Crise da água: problema nosso

A possibilidade concreta de desabastecimento de água que estamos enfrentando em São Paulo foi finalmente admitida pelo novo presidente da Sabesp, empossado na semana passada. As medidas para enfrentar a crise vão implicar cada vez mais na gestão da escassez, ou seja, na definição de quem, quando e como terá acesso a água. Entretanto, até agora isso tem sido decidido de forma unilateral pela Sabesp e pelo governo estadual, sem que os cidadãos —e os governos municipais envolvidos— tenham tido a oportunidade de participar dessas definições. A escassez de água tem efeitos sociais, ambientais e econômicos, e a decisão de quem arcará com as maiores perdas não é técnica, e sim política.

Essa situação levou o Conselho da Cidade, do qual sou integrante (juntamente com mais de cem membros da sociedade civil), a debater o tema nos últimos meses e a aprovar, em sua última reunião de 2014, uma Carta Aberta ao prefeito de São Paulo sobre a necessidade urgente de o município se engajar no enfrentamento da crise da água, exigindo do governo do Estado a elaboração conjunta de um plano de contingência (conselhodacidade.prefeitura.sp.gov.br). Esse plano deve não somente evitar que ocorra um colapso do sistema de fornecimento de água, mas principalmente pactuar, com os cidadãos e seus governos, a definição das prioridades na gestão da escassez.

De acordo com a carta: “A falta de água para as escolas, creches, unidades básicas de saúde, hospitais e outros equipamentos públicos requer iniciativas que articulem distintos órgãos, demandando uma coordenação executiva com poderes para organizar ações conjuntas, com participação da sociedade civil”. O Conselho aponta, ainda, 25 propostas emergenciais, que podem ser implementadas rapidamente. Parte delas diz respeito à necessidade de transparência da Sabesp em suas ações. O conselho propõe que “a interrupção, o racionamento, ou ainda, a redução da pressão de fornecimento por períodos determinados têm que ser feitos às claras” e anunciado. E os locais têm que ser identificados previamente, de maneira a permitir que a população se prepare para enfrentar essa situação.

Quantas pessoas não já passaram pela situação de ver a água acabar de uma hora para outra em sua casa, sem nenhum aviso anterior e nenhuma possibilidade de se programar para o período sem água? Quem consome hoje os maiores volumes de água? Como a Sabesp, que até hoje privilegiou a remuneração de seus investidores em detrimento da garantia da água como um direito humano, tem administrado as perdas econômicas decorrentes da crise?

A questão fundamental é que, sem plano de contingência claro e transparente, sem envolvimento das prefeituras de todos os municípios afetados e sem participação da sociedade civil, quando a água acabar —a perspectiva é de que isso vai acontecer— será necessário definir onde e como haverá abastecimento. Quem vai decidir isso? Nos termos da Carta Aberta, a água é um bem público e assim deve ser tratada pelo Estado e por suas empresas.

*Coluna originalmente publicada no Caderno Cotidiano da Folha.

5 comentários sobre “Crise da água: problema nosso

  1. Já está na hora de ser decretado estado de calamidade pública e ser cumprida a lei 9433. em situações de escassez hídrica a água deve ser para consumo humano e dessedentação de animais…o resto tem que parar…não podemos continuar a utilizar água potável para fazer concreto…

  2. Cara Raquel
    Sabemos que a água doce é bem finito. Portanto não é só São Paulo que terá que pensar em alternativas urgentes, mas todo o Planeta. Na Europa, África e Ásia, já existem países em conflito por causa da água. O Brasil tem ainda muita oferta de água, só que está se apresenta em maior quantidade onde há menor densidade demográfica, que é a região Norte. Devemos desde de ontem já ir pensando em uma malha hidrográfica, para poder servir todo pais. Se somos capaz das mais mirabolantes construções, como um gasoduto que traz gás da Bolívia para a região Sudeste, por que não podemos canalizar água da região Norte , para outras regiões como o Nordeste. Sudeste, etc. O Governo , também deveria incentivar em todos os municípios do Brasil, a Captação de Águas das Chuvas (estas são desperdiçadas além de causar enchentes nos períodos mais chuvosos, e o incentivo a Energia Solar, pois a Energia gerada por Hidrelétrica estão com os seus dias contados, também. Cheguei a mandar um projeto de captação de águas, quando Marta Suplicy, era a Prefeita, o mesmo foi engavetado ou jogado fora, pois nunca me deram retorno, o mesmo enviei para on Governador Geraldo Alkimin , recentemente, através do Deputado Floriano Pésaro, ainda não houve retorno.
    Há muitas idéias boas , falta vontade política.
    Antonio da Ponte
    Ambientalista

  3. 190 ESPECIE

    PESCAR: APANHAR peixes, retirar da água, deleitar com essa proteína que lhes dá prazer.
    HOJE já não podemos mais pescar 190 espécie de peixes por leis e ordem do GOVERNO FEDERAL, que está punindo os pescadores por possíveis extinções de centenas de espécies MARINHA. O GOVERNO se esqueceu que a pesca é milenar e as espécies sempre resistiram á demanda, e só não está resistindo agora, por falta de MEIO AMBIENTE, aquela sujeira que o GOVERNO FEDERAL reluta em limpar, e quando eles tentam revitalizar algum rio eles gastam UNS BILHÃO E DUZENTOS MILHÕES, e a BAIA DA GUANABARA continua com a mesma podridão.
    O GOVERNO criou o defeso dos RIOS LAGOS MARES E IGARAPÉS, para fugir do compromisso de limpar a sujeira que o progresso lhes trouxera, mais hoje já não existe mais piracema como antigamente, pois os rebanhos ou cardumes perderam 75% e as piracemas ficaram na história.
    MILHÕES DE FAMILIAS DO SUDESTE haverão de deixar estas regiões por falta de água logo este ANU, POR FALTA DE MEIO AMBIENTE que produz a EVACUAÇÃO que produz a fome e a miséria no NORDESTE E UM MILHÃO de MARANHENSE passando fome no ESTADO DO MARANHÃO, O sudeste NÃO É O NORDESTE que o GOV. prometi e decretaram a miséria e o esquecimento há esse povo sofrido e humilhado pelo descaso de não fazer MEIO AMBIENTE.
    SÃO PAULO perdeu 25% dos seus alunos por precaução dos familiares prevendo o pior, não foi por falta de aviso JOÃO DE DEUS falou ou vocês acabam com o PT ou o PT acaba com os seus bens e o BRASIL.
    VOCÊS QUE ADORAM O MAL DO MEIO AMBIENTE, que tem nojo de lavar os pratos que vocês comem, e vocês terão que lavar e servir o grande prato, de todos os bons frutos que a NATUREZA PRODUZ, e alem do mais vocês irão sofrer inúmeras penalidades e uma delas é a falta de (interest in intercourse,) a todos aqueles que está contra o MEIO AMBIENTE ou ajudando a produzir este mal corrupto, e irão dizer isso nunca me aconteceu, podem rir enquanto podem quem rir por ultimo serão os seus vizinhos, pela cara de suas esposas, se descobre o sofrimento.
    O PODEROSO DEUS ESTÁ REUNINDO A SUA IGREJA.
    JOÃO DE DEUS FERREIRA.

  4. Folgo em saber que o desabastecimento está próximo.

    Mas parece que os incendiários MTST e FLM não estão nem aí. O governo que se vire para prover água para 20 milhões de bocas. Com ou sem chuvas.

    Talvez quando a metrópole paulista bater na casa dos 30 milhões e o eixo Rio-SP chegar aos 50 milhões essa turma caia na real.

  5. O problema da água em SP é consequência do desmatamento logo mais acima e aqui. (Olhando bem em Mato Grosso parece que o solo virou uma colcha de pachtwork de terra seca), se vocês abrirem o mapa com imagem de satélite, irão ver que a situação é bem pior do que parece já que não temos uma imagem atualizada. Alem do desmatamento não temos mais áreas de mananciais, moro perto de uma na região de Interlagos São Paulo, por causa do crescimento urbano irregular nessa áreas, quando o calor aumenta o cheiro do ar é de fossa com esgoto, (Construções irregulares sem saneamento básico, esgoto e fossa jogados direto na represa Billings) tem muitas pessoas que sempre adoecem, principalmente crianças e idosos. E a culpa realmente é nossa. O homem e sua ganancia causarão seu próprio fim.

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