Incêndios a ônibus: mais perguntas que respostas

Do início do ano até o dia 5 de fevereiro, 35 ônibus foram incendiados na cidade de São Paulo. Mais da metade das 65 ocorrências registradas ao longo de todo o ano passado. Segundo informações da imprensa, na região metropolitana 50 ônibus já foram incendiados este ano. No ano passado inteiro foram 77 os casos.

Se as manifestações de junho de 2013 tiveram como estopim o aumento das tarifas do transporte público, entre as muitas pautas que foram sendo inseridas no caminho, a violência nos protestos tornou-se o foco das discussões. E a pauta do transporte público parece que perdeu força…

Os incêndios a ônibus são um exemplo de como isso tem ocorrido: a violência dos ataques – e não seu objeto, o transporte público – têm marcado o debate sobre o tema nos meios de comunicação.

Mas não estão claras as motivações de todos esses ataques. Alguns são protestos contra o uso de violência pela polícia, mortes e desaparecimentos de cidadãos. Mas também sabemos que há outros motivos: atropelamentos, brigas de moradores, enchentes, falta d’água… há até a hipótese de que se trate de uma reedição de 2006, quando o crime organizado queimou ônibus em ações de sabotagem e enfrentamento com setores da polícia.

Não podemos descartar, porém, que algo relacionado aos próprios ônibus e à sua precariedade certamente constitua também o objeto da fúria dos protagonistas dos ataques. A maior parte dos incêndios acontece em bairros de periferia – M’Boi Mirim, Capão Redondo, Campo Limpo, Americanópolis, Cidade Ademar, Jabaquara, Jardim Ângela, Itaquera, Cidade Tiradentes, Itaim Paulista, São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo, Brasilândia, Jaraguá, entre outros.

Quem usa o transporte público na região metropolitana, especialmente em suas periferias, conhece a violência a que são submetidos seus usuários no cotidiano.

A situação no metrô e nos trens da CPTM é também complicadíssima. São recorrentes as notícias de problemas e panes nesses sistemas.

Superlotação, altas tarifas, longas esperas, desconforto, falta de informação: o fato é que circular por transporte público na região metropolitana de São Paulo, seja de ônibus, trem ou metrô, é enfrentar, todos os dias, diversas formas de violência.

De maneira alguma considero que destruir ônibus seja uma resposta a esta situação. Mas não dá pra ignorar que o problema existe e que seu enfrentamento exige intervenções de longo, mas também de curto prazo.

Uma das demandas colocadas pelas manifestações em junho – de curtíssimo prazo – é a abertura para os cidadãos da chamada “caixa-preta” do modelo de gestão do transporte. Neste sentido, uma boa notícia recente foi o anúncio das eleições para o Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (CMTT), que ocorrerão nos próximos dias 15 e 22 de fevereiro.

Criado por decreto municipal em julho do ano passado, ainda no calor das manifestações, o conselho tem caráter consultivo e deverá propor diretrizes para a melhoria da mobilidade urbana e acompanhar a gestão de políticas da área.

Para mais informações, acesse o site da prefeitura.

O CMTT é municipal, e a atuação do órgão será restrita ao sistema de ônibus da cidade. Mas sabemos que a precariedade do transporte público, bem como os incêndios e depredações a ônibus, ultrapassam estas fronteiras, envolvendo vários municípios da região metropolitana, como Guarulhos, por exemplo.

O mesmo se dá com relação ao metrô e à CPTM, cuja gestão é responsabilidade do governo estadual. Faltam, portanto, espaços e instrumentos de gestão e controle social do transporte público compartilhados em âmbito metropolitano, incluindo todas as prefeituras envolvidas.

Tornar públicos e transparentes os obstáculos que hoje impedem a melhoria dos sistemas, assim como abrir os processos decisórios sobre as prioridades são passos fundamentais para o nível de repactuação necessária à mudança do padrão do transporte público nas nossas cidades.

* Texto originalmente publicado no Yahoo!Blogs.

3 comentários sobre “Incêndios a ônibus: mais perguntas que respostas

  1. NÃO VAMOS ARRUMAR ARGUMENTOS PARA DENUNCIAR QUEM É O CULPADO NESTA TRAMATICA SITUAÇÃO EM QUE VIVEMOS,NESTE PAÍS CHAMADO BRASIL,NUNCA HOUVE PRISÃO PARA OS DE COLARINHO BRANCO,OU DE OUTRA CÔR,SEMPRE BEM ARGUMENTADOS OS SENHORES DOUTORES DA NOSSA JUSTIÇA,FAZENDO UM TEATRO,UMA PEÇA DE TEATRO ARRUMANDO MILHARES DE ALTERNATIVAS,QUE SEU CLIENTE É INOCENTE,DEPOIS DE TUDO QUE ELE FEZ,Á NOSSA MIDIA,NÃO FAZ PRESSÃO COM O PODER EXECUTIVO,SEMPRE AMENIZA SUAS NOTICIAS,RESUMO ONDE ESTA NOSSO JUDICIARIO,QUE NÃO PUNE EXEMPLARMENTE ESSES MARGINAIS,SERA QUE ELES TEM TANTO PODER,SERA QUE É FINANCEIRO OU POLITICO,POIS VEMOS TODOS OS DIAS Á FESTA DE SÃO JOÃO,COLOCANDO FOGO NOS ONIBUS,QUE AMANHÃ IRIAM PARA O SEU TRABALHO,QUEM SÃO OS CULPADOS,O CONSELHO PARTICIPATIVO MUNICIPAL,NÃO TEM Á FORÇA QUE PRECISA,POIS Á NOSSA MIDÍA NÃO O ACOMPANHA NESSA CAMINHADA,POIS NÃO SE INTERESSA,TUDO QUE ACONTECE NESTE PAÍS,TURA UM MÊS,PRESTE ATENÇÃO,DURANTE UM MÊS SÓ SE FALA ISSO,SERA QUE SOMOS IDIOTAS,SERA QUE TEMOS DEMOCRACIA,OU BADERNA,MEU NOME É GALDI

  2. “Eu uso, eu cuido” – Campanha tenta desestimular incêndios a ônibus

    Neste momento que grandes partes politicas vivem em turbulência em relação a precariedade das instituições, e julgamentos de políticos se arrastam, a banalização da criminalidade é um fato.

    Partidos políticos (Existem mais de trinta e cinco, e ainda querem criar mais), assim como os próprios deputados citados no texto introdutório defensores destes incendiários se auto julgam defensores das causas sociais, para eles os fins justificam os meios já são velhos conhecidos, e são sempre os mesmos envolvidos em invasões de mananciais, propriedades, depredações do patrimônio público… e como sempre nunca acrescentam nada de edificante (São adeptos do quanto pior melhor).

    Atualmente alguns sempre estão achando justificativa para tais atos, como a falta de visão que o patrimônio é público, mesmo sendo gerenciado por particulares e que o seguro não cobre esta despesa aproximadamente R$ 250 mil por ônibus, e o custo evidentemente tem que ser repassado e acrescentado no preço das passagens para as pessoas de bem, algo que o “Movimento Passe Livre” entre outros finge que não sabe!
    Em que outros países do mundo ocorrem tamanha barbárie e insensatez!?
    Se falam em ~1400 ônibus, quantos meliantes estão presos por este delito? E as pessoas que sofreram ferimentos ou faleceram? Quanto foi ressarcido?

    Por que as investigações não prosseguem, (Se é que já foi iniciada alguma vez!?) onde esta o Ministério Público, qual será que a justificativa para a impunidade desta insanidade!
    Qual a origem do dinheiro destas ONG’s, sindicatos, são patrocinados por quem!!!

    E a origem destas passeatas para defender os que saquearam certas estatais, tentando ludibriar a população por estes mesmos militantes beneficiados, cujos responsáveis são os atuais mandatários da nação.

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