Mais um incêndio em favela de São Paulo, mais famílias sem teto

Na noite do último sábado um incêndio atingiu duas favelas no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Há dois anos, uma delas já tinha sido atingida por um incêndio.

Hoje de manhã, menos de três dias depois, uma construtora já está no local preparando o canteiro de obras para a construção de edifícios na área. Não deu tempo nem de terminar o rescaldo. Estes edifícios fazem parte de um projeto de reurbanização do local, mas as famílias que foram atingidas pelo incêndio não estão incluídas entre os beneficiários destas novas moradias.

As pessoas que tiveram suas casas incendiadas receberam da Prefeitura cobertores e cestas básicas. E só. As famílias estão hoje improvisando abrigos no meio das ruas e das calçadas.

Segundo os moradores, a proposta da Prefeitura de pagar aluguel social por dois anos ou R$ 1500,00 pelo barraco não resolve o problema habitacional da comunidade.

Há suspeitas de que os sucessivos incêndios em favelas, especialmente em áreas que estão em litígio ou onde já existem projetos previstos, sejam criminosos. Essa é uma questão que precisa ser apurada e, se confirmada, os responsáveis precisam ser punidos. Vale a pena saber também se alguma apuração foi feita com relação aos demais incêndios que já ocorreram nas favelas em São Paulo.

Hoje à tarde haverá uma reunião entre a Prefeitura e os moradores. Espero que a Prefeitura apresente uma proposta sustentável, que garanta a todos o direito à moradia digna.

Abaixo segue o vídeo que o pessoal do Cinema de Rua fez um dia depois do incêndio:

O Dia Seguinte from Cinema de Rua on Vimeo.

8 comentários sobre “Mais um incêndio em favela de São Paulo, mais famílias sem teto

  1. Boa tarde,Raquel. A Prefeitura,ao propor o aluguel social,ou os 1.500 reais,já demonstra o que quer como saída para a questão: quer a remoção pura e simples. A pressa em começar as obras também corrobora essa afirmação,além de deixar uma “pulga” (ou seria um elefante?) atrás da orelha: se estava tudo pronto para o início das construções,o incêndio veio a calhar,não te parece? E em Sampa,os incêndios em favelas vem se multipilicando,nos 2 ùltimos anos…E no Rio? Quando houve o último? Vamos comparar? Contudo,parabéns por seu trabalho e pelo blog!

  2. Essa história de incêndio nas favelas de áreas nobres de São Paulo é assunto para esclarecimento policial faz tempo. Mas, cadê a Polícia Civil, a Polícia Federal, o MP, o Judiciário? Esse vácuo é unicamente resultado do grande apartheid político existente na sociedade brasileira. Quando daremos um basta nessa situação? Infelizmente, acho que estamos muito longe de um país civilizado que preze os direitos humanos, onde todos os cidadãos sejam de fato reconhecidos e tratados como cidadãos. A propósito, viva Marcelo Freixo.

  3. Olá,
    Há muitos anos que comecei a notar os incendios em favelas em São Paulo.
    Também penso que são criminosos, se não da parte de interesses políticos, penso também em criminosos incendiários, psicopatas que sentem prazer em colocar fogo em locais habitados.
    Mas parece que ninguém tem interesse em pesquisar, afinal, só queima casa de pobre, né?

  4. É… mais óbvio impossível…
    Na época da ditadura militar ainda se disfarçava melhor.

    Infelizmente o capitalismo selvagem derrotou a democracia!

    PAÍS SEM JUÍZO E QUE NUNCA TERÁ.

  5. Parabéns professora!

    Coincidência?
    São Paulo passa por um intenso processo de refuncionalização e revitalização de áreas com alto valor para o mercado imobiliário, o que ocorre é que as favelas encontram-se no caminho dos especuladores imobiliários. (Grandes construtoras que financiam governantes corruptos, patrimonialistas [e não só eles, mas…]).

    * É somente a ponta do Iceberg, estamos falando do colapso do Estado, que o Brasil vive desde sempre, onde os interesses privados estão a frente dos interesses sociais. Estado fraco? Não , não! Forte, mas forte para exercer o direito daqueles que tem capital…

  6. Pingback: 30 DEZEMBRO 2011 (BR-SP) Rede Extremo Sul: Remoção forçada na Favela do Moinho : Passa Palavra

  7. Pingback: Táticas de despejo (SP) « Pela Moradia

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