Queremos qualidade dos serviços públicos?

Quando se fala no problema do lixo, geralmente pensamos em construção de aterros e em novas tecnologias de reciclagem. Na área da educação, pensamos logo na falta de creches, escolas e outros equipamentos educacionais. Na saúde, queremos mais hospitais, mais clínicas, mais equipamentos para realização de exames, mais medicamentos disponíveis.

Obviamente que os problemas de cada uma dessas áreas têm suas especificidades e complexidades. Mas é comum que gestores públicos busquem traduzir em obras as respostas a cada um deles. Se fazer obra fosse a solução, acredito que não estaríamos hoje reclamando da precariedade dos nossos serviços públicos e das dificuldades da vida nas nossas cidades.

A usina do lixo, o edifício da escola ou do posto de saúde geram inaugurações festivas, fotos em jornais e em folders de propaganda, vídeos na TV. Mas o problema não termina com estas inaugurações, apenas começa. No centro da questão está a gestão e a qualidade do serviço, que dependem de muitos fatores, entre eles, principalmente, das pessoas que o realizam.

A greve dos garis do Rio de Janeiro chamou a atenção para uma questão importantíssima, que muitas vezes é deixada em segundo plano: trata-se da não valorização dos trabalhadores/as que prestam serviços públicos. Isso vale para garis, vale para professores/as, para motoristas e cobradores/as de ônibus, para profissionais de saúde, entre muitos outros trabalhadores e trabalhadoras.

Depois de oito dias de mobilização, os/as garis do Rio conquistaram aumento salarial de 37%, passando a receber como salário-base R$ 1.100,00 no lugar dos R$ 802,57 anteriores, e reajuste no vale-refeição, que passou de R$ 12,00 para R$ 20,00. Além disso, eles receberão também 40% adicionais por insalubridade.

Foi uma mobilização vitoriosa. Especialmente se levamos em conta que o padrão salarial da categoria é baixo na maioria das cidades. Em São Paulo, por exemplo, o salário base dos garis é de R$ 879,00, de acordo com sindicato da categoria. Em Juiz de Fora (MG), é de R$ 776,82.

No ano passado, uma das pautas que apareceu com força nas manifestações foi a da educação. Em vários estados, professores e estudantes vêm realizando mobilizações, reivindicando melhores salários e condições de trabalho , inclusive com greves e paralisações.

Para se ter uma ideia, em Maceió, um professor da rede municipal ganha R$ 1.075,28 para uma jornada de 40 horas semanais, de acordo com levantamento realizado em 2013 pelo Portal Terra. O piso nacional dos professores, reajustado em janeiro, é de R$ 1.697,37.

O que esperar da qualidade do ensino quando professores ganham tão mal? Mesmo o piso nacional, que alguns estados e municípios ainda descumprem, está longe de representar uma remuneração digna para alguém a quem confiamos a formação de nossos filhos.

Outro dia, em um programa de TV, vi um quadro que mostrava o apoio de um banco público a uma jovem empreendedora que confecciona e vende roupas. Contando ao vivo sua história, ela comentou que era professora da rede pública de um município da Região Metropolitana do Rio e que tinha decidido abrir um negócio porque era impossível viver e sustentar a família apenas com seu salário de professora. Naquele dia fiquei pensando… pobre país onde uma professora não pode viver de seu salário e precisa virar “microempreendedora” para sobreviver!

Sabemos que essa é também a realidade de diversos profissionais de saúde, como enfermeiros/as, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos/as… De motoristas e cobradores/as de ônibus… De policiais, guardas metropolitanos, agentes de trânsito… Enfim, de trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas atividades no serviço público.

Construir equipamentos públicos é importante. Melhorar a gestão é fundamental. Para tanto é necessário enfrentar as disparidades salariais e valorizar os/as trabalhadores/as dos serviços públicos. Isso é essencial se quisermos ver alguma luz no fim do túnel no que diz respeito à qualidade destes serviços.

* Texto originalmente publicado no Blog Habitat, do Yahoo!.

5 comentários sobre “Queremos qualidade dos serviços públicos?

  1. A greve dos garis mostrou o quanto as metrópoles são vulneráveis.

    Claro que eles ganham uma miséria mas o serviço de limpeza urbana é essencial. Imagine uma pandemia qualquer causada pelo acúmulo de lixo nas ruas aliado às chuvas torrenciais que caíram no Rio.

    Fico imaginando o que aconteceria se os policiais militares do Rio ou SP resolvessem entrar em greve. Melhor nem pensar.

  2. Caro Celso,
    não são as metrópoles brasileiras, ou as cidades que são vulneráveis, mas os cidadãos que são vulneráveis, ante os baixos salários!
    Pandemia é a dos baixos salários!
    Contra os baixos salários, TEM QUE TER GREVE!
    SE NÃO TIVER DIREITOS (E BONS SALÁRIOS) NÃO VAI TER COPA!

    • Meu caro Arnaldo

      Pense numa coisa: é legítimo fazer de refém a população de uma cidade em nome do direito – legal, claro – de uma categoria?

      Penso que é preciso criar outros mecanismos de pressão por melhores salários que não penalizem ainda mais o estressado cidadão das grandes cidades. Por que os poderosos sindicatos não fazem isso no campo da negociação ao invés de só saberem fazer greves? Resposta: porque não sabem. São comandados por incompetentes. Aliás, sindicatos são uma das aberrações da nossa patética democracia. Mas isso é assunto para outra discussão.

      Já em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad está jogando a toalha. Descobriu agora que a cidade é ingovernável.

      Não só São Paulo como todas as grandes cidades brasileiras são ingovernáveis. O prefeito foi reduzido à tosca figura de um síndico tentando administrar o caos. Sabe por que? Porque a palavra planejamento não existe mais. O que há hoje são ações paliativas com duração de 4 anos, calculadas para agradar o eleitorado e garantir a permanência no cargo.

      abraço e continue postando.

      • NO BRASIL DE UM MODO GERAL,O EXECUTIVO SEMPRE TEM A CULPA PELOS SERVIÇOS PRESTADOS A POPULAÇÃO SÃO INADEGUADOS,POIS FALTA TUDO,NÃO TEM PLANEJAMENTO,AS LICITAÇÕES SÃO ABSCURAS OU SEJA SÃO MANIPULADAS,PARA VALORES QUE NÃO SÃO O VALOR REAL, QUE SE PAGA,VOU CITAR A VOCÊS, NA REGIÃO OESTE DE SÃO PAULO TEMOS UMA DIFICULDADE EM ESTABELECER A SAÚDE QUE TANTO QUEREMOS,POR INCONPETENCIA DO MINISTERIO DA SAÚDE EM BRASILIA,QUE NÃO FAZ SUA PARTE,DA MARGEM A CORRUPÇÃO,E PARA SE TER ASSISTENCIA MEDICA O TRABALHADOR TEM RECORER A CONVENIOS FAJUTAS,INESCRUPULOSOS,PARA CONSEGUIR SOBREVIVER,TEMOS QUE TER REFORMAS QUE DESDE 1964,NÃO FORAM REALIZADAS,GASTA SE MAL,OBRAS ATLETICAS,PARA UM PAIS QUE NECESSITA DE TECNOLOGIA,EDUCAÇÃO,TRABALHO,NA AGRICULTURA,HOSPITAL QUE ME REFERIA E O HOSPITAL SOROCABANA NA LAPA,HOSPITAL DE REFERENCIA PARA A POPULAÇÃO QUE GANHA UM SALARIO MINIMO IREAL,POIS TERIA QUE SER AGORA EM TORNO DE $ 2.850,00 E NÃO ESSA PORCARIA DE $725,00 REAIS,COMO PODE UM CIDADÃO SUSTENTAR SUA FAMILIA DE QUATRO PESSOAS COM $ 725,00 CONFORME LEI DA CLT,FEITA EM 1950,SO ARRECADARAM,CONSTRUIRAM A TRANSAMAZONICA,A PONTE RIO NITEROI,A CONSTRUÇÃO DE BRASILIA,BILHOES DE REAIS FORAM GASTOS,E A CORRUPÇÃO ABOCALHOU O RESTANTE,O REGIME MILITAR INSTITUIDO,FEZ A MORALIZAÇÃO,DURANTE VINTE E TREIS ANOS,ENSINANDO AMOR PELO BRASIL,PELO NOSSO POTENCIAL,MAIS A CORRUPÇÃO TOMOU POSSE,E SE ESTABELECEU DURANTE ESSES ANOS,COMO UM SERVIDOR PUBLICO,PODE OFERECER UM BOM TRABALHO,POIS NADA FUNCIONA,COMO REPRESENTANTE DO CONSELHO PARTICIPATIVO MUNICIPAL,VAMOS QUESTIONAR COM OS REPRESENTANTES DO EXECUTIVO,RESPOSTAS POSITIVA,E ANDAMENTO DO PROMETIDO PARA A POPULAÇÃO,TEMOS QUE MUDAR O REGIME PRESIDENCIALISMO,PARA O PARLAMENTARISMO,POIS SE O INDICADO NÃO TIVER COMPETENCIA,FORA,SE ESTIVER ENVOLVIDO EM CORUUPÇÃO SERA A CADEIA,SÓ ASSIM PODEREMOS CRESCER,BANIR TODA ATIVIDADE,DESVIO DE CONDUTA,DE POLITICOS E PESSOAS DE TODAS ARES COMO ESTA NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA,VAMOS RESPEITAR,SÓ ASSIM VOLTARÁ CRESCER E SER UMA DAS MAIORES POTENCIAS DA AMERICA-MINHA REVOLTA E VER A IGNORANCIA PREDOMINAR,EM TODAS AREAS,E PRECISO REAGIR,COBRAR,BRIGAR SE FOR PRECISO,HONRAR O QUE OS BANDEIRANTES INICIARAM EM 1500 SÃO 514 ANOS A ESPERA DA LIMPEZA-ABRAÇO AOS QUE AMAM ESSA TERRA CHAMADA BRASIL-ATT-ROBERTO GALDI-CONSULTOR-RH

  3. Como funcionária pública, lotada no poder executivo, fico surpresa de ninguém comentar a diferença entre salários do poder executivo, poder legislativo e poder judiciário. A mídia só fala no inchaço da máquina pública – no executivo – e não lembra de mais ninguém, mas quem paga a conta é o cidadão que paga impostos. O servidor do executivo não tem bom salário, não tem um bom plano de carreira enquanto que o servidor do legislativo ou judiciário, que exerce a mesma função, tem o mesmo cargo ganha 3, 4, 5 vezes mais. Será porque? Alguém sabe me responder.

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