“Hoje, nosso slogan deveria ser ‘São Paulo não pode morrer'”

Sábado passado, o Correio da Cidadania publicou artigo do professor João Whitaker, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, sobre a cidade de São Paulo. Confiram abaixo.

São Paulo vai morrer

As cidades também morrem. Há meio século, o lema de São Paulo era “a cidade não pode parar”. Hoje, nosso slogan deveria ser “São Paulo não pode morrer”. Porém, parece que fazemos todo o possível para apressar uma morte anunciada. Pior, o que acontece em São Paulo tornou-se infelizmente um modelo de urbanismo que se reproduz país afora. A seguir esse padrão de urbanização, em médio prazo estaremos frente a um verdadeiro genocídio das cidades brasileiras.

Enquanto muitas cidades no mundo apostam no fim do automóvel, por seu impacto ambiental baseado no individualismo, e reinvestem no transporte público, mais racional e menos impactante, São Paulo continua a promover o privilégio exclusivo dos carros. Ao fazer novas faixas para engarrafar mais gente na Marginal Tietê, com um dinheiro que daria para dez quilômetros de metrô, beneficia os 30% que viajam de automóvel todo dia, enquanto os outros 70% se apertam em ônibus, trens e metrôs superlotados. Quando não optam por andar a pé ou de bicicleta, e freqüentemente demais morrem atropelados. Uma cidade não pode permitir isso, e nem que cerca de três motociclistas morram por dia porque ela não consegue gerenciar um sistema que recebe diariamente 800 novos carros.

Não tem como sobreviver uma cidade que gasta milhões em túneis e pontes, em muitos dos quais, pasmem, os ônibus são proibidos. E que faz desaparecer seus rios e suas árvores, devorados pelas avenidas expressas. Nenhuma economia no mundo pode pretender sobreviver deixando que a maioria de seus trabalhadores perca uma meia jornada por dia – além do duro dia de trabalho – amontoada nos precários meios de transporte. Mas em São Paulo tudo se pode, inclusive levar cerca de quatro horas na ida e volta ao trabalho, partindo-se da periferia, em horas de pico.

Uma cidade que permite o avanço sem freios do mercado imobiliário (agora, sabe-se, com a participação ativa de funcionários da própria prefeitura), que desfigura bairros inteiros para fazer no lugar de casas pacatas prédios que fazem subir os preços a patamares estratosféricos e assim se oferecem apenas aos endinheirados; prédios que impermeabilizam o solo com suas garagens e aumentam o colapso do sistema hídrico urbano, que chegam a oferecer dez ou mais vagas por apartamento e alimentam o consumo exacerbado do automóvel; que propõem suítes em número desnecessário, o que só aumenta o consumo da água; uma cidade assim está permanentemente se envenenando. Condomínios que se tornaram fortalezas, que se isolam com guaritas e muros eletrificados e matam assim a rua, o sol, o vento, o ambiente, a vizinhança e o convívio social, para alimentar uma falsa sensação de segurança.

Enquanto as grandes cidades do mundo mantêm os shoppings à distância, São Paulo permite que se levante um a cada esquina. Até sua companhia de metrô achou por bem fazer shoppings, em vez de fazer o que deveria. O Shopping Center, em que pese a sempre usada justificativa da criação de empregos, colapsa ainda mais o trânsito, mata o comércio de bairro e aniquila a vitalidade das ruas.

Uma cidade que subordina seu planejamento urbano a decisões movidas pelo dinheiro, em nome do discutível lucro de grandes eventos, como corridas de carro ou a Copa do Mundo, delega as decisões de investimentos urbanos não a quem elegemos, mas a presidentes de clubes, de entidades esportivas internacionais ou ao mercado imobiliário.

Esta é uma cidade onde há tempos não se discute mais democraticamente seu planejamento, impondo-se a toque de caixa políticas caça-níqueis ou populistas, com forte caráter segregador. Uma cidade em que endinheirados ainda podem exigir que não se faça metrô nos seus bairros, em que tecnocratas podem decidir, sem que se saiba o porquê, que o mesmo metrô não deve parar na Cidade Universitária, mesmo que seja uma das maiores do continente.

Mas, acima de tudo, uma cidade que acha normal expulsar seus pobres para sempre mais longe, relegar quase metade de sua população, ou cerca de 4 milhões de pessoas, a uma vida precária e insalubre em favelas, loteamentos clandestinos e cortiços, quando não na rua; uma cidade que dá à problemática da habitação pouca ou nenhuma importância, que não prevê enfrentar tal questão com a prioridade e a escala que ela merece, esta cidade caminha para sua implosão, se é que ela já não começou.

Nenhuma comunidade, nenhuma empresa, nenhum bairro, nenhum comércio, nenhuma escola, nenhuma universidade, nem uma família, ninguém pode sobreviver com dignidade quando todos os parâmetros de uma urbanização minimamente justa, democrática, eficiente e sustentável foram deixados para trás. E que se entenda por “sustentável” menos os prédios “ecológicos” e mais nossa capacidade de garantir para nossos filhos e netos cidades em que todos – ricos e pobres – possam nela viver. Se nossos governantes, de qualquer partido que seja, não atentarem para isso, o que significa enfrentar interesses poderosos, a cidade de São Paulo talvez já possa agendar o dia se deu funeral. Para o azar dos que dela não puderem fugir.

João Sette Whitaker Ferreira, arquiteto-urbanista e economista, é professor da Faculdade de Urbanismo da Universidade de São Paulo e da Universidade Mackenzie.

49 comentários sobre ““Hoje, nosso slogan deveria ser ‘São Paulo não pode morrer'”

      • Falou tudo não… Falou nada sobre a política nacional de IPI Zero para automóveis, por exemplo, que é uma “mão-na-roda” para a expansão do transporte individual motorizado e um f-se para as cidades. Falou nada sobre o zoneamento aprovado com aberrações na mesma ocasião em que o novo Plano Diretor já apontava que as distâncias entre moradia e trabalho precisavam diminuir; que o uso do solo urbano podia ser mais justo e igualitário…… Zoneamento que permitiu a subida de várias dessas torres imensas com um numero absurdo de suítes e vagas de garagem (parece até que os projetos surgiram e foram aprovados agora). Falou nada sobre o “maior programa de moradia popular da história” que, por meio de incentivos ao setor privado, resultou em muitas moradias não-populares em lugares bacanas, poucos imóveis baratos e bem localizados e no modelão de conjunto habitacional na pqp sem infra-urbana nenhuma… Ao repetir chavões e palavras de ordem, tipo “São Paulo investiu em Marginal em vez de fazer metrô” (o metrô se expandiu e os trens metropolitanos melhoraram muito mais no mesmo período) para “beneficiar os 30% que usam automóveis” (como se a Marginal não fosse artéria por onde circulam MUITOS ônibus, caminhões, motos e táxis…); ao afirmar que “endinheirados ainda podem exigir que não se faça metrô nos seus bairros” como se isso tivesse acontecido (endinheirados podem colher assinaturas como qualquer outra pessoa pode, só que não adiantou; ao colocar São Paulo como o “modelo” de tudo de ruim que se faz nas cidades pelo país e não fazer uma, UMA menção ao governo federal e seu “Ministério das Cidades” entregue há anos ao partido “craque do urbanismo” (sqn), o autor reitera o viés de sua crítica, de sua indignação extremamente seletiva. São Paulo, o pior do país…

  1. Esse texto pode servir como alerta para todo o Brasil, principalmente nas regiões metropolitanas, onde a busca de uma “vida melhor” leva milhares de pessoas a se concentrarem em grandes favelas, pois nas grandes cidades é que estão concentradas as oportunidades de emprego e renda a partir de trabalho informal. Repensar o modelo concentrador de oportunidades é o que se deve ter em mente, pois muitas cidades do Brasil são sustentadas pelo Estado, o que configura problema para novas gerações, pois com certeza deverão procurar melhores condições de renda em cidades maiores.

  2. Whiteaker Ferreira é sem sombra de dúvida muito significativo quando trata de traçar um perfil da cidade de São Paulo, sua produção bibliográfica idem. Nas últimas três décadas do século passado, a metrópole abocanhou o título de Cidade Global, ainda que alguns discordam. A partir dos anos de 1980, São Paulo passa a ter outras centralidades. Traz para sí características intrinsicas das grandes metrópoles internacionais (européias, norte-americanas), sobretudo na questão dos serviços, entretenimento, cultura e, em grande escala, no setor imobiliário que avança, por exemplo, sobre uma das margens do rio Pinheiros. Endereços nobres antes localizados no núcleo central e adjacências passam a se deslocar para as novas centralidades, como na Av. Nações Unidas, Brigadeiro Faria Lima, Eng. Luis Carlos Berrini, e pasme, desbancando a tão badalada Avenida Paulista. Nesses novos endereços, sucursais de grandes cooporações instalam-se mediante o pegamento de altíssimos valores de aluguéis, valorizando sobremaneira este espaço paulistano. Nesse mesmo tempo, a especulação imobiliária cria, com o auxílio do grande capital (bancário, fundos de pensões, particular, comercial, industrial) bairros nobres que antes não passavam de grandes lotes vazios e sem muita valorização arrastando uma parcela grande da população a procurar endereços outros locais para residir. Um caso clássico de segregação residencial (Manuel Castells).

  3. Sou paulistano, saíde de “Sampa” acerca de 20 anos. Já era uma cidade em fase de implosão. Passei por Recife, Brasília, Belém e, agora, estou no interior do Pará (Castanhal, cerca de 70 km de Belém). E o texto de João Sette expressa uma inequívoca verdade: o modelo está em franca expansão. Belém já é uma cidade quase implodida, em que se passam horas nos ônibus para ir e voltar ao/do trabalho. E Castanhal, com seus cerca de 150 mil habitantes, já possui congestionamentos, pela mesma política do “fetiche de mobilidade”, a aquisição do veículo. RAnger’s e demais pic-up’s conduzidos por uma única pessoa…
    Tá ficando complicado…

  4. Olá Raquel,

    Eu acredito que São Paulo já morreu faz tempo. Poucos ainda lutam por melhor qualidade de vida e respeito ao meio ambiente.

    Aproveito o ensejo para convidá-la a participar conosco do Ato Cívico sobre o rodoanel norte, dia 16Jun2012, das 14:00 às 16:00 hs, na área livre ao lado da Biblioteca de São Paulo, junto à estação de metrô Carandiru.

    Muito obrigada.

    Vera Brasileiro

    • Perdoe. Mas com todo resperito, usar camiseta branca em passeatas?!… Já vimos esse filme quase lamurioso muitas vezes, e para nada. Por favor. Chega de nos contentarmos com ‘atos civicos’, que só emperram ainda mais a cidade, e portanto de acreditar em mágica como fazem as criancinhas – que depois vão pra casa e dormem cheias de fantasias de que o mundo é passível de modificações mirabolantes, bastando acreditar. Nesse tipo de sonho como esperamos providencias de alguma entidade benfazeja de plantão, então comovida com caminhadas e ‘palavras de conscientização’ ditas de megafones… Quando muito, algum político esperto ‘faz as vezes’ por força da necessidade de um ‘lider espiritual da causa’…

  5. O planejamento urbano de São Paulo realmente precisa mudar, é uma vergonha uma com o tamanho e o nome que possui, está com a casa em desenvolvimento e com um quintal paupérrimo, atrasado e com um índice total ( 100% ) de precariedade!!!!

  6. São Paulo tornou-se definitivamente a(o) capital do Brasil. Onde antes uma pacata cidade “locomotiva”, agora cidade “trem bala” do capitalismo avassalador com impostos absurdos. Esta caipira que não está pronta para o “sucesso”, mal da maioria de nós brasileiros, está se tornando antropomórficamente de “Inezita Barroso” para uma “Amy Winehouse”.
    Progresso ou decadência? Ascensão ou queda? Roma caiu!

  7. Esse país vai começar a mudar o rumo das suas cidades no momento em que pessoas capacitadas, com formação técnica, passarem a vencer as eleições.
    Cidades urbanas precisam ser geridas por cientistas urbanos. Cientistas urbanos = Urbanistas. Sem mais.

    • Precisa saber antes se elas são candidatas, certo? E como candidatar-se não é obrigatório, o raciocínio é utópico.
      Então não é por aí ainda.

      • Claro que querem. Existem urbanistas em todas as prefeituras. Não conseguem trabalhar por conta do executivo e do legislativo, analfabetos eleitos pelo povo.

      • Caro Luiz,
        Quem primeiro mencionou especificamente cargos eletivos para urbanistas de formação e congeneres, pois falou em ‘vencer eleições’, foi justamente o senhor no seu comentário de 29/05/12. Eu apenas dizia que isso depende de vontade pessoal, qual seja, a de concorrer. O que nada tem a ver com o quanto argumentou posteriormente, a saber, talvez agora quanto a cargos concursados e/ou de nomeação.

  8. Pingback: Terra da garoa – Feeling The Blank

  9. Minha pergunta eh…. Raquel ou Whitaker andam de onibus?
    A resposta eh provavelmente nao!
    Ja perguntaram pros favelados se eles gostam de morar onde moram?
    Ha um padrao de dignidade ou isso eh como cada qual percebe a cidade?
    Ainda bem que essa cidade nao tem uma cara unica, nem a cara dos planejadores. Se assim fosse talvez nos chamassemos outra coisa que nao Sao Paulo.
    O shopping center e os condominios fechados sao filhos da inseguranca.
    E Quem vai deixar as filhas brincando sem supervisao em um condominio aberto a transeuntes ,bebados ou drogados?

    Nao se iludamn, pois govevernantes nunca enfrentam a lei da oferta e da procura.

    • Bela resposta!
      Acrescento que todos os problemas de São Paulo podem ser debitados da falta de politicas públicas para outros estados, forçando a migração.São Paulo, a bela caipira, acolhe a todos de braços abertos,além de ser a locomotiva que puxa o Brasil inteiro para o desenvolvimento.
      Se São paulo morrer, enterrem o Brasil.

  10. Bem, que a situação é de injustiça, ganância, egoísmo e tantas outras impiedades quem duvida? Eu e muitos como Whitacker não concordados com o que acontece mas as palavras, o discurso, tem cara de repetitiva demagogia, demagogia pura, mesmo irrespirável de furor.

    • JÁ morreu.
      E já cheira mal, aliás. Fecha logo a tampa do caixão e segue o enterro que é melhor. Porque quando tem cidadão que acha que um problema desse tamanho pode ser resolvido bastando ‘incentivar ciclovia com apoio e efetivo comprometimento do poder público’ (cada frase cansativa!), é melhor fechar a porta e apagar a luz.

  11. Detalhe interessante , que nossa Ciclovia se fecha as 17:30 hs! e está fechada para obras todos os domingos pelos próximos 3 meses…

    • Sinceramente?
      Graças a Deus!
      Aliás que eu saiba ciclista não é ‘habilitado’, mas um amador circulando pelo trânsito já tão complicado, certo?
      Vamos ser honestos, ok? Esses ciclistas não querem melhorar nada de ar poluido, transito, nada disso. Querem é fazer ‘academia’ pelas vias publicas, isso sim!

      • Bem apontado, a via é pública. O que há de errado, portanto, em usá-la como academia ou como meio de transporte? Não importa se o ciclista pedala consciente da sua contribuição à cidade, mas sim que, de fato, é uma alternativa interessante à cidade.

      • Priscila,
        A via é pública e a academia não é lugar de carro e de pedestre, de acordo? Ou o que me diria de um carro estacionado entre as esteiras da academia?…
        Ridículo, não é?
        Estamos falando em transito de veiculos, Priscila, coisa que pode matar mais do que você imagina. Se você é motorista, sabe muito bem aliás, por exemplo, que nem é o próprio motorista quem freia o carro, mas o próprio sistema de frenagem!… O mototista comanda pelo pedal, apenas – mas a máquina pode não obedecer, correto? Portanto, cara correspondente, aqui ninguém fala de coisa simples como triciclo para crianças, mas de uma máquina de aproximadamente 1 tonelada em média, para um carro do tipo passeio, digamos. E some que essa tonelada de metal estará em movimento. Logo, se algo desse porte cair na sua cabeça, fará um bom estrago, creia.
        Há mais um detalhe. O asfalto foi criado para veículos auto-motores e as calçadas para pedestres, ou estamos falando besteira? Não, e provo. Carro sobre a calçada é multado e pedestre preferivelmente usa a faixa, certo? Pois caso contrário seria a cidade apenas constituída de uma imensa calçada estendida em si, onde carros e pedestres, que já não mais teriam essa ‘divisão’, ‘disputariam’ o espaço! Não faz sentido, concorda?
        Por isso, cada coisa em seu lugar, certo? Ou você cozinha no seu banheiro e toma o seu banho na sacada?…
        Dificil um ciclista não atrapalhar o transito já tão complicado e não se colocar em risco, e em risco aos demais cidadãos.
        Mas se ele for milagroso e conseguir não estragar a vida alheia se suicidando na frente de um onibus por executar piruetas as mais exóticas e que mais parecem passos de um balé alado (porque parece que se acha um super-herói numa armadura de luz com raios que resistem a qualquer impacto), e não atropelando transeuntes e velhinhos, tudo bem…
        Mas eu duvido.

      • A bicicleta é e sempre foi um meio de transporte. Agora, se o cidadão não aprendeu no CFC que o carro não tem preferência ante o mais fraco – bicicleta, pedestre – assim como o ciclista não tem preferência ante o pedestre, este não deveria ter conseguido a sua habilitação. É fácil culpar os ciclistas e pedestres por se jogarem na frente de carros. Isso é um esporte das grandes cidades atualmente, todos querem seus 15 minutos de fama morrendo, atropelados por motoristas imbecis e imprudentes que acreditam que o veículo auto-motor é o maior presente que Deus poderia ter dado aos humanos.

        A via é pública, a bicicleta é meio de transporte. Os motoristas de veículos auto-motores é que deveriam se reciclar, aprender que dirigir não é lutar por espaço, é respeitar o seu espaço e o espaço do outro no trânsito.
        Se isso ocorresse, com certeza não existiriam tantos casos de atropelamento de ciclistas e pedestres.
        Numa cidade em que o veículo auto-motor é colocado em um pedestal, é muito comum pessoas pensarem da mesma forma que você, senhor S.

      • Só um detalhe. Bicicleta não é veiculo é auto-motor, mas de tração-humana.
        E quase são mesmo uma ‘a-tração’ esses ciclistas desafiando carros e demais veículos pelas vias asfaltadas, porque eles acham que de cima de um obinus de 5 toneladas, o pobre do motorista pode vê-los alí nas suas piruetas!
        O senhor deve ser habilitado, e deve conhecer o ‘canto-cego’ que todo veículo possui não é mesmo?
        Mas deixado isso de lado, há algo que acho bem digno de nota… Não vejo ciclista preocupado com ciclovia de terra em Guaianazes, por exemplo… Porque será?
        Aliás há outras opções de trações a se considerar para São Paulo! Carroças por exemplo. Vamos mudar a coisa para carroça, charrete e/ou carro-de-boi também! Pois não poluem, concorda?
        Compre uma, senhor As. Faça a sua parte. E não como esses ciclistas que saem de manhã para se exercitar e, isso feito, voltam para casa para apanhar o carro de ar-condicionado e se dirigir para o trabalho…

    • Amigo, no dia em que vc dormir e acordar dentro do seu carro eu poderei rir de sua cara, confortavelmente sentado em minha bicicleta. Não que o carro seja o vilão de toda a humanidade, mas apenas não e a melhor (e único) meio de locomoção possível.

      • Caro Alexandre,
        Eu uso transporte público, portanto eu sim riria se o senhor tomasse um susto ‘terapêutico’ depois uma fechada involuntária de um caminhão (ou de uma kombi fumarenta que é coisa muito mais prosaica), e riria eu então da sua infantil ousadia de pretender ser visto lá da boléia como se fosse um deus luminoso de inequívoca presença. Mas quero crer que são hipóteses, pois não creio que o senhor de fato use a sua bicicleta para chegar ao seu local de trabalho suando em bicas diante do seu chefe, ou enlameado da fuligem e do barro dos dias chuvosos – muito embora não seja nada disso da minha conta. Então, sinta-se à vontade para desafiar inclusive a Lei da Gravidade se lhe aprover (e não reclame nem exija privilégios…), mas desde que o senhor não entre na frente do onibus em que eu estiver – pois não acho nada agradável ver imagens de atropelamentos e ter interrompido o meu trajeto, nem ver o Samu sendo acionado por inconsequências perfeitamente evitáveis – e isso sim é poluição…

  12. Minha sugestão é de iniciarmos um movimento “São Paulo não pode morrer”
    e que seja já, com participação e comprometimento de governantes, com ações mais imediatas nos cuidados e proteções aos ciclistas/motociclistas.
    Obrigatoriedade nas manutenções das calçadas no aspecto de acessibilidade por parte da PMSP.
    Muitas ciclovias que interliguem bairros e centro.

    • Sim, caro Horácio. E depois faremos, já!, uma campanha com ações imediatas de toda a sociedade e da sociedade como um todo então sensibilizada e em prol das esposas traídas, inclusive com o comprometimento dos govenantes, para que seus maridos se engajem num movimentos de fidelidade e não mais incorram nisso. Faremos com que essa campanha de acessibilidade à fidelidade seja divulgada! Fecharemos mesmo os motéis se preciso for!
      Creio inclusive que devemos fazer passeatas, com camisetas brancas com um coração desenhado, pelas principais avenidas do país, e também convocar políticos para que sejam porta-vozes ‘espirituais’ da campanha, e afinal faremos com que isso ‘vire lei’, enviando abaixo-assinados para o Planalto, e enfim, resgatados e felizes como índios, acreditaremos em Santa-Clauss e ‘engajaremos’ mais e mais campanhas.
      Com todo respeito, caro comentarista, com todo respeito é preciso saber o que possível e o que não é.

  13. O senhor fala muitas verdades, mas muitas impropriedades também, provavelmente imbuídas de um preconceito ideológico “esquerdopata”, é que está na moda falar mal de São Paulo, talvez porque São Paulo ainda seja um ponto de resistência à ideologia dominante no país.
    A identidade do paulistano é fraca, mas ainda assim “shopping é praia de paulista”. Querer retirar esse pedaço de lazer (o único lazer de que dispõe grande parte das pessoas) é retirar um pedaço da identidade de um povo.
    Que deveríamos investir em metrô é fato, e que o governo tucano demonstra um completo descaso com a ampliação da linha também é fato. Agora, criticar a ampliação da marginal do tietê só pode ser má vontade. Só quem frequenta a entrada de São Paulo pela Castelo Branco sabe como aquilo é caótico, e como é importante que milhares de caminhões, que abastecem de comida e de outras coisas nossa população, passem por lá todos os dias. Claro que o ideal seria que substituíssemos o transporte rodoviários pelo ferroviário, mas isso demanda tempo, e São Paulo precisa de soluções rápidas. Não vamos nos esquecer também no abandono de nosso estado por parte do governo federal, que quer mais é nos f*****. Castigo por exercer nosso direito democrático de votar e manter sua sanha megalomaníaca longe de nosso estado.
    A segregação espacial, por mais triste que seja, é consequência natural do desenvolvimento de qualquer cidade.
    A existência de condomínios fechados é uma consequência do aumento da criminalidade. A classe média sente na pele o problema da criminalidade, diferentemente de professores da USP que têm um padrão de vida alto e condições de contratar seguranças particulares. A classe média não tem culpa da desigualdade social no Brasil e também não está disposta a ser acordada no meio da noite com um revólver apontado para a cabeça. A classe média não quer saber sobre conjecturas pensadas num ambiente acadêmico e artificial, afastado da realidade. Então quem tem condições acaba buscando refúgio em condomínios fechados. É um direito das pessoas.
    Agora, a cidade tem gente demais. Deveria haver algum estímulo por parte do governo para que as pessoas deixassem a cidade e buscassem oportunidades em outros lugares. O nordeste e o centro-oeste se desenvolvem num ritmo rápido e cedo ou tarde seremos obrigados sim a enviar migrantes.
    São Paulo não está morrendo, e nem vai morrer. Se o senhor deixasse de lado seu carro importado e seu motorista particular e usasse um pouco o transporte coletivo perceberia que o povo tem uma vontade imensa de não deixar a peteca cair, e que o paulistano é um povo extremamente trabalhador. A cidade que não pode parar não para mesmo.

    ps.: estudo na USP e o uspiano é nojento. Fala em nome do “povo” mas do povo quer distância. Muito fácil ser revolucionário de dentro da casinha do papai

  14. Concordo com o texto integralmente. Mas sinto falta de falarmos sobre a sociedade civil, que se organiza de forma pontual para barrar empreendimentos ou criar parques e não permanentemente.

  15. Caro João Whitaker, sou uma arqiuiteta italiana, moro em Sao Paulo e concordo con vc quando descreve a “locura…..out of control ” dessa cidade …mas tenho que defender um trabalho que vc “criticou”. Posso julgar o que eu tenho tido o privilégio de ver pessoalmente: os trabalhos feito em algumas favelas de Sao Paulo. Falei com as pessoas que moram, partecipei a varias atividades culturais organizadas pelas comunidades das favelas, deixando “pra là” o miedo de entrar nas favelas mesmas!!! Os assentamentos precarios de São Paulo agora não são todos mais lugares de pobreza absoluta. Nós profissionais de arquitetura e urbanismo temos o dever de reconhecer as coisas boas feitas por muitos colegas que trabalham no território e tambem denunciar o que está errado. Conselho aos muitos colegas, aos estudantes das varias faculdades de ENTRAR…dentro e verificar pessoalmente e ver o que tem de bom: muitos (não todos, logico) moradores estão felizes e orgulhosos de morar dentro das varias comunidades, graças aos esforços de muitos. Tal vez as inteverções não são sempre perfeitas mais podemos pensar que è o incio de um futuro. Esta é esperança!! as novas gerações devem ter uma possibilidade de ter esperança porque o nosso è um trabalho maravilhoso e nao somos todos vendidos.

    • Cinzia,
      Com todo respeito à sua profissão e pessoa devo dizer que, embora o trabalho louvável, enquanto assentamentos de ‘comunidades’ forem feitos e feitos e feitos e feitos numa cidade como essa, que aliás padece de gigantismo há decadas, ela não vai parar de demandar obras e obras e obras e obras, e dinheiro e dinheiro e dinheiro, e portanto problemas e problemas e mais problemas dessa natureza (e de outras) sempre vão existir, o que a fará estar eternamente atrás da demanda e sempre ‘adoecida’ disso e por isso.
      Ao menos é o que a Lógica diria.
      Deve uma cidade ‘subir’ até os céus para comportar uma população que não é ‘natural’, mas vinda de outros municípios que não realizam trabalho algum nesse sentido, o de acolher seus ‘naturais’? E porque o cidadão local deveria custear essa ingerencia??
      Simples, cara Cinzia. Num exemplo bastante pobre, se uma tribo indígena migra para outra, deve a segunda acolher a primeira? E se isso ocorrer uma segunda vez? E uma terceira? E uma quarta vez?
      Simples, cara Cinzia. Esvaziar o copo sempre e sempre e sempre, mas não fechar a torneira nunca, é trabalho insano.

  16. Olha, eu até concordo com a maior parte do texto. Mas não posso deixar de notar que a maior parte dos urbanistas (talvez devido ao vínculo com a USP) fala como se São Paulo fosse apenas a Zona Oeste e o Centro, onde moram apenas 10% da população da cidade (aliás, bem menos que isso, pois ao falar da “Zona Oeste” eles também costumam se esquecer dos bairros além da Lapa, Butantã e Morumbi, como fez um certo candidato a prefeito na entrevista com a CBN).

    Não me leve a mal, a verticalização, o excesso de shopping centers, e a falta de estação de metrô na USP são problemas relevantes da cidade – mas são relevantes em que parte da cidade? Creio que moradores de São Miguel Paulista e Jardim Ângela, por exemplo, devem estar muito mais preocupados com a falta de serviços públicos essenciais e da falta de oportunidades de emprego na região onde vivem do que com o excesso de prédios ou shopping centers.

    Olhe por exemplo a Zona Extremo Leste de São Paulo, onde vivem mais do que 1/4 da população da cidade. Nas páginas na Internet, nas colunas de jornal, nos blogs, NENHUM comentário sobre a região que não seja relacionado com o Estádio do Corinthians. Nenhum elogio, sugestão ou crítica sobre o projeto Várzeas do Tietê, sobre o Polo Institucional Itaquera, sobre a nova Rodoviária, sobre o monotrilho Cidade Tiradentes, sobre a degradação do patrimônio histórico da região, sobre o futuro do Shopping Artur Alvim, sobre a situação ambiental do campus da EACH e do Morro do Cruzeiro, sobre os atrasos na construção de um parque em São Miguel Paulista, sobre a inexistência de corredores de ônibus na região, sobre os enormes espaços vazios e inutilizados, nada!

    desculpe o tom de desabafo…

  17. Caro Luiz,
    Correção: onde se lê ‘no seu comentário de 29/5/12’, leia-se ‘no seu comentário respondido ao de 29/5/12’.

  18. parabéns pelo texto e por levantar a discussão, raquel!

    e S, você é muito crítico/a em seus comentários. o que é bom por um lado, mas perde o sentido quando vc (sem querer, ou querendo) começa a diminuir a opinião alheia. o sentido se perde e o diálogo emperra. conta pra gente o que vc acha que deve ser feito para São Paulo não morrer? não tô te cutucando não, eu tô interessada mesmo. beijos!

    • Cara Marcella,
      Uma honra seu interesse pelas minhas postagens.
      Nada a fazer, respondendo à sua pergunta, ao menos algo que não tocasse visceralmente o político-administrativo – o que reputo de todo impossivel. Portanto, por ora a cidade jaz morta. Ou o que acha de algo que ao mesmo tempo já ‘não’respira’, está ‘edemaciado’, apresenta uma ‘cor insalubre’ e verte iguais ‘humores’, não se ‘move’ e ‘cheira mal’? Não parece a descrição de um cadáver?
      Então, se uma cidade pode ser considerada como algo ‘vivo’ e adequado à vida, essa de que falamos está morta.
      Quanto ao mais, não poderia jamais ‘me cutucar’ conforme postou. Isso seria obsolutamente impossível.
      Abraços respeitosos.

  19. Pra mim não morreu ( ainda )….mas agoniza sim….

    São Paulo vivencia esse eterno estado de UTI, por conta de gestões absolutamente irresponsáveis e desastrosas por parte de quem uma ou mais vezes, ocupou o cargo mais importante do município: o de Prefeito.
    Cada um que assume vai “estuprando um pouquinho” a cidade…. uns por incompetência , outros por ganância, ( e outros por pura vaidade ), vão dilapidando o Patrimônio Público e acentuando o caos urbano em que ela já se encontra há décadas.
    Qual a saída ?
    A mudança no conceito de Administrar.
    Não podemos nos acostumar com os modelos atuais, do tipo ” rouba mas faz” e “rouba e não faz”…
    Quando o dinheiro público for tratado com o máximo respeito, veremos muitas mudanças que acreditávamos impossíveis….

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