Leitores comentam efeitos das mudanças nas linhas de ônibus

Na semana passada, escrevi aqui no blog sobre os transtornos que a população de São Paulo vem enfrentando com as recentes mudanças nas linhas de ônibus, e o grave problema da falta de informação e de participação dos usuários na definição dessas mudanças. Desde então, tenho recebido diversos comentários de leitores que relatam a situação em seus bairros ou apenas deixam uma opinião sobre o que está acontecendo.

João conta que ficou “abismado” quando leu numa placa num ponto de ônibus que as linhas podem ser alteradas sem aviso prévio: “Um absurdo! Como um serviço destinado a população pode simplesmente deixar de existir sem que as pessoas saibam?”. E Alessandra concorda: “estão tirando as linhas de forma ‘impensada’ e a maioria da população está vivendo na pele essa triste falta de respeito.”

A leitora Cecília conta como a mudança na linha Vila Gomes/Jardim Miriam afetou os usuários: “moradores da Vila Gomes são obrigados a andar até a Corifeu de Azevedo Marques para tomar os ônibus que já passam cheios por ali. E assim, o transporte público em lugar de melhorar, piora.” Usuária da mesma linha, Fátima concorda: “agora tenho que usar um ônibus até a Av. Francisco Morato e lá pegar outro até a Av. Paulista, completamente lotado, pois os ônibus que trafegam na Corifeu de Azevedo Marques estão sempre lotados.” Isac preferiu ser irônico: “Realmente, eliminar o Jd. Miriam foi fantástico! E descobrir isso só quando eu chego no ponto depois do trabalho, indo pra faculdade, e atrasado, é melhor ainda!”.

Glauce, por sua vez, comenta as mudanças na linha 211V-10: “Não se trata de simples comodidade perdida dos passageiros, mas de a demora ter aumentado, de ter que pegar ônibus lotados e, no meu caso, ficar esperando um ônibus a mais à noite. […] Agora, com o encurtamento da linha que eu tomava (211V-10) que antes ia da V. Paranaguá até a Estação da Luz (passando pelo Jardim Danfer, onde moro), agora só vai até a Penha, sou obrigada a tomar outro ônibus.”

Chico acha que os gestores não conhecem a realidade de quem usa o transporte público: “geralmente as pessoas que determinam o transporte público na cidade andam com motoristas particulares e nunca tomam ônibus, metro, nem andam de moto […]. São pessoas absolutamente desqualificadas na experiência diária dos cidadãos comuns”.

Neste vídeo, compartilhado por Tácito, a diretora de planejamento da SPTrans explica e defende as mudanças nas linhas.

Ponderando sobre o assunto, Thais comenta: “pode ser mais confortável para o usuário pegar apenas um ônibus em frente a sua casa e não se preocupar com baldeações […]. No entanto, nem sempre será a melhor alternativa quando se leva em conta a estruturação das linhas de ônibus por toda a cidade.” Ela aponta, entretanto, as falhas de comunicação da prefeitura: “O usuário (me incluo aqui) só fica sabendo das alterações quando seu ônibus chega ao ponto com o mesmo número, mas com letreiro diferente, ou então quando espera por muitos minutos e o ônibus não vem.”

Tammy também pondera: “Na teoria, parece tudo muito adequado: unificar linhas com longos trechos de percursos semelhantes, eliminar linhas que cortam a cidade, etc.”. Mas não concorda com as mudanças neste momento: “enquanto não for comprovado que poderemos fazer baldeações tranquilas, com tempos de espera e de viagens adequados, nada deveria ser alterado para piorar uma situação que já é desumana e absurda para quem mora em bairros distantes.”

8 comentários sobre “Leitores comentam efeitos das mudanças nas linhas de ônibus

  1. Eu morava no meio da Zona Norte, um lugar não muito bem servido de ônibus, mas que tinha linhas que atravessavam a cidade de acabavam ajudando muito por isso. Um pouco antes de me mudar de São Paulo, começaram a quebrar as linhas e nas últimas vezes que fui à cidade visitar a família encontrei uma situação horrível – linhas extintas, substituídas por lotações com muito mais passageiros dentro do que devia, linhas divididas que obrigam a pessoa a descer no meio do caminho pegar ônibus que demoram e passam lotados, ou então acabar pagando mais pra pegar o metrô. O único planejamento que parece ter nisso é segregar as pessoas, que deixam aos poucos de ter acesso ao centro da cidade e opções de emprego e lazer que não existem nos bairros.

  2. Gostaria muito de entender qual a lógica desta mudança nas linhas. O 8018/10, que antes era “Vila Sônia/Metrô Butantã”, passou a se chamar “Vila Sônia/Vila Gomes”, aumentando o seu itinerário até a Praça Elis Regina. Uma linha que já é conhecida pela demora, com o seu caminho a ser percorrido aumentado, piora consideravelmente o trajeto dos passageiros.
    Além disso, com a extinção da linha Vila Gomes/Jd. Miriam, muitos usuários são obrigados a pegar até três conduções e caminhar trajetos maiores para efetuar seus deslocamentos. Além disso, a extinção e encurtamento das linhas contribui para a superlotação das restantes.

  3. Bom Raquel, a questão apontada pela funcionária da prefeitura é falsa, não se resume a querer “conforto na porta de casa”. Aliás, colocar dessa forma é até ofensivo. O problema é que as alternativas que restaram tornam o trajeto mais demorado, em vias e terminais mais congestionados,ônibus mais cheios…. É assim que se quer estimular o uso do transporte coletivo? A impressão que fica é que tudo foi feito apenas para racionalizar custos e que se deu, uma vez mais, de ombros às necessidades da população. Uma vez mais, a lógica capital prevaleceu sobre o serviço público. Em meu bairro, extinguiram uma linha de ligação direta com o bairro de Pinheiros e a única sugestão que o site da Sptrans deixa é pegar outra linha lotada, que passa pelo corredor congestionado da Cerro Corá – Heitor Penteado, e demora o dobro do tempo para chegar a Pinheiros. Olha, lamentável tudo isso!

  4. Bom, eu soube com tempo hábil sobre as mudanças. A mídia em nada ajudou, só alimentou a revolta e mais nada – você não vê mínima explicação em nenhum jornal ou revista, só críticas. Aqui em São Mateus, acho que muita gente saiu ganhando, e pra mim as mudanças facilitaram muito a vida – posso ir direto ao Tatuapé ou ao Pq D. Pedro mais rapidamente, e mesmo até o terminal São Mateus, antes levava quase 30min, agora leva 15…

  5. Remover linhas de ônibus sem avisar os usuários é ruim. Mas não colocar outras linhas é péssimo. Costumo pegar uma carona de casa (no Jardim Bonfiglioli) até a Av. Vital Brasil pois os ônibus no Jd. Bonfiglioli passam muito cheios e demoram muito. Mas agora, na Av. Vital Brasil também está demorando muito pra passar e inclusive os que saem da USP passam cheio. Cade o planejamento? Não adianta fazer faixas exclusivas de ônibus e retirar linhas.

  6. Bom dia/tarde a todos,

    Cheguei até esta página pelo Google, estou buscando opiniões acerca das faixas exclusivas.

    Recentemente fui afetado por uma delas, a nova faixa na Avenida Jaguaré. Ainda estou tentando assimilar se fui afetado positivamente ou negativamente.

    Tenho carro, mas tb uso ônibus. Minha experiência pessoal, da Avenida Jaguaré, é a de que não é possível adentrar nos ônibus. Uma questão de física mesmo. Dois corpos não ocupam o mesmo espaço.

    Eu percebi, com o passar dos anos, que os carros foram cortados da linha. Aliás, uma certa vez eu vinha do Centro na antiga linha do Continental absurdamente lotado, quando uma passageira irritada, ao questionar o cobrador sobre o excesso de passageiros ouviu a seguinte resposta: “moça, isso aqui não é nada, eles cortaram os carros. Aqui mesmo cortaram o número de carros pela metade” …

    A minha vivência do transporte coletivo da cidade percebeu isso, ficou impossível entrar dentro dos ônibus. A frequência tb, principalmente fora dos horários de pico, é ridícula. Já cheguei ficar 50 minutos esperando um ônibus na Barra Funda. Eu vinha de viagem e, penso, que Barra Funda, Jabaquara, Tietê, Congonhas e todos terminais da cidade devem ter cobertura integral das suas linhas em todos os horários. Vale o custo.

    Daí veio a linha amarela de metrô para a região. Um projeto mal executado. As integrações dessa linha são ridículas. São trajetos enormes. Eu costumo dizer que é êxodo, e não integração.

    A linha de trem então … disse a lenda que eles iriam melhorar a estrutura, compraram trens novos, cortaram o número de vagões …. e parou aí, o projeto de melhoria não melhorou mais nada e os trens estão super lotados, além das integrações absurdas.

    Para quem está na Avenida Jaguaré, a saída mais rápida seria a estação de trem Villa Lobos … diz a prefeitura que o nome da estação é Villa Lobos/Jaguaré, mas a verdade é que o Jaguaré é o primo pobre da estrutura. O acesso para quem vem de ônibus para a estação é absurdamente ridícula, pois a mesma fica atrás de uma alça de acesso para a Marginal Pinheiros, onde a pessoa precisa atravessar, pasme, duas vezes pela mesma via (espécie de rotatória saindo da ponte). A faixa de pedestre está apagada, não tem semáforo e a “mãozinha do Kassab” é contra indicada, pois quando o motorista vê o pedestre ele já está em cima. A passarela da estação é um enfeite bonito e inútil que leva fantasmas para o Parque Villa Lobos. O mais triste é que os ônibus que cobrem a região passam pela Ponte do Jaguaré, quem conhece ali sabe que esta ponte tem um corte no meio, um vão livre. Se vc entrar na estação Villa Lobos e andar até o fim da plataforma vai observar que ela termina exatamente debaixo do vão dessa ponte. Seria barato, já está pronto, abrir uma entrada para a estação pelo vão no meio da ponte e criar duas plataformas (uma para cada mão da via) para os ônibus … fácil, fácil … mas, enfim … uma vez chegando na estação, para ir para o metrô, em Pinheiros, é preciso fazer um êxodo de 15 minutos a pé, somados aos 15 que vc gastou passando por milhões de vias para migrar do ponto de ônibus até e estação Villa Lobos. Perdeu só aí, na andança, 30 minutos, descontando aí tempo esperando o ônibus, e tempo de viagem … inviável ….

    Os ônibus, por sua vez, padecem de tudo. Uma lata de sardinha a 50 graus clama por ar condicionado e, pelos escândalos de dinheiro público que populam para todos os lados não venha o governo dizer que não tem dinheiro para fazer. A suspensão tb precisa de melhorias. Mas não só isso. É preciso que a ergonomia dos veículos vire um projeto público, não dá mais para dizer “áh, precisamos de 10 veículos para cadeirantes”, abrir uma licitação e comprar o mais barato, o governo tem que tomar a frente para dizer como este veículo tem que ser com engenharia de ponta. Os ônibus de piso baixo mesmo são uma porcaria. Imagine que ele só é baixo na parte da frente, e tem uma escada no meio para levar para os fundos … isso porque, em um país onde cinto de segurança é obrigatório em carros, criança não pode andar no banco da frente, se vc bobear e morder um bom bom com licor não passa no bafômetro e por aí vai, a coisa mais segura do mundo é subir uma escada dentro de um veículo em movimento. E não para aí. Estes ônibus conseguem a proeza de serem apertados, embora pareçam grandes. Com três pessoas em pé parece ter 30.
    Para completar o quadro de horror, esses benditos ônibus possuem um sistema hidráulico para as cadeiras de roda. Resumindo. 15 minutos pára subir e descer um cadeirante. O treco que menos deu certo neste planeta foram essas plataformas para cadeirantes que colocaram nos ônibus. Toda vez que vi um cadeirante subindo, foi um absurdo de tempo. E não por um acaso os motoristas, quando podem, simplesmente ignoram os cadeirantes nos pontos.
    E qual foi a melhor tecnologia para cadeirante entrar no ônibus que eu vi? Pasme … um belo dia parou um ônibus velho, ia pegar um cadeirante, o motorista puxou uma rampa manual e pã … bazinga ….rapidinho e eficiente … isso prova que biiteza não adianta, tem que ser útil. Tem que funcionar. Não adianta colocar carro bonito que pareça mó tecnologia, tem que ter tecnologia mesmo, e não só baragandã hitec, mas simplesmente soluções rápidas, eficientes e que dão resultado. Não adianta esconder o problema em carro bonito, o problema só vai se dissipar mediante serviço eficiente.

    Para completar o quadro de horror, precisamos falar sobre uma paradoxo. Quando afirmamos que foi dada preferencia para um sistema de mobilidade baseado em carros, parece que os governantes planejaram isso. Erro grave. Erro rude.
    Os governos simplesmente ignoraram a mobilidade urbana.

    Pelos autos valores em impostos que pagamos para podermos comprar e usar veículos particulares, os governos não entregaram nem um terço do que poderia entregar em termos de estrutura viária. Estrutura essa que não atende só aos carros, mas também os ônibus. Para ser ter uma ideia, monitoramos poucas vias públicas, não temos um número significativo de semáforos inteligentes … enfim … foi o ápice da inoperância, para dizer o mínimo.

    Quem tem menos poder aquisitivo, vem sendo humilhado no transporte coletivo há décadas. Eu me senti mais di que atrasado e desconfortável dentro de ônibus. Eu, um homem de 30 anos, cheguei ao ponto de chegar em casa, sentar no chão da cozinha e chorar de raiva … não, eu não merecia passar por tanta humilhação … comprei um carro.

    Quando milhões de pessoas como eu, ao encontrar a primeira brecha, comprou um carro. A cidade parou. Rapidamente o problema de mobilidade, que pesava mais para os mais pobres que usavam o transporte coletivo, passou a ser problema de todos. Paradoxalmente o acesso aos carros pelos mais pobres é que popularizou a questão da mobilidade para todas as camadas sociais. E não tem mais como retroceder. Nem que seja com carro de 30 anos enferrujado, as pessoas só vão usar o coletivo se eles cumprirem um mínimo.

    Por causa dessa ignorância histórica do poder público é que devemos “estar vacinados”. Temos que tomar cuidado para que as políticas de mobilidade urbana sejam projetos bem elaborados, e não medidas de marketing político. E esta é uma das fragilidades das “faixas exclusivas para ônibus”. São rápidas, baratas mas, não são corredores. Em uma avenida Jaguaré por exemplo, há um canteiro central largo, ou seja, o corredor está pronto. Ainda assim a prefeitura pegou o caminho mais fácil e traçou uma linha pela direita, fechando inclusive a entrada de condomínios que há mais de 30 anos está ali. Também não li nem ouvi nada até agora sobre estarem avaliando as linhas de ônibus da região. Isso parece-me algo marketeiro e destrambelhado. Se a prefeitura continuar expandindo as faixas dessa maneira isso vai virar uma baita confusão. Mesmo assim, prefiro lutar para que as linhas de ônibus sejam remodeladas do que para a retirada das faixas. Mesmo traumatizado com o transporte coletivo eu sei que, não vai rolar ficar todo mundo andando de carro. Mas, para que eu faça uso dos ônibus que passam pela minha casa eles precisam passar (frequência) e ter espaço para eu entrar. A prefeitura parece estar focando apenas na frequência e ignorando uma lei inviolável da física “dois corpos não ocupam o mesmo espaço”.

    Outra alternativa para integrar a mobilidade urbana que está tomando o caminho do marketing político são as Bicicletas. É fato que os carros precisam se acostumar com as “magrelas”, e para isso, faixas improvisadas durante os finais de semana como a da Paulista são políticas importantes …. mas quanto tempo a prefeitura vai continuar com o programa de sociabilização carroXbicicleta? O fato é que a bicicleta deve se tornar um modal para a mobilidade urbana, mas o que a prefeitura está fazendo é criar espaços de lazer para as pessoas “brincarem” de bicicleta durante a semana. É no mínimo uma hipocrisia a pessoa usar carro a semana inteira e dizer que é “ciclista” porque passeia na ciclofaixa nos fins de semana. É hipocrisia a pessoa ficar a semana inteira pesquisando que ciclofaixa vai experimentar, acordar cedo no domingo, colocar a sua bike no suporte de carro e ir pro espaço de passeio.
    Tirar o espaço dos carros – sim. Mas a política para as bicicletas não deve se limitar a criar áreas de lazer para “bikers”, temos que poder pegar a bicicleta e ir até o shopping assistir um filme e depois voltar para casa. Isso é mobilidade urbana.

    O mesmo ocorre com as interdições das ruas para corridas. Vou dar um exemplo.

    No final de semana que antecedeu a inauguração da faixa da Jaguaré eles interditaram a ponte do jaguaré para uma corrida. Na faixa da prefeitura dizia – “use a ponte Cidade Universitária” … quem conhece a região sabe que as duas pontes não ficam tão perto assim, dependendo do compromisso, o melhor mesmo seria cancelar. Mas até aí, acuar os carros, eu não posso questionar, o problema é que pela ponte passam várias linhas de ônibus que demoram horrores para passar nos finais de semana, como o Barra Funda que mencionei acima … pelo que observei (posso ter me equivocado) eles sequer se preocuparam em deixar uma faixa para os ônibus … resumindo, eles inviabilizaram que pessoas de bairros periféricos da região fossem de ônibus para o evento. Na verdade, os entornos desses eventos costumam ficar cheios de carros. ou seja, o sujeito vai de carro defender que os outros andem de ônibus. Num ônibus segregador que sequer passa ali …

    Bom, já falei demais. “Vomieti aqui” muitas coisas que me incomodam, não vou ter tempo de revisar e peço desculpas por eventuais erros “orgodráficos”. Não deixemos que os governantes ignorem a mobilidade urbana por mais 10 anos. Parabéns pelo blog.

  7. Cheguei até essa página procurando um serviço no meu bairro e, curiosamente, encontro uma citação a uma reclamação que fiz sobre o seccionamento de uma linha de ônibus que eu tomava. Já não me lembro quando disse isso, porque vivo repetindo esses dizeres. Agradeço a citação e volto a reafirmá-la. Vi o vídeo no qual a diretora da Sptrans diz que “é quase uma reforma agrária” o que a prefeitura está fazendo. Ela acusa o MPL de conversador e os usuários que estão reclamando de individualistas. Isso me deixou muito indignada. Na semana passada, tendo que sair de casa mais cedo (antes das 6h) e caminhando um pouco mais do que caminhava até o ponto do ônibus (antes eram 5 minutos, agora são 15), tomei o ônibus 1178-10 hiperlotado, pois ele vem de um bairro bem distante de onde moro. Durante o trajeto algumas pessoas do ônibus começaram a comentar sobre o incômodo que estávamos passando e sobre o seccionamento da linha 211-V, pois alguns, assim como eu, éramos usuários daquela linha. Argumentei que deveríamos entrar com um abaixo assinado para pedir que a linha seccionada voltasse ao seu trajeto original. Uma usuária me disse que já tinha feito isso quando extinguiram uma linha que ela tomava antes, como não obteve resultado, ela não acredita mais nisso. Isso também me desanimou. Está aí a resposta ao que disse a diretora, não há apenas poucas pessoas incomodadas, o que há é uma certa passividade nas pessoas no quesito reclamação, passeatas e afins, que apenas foi quebrada por um pequeno lapso de tempo quando o MPL conseguiu levar às pessoas às manifestações de junho do ano passado. Serei uma das primeiras em apoiá-lo. Espero que essas manifestações voltem. Na zona leste o metrô já é inviável, por isso contávamos com essa linha que nos levava à estação da Luz. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. A própria linha 211-V funcionava de forma precária, já que demorava muito (o tempo mínimo entre coletivos era de 20 minutos) e tinha ônibus velhos. Não estou reivindicando um mero conforto, porque não me parece confortável tomar um ônibus em pé, o que reivindico é poder tomá-lo de maneira digna (sem ter que ir amassada como sardinha, sem ter direito onde apoiar). Nem mesmo posso comemorar a “velocidade” ganha pelos corredores de ônibus, segundo alardeiam a diretora da Sptrans e o secretário dos transportes Jilmar Tatto, porque perco tempo esperando que passe um ônibus no qual eu possa entrar de manhã, nada mais justo que o corredor de ônibus da Marginal do Tietê diminua essa diferença. Nos dias em que trabalho à noite, tenho que descer por volta das 23h num ponto intermediário para poder tomar o outro ônibus que me levará à casa ou pegar o metrô e um micro-ônibus, pagar mais, esperar mais para poder entrar nesse micro-ônibus e chegar muito mais tarde em casa. Já fiz várias reclamações ao 156 da Sptrans, mas cada reclamação que não levava menos de 20 minutos, me deixava desanimada. Fica rolando na cabeça aquela frase “pobre tem mais é que se @#$%&”, com perdão da palavra que não apareceu, mas se pode supor. Nem vou dizer, então, o que pensei quando o secretário disse que com essas mudanças o que ganhávamos era “qualidade de vida”. Aff! Agradeço que tenha lido meu comentário, Raquel, porque sei que você investiga e trabalha com o planejamento urbano. Espero com ele que eu tenha contribuído em algo nessa discussão. Parabéns pelo blog.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s