“Quem dera ser um peixe”: mobilização contra projeto questionável na orla de Fortaleza

Na semana passada, recebi um e-mail do movimento “Quem dera ser um peixe”, de Fortaleza, que vem mobilizando a população da cidade contra a construção de um aquário na orla da Praia de Iracema. Os integrantes do movimento têm se reunido todos os sábados, a partir das 16h, entre as duas pontes da praia.

O texto de apresentação do movimento no blog “Quem dera ser um peixe” traz questionamentos e aponta possíveis impactos negativos do projeto. Da falta de discussão pública à realização de um contrato milionário sem licitação, do perigo de remoção do Poço da Draga – tradicional comunidade de pescadores que está lá há mais de cem anos – à natureza do projeto de ocupação e à visão do projeto do que é a fruição artístico-cultural dos espaços públicos, além de todo debate em torno dos impactos ambientais.

Vale a pena conhecer o blog. Na seção “por que questionamos” o movimento resume em seis pontos as principais críticas ao projeto. Como disse um leitor nos comentários desta seção, se a cidade de Fortaleza quer investir no seu potencial turístico, há muito a ser feito antes de construir um aquário milionário: melhorar o saneamento e as condições de limpeza, despoluir as praias, melhorar a segurança da cidade, o calçamento etc, o que vai beneficiar não apenas os turistas, mas toda a população de Fortaleza.

Conheça a página do movimento no Facebook: http://www.facebook.com/contraoaquario

Siga o movimento no twitter: @peixuxaacquario

11 comentários sobre ““Quem dera ser um peixe”: mobilização contra projeto questionável na orla de Fortaleza

  1. Esse Aquario é um ícone da Aliança entre Políticos e Capital Imobiliário. As iliegalidades são muitas e estamos enfrentando.

    Um dos pontos principais em questão é a gentrificação. As autoridades do Estado dizem que não vão mexer no Poco da Draga, a comunidade que mora na região. Mas são mentirosos contumazes. Documento com garantia que é bom nenhum. O que sabemos: 1. A Habitafor considerou 70 % das casas em área de risco. 2. A ZEIS – uma legislação protetora nunca é regulamentada 3. O avanço do Hotel Marina é antigo: A antiga praia da Carminha deixou de ser pública, parte do terreno da comunidade já virou quadra de tênis; Agora tentam privatizar um quebra-mar recém construído 4. A Prefeitura transformou o campinho de futebol em canteiro de obras sem a menor consulta; violência cultural e classista extrema 5. A escola da comunidade foi avisada que será transformada em estacionamento. O Secretário de Turismo mente e nega. 6. O arquiteto e compositor Fausto Nilo prega adensamento – alibi para gentrificação – da área vizinha (já adensada) com a construção de villages e arranha-céus 7. Outro Arquiteto, o desenhista do Acquario, diz que a obra vai valorizar muito os terrenos na área, que vai expulsar naturalmente os mais pobres. (Creiam: ele disse isso).

    Tudo isso numa área que as pessoas, com todas dificuldades (falta de saneamento), já possuem uma cultura própria, à beira-mar.

  2. Interessad,o entrei no blog e na página do facebook do movimento e ele é completamente apócrifo. Isso sempre me deixa com dúvidas. As causas boas normalmente fazem com que os envolvidos nela se nominem e com isso humanizem algo que pode ser apenas uma guerrinha política. Ou não. Mas como saber?

  3. Valeu Raquel, pela atenção dada ao movimento! É uma bela tentativa de democratização da gestão urbana, quando moradores e moradoras da cidade dizem NÃO a obras que desrespeitam a legislação, o meio ambiente, a cultura e história local e as prioridades de investimento de recursos públicos! E dizemos não de forma criativa, ousada, horizontal… essa é a novidade.

  4. É um absurdo, saúde, educação e assistência social sem funcionar direito e o Cid com essa palhaçada!!!!
    Ele abriu a boca para dizer que o professor não precisa de aumento salarial pois tem que trabalhar por amor!!
    Por amor a minha cidade eu não quero esse projeto megalomaníaco e inútil!!
    O nosso potencial turístico é enorme e precisa de vigilância ambiental, formação continuada e tecnologia social, o que com certeza vai custar mesmo e nos dará um retorno maior.
    Parabéns pelo texto!!

  5. Excelente que a Relatoria para a Moradia esteja tomando de conta esta questão. Os impactos dessa obra muito além da remoção da comunidade do Poço da Draga mas também em relação a uma total inversão de prioridades em relação aos gastos com dinheiro público.
    Mantenham a atenção para este caso!

  6. Um absurdo essa espetacularização das cidades. Feita para “competir” (seja lá o que isso signifique) ao invés de considerar o bem estar dos habitantes. A saúde tá um lixo e o governo insiste em NÃO PAGAR o piso salarial dos professores. Contudo, na avaliação do Governador, um aquário é prioridade pra cidade. A política de habitação é nula. tá tudo na mão das construtoras. E a Habitafor acha que cadastramento é a melhor das políticas.

  7. Olá, Eduardo!

    Obrigada por ter acessado o blog do Movimento Quem dera ser um peixe. Meu nome é Alessandra Marques, sou jornalista e professora, e integro o Movimento. Se você quiser, podemos conversar mais sobre o assunto.

    Nosso movimento é formado por cidadãos cearenses e de outros estados que aos poucos estão se somando ao grupo. Nos reunimos via internet e também aos sábados, no local onde o Governo do Estado quer construir a obra. Falamos em nome do Movimento, todos do grupo são considerados líderes, se assim desejarem. Atuamos em rede.

    Se você tiver a chance de ler o quem somos do blog, poderá observar que o que nos mobiliza é sim uma atuação política na cidade, em defesa do coletivo, e não no entendimento de política como algo restrito a partidos. No blog, há a página porque questionamos, onde elencamos os argumentos que nos levam a ser contra essa obra.

    Você pode entrar em contato conosco por:

    email: peixequemdera@gmail,com,
    comunidade: http://www.facebook.com/contraoaquario
    perfil Peixuxa Acquario: http://www.facebook.com/profile.php?id=100003557503411

    um abraço!

  8. Obrigada Raquel pela atenção dada ao movimento. Precisamos de pessoas como voce, com projeção nacional e internacional para que nossas vozes sejam ouvidas em tons mais altos. Além do exposto acima, e como urbanista também, me preocupa um projeto desse calibre numa área adensada, com uma malha viária muito aquém do desejável, onde nem se previu estacionamento. Não existe também um Estudo de Impacto de Vizinhança, ou uma solução para as comunidades locais. Precisamos de sua ajuda.

  9. e o projeto já está avalido em gastos de R$ 700 milhoes, esse dinheiro poderia ser investido na segurança saneamento e moradias. mas se estiver dinheiro sobrando no governo do Cid. existem pessoas passando fome no interior do estado. governador tem tanto dinheiro assim !!! a sociedade pede explicações por um projeto sem utilidade para Fortaleza, visto que temos um belo mar. os peixes não querem ser preso. prendam os bandidos. isso só pode ser caixa para campanha. se ligue !!!

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