Precisamos mesmo do Minhocão?

Desde o último sábado, os paulistanos podem aproveitar ainda mais o Minhocão aos finais de semana. O elevado, que já estava fechado para carros aos domingos, agora fica aberto pra lazer das 15 horas de sábado até as 6h da manhã de segunda-feira, ininterruptamente.

O destino do Minhocão é um dos debates atuais da cidade de São Paulo. Com o avanço de seu fechamento aos finais de semana e durante as madrugadas, aos poucos, sua função de via expressa de carros, fazendo a ligação Leste-Oeste, vai gradativamente se desconstituindo, e as discussões sobre seu futuro vão se multiplicando. Basicamente duas soluções estão sendo consideradas hoje: a transformação permanente de toda a estrutura em parque, ou sua completa demolição.

É totalmente compreensível a posição dos que reivindicam o parque. Vivemos um momento em que os moradores de São Paulo estão reivindicando e se apropriando – cada vez mais – de espaços públicos de lazer, de áreas verdes e de convivência. Nesse contexto, cada possibilidade que surge, como é o caso do Minhocão desativado para carros, é disputadíssima, claro.

Mas, sob muitos aspectos, botar abaixo o Minhocão é muito importante para a cidade. Do ponto de vista urbanístico, por mais que sejam feitas melhorias e que seus impactos sejam minimizados com a transformação em parque, aquela estrutura não deixa de ser um mastodonte que degrada o entorno e arrebenta bairros. E baixos de viaduto, por mais ocupados e “customizados” que sejam, serão sempre baixos de viadutos.

Do ponto de vista político e cultural, fico hoje com a posição defendida pelo psicanalista e professor Tales Ab’Saber, para quem o Minhocão é ainda um dos maiores símbolos da ditadura militar na cidade, a começar por seu nome oficial, Elevado Presidente Costa e Silva. Para além de representar a hegemonia do automóvel no urbanismo paulistano, Tales considera que sua implementação em 1970 destroçou o que era o território cultural e intelectual mais importante da cidade naquela época.

Em um mapeamento deste território, ele demonstra que naquela região não apenas moravam muitos professores, artistas e intelectuais, como também estavam instalados os principais teatros, casas de espetáculos musicais e centros culturais da cidade. O Minhocão atravessa, corta e degrada tudo isso… em perfeita sintonia com um momento político de restrição da liberdade de criação e expressão. A construção do Elevado Costa e Silva, portanto, não levou à destruição um tecido urbano qualquer, o que já justificaria sua demolição por razões urbanísticas, mas um território da maior importância cultural, social e política.

Assim, o Minhocão é mais que um símbolo da hegemonia do automóvel e do modelo rodoviarista de construção das nossas cidades. Demolir essa estrutura, portanto, é não apenas pensar outra lógica de cidade, mas também rejeitar e enterrar definitivamente os símbolos de um passado autoritário que ainda ronda nossas vidas.

Mas, claro, não basta demolir. É necessário reurbanizar as avenidas e vias, investindo em calçadas largas e arborizadas, que sejam espaço não apenas de passagem, mas também de convivência. É preciso também pensar em alternativas de transporte público coletivo que possam aumentar a capacidade de deslocamento leste-oeste, substituindo a via elevada. E, ainda, um processo de planejamento dessa reurbanização que leve em consideração, dialogue e seja feito em conjunto com os novos/velhos atores presentes nesses locais.

Não é nada difícil fazer isso, nem é necessário que tudo seja feito de uma vez… essa intervenção pode ser realizada por trechos, e ser implementada aos poucos.

Para a cidade de São Paulo, essa demolição/reconstrução, se conduzida de forma compartilhada com quem vive/usa esses locais, pode significar um dos maiores símbolos de uma nova forma de fazer cidade.

*Texto originalmente publicado no Blog Habitat, do Portal Yahoo!.

23 comentários sobre “Precisamos mesmo do Minhocão?

  1. O Minhocão passou a ser uma verdadeira praia no centro da cidade. E como toda praia central de cidade grande, lotada. Com praia quero dizer uma grande área linear onde se pode caminhar e correr sem impedimentos, além de parar e descansar quando se bem desejar, igualmente sem impedimentos. Agora, aberto aos pedestres também aos sábados, o Minhocão reafirma essa vocação de espaço linear livre de carros, de esquinas com semáforos e livre da tensão sobre qualquer forma de acidente de trânsito. Ademais, é também a maior ciclovia da cidade aos sábados, domingos e feriados.
    No domingo passado, para quem esteve lá, ficou patente a adesão de milhares, senão de milhões de pessoas que curtiam o “pedaço”. Não havia sequer um(a) cidadão (ã) triste pelo fato dessa praia ser asfaltada. A divisão que há entre as pistas serve de generoso banco para se sentar, se deitar, namorar e fazer o que mais se queira ao longo de toda a extensão dessa praia. Daí que, a meu ver, o Parque Minhocão está pronto e não requer maiores elucubrações por parte de arquitetos e de empreiteiros que já rondam a possibilidade de ganhar em cima de projetos afins (de demolição ou de reforma). Quanto à memória do nome oficial do elevado, pergunto quem está aí para isso, uma vez dada a denominação de Minhocão pela iniciativa popular? Para quem se incomoda, bastaria retirar/revogar o nome oficial através de um pedido à Câmara Municipal.
    Seria decente uma reforminha básica no parapeito existente (raspagem e pintura nova) e a troca daquela tela tipo de galinheiro que existe abaixo do parapeito. Enfim, conservação mínima e sem maiores gastos.
    Uma próxima conquista, no meu entender, seria o fechamento da via expressa para os carros a partir das primeiras horas da manhã dos sábados.
    É preciso entender que os tais “territórios” do passado, como mostra o estudo do psicanalista Tales Ab’Saber, não têm mais lugar na presente configuração dos lugares escolhidos pela população (sobretudo dos mais jovens) quando se trata de áreas de lazer e de encontro. Um exemplo disso foi a eleição, mais recente, do Buraco da Minhoca, espaço hoje interditado por força de ações conservadoras e da “ajuda” da Polícia.
    Ademais, quem garante que a demolição do Minhocão não será, por seu turno, também uma forma de gentrificar toda a extensão da Amaral Gurgel e da São João? O resultado disso (da demolição) não garante, jamais, o retorno dos antigos professores e intelectuais do passado ao “pedaço”, e não substitui a praia existente no “andar de cima”, pois essa seria trocada por uns 40 semáforos em toda a sua extensão, além de bares e restaurantes “glamourentos” em demasia.
    É deixar vir o que vem do povo. É dar tempo a essas acomodações que estamos vendo aos poucos. É dar tempo ao que há de novo com o “desejo de rua” (como fala o Peter Pál Pelbart), sem maiores projeções ou saudosismos com um passado que já não tem mais lugar entre nós.

    • Arnaldo, acredito que uma das justificativas para um parque no Minhocão seria a tentativa de redução dos efeitos da Ilha de Calor na região, questão essa muito debatida entre urbanistas e arquitetos que justificam a necessidade de regiões verdes em meio aos asfaltados aglomerados, os centros urbanos.

      • Sugiro entrarem no site/blog do MDM Movimento Desmonte Minhocão e ficarem por dentro de toda problemática. Não se pode ter uma visão superficial e opinar na base do “achismo”. O artigo da Dra Raquel é brilhante e coloca a problemática no seu devido foco.

  2. Professora Raquel, muito obrigada por mais um texto sempre elucidativo!
    Concordo com a senhora no que diz respeito à grande oportunidade de reurbanização da região que a demolição do Minhocão representaria; entretanto, o que dificulta muito meu posicionamento é a dúvida de como os habitantes atuais da região iriam proceder caso toda a restruturação da área acarretasse no aumento dos alugueis e condomínios que circundam o Elevado. Atualmente a população residente da região, justamente por não gozar de uma estrutura urbana de qualidade, paga preços reduzidos pelas habitações, alugueis e condomínios; como procederão, entretanto, com o aumento exponencial dos preços que acompanharia toda a revitalização da área?

  3. Embora diferentes, as abordagens sobre o “Minhocão” convergem para a deficiência mais grave percebida na metrópole: a baixíssima qualidade urbanística.
    Bom salientar que tais ocorrências não se resumem ao centro da cidade, mas como uma doença, espalhada pela cidade inteira, seja no centro, seja nas periferias.
    Lembro que o Minhocão foi o desenho que fiz no vestibular da FAU e que continha na minha ingênua visão e percepção da época, 1974/75, daquilo que de pior percebia no desenho urbano e lá se vão 40 anos! Acho que desenho e dissertação tiveram algum valor, já que foram passaporte para meu ingresso na FAU. Vieram a democracia, a tecnologia e de lá para cá, tudo mudou para pior, acentuando a nossa decadência cultural, a falta de capacidade dos nossos administradores públicos na gestão e planejamento, na total falta de sensibilidade ao tratar dos fenômenos urbanos.
    Abandonou-se o pensamento urbanístico modernista resumido na Carta de Atenas, tratado até como demasiado linear e simplório para as demandas da modernidade e o substituímos por NADA. Deixamos de cuidar da SAÚDE e passamos a cuidar da APARÊNCIA.
    Raquel, destaca o elevado como grande símbolo da ditadura militar que destruiu um território cultural e intelectual importante na vida da cidade; Arnaldo Mello, realista, conforma-se com a obra erigida, tratando-o curiosa e divertidamente como uma espécie de “praia urbana”, pelas alterações de função nos finais de semana e, Isabela Freire, humanista, preocupa-se com a natural valorização que uma intervenção urbanística traga à região, provocando a expulsão dos usuários atuais.
    Claro que a diversidade de enfoque é importante, mas precisamos de soluções e caminhos.
    Eu, particularmente, acho que faltam duas coisas na gestão urbana: sensibilidade e inteligência, artigos que parecem tão fáceis de encontrar, mas que parecem ignorados e desprezados no sem fim de argumentos, explicações, justificativas, condições, teorias e teses para embasar qualquer discussão, sempre carregadas de muita retórica e, frequentemente, de interesses reais muito distantes das nossas necessidades como seres vivos.
    Resumindo, vivemos numa sociedade onde o SIMPLES deu lugar ao COMPLEXO, porque como não sabemos resolver o simples, escondemo-nos na aceitável insolubilidade do complexo.

  4. Concordo com o artigo da Raquel. Para a requalificação da região, a sugestão é o Retrofit dos imóveis das Av. São João e General Olimpio da Silveira. Necessitamos de legislação flexível e específica para viabilizar o importante Retrofit na cidade e assim preservar a nossa história.

  5. Cara Raquel e leitores deste Blog
    Não adianta muito pensarmos na demolição do Minhocão, focando apenas uma reurbanização de parte da Avenida São João e General Olímpio da Silveira, não podemos esquecer que o minhocão faz parte da Ligação Leste – Oeste, e até o momento, tirando Metrô e os trens da CPTM, não existe nenhuma alternativa viária que substitua o minhocão. Eu consigo enxergar somente duas alternativas: Uma seria manter o minhocão e envelopa-lo, transforma-lo em um túnel aéreo , e as paredes deste envelopamento seriam cobertas por vegetação , tipo heras ou unha de gato. Temos que pensar , também no transtorno para a cidade a demolição de uma obra das dimensões do Minhocão. Poderia ser mantido, também, aproveitando sua estrutura para implantação de monotrilho (totalmente sem poluição) e parte de cima poderia até ser estreitada, melhorando assim o visual. A outra alternativa seria de demoli-lo totalmente, limpar toda área e as duas avenidas seriam transformadas em corredor de ônibus elétricos ou a hidrogênio, e só seria permitida a circulação de taxi, outros veículos só poderiam usar as vias paralelas. Assim daria espaços para calçadas mais largas, arborizadas e floridas, ou seja uma “Avenida Paulista” melhorada. O que valorizaria todos os imóveis das duas Avenidas , e o seu em torno. E por falar em Avenida São João, no trecho que vai do seu inicio na Praça Antonio Prado até o Largo do Paiçandu , a Prefeitura deveria implantar um Boulevard, proibindo das 6:00hs as 24 hs a circulação de qualquer tipo de veículo motorizado, e remodelar totalmente este trecho, promovendo também encontros artísticos e culturais.
    Grato por mais esta oportunidade
    Antonio da Ponte
    Ambientalista e Corretor de Imoveis.

  6. Como argumento a favor da demolição do minhocão, fala-se em ganho de qualidade para as avenidas e imediações. O ganho é muito maior que isso. Toda a cidade de São Paulo ganha com o fim daquele que ficou conhecido como o ‘maior erro urbano do mundo’.

    São Paulo é uma cidade muito castigada e difamada. Precisamos resgatar nossa auto-estima.

  7. A “baixíssima qualidade urbanística” apontada sobre o Minhocão é evidente em nossos dias, especialmente quando tratamos de tentar frear o rodoviarismo avassalador e o transporte individual, em detrimento do transporte público de qualidade. Porém, na época em que foi construído o nosso Minhocão, cidades grandes tanto na Europa como nos EUA construíram, igualmente, os seus elevados. Para se ter uma ideia da “glória” que era o culto ao rodoviarismo, na Praça Roosevelt anterior à reforma, havia uma abertura circular singela, próxima à igreja da Consolação, de onde se avistava os carros correndo logo abaixo. Essa abertura tinha um guarda corpo de concreto e um “banquinho”, também de concreto, tipo “para namorar” ao som (ruído) dos carros. Mas a Praça Roosevelt é tão somente um “nó” a mais nesse grande complexo rodoviarista do qual falamos, isto é, o Minhocão propriamente dito.
    Cidades ricas, e muito mais endinheiradas que São Paulo (como Boston e Chicago) estão hoje demolindo seus “minhocões” e “entubando” os carros no subsolo. No Rio, no bojo do projeto Porto Maravilha, uma parte do elevado “Minhocão Carioca” está igualmente sendo “entubada”, mas isso porque o Rio recebeu aporte$ faraônicos através da Copa e das Olimpíadas.
    Em São Paulo, falar em demolição do Minhocão como forma de se livrar dessa pecha rodoviarista, “herdeira da ditadura militar” etc., como vejo, é não encarar a realidade de demandas mais urgentes, como a provisão de HIS nas áreas centrais.Considero, sim, o “retrofit” dos prédios mais colados ao Minhocão como uma prática sensata, utilizando tecnologias afins para minimizar os efeitos dos gazes poluentes e do aumento de temperatura resultante da exposição do asfalto ao sol.
    Sou usuário do Minhocão há anos. Costumo percorre-lo a pé da Praça Roosevelt até o Largo Padre Péricles (ida e volta), daí que insisto na manutenção da pista elevada como praia ou parque linear. A propósito, não raro encontro em minhas caminhadas muitos intelectuais e professores fazendo o mesmo (cooper e caminhadas). Não descarto esse ponto de vista de usuário. Não abro mão dessa praia, que utilizo sob sol ou chuva, durante o dia ou à noite.
    Minhocão: é saber usar!

  8. Ainda acho que desperdiçar uma área que pode ser reurbanizada para o bem da coletividade, não se justifica pelo crime que significou no passado. Fazer limonada desse limão seria torná-lo um parque com conchas acústicas, pequenos recantos arborizados, pistas, sombras….. e um novo nome. Renomeá-lo seria justificável por tratar-se de novo equipamento urbanístico com novo propósito, nova ocupação, contaminando e perfumando o entorno. Com ele abaixo, voltaríamos aos horrores das pistas focadas sobre um tráfico sem solução, enquanto que, renascido como área de lazer e encontros, poderia contaminar a região, atraindo pequenos teatros, cafés, centros culturais, interessados em dar suporte a um público constante – não apenas domingueiro – interessados em fazer usos diversos do ‘simples cruzar’ a região até hoje. Já que se mantém saudável do ponto de vista da engenharia, um bom trabalho de paisagistas, arquitetos e urbanistas, poderiam tornar a região aprazível e renovada.

  9. Hoje o Parque Minhocão (pois ela já existe nas madrugadas e nos fins de semana) é um dos mais importantes centros culturais e intelectuais de são Paulo. “Ponto de encontro linear” o parque é local de intensa produção artística (com suas enormes “empenas cegas”), prática esportiva e atividades de lazer. Nem antes da sua construção existia uma concentração tão intensa de atividades intelectuais e culturais em um só lugar. O parque minhocão, ao contrário do que era, hoje é um símbolo da contracultura, liberdade de expressão e uso espontâneo e criativo do espaço público. Demolir está estrutura é enterrar mais um corpo da ditadura, amargar mais uma mega obra e jogar fora um enorme espaço público, de potencial cultural imensurável, destinado às pessoas (e não aos carros). O que realmente degrada qualquer entorno (ou uma cidade inteira) é o planejamento urbano voltado para os automóveis. Uma via expressa de seis pistas com um corredor de ônibus (é o que existe hoje de baixo do elevado) não faz e nunca fez daquela região um lugar melhor, muito pelo contrário. Hoje, na maior parte do seu tempo, temos duas avenidas, uma sobre a outra, amanhã podemos ter um parque, em tempo integral, sobre uma avenida ou apenas mais uma avenida (em tempo integral!!!) Nas atuais circunstancias a implementação do Parque Minhocão é essencial para a cidade, de todos os pontos de vista, social, cultural, político e urbano.Viva o Parque Minhocão! Viva a vida!

  10. Gostaria de convidar a todos que nunca foram no Parque Minhocão a passar um domingo lá e sentir sua vida na prática, e não tanto na teoria. Mudei muito de ideia quando fiz isso.

  11. O elevado Presidente Costa e Silva já foi renomeado: chama-se, desde muito, Minhocão. Não adianta querer achar outro nome. Quanto ao nome oficial, que importância tem? Quem de nós irá marcar um encontro no “elevado Costa e Silva” ? Pergunte a um(a) jovem se ele(a) conhece o “elevado Costa e Silva”! Já coloquei a proposta de se encaminhar à Câmara Municipal o pedido de mudança do nome oficial, caso isso seja um fato relevante ou um tormento numa cidade repleta de nomes de ruas, praças, avenidas, viadutos e pontes igualmente denominados em homenagem a figuras terríveis de nossa história social e política.
    Achar que cafés, concha acústica, paisagismo ou qualquer outra “perfumaria” desenhada por arquitetos vai “revitalizar” o Minhocão é não ter ideia do que significa gentrificação.
    Basta de mirabolâncias! O Minhocão está beleza com o uso que se faz dele por pessoas que estão em paz consigo mesmas. É uma tremenda idiotice achar que arquitetos, paisagistas e urbanistas resolvem para melhor a vida de quem está atormentado(a) no seu mais íntimo. Correr, andar, bicicletar, lerdar, encontrar amigos ou ninguém, sair ao vento naquela praia enorme é uma prática (sobretudo terapêutica) que recomendo a todos que ainda não conhecem o Minhocão e estão elucubrando demais.
    Mania de obras, obras, obras! Depois reclamam de obras superfaturadas, obras mal feitas, obras que se tornam elefantes brancos, etc.
    Em tempo: todas as madrugas o Minhocão é também interditado aos carros, e não tem perigo, não tem assalto, não tem nada de “inseguro”. E vamos lembrar que o medo é uma fabricação ideológica que atua sobre mentes fragilizadas ou já deturpadas.
    Repetindo…
    Minhocão: é saber usar!

  12. A principal consequência, e a curtíssimo prazo, da demolição não seria a destruição de tudo que ainda resta de autêntico nos arredores? Se existisse um Estado forte o suficiente para proteger cada boteco antigo, cada morador que só por causa da existência do Minhocão tem condições de morar no centro – e que ao longo dos anos de Minhocão criou uma outra história, menos glamourosa mas igualmente valiosa, para a região – acharia a demolição formidável. Mas tenho a impressão de que quem vai tomar as rédeas do destino urbanístico da região caso o Minhocão seja demolido são as construtoras.
    E sobre a simbologia da escolha do nome do elevado, acho que não dá para ignorar que ele ganhou um apelido no qual talvez também dê para ver uma força simbólica de superação, já que antes de saber que ele se chama Elevado Costa e Silva, todos o chamam de Minhocão.
    Enfim, por enquanto vejo o Minhocão (por mais terrível que seja em tantos sentidos) como uma forma de proteção de pequenas joias dos bairros ao redor. Penso principalmente nos Campos Elíseos, Santa Cecília e Bixiga. Tenho consciência da contradição dessa afirmação. Mas não é disso que essa cidade é feita?

  13. Hoje o Parque Minhocão (pois ele já existe nas madrugadas e nos fins de semana) é um dos mais importantes centros culturais e intelectuais de são Paulo. “Ponto de encontro linear” o parque é local de intensa produção artística (com suas enormes “empenas cegas”), prática esportiva e atividades de lazer. Nem antes da sua construção existia uma concentração tão intensa de atividades intelectuais e culturais em um só lugar. O parque minhocão, ao contrário do que era, hoje é um símbolo da contracultura, liberdade de expressão e uso espontâneo e criativo do espaço público. Demolir esta estrutura é enterrar mais um corpo da ditadura, amargar mais uma mega obra e jogar fora um enorme espaço público, de potencial cultural imensurável, destinado às pessoas (e não aos carros). O que realmente degrada qualquer entorno (ou uma cidade inteira) é o planejamento urbano voltado para os automóveis. Uma via de seis pistas com um corredor de ônibus (é o que existe hoje de baixo do elevado) não faz e nunca fez daquela região um lugar melhor, muito pelo contrário. Hoje, na maior parte do seu tempo, temos duas avenidas, uma sobre a outra, amanhã poderemos ter um parque, em tempo integral, sobre uma avenida ou apenas mais uma avenida (em tempo integral!!!) Nas atuais circunstancias a implementação do Parque Minhocão é essencial para a cidade, de todos os pontos de vista, social, cultural, político e urbano.

  14. Amigos, bom dia.
    Esta ideia de se transformar o elevado em um corredor de ônibus expresso, já existe á décadas, e as linhas que hoje passam sob o elevado, utilizar este espaço.

    Lembrado que o elevado Costa e Silva, foi idealizado em 1968, na época do prefeito Faria Lima, que rejeitou a proposta, mas a encaminhou à Câmara reservando áreas para possíveis obras, e o prefeito seguinte Paulo Maluf, assumiu a ideia e onze meses depois, em 1970, o elevado estava pronto.

    Ele foi planejado na, época para auxiliar o transporte individual sobre os meios de deslocamento coletivos (ônibus e metrô que se estava construindo) e não motorizados (marcha a pé e bicicleta), deixando livre os espaços abaixo para uso dos coletivos, portanto são improcedentes e inoportunos os argumentos que o transporte coletivo não foi beneficiado. (Para comprovar isto, é só fecha-lo em um dia da semana, e ver as consequências de sua exclusão).

    Muitos dos que citam o elevado como degradador do espaço urbano, são os mesmos que dizem que as atuais colunas e vigas dos Monotrilhos são a solução urbana arquitetônica para as grandes cidades, portanto são opiniões mais políticas do que técnica, e varias verdades conforme suas conveniências!

    Uma coisa que eu nunca ouvi falar é o que será oferecido em contrapartida para manter a atual ligação leste-oeste-leste!
    Pois bem, nada contra a atualização das coisas ultrapassadas, mas primeiro apresentem soluções viáveis, fazer parque ou simplesmente demolir não resolve nada.

    Existem excelentes propostas por vários escritórios de arquitetura para sua readequação, que não seja a insensatez da demolição, sendo que a maioria para um corredor, envolvido por vegetação continua, entre eles o desenvolvido pelo Magno Moreira Arquitetura, que pode ser visualizado no site entre outros, é o uso de transportes coletivos alimentados eletricamente, sendo um dos favoritos, o BRT que aparentemente o mais indicado por ser mais silencioso.
    Entendo que os alcaides ainda nem aprenderam a priorizar, planejar, executar e fiscalizar o trajeto dos corredores e faixas de ônibus e querem fazer isto, o sr. Haddad prometeu 150 km de corredores e só entregou 37 km, 25% do previsto, e em troca ampliou as ciclovias simplesmente ocupando faixas de pedestre ou de veículos .

    E também parar de se comportar como uma biruta que ao resultado das pesquisas eleitorais e pressões politicas promovem mudanças que em tempos recentes se diziam imutáveis, como a volta dos taxis nas faixas de ônibus.

    Em São Paulo qual é a finalidade daquele Memorial da América Latina na Barra Funda que foi construído em um local estratégico para ser uma ampla estação rodo ferroviária, e aquele esqueleto do Museu do Trabalhador que esta sendo erguido em São Bernardo, quanto dinheiro gastos inutilmente para monumentos sem funcionalidade nenhuma, e estranhamente planejados pelos mesmos preocupados em mudar o nome do elevado e que visam exclusivamente ao culto de personalidades, será que ira constar da placa inaugural que ali teve dinheiro “doados“ pela Petrobras entre outras estatais!?

    E na região da Luz, enquanto a “cracolândia” segue a todo vapor, e a estação metrô ferroviária da Luz se encontra ultra saturada, ocorrendo sérios perigos de segurança, a sua vizinha próxima Júlio Prestes esta as moscas, e se encaminha melancolicamente para sua desativação como estação ferroviária por falta de uso e transformada em sala de exposições.

    Não considero inexequível, esta solução uma vez que ela tem por base a descentralização e a utilização de uma estação que esta a beira de sua desativação por falta de uso (Júlio Prestes), enquanto a estação da Luz já esta com seu limite esgotado quando teve por um planejamento mal executado a instalação uma estação subterrânea como terminal da linha-4 Amarela do Metrô, sem que a estação Nova Luz ou Bom Retiro estivesse concluída, e antes que alguém conteste a dificuldade de se executar esta obra, devo dizer que o Metro-Rio na estação Cardeal Arco Verde existe algo semelhante com uma dificuldade maior, pois foi executado em rocha.

    “Você pode encarar um erro como uma besteira a ser esquecida, ou o resultado que aponta uma nova direção”. Steve Jobs

  15. Blz os comentários acima feitos pelo João e Pedro Nitsche, que correspondem com os meus, e com a ideia de experimentar o que já rola no Minhocão antes de sair atirando projetos mirabolantes. É preciso sacar a adesão da moçada sobre aquele naco de asfalto, como ontem, mais um domingo repleto de gente feliz por lá. Não há projeto que supere a forma com que o povo tem adotado o Minhocão tal como ele é. Vamos, sim, continuar ganhando mais tempo de interdição aos carros. E, por favor, sem maiores elucubrações sobre o que fazer com intervenções que, fatalmente, serviriam tão somente ao ego de arquitetos e ao lucro de construtoras às quais esses sacanas costumam estar atrelados. Esqueçam as porcarias do passado, bem como os saudosismos de tempos que não mais retornarão, ao menos à luz das novas singularidades e das apropriações que a moçada tem feito!

  16. Brilhante artigo da Dra. Raquel. Visão moderna da urbanista e arquiteta que deseja a revitalização do centro da cidade de São Paulo, degradada pelo famigerado Minhocão. Creio que as pessoas deveriam procurar se informar antes de usar este espaço para escrever coisas sem propósito e que revelam falta de conhecimento da matéria. Já não falo do xingatório, próprio a quem não tem argumentos e conhecimento de causa. Sugiro aos internautas clicarem nos links do MDM – Movimento Desmonte Minhocão, para poderem estarem esclarecidos e depois poderem emitir opinião apropriada.
    Francisco G Machado

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