A polêmica dos corredores de ônibus na Câmara de São Paulo

Recentemente um leitor sugeriu que eu comentasse aqui no blog sobre as desapropriações para construção de corredores de ônibus, que têm suscitado polêmicas em diversos bairros e resistência por parte de comerciantes principalmente. Sem dúvida esse é um assunto importante. Mas é preciso entender melhor como tudo isso funciona.

Cada vez que a prefeitura tem a intenção de alargar uma via para realizar qualquer obra, inclusive os corredores de ônibus, ela deve antes enviar para a Câmara Municipal um projeto contendo o novo alinhamento da via, que deve ser discutido e votado pelos vereadores.

Mas o novo alinhamento não significa, de antemão, uma desapropriação. Centenas de alinhamentos já foram aprovados em São Paulo sem que desapropriações fossem feitas, pelos mais diversos motivos. Para desapropriar não basta a aprovação dos novos alinhamentos, a prefeitura precisa também publicar um decreto de utilidade pública da área.

O Projeto de Lei 17/2014, enviado recentemente pela prefeitura à Câmara, traz o novo alinhamento necessário para a construção de novos corredores de ônibus. Estão previstas intervenções em 66 vias e 7 mil lotes. A ideia é, até 2016, construir 150 km de novos corredores.

É compreensível que o anúncio de novos alinhamentos nas vias gerem insegurança e inquietação entre comerciantes, que estão agora pressionando pela não aprovação do projeto.

Por um lado, é indiscutível que os novos corredores de ônibus são importantíssimos para a cidade. Mas, ao meu ver, há duas questões que precisam ser mais bem pensadas.

Em primeiro lugar, não é necessário votar todos os novos alinhamentos de uma só vez, afinal, será impossível realizar todas as obras ao mesmo tempo. Em algumas regiões, aliás, é possível começar com uma faixa exclusiva, que não muda o alinhamento da rua, e só depois construir os corredores.

Em segundo lugar, já está mais do que na hora de conceber esses novos corredores não como meros projetos viários, mas como projetos urbanísticos. Ou seja, não se trata apenas de novos alinhamentos das ruas, mas de todo o projeto urbanístico do entorno.

Um projeto urbanístico tem mais capacidade de lidar com os impactos que estas obras causam: identificar quem são os atingidos, como são atingidos, o que pode ser feito para minimizar pontos negativos e, ao mesmo tempo, qualificar a região de um ponto de vista urbanístico, trazendo outros benefícios para a população, para além da própria melhoria do transporte público.

3 comentários sobre “A polêmica dos corredores de ônibus na Câmara de São Paulo

  1. como poderiamos colocar corredores de onibus,em ouro preto minas gerais,qualquer pessoa normal diria,como faze lo onde os onibus circulariam,fica muito dificil,dar uma sugestão,pois uma cidade criada na época da extração de ouro a muitos anos,tinha uma população pequena,como poderia circular tantos carros agora a tantos anos,que passaram,impossivel que se chegue a um resultado positivo,assim e a cidade de são paulo,varios anos já passaram,são paulo ficou sem planejamento,os prefeitos que passaram,tirando o engenheiro paulo maluf,que criou as marginais ao longo do rio tiete e do rio pinheiros,foi unico prefeito que planejou,o plano diretor,nunca saiu do papel e continuara no papel,ja esta ultrapassado,a cidade cresceu,se verticalizou,e nada foi feito,as avenidas nenhuma foi remanejada,ou alargada como deveria ser,tem um projeto de 1995 na camara aprovada,para,fazer a ligação de pirituba,av.raimundo pereira de magalhães até o braz,pela linha de trens,seria quatro pistas de cada lado,como uma free-way,sem cruzamentos em linha reta,com velocidade acima de cento e vinte kilometros horarios,a ponte sobre o rio que seguira para pirituba,já possui verba para sua construção ao lado do shopping plaza tiete,e outras alças de acesso deveriam ser feitas o mais rapído possivel,para evitar cruzamentos,o transporte coletivos de onibus e precario,manutenção,praticamente não existe,existia uma lei que as empresas concessionarias teriam que fazer a troca,de tempos em tempos,mais isso nunca mais aconteceu,em são paulo,são correcerias de caminhão que foi acoplada uma carroceria de onibus,as vezes alto de mais,quando baixo,a eliminação dos bancos de onibus na frente,perto do motorista,isto se chama mobilidade urbana,melhoria,e uma atraz da outra só promessas,esperamos mudanças mais rapidas e menos conversa,pois se isso não acontecer logo são paulo,ficara travada,att roberto galdi-consultor-rh-adm

    • Meu caro Roberto Galdi,

      Gosto dos seus comentários mas desta vez tenho que discordar. Tudo que você falou contempla o uso do automóvel.

      Grandes avenidas, Fee ways com 4 pistas de cada lado, viadutos, pontes para ‘vencer o obstáculo do rio Tietê’ tudo isso hoje é reconhecido como erro urbano. São o fruto azedo da mentalidade rodoviarista criada pelo automóvel. Se em 1995 fossem feitas essas obras, hoje elas estariam saturadas e seria necessário construir mais vias expressas ao longe para desafogar o trânsito.

      Foi assim que as cidades foram crescendo. Crescendo, não. inchando feito câncer. Culpa do automóvel, uma máquina criada para transportar pessoas mas que hoje não presta mais para isso. Uma bicicleta move-se mais rápido.

      Hoje, pessoas moram a 100 Km de distância e vem trabalhar em São Paulo. As rodovias ‘de primeiro mundo’ com 4 pistas de cada lado que chegam à capital já não dão conta do volume de tráfego de manhã e à noite. Poderíamos construir mais 4 pistas em cima das atuais rodovias mas ficaria a pergunta: quando vai acabar essa insanidade?

      Recomendo a leitura do excelente ‘Cidade para Pessoas’ do arquiteto dinamarqês Jan Gehl. Nesse livro, Gehl demonstra nas entrelinhas como o automóvel destruiu nossas cidades e mostra caminhos para recuperá-las. Deus nos deu pernas para serem usadas, não? Leia também o assombroso ‘Automóvel, um condenado’ de Jorge Okubaro’ e você terá a nítida impressão que essa máquina está com os dias contados.

      abraço

  2. , a Prefeitura já se adiantou e vai tornar esses Corredores em novas fontes de recursos, pois planeja instalar neles 843 novos radares. A prioridade é usar os equipamentos justamente para vigiar as faixas de ônibus, aplicar mais multas e aumentar a arrecadação. Cobrar a população é de fato a política mais rápida e eficiente que a atual administração tem feito em relação ao trânsito.
    No ano passado, a Prefeitura arrecadou mais de R$ 850 milhões com multas e a estimativa é que o valor chegue a R$ 1,2 bilhão este ano. Como se pode perceber, a atual administração transformou as multas em fontes de arrecadação, encontrando um meio fácil, rápido e eficiente de conseguir recursos. Mas, ao invés de utilizar essa verba para os serviços de engenharia de trânsito, como está previsto em lei, e melhorar o sistema viário em benefício da população, o dinheiro tem sido usado para pagar até o cafezinho do pessoal.a Prefeitura vem fazendo, querendo tudo às pressas, sem apresentar qualquer estudo técnico e sem levar em conta o enorme custo social. A atitude afoita da Prefeitura ignora, deliberadamente, o respeito pelas pessoas, por sua história de vida, por tudo que elas conquistaram. É o mínimo que se precisaria fazer quando se pensa em algum tipo de interferência urbana, como são esses corredores de ônibus, numa cidade tão complexa quanto a nossa.
    A Prefeitura de São Paulo vem tratando os automóveis como os grandes vilões da mobilidade urbana. Mas vamos refletir: só a implantação dos corredores vai melhorar o caos urbano? O governo tem algum estudo que comprove que os motoristas deixarão os carros em casa e passarão a usar o transporte público? Uma pesquisa do Ibope mostrou que os paulistanos que usam carro são os que mais perdem tempo no trânsito. Além disso, o estudo revelou que aumentou de 50% para 54% o número dos pesquisados que deixaram de usar ônibus e passaram a andar a pé. Também, em 2012, os ônibus levavam 26% dos paulistanos, porcentagem que caiu agora para 24%. A própria Prefeitura reconhece que parte dos 15 mil ônibus que circulam na nossa cidade está distribuída de forma errada.
    É essa falta total de critérios, a falta de projetos que contemplem realmente os interesses da população, a falta de debates com a comunidade até se chegar à melhor solução, é que tem provocado cada vez mais reações contrárias ao Projeto dos Corredores dos moradores e comerciantes que serão prejudicados

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