Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em SP?

Depois de duas semanas em missão como relatora da ONU na Indonésia, volto ao Brasil e encontro minha cidade em pé de guerra como há muito tempo não via por aqui. A resposta truculenta da polícia de São Paulo à manifestação contra o aumento das passagens no transporte público chegou ontem ao seu auge. O que vi foi violência contra um movimento que há anos vem lutando, não apenas em São Paulo, mas em várias capitais brasileiras, não apenas contra os aumentos do valor das passagens, mas pelo direito à mobilidade como elemento essencial do direito à cidade.

Aliás, ao contrário do que muitos vêm dizendo na imprensa, o Movimento Passe Livre, assim como os demais que se articulam em torno da apropriação do espaço público e do direito à cidade, são muito mais amplos que a militância de partidos de esquerda e sindicatos, e não são estruturados pela lógica, métodos e práticas da política tradicional brasileira. Ao se negar a entender essa manifestação e classificá-la de “movimento político” (triste o país onde ser “político” é uma desqualificação…) as autoridades públicas se recusam ao diálogo com essa parcela da sociedade que, ano a ano, mostra que tem algo a dizer sobre a condução da política urbana no país.

Sou radicalmente contra depredações de ônibus, de abrigos, de estações de metrô: são patrimônio de todos e devem ser cuidados. Aliás, essa nunca foi a prática do movimento Passe Livre. Mas o discurso da mídia tenta transformar o ato de alguns em justificativa para a repressão violenta da polícia. Isso, ao meu ver, é inaceitável. Nada justifica o nível de violência a que assistimos ontem nas ruas de São Paulo: balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, pessoas revistadas e presas por levar vinagre na mochila, manifestantes e jornalistas presos e feridos.

protesto mpl sp 1

Aliás, esta foi a postura do governador Geraldo Alckmin desde o início: tratar as manifestações como “caso de polícia”, ato de baderneiros e vândalos que impede o direito de ir e vir das pessoas em seus carros. Lamentavelmente, o ministro da Justiça, Jose Eduardo Cardozo, diante das manifestações em São Paulo e em outras capitais, ofereceu o apoio das forças de segurança nacionais para reprimir as manifestações. Para nenhum dos dois, o conteúdo do que está sendo dito nas ruas parece ter qualquer relevância.

O prefeito Fernando Haddad, por sua vez, inicialmente limitou-se a repetir ad nauseam que o aumento da tarifa foi abaixo da inflação. Hoje, depois de dizer que para baixar o valor da passagem é necessário aumentar os subsídios, ele pergunta de que áreas tirar recursos para cobrir esse aumento. Diante dessa pergunta, outra é inevitável: em que momento a população de São Paulo foi chamada para decidir se quer aumentar o subsídio do transporte público de São Paulo ou investir esse recurso em outras áreas? Em que momento foi chamada a compartilhar as decisões sobre os investimentos da cidade? Esse é um debate que a população quer fazer.

Mas para poder fazer este debate, é necessário abrir a caixa preta dos custos do transporte público de São Paulo. Precisamos entender por que temos que pagar subsídios tão altos. É importante lembrar, aliás, que, historicamente, em muitas cidades do país, concessionárias de ônibus têm envolvimento com práticas de cartelização, de desvios de recursos, de controle político de câmaras municipais etc. Quem não se lembra da dificuldade que a prefeitura de São Paulo teve que enfrentar para implementar corredores de ônibus e o bilhete único? Aliás, esse não é um problema apenas de São Paulo, muitas cidades do país enfrentam dificuldade para enfrentar o lobby das concessionárias de ônibus e implementar projetos de melhoria do transporte público de qualidade para todos em seus territórios.

protesto mpl sp 2

Engana-se quem pensa que as pessoas estão nas ruas de São Paulo protestando por causa de 20 centavos. As pessoas estão hoje nas ruas dizendo algo muito parecido com o que a população de Istambul está clamando na Praça Taksim: estão falando do direito à cidade, do direito de se manifestar sobre as decisões relacionadas ao lugar onde vivem. E parece que está mais do que na hora de São Paulo – e muitas outras cidades brasileiras – enfrentar com coragem essa questão, sem violência.

61 comentários sobre “Em torno do direito de ir e vir: existe diálogo em SP?

  1. O mais lamentável é quem ainda pensa que o protesto gira em torno nos R$ 0,20.
    Sou à favor da ocupação. É difícil ir às ruas…. a repressão é alta, a policia hj nao tem preparo algum para lidar com qualquer movimento. O Povo ainda vive a ditadura.

    Libertem-se!

    • Não foi pelos 20 centavos, os 20 centavos foram a gota d’água. È ridiculo o aumento de preços em todas as coisas enquanto o salario minimo sobe nem 40 reais por ano(gasolina, tomate, azeite, carnes, arroz, açúcar, feijões, saladas, tudo).
      O problema é que as companhias de transporte não tem mais onde enfiar esse dinheiro que eles arrecadam e ainda aumentam 20 centavos cada passe,
      Eu moro em canoas-RS quando vou para porto alegre, casa da minha vó, levo ela nas terapias e etc. Eu gasto 4 passagens por dia, o que me faz gastar 10,00 por dia
      10,00 É MUITO DINHEIRO! Tenho que ser rica pra andar de onibus agora?
      Mesmo assim, tenho que esperar, 30, 40 minutos pelos onibus.
      È inaceitável, simplesmente nós, adolescentes, estudantes estamos fazendo o que ninguém vai fazer por nós, é protestar fazer valer essa democracia que parece mais uma aristocracia onde o rei, o governador é po distrito federal e os nossos “representantes” com seus bolsos imundos de dinheiro sujo.

    • Esses protestos nao estao girando em torno de r$0,20 pois se td estivesse bom ninguem reclamaria de pagar mais 20 centavos >Mais ta td uma merda vc chega num hospital doente e demora no atendimento e ainda por cima é dos piores vc morre la sem atendimento,E As escolas publicas entao a unica coisa q se aprende lá é palavrao ou entao leva uma surra.Os onibus entao vc vai apertada,é mt dificil vc conseguir ir sentada ou entao vc é molestada ou robada no onibus isso é so o começo poq tem mtttttt mais coisa !

      Agora me fala se é por causa de 20 centavos .O Povo acordou e resolviu lutar pelo seus direitos #EvoluiBrasil

  2. Belo artigo. Parabéns pela sensibilidade e pela inteligência para exprimir do fato questões que subjazem o discurso arcaico da mídia corporativa.

  3. “Para nenhum dos dois, o conteúdo do que está sendo dito nas ruas parece ter qualquer relevância”
    Eles perderam a relevância MESMO, diante dos métodos usados pelos manifestantes: quebra-quebra, incêndios e bloqueio das ruas, onde pessoas tentam desesperadamente ir pra casa.

    O povo de verdade ficou impossibilitado de dirigir de volta pra casa.

  4. Raquel .Concordo !!!
    Parece que voltamos nestes últimos dias ao século XIX quando a questão social era tratada como caso de policia . E , além disso , de uma policia truculenta pois estudos sociológicos já demonstraram que a policia do RJ e SP são as mais violentas do mundo . Mas por que será tanta violência justo agora ? Terá sido este episódio de ontem um pré-teste do ” poder de repressão” da policia brasileira para mostrar à FIFA & Cia como estamos preparados para a ” segurança” de 2014 ? Deus que me livre …

    Marly Silva

  5. O protesto não é apenas devido ao aumento de R$0,20 nas passagens de ônibus.

    É o que pode-se concluir lendo o cartaz da moça da foto: ‘desculpe pelo transtorno, estamos mudando o país’. O aumento foi só o estopim, a faísca no paiol.

    Porém, como cidadão paulistano e defensor incondicional dessa castigada cidade, pergunto:

    É justo quebrar o patrimônio público em troca de visibilidade na mídia? ( a mídia por sua vez comporta-se como uma funerária diante de uma ameaça de epidemia) É justo interromper a principal artéria do centro da cidade onde concentram-se nada menos que 12 hospitais? É justo correr o risco de ter um bando de maus elementos na manifestação que não desejam protestar contra nada mas apenas destruir o que estiver pela frente, deslegitimando o movimento? Não existem formas mais inteligentes de atrair a mídia que não seja sequestrando o espaço público e fazendo de refém a população?Tarifa zero? Onde existe isso no mundo? Entretanto, mesmo que isso fosse possível em São Paulo, quantos milhões de pessoas se deslocariam para a já saturada metrópole incentivadas por esse novo benefício?

    Pobre São Paulo, a mais vulnerável e espoliada das metrópoles brasileiras.

    • Cidades com tarifa zero: Talinn, Estônia, Sydney, Austrália (várias linhas gratuitas), Changning, China, Baltimore, EUA. No Brasil: Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o município. Agudos, no interior de São Paulo, próxima a Bauru. Mais aqui: http://freepublictransports.com/city/

      • Obrigado pela informação, Lorenza.

        Porém, acredito que implantar tarifa zero em São Paulo – que é bem diferente dessas cidades que você citou – como perigoso. Com 20 milhões de corpos espremidos em exíguo espaço, a cidade já vive no limite do colapso. Não cabe mais ninguém aqui.

  6. Ótimas linhas, Raquel. Como vimos e de como participamos do quarto manifesto ontem, os 20 centavos não ficam em segundo plano ou servindo-se como mero pretexto, posto que há esse lobby das concessionárias, o que sem dúvida implica uma discussão sobre os subsídios.
    A moça linda quer aparece na foto de seu texto carrega uma frase perfeita – “Desculpe o transtorno, estamos mudando o País”. Acho que é disso que se trata, enfim, de efetivas MUDANÇAS que queremos, com PARTICIPAÇÃO e, claro, SEM POLÍCIA!

  7. Sou ardoroso defensor do direito à liberdade de manifestação por parte de qualquer pessoa ou segmento da sociedade. Mas esse direito não deve chegar ao ponto de tolher a liberdade dos outros setores da sociedade (direito do ir e vir, direito ao silêncio, etc), e, muito menos, chegar ao ponto de depedrar os bens públicos ou privados (ônibus, vitrines, bancas de jornais. etc.)
    Tenho visto em reportagens da TV, manifestantes (ou pessoas que se fazem passar por manifestante) fazendo arruaças, com caras alegres de quem está se divertindo com os próprios atos ilegais.
    Apoio as manifestações, mas não a forma como são irresponsavelmente feitas.
    Quanto ao cartaz, exibido pela moça da foto, quero lembrar que, quem tem que mudar o país são os políticos que elegemos. Se cada setor da sociedade quiser tomar para si, essa incumbência, imagine o caos, pois nem todos os setores têm a mesma opinião sobre as coisas…

    • Daniel,
      Moro num bairro do Rio de Janeiro em que o prefeito simplesmente ignorou uma proposta detalhada dos moradores para solucionar o problema de um meio de transporte que, além do mais, é também patrimônio histórico: o bondinho. Em vez de dialogar, fez como você sugere e decidiu arbitrariamente o destino desse meio de transporte que servia aos moradores do bairro, antes de ser atração turística: vai importar novos carros de Portugal – como se não tivéssemos capacidade para manter os existentes – e, pior, vai importar também o modelo de gestão neoliberal que por lá já se sabe no que dá. Resultado: vēm novos carros fechados e novos preços, expulsando a maioria de utilizadores das comunidades carentes, transformando-o APENAS em brinquedo para turista.
      Essa sua visão de política é do século passado, quiçá retrasado. Atualize-se, participe e contribua!

      • Caro Gustavo, Aprecio e respeito o seu ponto de vista, pois você, como qualquer pessoa, tem o direito de possuir um ponto de vista. A minha visão de política é a visão do respeito às leis estabelecida pelos candidatos que nós, em nossa maioria, elegemos. Talvez não saibamos ainda escolher os canditados certos. Mas esse é um problema nosso (eleitores). Talvez, como você diz, minha visão política seja do século passado, mas o respeito às lei vigentes é atemporal, válido para qualquer regime democrático do século passado ou do século atual.
        Mas acredito que você também não seja favorável, que um manifestante tenha o direito de perturbar a ordem pública com atos de vandalismo. Como eu disse, o manifestante tem direito de lutar pela sua causa, mas não destruindo o que não lhe pertence, obstruindo passagens e pondo em risco milhares de pessoas. O que mais me incomoda é “ver” as expressões de satisfação de alguns pseudos manifestantes ao depedrar, detruir e assustar a população.
        Abraços
        Daniel José de Carvalho

    • Concordo plenamente Daniel. Eu não li reportagens, nem vi fotos ou vídeos para formar minha opinião, eu MORO na região da Avenida Paulista e trabalho na região do Largo da Batata, logo, eu VIVI tudo isso frente a frente! Vi polícia reprimindo manifestantes baleando pessoas ao meu lado, assim como vi manifestantes jogando bombas em todas as direções, quebrando vidros, ateando fogo e quebrando propriedades públicas e sairem dando risada, EU VI, isso aconteceu ao meu lado…Tudo o que eu queria era chegar em casa depois de mais um dia de muito trabalho, mas tive que passar por isso, respirar gás tóxico no meio da rua… Será que isso é a liberdade que queremos mesmo para os nossos cidadãos? Acho justo a liberdade de manifestação, mas isso que eu vi foi uma GUERRA CIVIL. Repudio qualquer forma de violência.

      • Cara Aline, é nas coisas que você “viu”, não na TV, mas pessoalmente, como manifestantes quebrando vidros, ateando fogo,quebrando propriedades públicas e privadas e saírem “DANDO RISADA”, repito “DANDO RISADA”, que não me conformo por ser um cidadão contrário ao desrespeito às leis. Esses que você mencionou não estavam se manifestando por uma causa, estavam se divertindo fazendo arruaça. Quanto à repressão dos policias, creio que podem ter havido exageros. Não tenho nenhuma ligação ou interesse particular em defender essa classe, Mas esse é o trabalho deles: defender a ordem pública. E como todos nós, profissionais conscientes, eles obdecem ordens de seu superiores e fazem o trabalho que lhes é ordenado. Imaginemos, até onde iriam os manfestades que destroem, desrespeitam a ordem pública e saem “DANDO RIASADA”, se não houvesse a ação forte dos policias, que arriscam suas próprias vidas, para nos defender dos vândalos.
        Abraços
        Daniel José de Carvalho

    • Perfeito, Daniel. O que eu vi foi um amontoado de baderneiros gritando palavras desconexas, e com os rostos cobertos. E, após a passagem deles… um rastro de destruição. E os PM’s feridos a pedradas? Ninguém viu?

    • DESLIGA A TV E VÁ AS RUAS,VIOLÊNCIA É O QUE O ESTADO FAZ A ANOS CONOSCO,INCLUSIVE COM VOCÊ,QUE FAZ PARTE DA MASSA ALIENADA CLARAMENTE!

  8. Fica aqui registrado meu total apoio aos estudantes! E como sabiamente a Arq. Raquel escreveu:…esse protesto não é apenas pelos 20 centavos… tá mais do que na hora da população ACORDAR!……………OS ESPELHINHOS:
    Ao distribuir “espelhinhos” para o povo classe C, nosso Governo, juntamente com a cumplicidade da Mídia, assim como a dos chamados “empresários bem sucedidos” acabam fazendo o mesmo papel dos que foram a favor da ditadura militar. Agora sob a falsa idéia de uma Democracia (que aliás nunca é criticada), nosso país vai perdendo sua real identidade e anulando qualquer possibilidade política. Reafirmando assim, um grande analfabetismo, esmagando toda e qualquer ideologia, anulando qualquer possibilidade de um “levante” popular “desbaratinando” as massas. Uma verdadeira tragédia, um país que não consegue produzir riquezas, mas sim gerar alguns ricos. Onde só existe um único “bolo” ( o mesmo há anos – O PIBINHO!) para se dividir em uma população cada vez maior e cada vez mais faminta. A mídia usada como ferramenta pacificadora e anestesiadora da população, “arma”muito maior do que aquela utilizada nos anos de chumbo. A política sendo substituída pela politicagem, os técnicos gabaritados sendo substituídos pelos políticos semi analfabetos em cargos públicos, a máquina inchada da administração pública sendo transformada em um balcão de negócios, como num mercado das “pulgas”. A dilaceração do ensino público; o abandono da infraestrutura portuária; hospitais abarrotados de indigentes; a segurança pública “largada” aos desmandos de grupos criminosos; a sociedade apoiando simplesmente a pena de morte e ou a diminuição da maioridade para apenas se livrar dos bandidos que ela mesma produziu; o transporte público, uma indústria de enriquecimento de poucos em detrimento de um povo que passa mais de 03 horas por dia pendurados nos ônibus e trens, como gado; ferrovias inexistentes ou inoperantes num País com dimensões continentais; o total desprezo à uma política de migração às grandes capitais, que não suportam mais receber ninguém de outros estados e nem de outras cidades; um favorecimento espúrio às indústrias automobilísticas internacionais, num país que se vende mais automóveis do que bananas e morrem mais pessoas de acidentes de trânsito por ano, do que soldados americanos em toda a guerra do Vietnan; empresários “bem sucedidos” que insistem em alegar falta de mão de obra especializada, quando o problema é falta de SALÁRIO especializado; um grande engano com a criação de projetos habitacionais, onde o governo paga uma fortuna às grandes empreiteiras, cuja qualidade/custo de construção são altamente discutíveis favorecendo assim um enriquecimento ilícito de seus construtores (cuja fortuna é igualmente dividida aos políticos corruptos que aprovam sua construção e liberação de verbas públicas para sua execução), em detrimento do miserável que irá habitar “naquilo”; obras metroviárias que custaram, por quilômetro, o dobro do que custou o túnel abaixo do canal da Mancha na Europa, sob um oceano e com a mão de obra mais cara do planeta!!!; manutenção de estradas e avenidas que custam muito aos cofres públicos, mas que efetivamente não existem e o dinheiro “sumiu”; viadutos e pontes construídos, cuja necessidade é discutível; um favorecimento também absurdo às instituições financeiras que “vendem” dinheiro a juros compostos e pagam pela mesma “mercadoria”, juros simples. Um descalabro político no Congresso Nacional, onde só se “trabalha” para lobistas garantirem o interesse de poucos em detrimento do de muitos; campanhas eleitorais sem o menor conteúdo político real e financiadas pelos poucos favorecidos de um sistema agonizante para muitos; uma Universidade igualmente dilacerada, onde o ensino superior tornou-se apenas um mero ensino técnico e uma fábrica de diplomas. Enfim, uma sociedade que vive de aparências, de engôdos, de futebol, carnaval, sem a menor noção de coletividade, anestesiada e apalermada pelos cartões de crédito, telefones celulares, bolsa disso, bolsa daquilo, vale transporte, cestas básicas, automóveis e dívidas. Um verdadeiro “Alice no País das Maravilhas”. Como os espelhinhos que nossos colonizadores distribuíam aos nativos no século XVI, afinal o interesse pela Nação, pelo visto, ainda é o mesmo: explorar e explorar. “Vamos explorar nossa rua, nosso transporte, nossa cidade, nosso local de trabalho, nossa moradia, nosso vizinho e quando não tivermos mais nada a explorar nos mudamos para outro local e continuemos a explorar”. E ainda se prega a “sustentabilidade”. Pessoas vivendo no limite da legalidade e da moralidade pensando que a vida é mesmo assim, sem a menor referência. Sempre tirando alguma vantagem de seu próximo.
    Afinal, que tipo de pessoas estamos desenvolvendo aqui? Anarquistas exploradores (como os do séc. XVI?), corruptos, marginais, delinquentes e aproveitadores do caos? Qual o destino de uma sociedade constituída dessa maneira?
    Isso não é Capitalismo Moderno… isso é uma ABERRAÇÃO do Capitalismo.
    Me perdoem os novos ricos, mas neste País, ANTES de 1964, pelo menos, o povo era mais autêntico e tinha alguma vergonha na cara!
    Aos militares ou quem quer que seja que esteve “por trás deles” na revolução de 1964, vocês conseguiram seu maior objetivo: Fazer do Brasil uma nação sem personalidade, sem identidade, manobrável, amoral e sem crítica.
    SAÚDE, TRANSPORTE, HABITAÇÃO, SEGURANÇA, EDUCAÇÃO, EMPREGOS, CRESCIMENTO E SUSTENTABILIDADE : apenas ferramentas de marketing e plataformas eleitorais.
    E eu que na adolescência acreditei que esse era um País de futuro.
    Que pena!

    • Nelson, que bom! O seu comentário ilustra bem a publicação da Raquel. Eu compartilho suas palavras, aliás, saímos de uma ditadura num passado recente, para entrar em outra “a ditadura da pretensa democracia”, que não é para o povo, é para um grupo de políticos e empresários que mandam neste país. Por outro lado, parece que ao largo das manifestações que estão eclodindo no mundo, aqui no Brasil, principalmente eixo SP/RIO, as coisas estão mudando como a moça do cartaz bem mostrou “desculpe o transtorno, estamos mudando o país”. Também sou contra as depredações e violências dos dois lados, porém, que venham os jovens, com sede de justiça, com sonhos para um país livre e direitos para todos!

    • Belíssimo texto. Gostaria que algum jornal ou revista (Veja por exemplo) se manifestasse desta maneira. Seu texto é mais do que perfeito para situação do Brasil, um país para todos que são de uma “gangue” ou partido. Não para o POVO!

    • Eng. Nelson, sou uma senhora de 76 anos de idade, e aos 20, quando fiz minha primeira viagem a Europa, eu dizia na minha ingenuidade, de que daqui 20 anos o Brasil será um grande pais. Mtos anos se passaram e o que se vê, é exatamente o que o senhor descreveu acima. Pena que há poucos brasileiros tão lúcidos como o senhor. Assino em baixo de tudo o que escreveu porque é a mais pura verdade sobre este pais que poderia ser um Gigante!
      Francis

      • Obrigado Senhora. Inclui-se aqui, sua pessoa. Com tanta lucidez é de fácil percepção que o texto, infelizmente, reflete a atual sociedade brasileira. Mais uma vez agradeço seu elogio e parabéns pela sua lucidez.

  9. PROCURA-SE UM MEDIADOR:

    Estou muito triste.

    Por culpa de todos, grande mídia e redes sociais, São Paulo está polarizado. Cada um através da sua experiência pessoal ama ou odeia os manifestante, ou ama ou odeia os policiais.
    Generalizam os que protestam como vândalose vagabundos, ou generalizam os policiais como ditadores e violentos.

    Mas independente do lado que você estiver,você já pensou que você é tão humano e gente como o “outro lado” ou como qualquer outra pessoa que vive na cidade?

    Não acho justo que porque queremos uma cidade mais justa haja bloqueio de diversas ruas e achem um horror que as pessoas não se juntem ao grito de “vem pra rua vem”, você sabe se aquela pessoa tem algum familiar muito doente no hospital e está indo visitar? Ou o que passou hoje?
    Ou seja, queremos que a cidade mude, masnós continuamos sem poder enxergar além do nosso umbigo no momento? Não conseguimos ter uma convivência social aceitando as diferenças e a situação dosoutros?

    Como não acho justo que um prefeito “tão” aberto a participação popular e “tão” diferente do mandato anterior, apenas dê ordem de que quer ordem na cidade, inclusive com uso da violência, semconsiderar todos aqueles que estão se mostrando indignados com os abusos da nossa “democracia” e com as injustiças. Levando ao maior abuso de poder que poderia, ao invés de aproveitar que as pessoas estão falando e fazer mudanças.

    Ainda não acho justo que culpemos ou odiemos os policiais, que só porque estão uniformizados já nos dão medo, mas que também passam pânico, e estão apenas cumprindo ordens, e muito assustados,de deixar a cidade em ordem (obvio sem generalizar ninguém, afinal sabe-se que existe gente violência na policia, no protesto e em qualquer lugar).

    A situação como tem sido encarada só piorou, os que antes achavam besteira protestar pelo transporte, agora protestam contra essa repressão absurda. Colocam-se policiais despreparados nas ruas para cumprir ordens. Enquanto o nosso prefeito está tranquilo em Paris.

    “O mediador entre a cabeça e as mãos deveser o coração!”(Metropolis)

    Cadê o tão falado amor que existe em São Paulo?

    Procura-se urgente um mediador!
    (Já que o que escolhemos através do voto a isso não só não tem estado presente, como tem piorado tudo)

    (Não estive presente em nenhuma manifestação pois ao principio considerava inapropriado manifestar apenas agora indignação contra a passagem, sendo que desde fevereiro está anunciado que vai haver aumento. E me incomoda que muitos nem foram em nenhuma discussão de mobilidade, para entender que os custos são realmente altos mas que temos que fazer uso do subsidio permitido pela nova lei nacional de mobilidade urbana para que tenhamos preços justos ao usuário final. Mas ver a repressão e ler e escutar depoimentos de amigos e conhecidos tem incomodado muito, acredito nos protestos como forma de ganhar voz e reconhecer que somos muitos, mas acredito que as mudanças virão de outras formas. Mas todos tem direito de falar e estão desrespeitando o ser humano. Mas da forma que tudo isso tem sido tratado de ambos lados não dá mais.)

    • Considero perfeitas as considerações de SAMPEL: “Vamos meditar”.
      Minha opinião é que as manifestações são válidas e características de uma sociedade livre. Respeito os manifestantes legítimos, os que se manifestam pelos seus direitos sem conturbar a ordem pública e violar os direitos dos outros cidadãos. Entretanto, como cidadão responsável, não posso admitir que vândalos se infiltrem entre o manifestantes e usem as manifestações para se divertirem dando vazão aos seus instintos de destruição.
      Daniel José de Carvalho

  10. ESTE MOVIMENTO É SOBRE 20 CENTAVOS! Divididos da seguinte maneira:

    – 1 centavo contra o aumento das tarifas no transporte público, que afeta principalmente o orçamento de trabalhadores e estudantes. Lembremos que este serviço não é oferecido nem em qualidade nem em quantidade suficientes, que os trabalhadores nele envolvidos (cobradores, motoristas, fiscais) recebem salários também insuficientes.
    – 1 centavo por uma urgente reformulação da mobilidade urbana no país. Pedestres são prioritários em relação a veículos, veículos não motorizados são prioritários em relação aos motorizados, motorizados de uso coletivo são prioritários em relação a motorizados de uso particular.
    – 1 centavo é contra a violência policial, contra o uso arbitrário do monopólio da violência pelo estado, contra o despreparo dos policiais militares para lidar com manifestantes predominantemente pacíficos.
    – 1 centavo contra a insensibilidade das autoridades governamentais, nas esferas estadual e municipal, independente de partido, que optam por repressão em vez de diálogo.
    – 1 centavo pelo direito ao exercício da cidadania, pela garantia constitucional da liberdade de expressão de ideias e posições políticas.
    – 1 centavo pela retomada das ruas pela população.
    – 1 centavo pelo livre exercício da atividade de imprensa, que cumpre sua função social ao apurar e divulgar os acontecimentos e que deve ser poupada do confronto com a força policial.
    – 1 centavo de repúdio à imprensa manipuladora, que promove a desinformação em favor dos interesses de grupos econômico-políticos espúrios.
    – 1 centavo em apoio a um outro modo de organização política: horizontal, sem líderes ou partidos, exercida de modo direto pelos cidadãos.
    – 1 centavo contra o cerceamento dos direitos humanos em qualquer esfera ou instância.
    – 1 centavo contra os vícios de estado (burocratização, corrupção, mal uso da máquina pública).
    – 1 centavo contra a felicianização do estado brasileiro, o que nos leva aos centavos abaixo:
    – 1 centavo pela garantia dos direitos homoafetivos, pela criminalização da homofobia.
    – 1 centavo pelos direitos reprodutivos das mulheres, pelo pleno juízo sobre seu próprio corpo e contra o estatuto do nascituro.
    – 1 centavo pela defesa do estado laico.
    – 1 centavo contra qualquer discriminação étnica.
    – 1 centavo pela autonomia dos poderes, contra projetos como a PEC 37 que desequilibram as competências de executivo, legislativo e judiciário.
    – 1 centavo em apoio a protestos horizontais e em rede ao redor do mundo: Praça Taksim, Primavera Árabe, Occupy Wall Street, Indignados e tantos outros motivados pela mesma irrupção popular.
    – 1 centavo contrário a um modo de produção que afirma e acentua desigualdades, que concentra renda, propriedade, acesso a serviços, cultura e ciência.
    – 1 centavo em favor de sonhos impossíveis sonhados coletivamente.

    É imprescindível lutar quando qualquer centavo destes faz diferença.

    • Excelente avaliação, amigo. Não dá pra cair no engodo da mídia ou ouvir a voz institucional. Não se trata de 20 centavos; trata-se de ser ouvido, de dignidade. O povo não aguenta mais.

  11. Acho que isso é apenas o estopim para uma grande onda de protestos que estavam a muito tempo querendo aflorar. Senhores, sabemos que a coisa não está boa no nosso país. Está na hora da mudança!!!

  12. Raquel parabéns pelo artigo você tocou no ponto central do problema o movimento é político sim e ainda bem que na sua maioria jovens se preocupam com o futuro da cidade e do país. Violência policial e presos políticos no momento atual não condizem com a democracia. Assusta quando vemos na TV um jornalista ser atingido de propósito nos olhos. Acho que nem os que criticaram as depredações de terça feira apoiaram a ação policial de quinta feira encurralando manifestantes na rua Maria Antônia símbolo da resistência à ditadura militar

  13. Se eu fosse o Governador tiraria o policiamento da região, e deixaria os ativistas livres pra fazer o que quisessem. A combinação de alguns policiais nervosos e alguns ativistas irresponsáveis é uma mistura perigosa. Sobra pra todos. Desculpem-me a sinceridade mais é óbvia a armação para tirar o foco dos graves problemas e situações políticas locais. E uma pergunta… cadê a Guarda Civil Metropolitana? Pura armação de todo o lado… Triste país. Aliás os Brasileiros vão se acostumando porque vem sempre coisa por aí….

  14. Mas Raquel, o foro para discutir as políticas públicas para o financiamento do transporte público são as instituições legislativas…ao menos, primeiro
    Ir as ruas antes, é ir sem saber pelo que se está lutando.
    O MPL deveria ter um discurso político e levá-lo ao congresso…e à mídia…
    e se houver legitimidade popular, às ruas.
    Por hora esse movimento “só tá fazendo birra” e cresce mais pela ação truculenta da polícia do que por alguma outra causa. Não há foco.

  15. parabolize todos que com grande corajen lutem pelo direto de democracia e exerce sua cidadania com grande enfase e demostrar que nosso povo nao e leigo que temos nosso conhecimento dos deveres e direitos e a resposabilidade da presidente do pais tudo isso que ta acontecendo com a populaçao das capitais porque trazer copa so pra destrir a economia do pais sem ter estruturas isso sim e imrresposabilidade

  16. Excelente texto, Raquel! O Governo esquece que deveria representar o povo, e não seus próprios interesses e o de grandes corporações. As discussões, decisões e interesses no Brasil, infelizmente têm se pautado no top-down. Concordo, plenamente que a população não foi chamada para decidir se quer aumentar o subsídio do transporte público de São Paulo ou investir esse recurso em outras áreas.

  17. Parabéns Raquel. É exatamente isso que queremos ouvir e divulgar. Acredito que nós, Arquitetos Urbanistas, temos a obrigação de compartilhar essa visão mais ampla sobre cidade e sociedade. Precisamos enxergar além dos acontecimentos óbvios.

  18. Infelizmente os protestos reduzem sua eficiência com as depredações compartimento publico e privado. Concordo com o protesto para exigir transparência do governo.

  19. E uma falta de respeito com o cidadão que levanta as 5hrs para buscar o seu ganha pão ,quando acorda se depara com uma guerra que não sabe se volta ou não para casa

    • Segundo a ciência política e a sociologia, o uso da força é legitimado pelo fato de o Estado deter o monopólio da violência,ou seja, só ele pode cometer atos violentos; todos os demais são ilegais ou ilegítimos. E ao povo, só cabe pagar os impostos, ser despejado, reclamar, sambar, torcer e beber.
      Só espero, que o Movimento do Passe Livre, não seja um agente provocador, empregado, seja de que ala for, com objetivo de destabilizar o governo federal na sua credibilidade popular, que é, frequentemente, feito por passeatas e protestos pacíficos, ou a fim de justificar o uso de força armada e na volta da ditadura. O Congresso já apressa em impor limites com cadeias às obstruções de vias nas manifestações populares.
      O que mais me entristeceu, é ver um bando de irados destruírem um patrimônio cultural e histórico, mesmo que este patrimônio, seja um modelo da presença dos mais torpes elementos, que se dizem políticos eleitos pelo voto popular, ainda assim, faz parte da nossa memória. E eu prezo muito isso. Se esses elementos fossem, fincar uma bandeira para a tomada de uma posição, como uma forma de dizer que aquele lugar é realmente, a Casa do Povo, seria legítimo..
      Mais uma vez, me alimento das palavras de um filósofo e revolucionário francês, Condorcet, “Uma constituição livre, que não corresponda à universal instrução dos cidadãos, destruir-se-á por si mesma, após algumas tormentas e degradação, em forma de governo inepta para manter a paz num povo ignorante e corrompido”.

  20. Cara Raquel Em So Paulo, capital e grande So Paulo, h muito tempo perdemos o Direito de Ir e Vir, e estamos em uma Verdadeira Guerra Civil, s as autoridades que no admitem isto. s ver os numeros da violencia, alm desta o transito no deixa ninguem “ir e vir” ou at deixa mas com pelo menos uma hora de atraso. Continuo defendendo o Protesto Pacifico, e sem parar ainda mais o transito, e Armas somente na mo de Policiais e bem preparados. Antigamente havia um slogan famoso: So Paulo no pode parar. E no parou mesmo, mas desordenadamente. O Sistema Viario praticamente o mesmo desde Faria Lima (Prefeito) mas as construes habitacionais , comerciais e industriais bem com a populao s aumentou. A prefeitura e a PM deveria direcionar estas manifestaes para o Sambodromo, com cobertura do Radio, TV e Jornal, seria no mnimo um movimento organizado, e muito mais pessoas seriam informadas. uma questo de inteligencia e vontade politica. Grato pela oportunidade Antonio da Ponte Ambientalista da Aclimao -SP

  21. Qualquer direito às manifestações e reuniões comunitárias nos logradouros públicos, de onde foi baixado um decreto da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, logo em seu primeiro mandato, que simplesmente, as lideranças deverão solicitar um pedido formal de autorização do NADA OPOR aos entes públicos (Secretária Municipal da Fazenda, Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Regiões Administrativas, Sub-prefeituras, Guarda Municipal, Policia Militar, Corpo de Bombeiros, e etc.). Não falo de eventos musicais e ou culturais.
    A Constituição Federativa Brasileira diz, do dever dos Movimentos Sociais e Comunitários de só comunicarem, e não solicitarem a autorização aos entes públicos. Bastando, só enviar a comunicação por ofício a Região Administrativa do bairro, que deverá ficar ciente e tomar as devidas providências e precauções para a devida proteção do direito às manifestações democráticas e do sagrado direito de ir e vir da população nos espaço públicos, Fico a me perguntar, aonde que estão ás Federações das Associações de Moradores?

  22. Eu acho que deve descer a cacetada nesses baderneiros. Por mim usava bala da verdade. só assim pra esses marginais respeitarem a policia e o estado. abraço.

  23. Pingback: Raquel Rolnik: as manifestações e o direito à cidade | Trajetórias Urbanas

  24. Ola Pessoas….
    De fato pensar as manifestações ocorridas na cidade descontextualizadas é no mínimo perder o sentido de “trama social”.
    O espaço urbano engendra e põe em relevo tensões de diferentes ordens e o caso aqui é exemplificado de forma primorosa já que em última instância o que se discute é o direito de uso e apropriação do espaço urbano por pessoas que antes de tudo tem direitos de cidadão.
    Qdo imprensa e governos isolam o fato e deixam de tomar esse palco social o que temos é apenas uma forma refratária de ver e de pensar.
    Óbvio está que exageros de parte à parte não servem a ninguém, mas discussões pautadas com indicativos de linhas e caminhos a seguir seriam muito bem vindas.
    Vejo que o que falta em demasia é lucidez e esclarecimentos das partes. Extirpando-se isso evita-se o uso de massas de manobras acéfalas em suas ações. É preciso participação politizada (entenda-se aqui no seu sentido pleno e não pejorativo).
    Mas acredito que possamos avançar nessa discussão e conto com todos
    Abs

  25. Pingback: Nothing Can Stop Brazil’s Vinegar Revolt, Not Even FIFA | World News Curator

  26. O sujeito que foi filmado com uma máscara quebrando a porta de entrada da prefeitura já foi identificado. É Pierre Ramon de Oliveira, lutador de Jiu-jitsu natural de Garanhuns-PE e estudante de arquitetura.

    Sua origem explica a falta de compromisso com a cidade que o acolheu, depredando com sadismo um prédio histórico. Sua opção por arquitetura indica que está na profissão errada. Deveria tentar a carreira de lutador de vale-tudo.

  27. Pingback: Nada pode parar a Revolta do Vinagre no Brasil, nem mesmo a FIFA · Global Voices em Português

  28. Pingback: Estou nas ruas de coração pelo direito à cidade | CHÁ DE BERGAMOTA

  29. O que acho é que uma utopia foi quebrada. Estamos órfãos em um ambiente de insituintes ações de toda ordem incluindo as que estão querendo desconstruir o que vem sendo conquistado nos últimos anos em todos os sentidos e campos. É um momento de grande poder de mudanças . Para frente e em expansão. Nesta reconstrução, quero mudanças para mais e melhores praticas de um viver e de uma política solidária, justa , ambientalmente saudável e cheio de livros para muito nos bem ocupar. Rua, fui !

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