USP: por uma estatuinte livre, soberana e democrática

Os ventos de junho também sopram na  universidade? Nos  últimos anos se acentuou na USP uma crise institucional que passa, entre outros temas, pela necessidade de democratização da gestão da universidade. Diante de mais uma situação de conflito e impasse entre estudantes e reitoria, um grupo de professores lançou o seguinte manifesto.

Manifesto de professores da USP

A Universidade de São Paulo é considerada uma das melhores e mais conceituadas universidades da América Latina. Mas nem mesmo todo o reconhecimento de que a USP usufrui é capaz de esconder a crise institucional com a qual convive. Uma crise que vem se agravando e que cada vez mais ameaça suas atividades-fim.

O Conselho Universitário, supostamente com o intuito de reconhecer e propor soluções para a crise, e com a justificativa de “ampliar a democracia” na USP, aprovou o alterações nos critérios de eleição para Reitor e Vice-Reitor que nem de longe atendem aos anseios de democratização da universidade.

Mesmo assim, embora seus principais dirigentes neguem a existência da crise, é emblemático o fato de a maioria do próprio Conselho Universitário reunido no último dia 01 de outubro de 2013 ter votado favoravelmente à proposta de instalação de uma Estatuinte (58 votos favoráveis contra 47 contrários). Nada mais urgente. No entanto, a proposta não foi aprovada por não ter alcançado dois terços dos votos, requeridos pelo estatuto atual.

O resultado a que se chegou na última reunião do Conselho Universitário demonstra que esse órgão, pela sua composição atual, é incapaz de refletir as diversas opiniões existentes na universidade e, portanto, incapaz de oferecer soluções para a crise.

Não tendo oferecido soluções para a crise, sucedeu-se o inevitável. A recente ocupação da antiga Reitoria pelos estudantes é apenas expressão de uma incapacidade endêmica do atual modelo institucional – no que se inclui a gestão universitária – de canalizar os conflitos nela existentes de forma criativa e construtiva. A resposta do atual Reitor à ação dos estudantes apenas reforça a percepção generalizada de que a Reitoria age de maneira desmedida, abusiva e autoritária.

Em recente entrevista à imprensa, o Reitor João Grandino Rodas passou de todos os limites quando culpou o movimento estudantil pela queda da USP em rankings internacionais, desviando a atenção dos reais problemas da USP.

Contudo, se o atual Reitor exacerbou sistematicamente a prática do arbítrio e do abuso, o ponto é que o modelo institucional da USP permite que o Reitor aja dessa maneira.

A USP encontra-se sufocada. Não consegue mais conviver com o arbítrio, a falta de transparência, a intimidação como método, a corrupção do interesse público pelo interesse privado e uma estrutura de poder que permite tudo isso, na medida em que alija do debate e das decisões a ampla maioria da comunidade universitária.

É no trabalho de ensino e pesquisa de seus mais de cem mil membros, entre docentes, alunos e servidores não docentes, que está o mérito da USP. E justamente por que a comunidade é a base do mérito é que se faz necessário um amplo e vigoroso processo de abertura e democratização de nossa universidade.

Por isso acreditamos ser absolutamente necessária uma Estatuinte democrática e soberana, eleita especificamente para fazer uma reforma no Estatuto da USP, e manifestamos nossa posição de que seja aberto um canal de dialogo entre estudantes e a reitoria, com participação das representações dos docentes e funcionários.

Assinam:

Adma Muhana
Adrián Pablo Fanjul
Aurea Ianni
Cilaine Alves Cunha
Deisy Ventura
Helder Garmes
João Adolfo Hansen
Laura C.M. Feuerwerker
Leon Kossovitch
Lincoln Secco
Mauro Zilbovicius
Paulo Arantes
Paulo Capel
Raquel Rolnik
Ricardo Musse

5 comentários sobre “USP: por uma estatuinte livre, soberana e democrática

  1. Acho que seria importante que essa luta não ficasse restrita a comunidade universitária,
    Outros setores da população, como os estudantes e docentes de faculdades privadas, e toda a população também contribuem com seus impostos para a manutenção da USP, mas não podem usufruir diretamente de seus recursos e instalações. Assim, os estudantes das privadas, pagam duas vezes para estudar, e não participam dos destinos da Universidade Pública.
    Sendo assim, poderiam participar e se posicionar democraticamente para a construção de uma universidade pública mais democrática e mais ampla, que extendesse e ampliasse a sua gratuidade. E outros setores da população mais excluída poderiam ser chamados a se posicionarem.

  2. Este Reitor e um crapula da pior especie da direita neonaziliberalfascista da tucanalhada larapia e venal do meu Pais

  3. NÃO CONHEÇO OS DETALHES DO QUE ESTA SENDO REIVINDICADO E COLOQUEI NA FORMA DE PERGUNTAS ABAIXO DO MANIFESTO. GOSTARIA DE OUVIR SUA VISÃO RAQUEL. SOU DA SOCIEDADE E COMO TAL POSSO TAMBÉM OPINAR NA USP, POIS E PAGO COM DINHEIRO DOS IMPOSTOS. POR ENQUANTO SÃO SÓ PERGUNTAS:
    Manifesto de professores da USP

    A Universidade de São Paulo é considerada uma das melhores e mais conceituadas universidades da América Latina. Mas nem mesmo todo o reconhecimento de que a USP usufrui é capaz de esconder a crise institucional com a qual convive. Uma crise que vem se agravando e que cada vez mais ameaça suas atividades-fim.
    { ESTA CRISE INSTITUCIONAL É EXATAMENTE O QUE?}
    { QUAL É ESPECIFICAMENTE O CONJUNTO DE AMEAÇAS AS ATIVIDADES FIM?}
    O Conselho Universitário, supostamente com o intuito de reconhecer e propor soluções para a crise, e com a justificativa de “ampliar a democracia” na USP, aprovou o alterações nos critérios de eleição para Reitor e Vice-Reitor que nem de longe atendem aos anseios de democratização da universidade.
    { QUAIS SÃO OS ANSEIOS DE DEMOCRATIZAÇÃO?}
    Mesmo assim, embora seus principais dirigentes neguem a existência da crise, é emblemático o fato de a maioria do próprio Conselho Universitário reunido no último dia 01 de outubro de 2013 ter votado favoravelmente à proposta de instalação de uma Estatuinte (58 votos favoráveis contra 47 contrários). Nada mais urgente. No entanto, a proposta não foi aprovada por não ter alcançado dois terços dos votos, requeridos pelo estatuto atual.
    { É A REGRA DO JOGO CERTO? OU NÃO?}
    O resultado a que se chegou na última reunião do Conselho Universitário demonstra que esse órgão, pela sua composição atual, é incapaz de refletir as diversas opiniões existentes na universidade e, portanto, incapaz de oferecer soluções para a crise.
    { COMO DEVERIA SER A SUA COMPOSIÇÃO?}
    Não tendo oferecido soluções para a crise, sucedeu-se o inevitável. A recente ocupação da antiga Reitoria pelos estudantes é apenas expressão de uma incapacidade endêmica do atual modelo institucional – no que se inclui a gestão universitária – de canalizar os conflitos nela existentes de forma criativa e construtiva. A resposta do atual Reitor à ação dos estudantes apenas reforça a percepção generalizada de que a Reitoria age de maneira desmedida, abusiva e autoritária.
    { PORQUE INEVITÁVEL PARA ESTE CASO ESPECÍFICO, SE A REITORIA É INVADIDA QUASE TODOS OS ANOS NOS ÚLTIMOS 10?}
    { COMO SERIA CANALIZA UM CONFLITO DESTES DE FORMA CRIATIVA E CONSTRUTIVA?}
    { NO QUE A REITORIA FOI ABUSIVA, DESMEDIDA E AUTORITÁRIA ESPECIFICAMENTE? FOI PERCEPÇÃO ( DE QUEM?) OU FOI REAL?}
    Em recente entrevista à imprensa, o Reitor João Grandino Rodas passou de todos os limites quando culpou o movimento estudantil pela queda da USP em rankings internacionais, desviando a atenção dos reais problemas da USP.
    Contudo, se o atual Reitor exacerbou sistematicamente a prática do arbítrio e do abuso, o ponto é que o modelo institucional da USP permite que o Reitor aja dessa maneira.
    {

    A USP encontra-se sufocada. Não consegue mais conviver com o arbítrio, a falta de transparência, a intimidação como método, a corrupção do interesse público pelo interesse privado e uma estrutura de poder que permite tudo isso, na medida em que alija do debate e das decisões a ampla maioria da comunidade universitária.
    { POR FAVOR, AONDE ESTA O ARBÍTRIO, FALTA DE TRANSPARÊNCIA E A INTIMIDAÇÃO COMO MÉTODO?}
    {AONDE HÁ A CORRUPÇÃO DO INTERESSE PÚBLICO PELO PRIVADO?}
    {QUEM É A AMPLA MAIORIA DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA? O QUE ESTA SENDO PROPOSTO AQUI COMO MÉTODO DE DEBATE E DECISÃO?}
    É no trabalho de ensino e pesquisa de seus mais de cem mil membros, entre docentes, alunos e servidores não docentes, que está o mérito da USP. E justamente por que a comunidade é a base do mérito é que se faz necessário um amplo e vigoroso processo de abertura e democratização de nossa universidade.
    Por isso acreditamos ser absolutamente necessária uma Estatuinte democrática e soberana, eleita especificamente para fazer uma reforma no Estatuto da USP, e manifestamos nossa posição de que seja aberto um canal de dialogo entre estudantes e a reitoria, com participação das representações dos docentes e funcionários.

    • Através dos comentários e ironias do Edu, mais uma vez me dou conta do quanto é difícil acompanhar e ampliar esse debate, para quem não é da USP, e mesmo para quem é da USP. Nesse sentido, o que escrevi antes sobre a participação de outros setores da sociedade nessas questões, pode soar muito fora da realidade, incoerente, inviável ou utopista. Mesmo assim, agradeço a este blog possibilitar a publicação do que escrevi, mesmo que seja ou pareça ser ingênuo. E acho que cabe, aos que acompanham a esse debate de mais perto, se for o seu caso, procurar mostrar, divulgar e explicar a complexidade e as dificuldades do que está em jogo, tanto quanto num momento de propaganda eleitoral, seja para reitor, seja para governador. Pois, por outro lado, pode ser também que haja uma certa tradição política e acadêmica, de manter essas discussões apenas para os “entendidos”, esvaziando os argumentos de quem faz críticas e deixando os assuntos sempre distantes de estudantes e outros setores da comunidade e da sociedade.

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