Marcelo Freixo, no Rio, e Patrus Ananias, em BH, para aprofundar o debate em torno do projeto de cidade no Brasil

Ontem me manifestei a respeito do momento político de São Paulo. Hoje gostaria de expressar minha posição em relação ao que está em jogo nas eleições municipais em duas outras importantíssimas cidades brasileiras: Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Estas duas cidades estão vivendo hoje um processo de crescimento e de transformação, com aumento muito significativo de recursos, inclusive públicos. Entretanto, é preciso refletir sobre qual modelo de cidade está sendo implementado no âmbito destas transformações. Tanto no Rio como em BH, os atuais prefeitos, Eduardo Paes (PMDB) e Márcio Lacerda (PSB), respectivamente, buscam um segundo mandato, usando para isso justamente a apresentação de suas ações na direção de implementar um determinado modelo de cidade.

Mas que modelo de cidade é esse? Trata-se de um modelo baseado no paradigma neoliberal que afirma a cidade competitiva, a cidade como um negócio, em que o mais importante é gerar empregos, empreendimentos, recursos. Esta cidade competitiva, infelizmente, se desenvolve desconstituindo direitos e retrocedendo do ponto de vista político e da cidadania.

Em Belo Horizonte, por exemplo, está havendo uma espécie de desmonte de uma experiência de gestão que avançou muito no passado com relação à participação popular, ao reconhecimento dos direitos de moradores de assentamentos informais, e a vários outros pontos da agenda da reforma urbana. Uma agenda que, no Brasil, ajudou a derrubar a ditadura e a construir a democracia.

É importante ressaltar que tanto em BH como no Rio a construção do projeto de cidade em curso não tem sido fruto de uma repactuação com os cidadãos. O processo de diálogo sobre o futuro da cidade tem sido feito predominantemente com o setor empresarial. Catapultado pela euforia do crescimento brasileiro e pela realização dos megaeventos esportivos, esse projeto, embora hegemônico, não é e não precisa ser consensual. Existem alternativas no cenário político que propõem outro modelo de cidade e recuperam as lutas históricas que nos trouxeram ao momento em que nos encontramos.

No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL) é sem dúvida essa alternativa. Em sua atuação exemplar como liderança da sociedade civil e depois como parlamentar, ele já provou de que lado está. Não teme enfrentar interesses políticos e econômicos poderosos, não acha que os fins justificam os meios, já mostrou competência, capacidade de ação e de liderança.

Em Belo Horizonte, Patrus Ananias (PT) é um nome cuja trajetória, inclusive dentro do PT, é de questionamento da geleia geral da política. Teve atuação importante à frente da Prefeitura de BH (1993-1997) e, depois, do Ministério do Desenvolvimento Social do Governo Lula, representando hoje uma alternativa para a cidade no sentido da recuperação de sua agenda na defesa dos direitos da população.

Para você que ainda tem alguma dúvida, votar em Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, e em Patrus Ananias, em Belo Horizonte, é no mínimo levar as eleições para um segundo turno e permitir que estes projetos de cidade tenham a chance de ser mais debatidos.

* Em tempo: Em Belém, o ex-prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL), que fez uma gestão brilhante da cidade, tem chances de ser eleito no primeiro turno. Yes!

Saiba mais sobre os candidatos:

Marcelo Freixo 50

Patrus Ananias 13

17 comentários sobre “Marcelo Freixo, no Rio, e Patrus Ananias, em BH, para aprofundar o debate em torno do projeto de cidade no Brasil

  1. Que coincidência que todas as propostas boas para “a cidade” sejam APENAS do PT. “Modelo neoliberal”, o que é isso? Acredito que deveríamos por as cartas na mesa e falar os motivos reais do apoio.

  2. Helton
    é uma tese interessante. só que o candidato apoiado pelo PT no Rio é o Paes, o Freixo é do PSOL. convém prestar atenção antes de postar qualquer coisa.

  3. agora, é esquisito demais toda a argumentação final da Rolnik no final do artigo pela necessidade do debate e do Segundo Turno (estou com ela), e depois a comemoração porque o candidato de sua predileção pode ganhar no Primeiro Turno em Belém.

    debate e contestação bons são só do projeto dos outros?

  4. Concordo com a maior autoridade de política urbana do país e membro da ONU, Raquel Rolnick. Marcelo Freixo prefeito no Rio, a melhor opção frente a cidade governada por Paes, que promove remoções injustas atendendo aos interesses da especulação imobiliária, cuja política de transporte é ditada pela Fetranspor. Aliança entre 20 partidos é uma aberração, prova que não há uma diretriz política de governo, mas única e somente projeto de poder de Eduardo Paes, PT e Sérgio Cabral!

  5. Sou eleitor e morador de Belo Horizonte, olhando programas de governo dos candidatos, e debates, e pensando de maneira ideológica, rejeito Márcio Lacerda. Mas utilizando o pensamento da candidata do PSTU em Belo Horizonte, Vanessa Portugal, até agora o PT esteve com o PSB em BH, e mesmo com o PT sendo hegemônico em secretárias, já se percebia um abandono do orçamento participativo. Então a candidata do PSTU levantou a questão, o PT seria um projeto alternativo de poder? Para mim coerente demais a pergunta dela. Olhando para os programas eu, eleitor, Rodrigo Horta, me apropriei da convicção de que as propostas do PSOL com a candidata Maria da Consolação são as mais consistentes, e que trás ações que melhorariam economicamente as condições tanto dos setores populares e das classes médias. Porque então você, Rachel, não defendeu o PSOL como alternativa ao poder estabelecido? Vejo também, que só vamos crescer como democracia quando nós eleitores percebemos que o X da questão é a eleição do legislativo, é imperioso acabar com a prática política do governo de coalizão onde o executivo amordaça o legislativo com as alianças partidárias, e sempre os interesses da sociedade civil e as causas populares são derrotadas. Penso ser urgente a criação de uma FEP – Frente de Esquerda e Popular que possam eleger vereadores que fiscalizem e apontem melhores maneiras e necessidades do uso do dinheiro público, e principalmente, que estes vereadores abram debates e o próprio espaço para a sociedade civil ocupar as câmaras de vereadores desses grandes centros.

  6. Concordo com a Raquel ao ressaltar as sutis diferenças ideológicas encarnadas na personalidade individual do Márcio Lacerda e Patrus Ananias. Contudo é importante ressaltar como disse o Rodrigo que o PT permaneceu aliado ao Márcio Lacerda até poucos meses atrás ocupando inclusive diversos cargos do primeiro escalão na Prefeitura de BH.

    Vou votar na Maria da Consolação, pois para mim não interessa a posição nas pesquisas que apontam a impossibilidade de um segundo turno para ela…

    Vou votar nela porque acredito que seu debate tem sido o mais esclarecedor e coerente no sentido de propor uma mudança alternativa para Belo Horizonte (e que não é radical nem comunista) e ao mesmo tempo mais independente da evidente disputa pré-presidencial que tem acontecido na cidade – De um lado o senador Aécio Neves apoiando Lacerda e de outro a presidenta Dilma do lado de Patrus…

  7. Não resta dúvida que o que o Marcelo Freixo representa – talvez não haja ninguém hoje nesse país com a representatividade dele – é o renascimento de uma política que pretende reposicionar o Estado no seu ofício de prezar pelo o que é público. Como ele próprio diz, é preciso reestatizar o Estado.

    Por essa compreensão popular do urbano, que é o da cidade viva, com espaço público, cidade popular, é que eu fecho com o Marcelo Freixo 50!

  8. Raquel ,

    Eu não diria que o governo de Edmilson Rodrigues foi ” brilhante ” . Ele também cometeu erros que não poderia ter cometido e que se tornaram comuns no PT , assim como enfrentou boicotes de toda ordem de partidos e de uma classe média e elite conservadoras . Mas , sem dúvida , seu governo foi o único dentre as grandes capitais brasileiras que nos anos 90 resistiu ao rolo compressor da ideologia das cidades competitivas , enquanto o governo do PSDB entrou de cabeça neste jogo elitista da cidade como vitrine e como negócio com todas as consequencias sociais e politicas que os urbanistas criticos conhecem muito bem .Não é por acaso que neste pleito o Psol enfrenta-se com o PSDB .

    Marly Silva

  9. Quem fecha com Freixo no Rio fecha com Maria em BH!

    Raquel, respeito muito as suas idéias como urbanista, os textos que você
    escreve são muito bons… mas vai por mim, eu moro em BH, sai dessa de PT e fecha com a Maria!
    se tem um motivo pelo qual o Lacerda está no poder, este o fato do PT de BH, e em toda MG ter se corrompido mais que todos os outros e aceitado compor um governo com o PSDB! Além disso, a venda dos espaços públicos da cidade em favor da iniciativa privada começou com a gestão do Pimentel (PT), cara que até 5 dias antes do registro da candidatura estava erguendo o braço do Lacerda!
    O PT participou de TODO o governo Lacerda, com o vice-prefeito, a maioria das secretarias e inúmeros outros cargos na Prefeitura.
    O PT só lançou candidatura própria porque o Lacerda não quis aceitar o PT da aliança na coligação para vereadores! Isso é assumido também pelo Patrus e pelo Lacerda.

    Por isso eu digo: sai dessa de PT e fecha com a Maria!

  10. Concordo plenamente com o colega MARCELLO CANTIZANO. No Rio nem parece eleição e sim ditadura. Como pode 20 partidos serem aliados do PMDB? Já exite indícios de mensalão e eu acredito nisso mesmo. Só um partido já levou 1 milhão. De onde sai tanto dinheiro gente. Precisamos acabar com essa quadrilha de corruptos e a união do PMDB com PT só proporcionou esse aprendizado feio. Infelizmente temos muita gente sem cultura, que não leem jornais e enm tem acesso a internet para toamr conhecimento da situação real do estado. Dilma protegendo o Paes falando de casa própria. Isso é pura enganação. Vamos para o segundo turno. Acho mais justo com o povo do Rio.

  11. Quanto à consistência e ao caráter mais progressista e claramente democrático em SP, temos a candidatura do Gianazzi. Senti falta da citação dele no texto. Por que não o apoio ao candidato do PSOL aqui?

    Bom, posso entender que por uma estratégia pragmática, até porque a única candidatura minimamente viável das três cidades, para o PSOL, é a do RJ.

    O problema de votarmos PSOL em BH e SP é fazer o velho jogo das direitas mais reaças…

  12. Vou votar em Marcelo Freixo no domingo. Um político de coragem ímpar, coerência política e propostas realmente voltadas para a melhoria de vida população da cidade do Rio. Vou votar no Freixo pq não suporto mais viver numa cidade em que o que prevalece é o lucro, a especulação imobiliária, a máfia dos transportes públicos e as venosas alianças partidárias. Voto no Freixo pq ele representa uma alternativa socialista, alternativa essa, que o PT jogou no lixo faz tempo. E em nome dessas alianças espúrias, o PT se alia ao candidato que apóia as empresas de ônibus, as grandes empreiteiras, as remoções forçadas e como consequência, a especulação imobiliária. Ou seja, não é de hoje que o PT se alia ao capital.

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