmeza e atuação profissional.

    E, também, contar sobre minha tese de mestrado ( 1997/ UNIVAP) que foi um estudo analítico e fenomenológico dos condomínios fechados na cidade de São José dos Campos. Usei como apoio para análise, fotos obtidas através de sensoriamento remoto ( minha orientadora era pesquisadora do INPE).

    Hoje é um bocado menos complicado com Google e etc..

    Seu texto ‘Um mundo cada vez mais murado” foi muito lúcido. Voce descreveu, de forma coesa, os diferentes muros que vemos por aí. Como me ocupei com esse tema na minha tese, achei o seu texto muito bom de ler. Mais que isso, pertinente e atualíssimo.

    Um grande abraço,

    Ana Lúcia Muller de Oliveira

    em tempo: minha pesquisa no seu curso(em 1980/81) foi sobre as alterações de fachadas realizadas nas casas do Conjunto Habitacional Itaquera. Lembra? Ahahah. Exercício de memória… ________________________________

  5. para além dos muros internacionais e dos muros da burguesia e da classe média, também deveriam ser citados os muros construídos para isolar, cercar e controlar as favelas e ocupações nas grandes cidades brasileiras
    os muros da exclusão estão mais próximos do que o texto sugere, mais evidentes do que a vista burguesa tenta ocultar

  6. A psicanálise aponta como um dos mais primitivos mecanismos de defesa do ego o movimento de se esconder ou fugir de coisas incômodas. É normal, por exemplo a criança emocionalmente frágil conversar com os brinquedos para deixar de escutar a briga dos pais, ou entrar debaixo do cobertor para não ver o bicho papão que pode aparecer a qualquer momento no quarto. Conforme amadurecemos, esse tipo de atitude deixa de ser normal. Aprendemos a enfrentar perigos reais ou imaginários, a entendê-los ou pelo menos tentar enquadrá-los pelo discurso. Quem não consegue amadurecer vai manter formas primitivas para afastar o incômodo, sendo que o adulto tem força e recursos para afastar de fato ou até destruir o que reconhece como ameaça à sua segurança. O que dizer então de grupos sociais inteiros que recorrem às formas mais toscas de autodefesa contra outros grupos, quando bastaria coragem para compreender e aceitar o que parece ter cara feia?

  7. Agora virou moda as terríveis concertinas, que deixam os imóveis parecendo presídios de segurança máxima.

    A boa notícia (a confirmar) é que a prefeitura vai começar a retirar grades do centro de São Paulo.

  8. Que tal sermos realistas?
    O muro de Berlim foi único no mundo inteiro, pois foi o único, acredito, construído com o intuito de não deixar as pessoas saírem/fugirem do regime imposto a parte do povo alemão. Como as penitenciárias.
    O muro da vergonha não teve nenhuma semelhança com nenhum muro já construído por diversas nações.
    Os muros de hoje, fartamente exemplificados e multiplicados diariamente no Brasil, é uma resposta imediata contra as pessoas que não tem nenhum respeito pelo bem alheio, pela vida do outro e não mais se consolam apenas em tomar o que não é seu, a ordem agora é ATERRORIZAR!
    As casas européias e americanas, em geral, não tem muros ou sequer grades. A exceção são os lugares conhecidos por seu alto índice de violência. Os muros e as grades são as respostas a curtíssimo prazo para tentar sobreviver a barbárie de alguns seres viventes. As soluções de médio e longo prazo não são implementadas, a exemplo do caso brasileiro.
    E porque acham que uma nação tem como que enorme responsabilidade na situação política de outros países? Que responsabilidade tem, por exemplo, uma “Argentina” com os refugiados iraquianos que fogem da barbárie de um “califado islâmico”? Porque um país que alcançou um determinado desejado nível de desenvolvimento político-social-econômico tem a “obrigação” de abrir suas fronteiras para pessoas que, muitas vezes, querem transformar essa nação que os recebe no que era a nação que de lá antes fugiram???
    Chega de utopia e blá-blá-blá pseudo-intelectual. Vivemos em um mundo real!!!

  9. COP-21 RESILIÊNCIA
    RESILIÊNCIA é propriedade dos corpos sólidos que determina sua resistência ao impacto de choques mecânicos.
    COP-21 é a discussão dos gases de efeito estufa e a contribuição nacionalmente determinadas por INDCs pretendidas. Quanto os países irão reduzir, e as ações que irão fazer ou as metas conquistadas.
    Como parar emissões de gases de estufa (GEE), Paris quer data limite para que GEE pare de crescer ou a sua neutralidade de carbono, ou seja, o liberado na atmosfera e o retirado ou compensado seja igual a zero.
    Estamos próximo do limite se estamos no limite, essa é a hora dos cientistas pós-graduandos do clima mostrar suas credencias de conhecimento para o mundo. As tão faladas ferramentas contra o rigor do clima.
    Crise ambiental coloca em risco os avanços no combate à miséria. Se até 2030 serão dois terços cerca de 8,5 milhões de cidadãos, para acolher essas pessoas será necessário ampliar em 60% a infraestrutura urbana. Hoje os centros urbanos são responsáveis direto por mais de 70% de toda a energia consumida e por quase metade das emissões globais de gases de efeito estufa.
    Imagine a alegria da FNP Frente Nacional de Prefeitos, ICLEI, ANAMMA fórum das capitais brasileiras e FONAR (fórum nacional de secretariado e gestores municipais de relações internacionais) em julho de 2015 aconteceu em Roma a convocação de 60 prefeitos pelo pontífice Papa Francisco para pressionar os governos centrais na assinatura de acordos mais efetivos e ousado para o enfrentamento das mudanças climáticas, enfrentamento que nunca aconteceu.
    A grande alegria da FNP e ambientalistas acima citado estão se vangloriando pelas fabricas de carros, motos e bicicletas elétricas, e o convite de suas cidades na COP-21 os 60 prefeitos não analisaram os impactos dos esgotos de suas cidades, que não aparecem no centro de suas cidades, porque são dissolvidas em rios, mares, lagos e lagoas, bem como a Lagoa da Pampulha e toda a BH os esgotos estão presentes em todo lugar, e o Rio de Janeiro temos a Baia de Guanabara que consumiu Um Bilhão e Duzentos Milhões e 300 toneladas dia de adubo para acabar com o mau cheiro. Sem falar em Marapandir, Lagoa Rodrigo de Freitas e o esgoto que corre na enseada de Botafogo, as águas distribuídas em Florianópolis e todo o Sul do Brasil tem coliformes fecais, materiais pesados, prejudiciais à saúde que está tão precária nesse país de corrupção. Dissolver esgoto em águas limpas é a maior covardia que políticos praticam contra os menos esclarecidos, crime brutal. As cidades não têm urbanismo e as favelas nascem como plantas daninhas.
    Mais pobres são os mais ameaçados pelo aquecimento global, por COP21.

    MAIS pobres só foram lembrados pelos países ricos, com medo de perderem os seus bens, até por que os pobres já viviam sem eles, em sua plena existência, os 80 milhões de dólares para 80 países é a corrupção se aproximando de todos os seus direitos sobre o meio ambiente.

    A OMS diz acreditar que entre 2030-2050 as mudanças climáticas matarão 250 mil.
    O homem sobreviveu a era do gelo, sem roupas, calcados, e sem o mínimo de conhecimento de aquilo que iria encontrar pela frente, e hoje os seus descendentes, aqueles que conseguiram amontoar alguns bens, se julgam sábios, o dono da bola.

    Fenômenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor e inundações, a degradação do ar, do saneamento e do estoque de águas e alimentos, foi o que expressou a OMS.
    A OMS indicou que as crianças e mulheres de países mais pobres, são os mais afetados, já são presentes, como constata José Graziano da Silva Diretor Geral de outra FAO.
    O aquecimento impacta a segurança alimentar de todos os países, especialmente das zonas áridas e nos pequenos países insulares em desenvolvimento onde vivem muitos pobres e famintos do mundo, são os únicos que sabem aonde ainda existe alimento que os seus projetos futuristas estão destruindo.

    Não se pode distinguir entre a estação as chuvas e a seca! AS estacoes de chuva ou seca, é um projeto milenar criado por meu senhor O PODEROSO DEUS, só ele tem o poder de modificar.

    E ondas de refugiados, são os apoios estrangeiros a políticos inescrupulosos contra a sociedade ordeira e trabalhadora de um País que não aceitou a sua repressão.

    As tecnologias para cumprir promessas contra o rigor do clima eles não mostraram, até por que já tentaram roubar de JOÃO DE DEUS FERREIRA, IMPULSADOR DE ENERGIA LIMPA, DESIDRATADOR DE FRUTAS LEGUMES E TUBERCÚLOS, CATALISADOR DE MONOXIDO DE CARBONO, O SUPERFILTRO, DOIS OU MAIS DESTINOS PARA OS ESGOTOS, E COMO TORNAR RIOS E IGARAPÉS POTÁVEIS
    Descarbonizacão profunda, eles jamais cumprirão essa força de expressão.
    Transição mundial para o sistema de energia limpa, o diesel irá continuando, pelo crescimento do consumo de energia limpa
    As tecnologias estão a quém do conhecimento dos cientistas o conhecimento pertence ao PAI, e ele sabe o que faz.
    IPCC, OMS, ONU e todos as organizações que aí estão são alarmistas e terror dos fracos.
    Fim das cidades quando o PAI quiser será feita a sua vontade.
    O TEXTO DA COP21, ESTÁ NA VERDADE ENTRE O PERIGOSO E O MORTAL, POR FALTA DE PROJETOS OU FERRAMENTAS CAPASES DE MOSTRAR RESULTADOS SÓ O DINHEIRO NÃO BAIXA O RIGOR DO CLIMA.
    JOÃO DE DEUS FERREIRA, põem em jogo a verdade contra a mentira, eu posso mostrar visivelmente até para uma criança de dez anos, por que podemos baixar 2°C agindo com os meus projetos e a imprensa mostrando tudo dentro de trinta dias vocês terão todo o resultado, eu acredito que todos governos querem ver o meu erro.
    QUERO DIZER PARA VOCÊS, QUE HOMEM NEM UM QUE BEBER AS ÁGUAS QUE CORREM NOS RIOS DO MEU PAI TEM O PODER DE PERDOAR POR ABORTO OU TRANSFORMAR RESTOS MORTAIS EM SANTO QUEM DIZ FAZER TUDO ISSO É DEMÔNIO.

    O PODEROSO DEUS ESTÁ REUNINDO A SUA IGREJA E LA NÃO USAMOS SACOLINHA.

    JOÃO DE DEUS FERREIRA O HOMEM.

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