Um jogo de sombras

Nas últimas semanas, o tema da violência nas manifestações tomou conta do debate público nos meios de comunicação. Às vésperas da Copa do Mundo e de eleições no Brasil, a ideia de que o país está mergulhando em um mar de desordem e descontrole convoca clamores por maior repressão, alimentados por toda sorte de apetites político-partidários. O problema agora é o “vandalismo” e o que importa é buscar seus antídotos: leis antiterrorismo, intervenção direta do Exército, prisões e punições mais duras para manifestantes…

A trágica morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade, quando cobria protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro, intensificou este clamor por maior repressão. Porém, Santiago não foi a primeira vítima fatal dos protestos, nem mesmo o primeiro profissional de mídia a ser atacado e ferido. Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), foram 119 os jornalistas agredidos em manifestações de junho para cá, dos quais 75% vítimas de ações policiais.

Tampouco a violência no Brasil foi inventada pelos chamados “black blocs”. Disfarçada de cordialidade, oculta ou mesmo escancarada, a violência faz  parte da nossa cultura: das guerras entre torcidas à violência doméstica, dos linchamentos públicos às ações discriminatórias e racistas praticadas amplamente, inclusive pela polícia, dos assassinatos de camponeses à prostituição infantil e todo tipo de tráfico e milícias, a lista é extensa.

Mesmo o vandalismo – que hoje é percebido como algo inadmissível e para o qual se exigem respostas imediatas – há muito marca o cotidiano da paisagem de nossas periferias: todos os dias equipamentos públicos são depredados ou destruídos.  

A pergunta dificil de responder é: por que jovens estão nas ruas arrebentando e quebrando?

Aí reside, a meu ver, o problema: as pautas, demandas e revindicações presentes nas manifestações – por infraestrutura e serviços públicos de qualidade, pelo direito à cidade, por participação nas decisões e no controle social, entre muitas outras – não são ouvidas nem respondidas porque exigiriam reformas (urbana, política, entre outras reformas estruturais) que nenhuma força política no país hoje é capaz de encarar e liderar.

São os chamados temas complexos, que exigem mudanças estruturais e rupturas com coalizões fortemente sedimentadas que jamais apresentarão resultados concretos no curto prazo dos horizontes eleitorais.

Por isso, é mais fácil assumir que o problema central é como conter a violência nas manifestações. Nem a criação do crime de terrorismo, nem a proibição do uso de máscaras, nem a convocação do Exército são ações que minimamente apresentam respostas às insatisfações manifestas nas ruas.

Entretanto, perigosamente convocam um estado de exceção, enfraquecendo as reivindicações mais do que legítimas que tomaram conta das ruas desde o ano passado.

Estejamos atentos para não resvalarmos num jogo de sombras. Mantenhamos viva a escuta do que se grita nas ruas, ainda que, infelizmente, neste momento, a linguagem perversa da violência ameace nos cegar.

* Coluna originalmente publicada no Caderno Cotidiano da Folha.

5 comentários sobre “Um jogo de sombras

  1. O que é mais imbecil dos teóricos do “direito à Cidade” – eufemismo – é a ideia de que deveríamos chegar ao socialismo com a negação progressiva dos direitos à propriedade e à livre iniciativa. No fundo, querem transporte de graça, saúde de graça, educação de graça, tudo com a qualidade dos melhores serviços pagos. Falta essa gente explicar como essa conta fecha com o que um governo – qualquer governo, por mais taxador que seja – arrecada. Então, eles se dedicam apenas ao ofício de sempre: destruição de valores. Não colocam nada no lugar. Quando um grupo de delinquentes idiotizados por eles, confinados em salas e incitados ao ódio contra a riqueza (convencidos de que isso é maldito e não farão parte) e os trabalhadores acaba matando um trabalhador, podemos, então, esquecer essa vida e os métodos dos canalhas por ter existido lá atrás um regime militar, etc, etc. A família do Santiago está cagando um balde para o regime militar, pois ela perdeu seu chefe para um grupo de jovens psicopatas. Isso é bem simples de entender. Não foi o Brilhante Ustra que tirou a vida do Santiago, foi um grupo de pirralhos tresloucados por esse discurso que só promete coisas vazias e inalcançáveis pelos métodos por eles anunciados. É ELES que devem ser cobrados, e não o Charles Menson, o Mark Chapman, o Adolf Hitler, o Médici ou o “Giorgi Bushi”. A Justiça – cujos debates são muito mais complexos que a capacidade cognitiva da Sra. Rolnik pode acompanhar – se encarregará de dar a voz da Civilização diante dos 2 pequenos bárbaros. Assim é a vida!

  2. O que é mais imbecil dos teóricos do “direito à Cidade” – eufemismo – é a ideia de que deveríamos chegar ao socialismo com a negação progressiva dos direitos à propriedade e à livre iniciativa. No fundo, querem transporte de graça, saúde de graça, educação de graça, tudo com a qualidade dos melhores serviços pagos. Falta essa gente explicar como essa conta fecha com o que um governo – qualquer governo, por mais taxador que seja – arrecada. Então, eles se dedicam apenas ao ofício de sempre: destruição de valores. Não colocam nada no lugar. Quando um grupo de delinquentes idiotizados por eles, confinados em salas e incitados ao ódio contra a riqueza (convencidos de que isso é maldito e não farão parte) e os trabalhadores acaba matando um trabalhador, podemos, então, esquecer essa vida e os métodos dos canalhas por ter existido lá atrás um regime militar, etc, etc. A família do Santiago está cagando um balde para o regime militar, pois ela perdeu seu chefe para um grupo de jovens psicopatas. Isso é bem simples de entender. Não foi o Brilhante Ustra que tirou a vida do Santiago, foi um grupo de pirralhos tresloucados por esse discurso que só promete coisas vazias e inalcançáveis pelos métodos por eles anunciados. É ELES que devem ser cobrados, e não o Charles Manson, o Mark Chapman, o Adolf Hitler, o Médici ou o “Giorgi Bushi”. A Justiça – cujos debates são muito mais complexos que a capacidade cognitiva da Sra. Rolnik pode acompanhar – se encarregará de dar a voz da Civilização diante dos 2 pequenos bárbaros. Assim é a vida!

  3. NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE O NOSSO POVO,PENSE SÓ EM FUTEBOL E CARNAVAL,E O RESTO,O QUE SERÁ DEPOIS DE TUDO ISSO,ESSA FESTA,NOSSO CONGRESSO,QUE ESTA RECHEIADO DE INCONPETENCIA,DELAPIDANDO O TESOURO COM Á VERBA PAGA,PARA MANTER O GABINETES,NA VOTAÇÃO DA IMPUNIDADE DE ADOLECENTES QUE PRATICAM TODO TIPO DE VIOLENCIA,Á DROGA CIRCULA EM TODOS OS LOCAIS DESTE PAÍS,ONDE ESTA O NOSSO JUDICIARIO,NOSSO SENADO,NOSSA CAMARA FEDERAL,PARA QUE SERVE ESSE ELEFANTE BRANCO QUE GASTA MILHÕES,NÃO TEMOS ESCOLAS PARA AS CRIANÇAS MAIS DE OITENTA MIL DELAS FORA DA ESCOLA,AS UNIDADES BASICAS,SEM FUNCIONARIO,SEM MATERIAIS PARA OS SERVIÇOS,FALTA DE REMEDIOS,PARA OS MAIS,NECESSITADOS,QUE PODEMOS ESPERAR,TEMOS UM HOSPITAL NA ZONA OESTE DE SÃO PAULO,LOCAL PREVILEGIADO,HOSPITAL DE REFERENCIA FECHADO,Á QUATRO ANOS,SO CONVERSA,PAROLLE,PAROLLE,COMO DIZ OS ITALIANOS,SERA QUE SOMOS IDIOTAS,NÃO SABEMOS NOSSOS DIREITOR,NESTE ANO DE 2014,TEREMOS ELEIÇÕES,PARA DEPUTADO ESTADUAL,FEDERAL,GOVERNADOR,PRESIDENTE DA REPUBLICA,SENADORES,VAMOS FAZER,COMO FAZEMOS EM CASA,LIMPAR TUDO E JOGAR FORA NO LIXO,TEMOS ESSE DIREITO PELA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA,DEPENDE DE NOS,NOS QUE INFELISMENTE COLOCAMOS LÁ EM BRASIL.

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