Itaquerão e obras para a Copa: questões ainda não equacionadas

No mês passado foi lançado o Plano Popular Alternativo para a Vila da Paz. Essa comunidade, localizada em Itaquera, zona leste de São Paulo, está justamente no caminho de intervenções urbanísticas como o Parque Linear do Rio Verde e obras viárias no entorno do Itaquerão, e por conta disso, vem sofrendo ameaças de remoção. O Plano Popular Alternativo, desenvolvido pelo Coletivo Comunidades Unidas de Itaquera, Instituto Polis e Peabiru-TCA, propõe mudanças nestas intervenções de forma a garantir a permanência da comunidade em condições adequadas.

O fato é que em nenhum momento, até agora, foi apresentada aos moradores uma proposta que garanta o direito à moradia da comunidade. Ninguém sabe pra onde vai, se existe um projeto, como será executado, se há recursos previstos pra isso.

Aliás, recentemente, o conselho do Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano) – constituído pelos recursos da venda da outorga onerosa do direito de construir em São Paulo – decidiu que vai utilizar R$ 70 milhões (dos R$ 90 milhões hoje em caixa) para financiar as obras viárias do entorno do estádio. No processo de preparação para a Copa do Mundo de 2014, a gestão passada da prefeitura havia assumido esse compromisso, mas não deixou os recursos previstos em caixa. É importante lembrar que um dos objetivos fundamentais do Fundurb é o investimento em habitação social. Apesar disso, o destino da Vila da Paz e demais comunidades ameaçadas de remoção continua sem solução.

A questão central aqui, e em todo e qualquer projeto ou obra que envolva remoção, é garantir, não apenas no momento da formulação do projeto, mas também no equacionamento dos recursos financeiros, o direito à moradia das pessoas afetadas.  Sendo assim, por que não usar o recurso ainda existente do Fundurb para viabilizar o Plano Popular da Vila da Paz e garantir a permanência desta comunidade?

Leia o Plano Popular da Vila da Paz

3 comentários sobre “Itaquerão e obras para a Copa: questões ainda não equacionadas

  1. Cara Raquel
    Sabemos que o poder publico, nunca tem orçamento (dinheiro/verba/recursos) para atender a população carente, tanto na saúde, na educação, e principalmente na habitação. O Ex-prefeito Kassab durante seu mandato e meio, conseguiu realizar algumas intervenções com relação as áreas de risco, mas como sempre , mudou o prefeito e o partido, para-se tudo e começa-se uma propaganda massificante sobre novas megas obras. Quase tudo é virtual, de concreto mesmo, nada vezes nada. A população da periferia e mais carente que votaram no PT e no Sr. Fernando Hadad, deve se organizar e cobrar dele, obras pontuais e urgentes. Se os governantes podem arranjar dinheiro a rodo para Copa das Confederações e Copa do Mundo, porque não destinar parte desta para atender a população carente. Estas copas não vão alterar em nada a vida dos necessitados. Tenho certeza que em 2015, 2016, 2107 …. e por aí vai, não vão solucionar os grandes problemas das Cidade, como habitação, saúde, educação, transito, áreas de riscos, enchentes, acessibilidade, calçadas, etc.
    A nossa presidente está preocupada em reduzir IPI para carros e linha branca, mas não para favorecer o povão, mas sim para favorecer a classe empresarial, que precisam vender e lucrar cada vez mais e desovar seus estoques, sendo que o setor habitacional que gera mais empregos direta e indiretamente.
    Nas eleições eles prometem tudo, depois que ganham, não fazem nada do que foi prometido.
    Mais uma vez , vamos insistir, senhores vereadores , vamos revisar o Plano Diretor e alguns Zoneamentos, para uma cidade mais bonita e mais segura.
    E não se façam de rogados, peçam ajuda e opiniões aos Arquitetos , Engenheiros, CREA, e Gestores Ambientais.
    Grato pela oportunidade
    Antonio da Ponte
    Ambientalista da Aclimação

  2. Quais semelhanças/diferenças enxerga sobre o impacto à comunidade de entorno da construção do estádio de Itaquera-SP e o “Engenhão”, em Engenho de Dentro (RJ), Raquel?

  3. Mas um fato não podemos negar: todas as intervenções estatais ocorreram após a preocupação da copa. Talvez uma das maneiras de garantir que haverá bom uso dos recursos é, além da fiscalização, a formação de grupos locais, de moradores, que poderão ter contato direto com os postos mais altos e responsáveis por todo o plano.

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