Por que clubes de futebol não pagam aluguel para usar áreas públicas?

Um projeto de lei que propunha a extensão da concessão de áreas públicas a clubes por 70 anos foi arquivado pela câmara Municipal de São Paulo esta semana, por determinação da Justiça.

Apresentado em 2012, o projeto procurava regularizar a situação de ocupação de áreas públicas, favorecendo os principais clubes da cidade, como São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Portuguesa, além de Juventus, Círculo Militar, Ipê, Penha e Esperia.

A cessão de grandes áreas municipais para os clubes é tema cercado por fortes pressões políticas, além de grandes irregularidades. Segundo o juiz que barrou o projeto, por exemplo, os quase 200 mil metros quadrados na Água Branca cedidos para os centros de treinamento do Palmeiras e do São estão previstos no plano diretor para serem transformados em parques.

A Portuguesa, por sua vez, invadiu não um terreno público, mas uma rua, no Canindé. Além disso, este clube, por dever R$ 13 milhões de IPTU, estaria tecnicamente impedido de receber cessões pela prefeitura. No caso do Corinthians, de acordo com os termos da cessão, de 1988, o terreno cedido em Itaquera deveria abrigar um centro de treinamento e não um estádio.

O projeto de 2012 previa “contrapartidas ambientais”, além de uma contrapartida onerosa mensal de 0,025% do valor venal de cada imóvel. Com o seu arquivamento, a prefeitura deverá agora rever cada caso individualmente ou propor um novo projeto de lei para resolver a situação.

O futebol faz parte da alma da cidade, mas além de mobilizar multidões de torcedores apaixonados, também gera milhões em negócios. Fico me perguntando, então, se os clubes de futebol, que têm grandes patrocinadores e fazem contratos milionários com seus técnicos e jogadores precisam mesmo ocupar áreas públicas, muitas vezes explorando-as comercialmente, e com contrapartidas ínfimas ou inexistentes. Por que estes clubes não pagam aluguel simplesmente?

Será que essas áreas – disputadíssimas pela enorme necessidade que a cidade tem de parques, clubes públicos, habitações e outras tantas finalidades socioambientais – precisam mesmo subsidiar os clubes de futebol? Será essa a prioridade da população de São Paulo?

*Texto originalmente publicado no Yahoo!Blogs.

8 comentários sobre “Por que clubes de futebol não pagam aluguel para usar áreas públicas?

  1. Dessa eu não gostei…Contratos milionários com jogadores e técnicos só Corinthians e São Paulo. Palmeiras ainda sim, mas daqui a uns anos vai falir, porque está investindo muito dinheiro na nova arena e o retorno certamente não virá. Agora Portuguesa, Juventus e Nacional mal conseguem equilibrar as suas contas. A Portuguesa irá jogar no próximo domingo contra o Flamengo em Fortaleza, apesar do mando de campo. Sabe por que? Por que está com salários atrasados e vendeu o mando de campo para conseguir saldar as dívidas com os atletas na luta para permanecer na primeira divisão. Se a prefeitura começar a cobrar aluguel de Portuguesa, Juventus e Nacional, pode ter certeza de que os clubes não terão condições de pagar as contas e irão se desfazer de seus terrenos e o que é pior, de seus estádios. Os tradicionais Canindé, Rua Javari e Nicolau Allayon que abrigaram tantos clássicos darão lugar respectivamente ao Tietê Tower Business Center, Mooca Super Shopping e Barra Funda Shopping. Aí a população paulistana terá duas opções para ver futebol: pagar 200 reais para ver o jogo do Corinthians na nova arena, ou ir até Vinhedo, para onde a Portuguesa será vendida, aos moldes dos times de futebol americano que trocam de cidade.

  2. Pegando um gancho no comentário do Júlio, informo que os clubes são deficitários. Segundo o blog das torcidas, as dívidas juntas já ultrapassam o bilhão de reais. Só alguns grandes como o São Paulo F.C. Cruzeiro e Internacional conseguem equilibrar as contas e pagar em dia os salários astronômicos de jogadores e técnicos.

    Os do Rio de Janeiro estão todos no vermelho, inclusive o Flamengo.

    Corta para São Paulo.

    Em 2010 a prefeitura desapropriou uma área na Barra Funda de 77 mil m² para construir a tal ‘Cidade do Samba’ no local. Ao custo inicial de R$ 124 milhões a tal ‘Fábrica de Sonhos’ será construída atendendo reivindicações dos sambistas de São Paulo, cansados de invejar a ‘Cidade do Samba’ do Rio de janeiro.

    Perguntas

    1 – Desde quando o carnaval paulistano é mais importante que o futebol, a ponto do governo construir, de graça, essa tal ‘Fábrica de Sonhos’ enquanto os clubes de futebol – que têm muito mais tradição que as escolas de samba – encontram-se à beira da falência e são massacrados pelos impostos exorbitantes cobrados pela prefeitura?

    2 – Até quando São Paulo continuará copiando descaradamente o carnaval do Rio de Janeiro? Será que os sambistas não sabem que a cópia, por melhor que seja jamais deixará essa condição e por isso não tem nenhum valor? É falsa, por definição.

    3 – Mas o pior é que o carnaval-cópia paulistano tem apoio governamental. A prefeitura gasta algo em torno de R$ 30 milhões/ano para produzir a festa mais sem luz própria do planeta. Uma autêntica farsa que só depõe contra a cidade e a auto-estima de seus cidadãos, ao perceberem que o verdadeiro é o do Rio. Foi inventado pelos cariocas. Tudo, absolutamente tudo que vemos no sambódromo do Anhembi (um medonho arremedo da Marquês de Sapucaí) foi copiado do Rio, em seus mínimos detalhes: escolas, desfiles, personagens, figurantes, carros alegóricos, samba-enredo, comissão julgadora, apuração e resultado. É para o Rio que afluem milhares de turistas do mundo inteiro a fim de conhecer a ‘maior festa do planeta’ segundo eles. Quem vai querer conhecer a cópia quando o original está logo ali a meia hora de avião?

    4 – Por que São Paulo não produz seu próprio carnaval – como o fazem Salvador, Recife, Manaus, Belém e São Luís – sem copiar ninguém? O que falta? A resposta talvez esteja na estranha mania de alguns paulistanos de renegarem sua História (a recente pichação do Monumento às Bandeiras no parque do Ibirapuera é uma prova disso) e acolherem de braços abertos tradições e costumes de outros estados.

    Que triste é uma cidade e um povo sem identidade!

  3. Julio,

    Portuguesa, Juventus e Nacional não “terão de se desfazer de seus terrenos”, porque os terrenos não são “seus”: são do município, isto é, são de todos os cidadãos.

    Celso,

    O Carnaval em SP tem tanta história e tradição quanto o do RJ. A Raquel, inclusive, já publicou vários bons posts neste blog para desmentir a idéia infelizmente difundida de que “São Paulo é o túmulo do samba”. E outra: Carnaval não é só (nem principalmente) o desfile no Anhembi (ao qual concordo que caibam críticas como a sua)…

    • Bem que eu gostaria de concordar com você meu caro Daniel, mas a verdade é que as escolas de samba surgiram no Estácio, Rio de janeiro, muito antes de São Paulo. Quem disse isso foi ninguém menos que Paulinho da Viola, discorrendo sobre a fundação da Portela e as origens do carnaval carioca como conhecemos hoje.

      Mas voltando à questão dos clubes de futebol.

      Precisamos preservar a memória urbana. A história recente de São Paulo está intimamente ligada aos clubes – não só os de futebol, é bom lembrar. Imagine demolir o Canindé para construir um shopping por exemplo, como comentou o Júlio. Seria um horror.

      Em 2010 quase que o Jóquei Clube vendeu parte de seu incalculável patrimônio para uma construtora. Afundado em dívidas de IPTU, o clube não via outra saída senão essa atitude extrema. O estupro – com o perdão da palavra grosseira mas é a expressão exata – contra a cidade só não foi consumado graças à imediata intervenção do Condephaat.

      No ano passado foi a vez do tradicional Clube de Regatas Tietê jogar a toalha. Fechou após mais de um século de existência e uma dívida de R$ 35 milhões.. Uma pena. Foi o Tietê quem deu ao mundo Maria Ester Bueno e Maria Lenk.

      O Guarani F.C. capitulou. Localizado em área nobre de Campinas, o estádio Brinco de Ouro será vendido para saldar dívidas. Para piorar, o clube está em situação difícil na série C devendo permanecer nas profundezas do futebol ano que vem. Nem de longe lembra o glorioso bugre campineiro, outrora campeão brasileiro e orgulho da cidade.

      • Guarani está pagando pela sua prepotência,ainda é pouco…deveriam cobrir O Brioco Da Princesa com uma lona e transformar aquilo num circo já que humor e palhaços lá tem de sobra.

  4. Futebol está na alma dos paulistas como de qualquer brasileiro,porém deve-se dar tratamento igual para as questões iguais.Se há espaços cedidos ou invadidos eles devem ser estornados para seus legítimos proprietários ,isto é,o município e enfim os cidadãos de toda cidade.Não é justo que áreas imensas são cedidas em troca de migalhas.Qdo se tratado população favelada,retiram-se as famílias para o bem comum!E agora . se os clubes estão falindo,procure- se outras formas de gestão,o que não se pode é sacrificar as finanças públicas em troca de interesses particulares.reclamamos de políticos ,mas as situações de repetem em vários níveis da esfera privada.

  5. Os clubes de futebol estão deficitários por má gestão (ou, pior, gestão fraudulenta). Em compensação, a maioria dos dirigentes está rica. E a cada vez que se tenta uma legislação modernizante do esporte, a bancada da bola trava ou deturpa. Sinal de que esse status quo interessa aos dirigentes. Mais uma razão para que o poder público não abra mão do nosso patrimônio para dá-lo a entidades privadas, que é o que os clubes são.

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