Feiras livres: um patrimônio de São Paulo

No último dia 25 de agosto, comemoramos 100 anos de existência formal das feiras livres de São Paulo, um verdadeiro patrimônio da cidade. A data se refere à primeira regulamentação desta atividade na capital, o Ato 710, assinado pelo então prefeito Washington Luis, em 1914. A primeira feira oficial da cidade funcionou no Largo General Osório.

Hoje temos 880 feiras espalhadas pelas 32 subprefeituras da cidade. Geralmente, os feirantes tocam o negócio em família, trabalhando em diferentes feiras a cada dia da semana, à exceção da segunda-feira. Hoje são mais de 16.000 barracas de feira na capital, de acordo com informações da prefeitura, em todas as regiões da cidade.

Garantindo a oferta de alimentos frescos – principalmente frutas, legumes e verduras, as feiras são um importante elemento de segurança alimentar para a população paulistana.

Para se ter uma ideia da importância desta oferta, em Nova York a prefeitura criou os chamados greencarts para incentivar o consumo de alimentos frescos nos bairros porque em alguns lugares é simplesmente impossível encontrá-los. Com essa iniciativa, vendedores ambulantes cadastrados têm permissão para vender estes alimentos em carrinhos, circulando pelas ruas destes locais.

Mas, para além de estratégia de abastecimento, as feiras de rua são um verdadeiro patrimônio cultural de São Paulo. São modos de vender, são relações de anos entre os feirantes e a freguesia, são as conversas e brincadeiras, são as dúzias que viram quinze… Sem falar no famoso pastel de feira, atração turística imperdível em São Paulo.

Nesses tempos em que alimentos industrializados são mais acessíveis que os frescos – de todos os pontos de vista, inclusive do econômico – e em que a obesidade tem virado uma epidemia, salve os 100 anos das feiras livres de São Paulo!

*Texto originalmente publicado no Yahoo!Blogs.

 

7 comentários sobre “Feiras livres: um patrimônio de São Paulo

  1. Na minha opinião são anacrônicas e desperdiçam uma enormidade de recursos , desde a costumeira obstrução de ruas e seus imóveis numa São Paulo entupida, como a $$$ para a limpeza, que não é pouca , dos orçamentos exíguos da prefeitura. Qualquer supermercado da cidade tem alimentos frescos de horas em horas com mais eficiência e limpeza.Feiras livres sim ,mas com gestão e locais adequados.Afinal ,São Paulo mudou em cem anos , ou não ?

    • Concordo. A rua não é um local adequado, principalmente para quem mora nela. Sua opinião nos conduz à ideia de reservar espaços livres de transito para a realização das tradicionais feiras-livres.

      Existem bairros inteiros em São Paulo que não dispõe de uma única praça, como Campo Belo e Brooklin na zona sul. A solução é fazer na rua mesmo.

  2. Vale a pena conhecer a feira noturna de Diadema que acontece às quintas-feiras, das 18 às 22 horas na Praça da Moça, centro da cidade. Realizada no amplo e iluminado espaço da praça, a feira é limpa e com um piso seguro ao pisar. Tem ainda (boa) música ao vivo em volume respeitoso, muitas barracas de comida – não só pastel – além de, é claro, os produtos horti-fruti.

    É possível encontrar ali famílias inteiras com as crianças em busca de distração. A feira é a melhor opção de lazer para muita gente da periferia das grandes cidades.

  3. As feiras são verdadeiros caldeirões culturais, onde todos acabam “descendo do salto” e criando uma identidade tipicamente brasileira: confusa, espalhafatosa, sem-classe, mas ao mesmo tempo charmosa e genuína. E pelo amor de Deus, os pastéis de feira são divinos!

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