Manifestação na Vila Mariana desperta reflexão sobre falta de espaços para discutir o destino do bairro

A manifestação solitária de um morador da Vila Mariana diante de um muro, na Avenida Rodrigues Alves, se transformou em intervenção coletiva. “O outro lado do muro” é o nome da intervenção criada por Ricardo Fraga Oliveira, em julho, para chamar a atenção da população do bairro para um megaempreendimento imobiliário que será construído numa área de 10 mil m², que hoje fica oculta atrás do muro. Na área, que abrigava uma antiga fábrica de cera que ficou sem uso durante décadas, serão construídas três torres residenciais de alto padrão.

Há dois meses, Ricardo colocou uma escada no muro e convidou as pessoas a subirem para olhar o que tinha do outro lado e, depois, escrever ou desenhar uma opinião sobre o que visualizaram. Ricardo vem fotografando essas manifestações e expondo-as num varal pregado no muro. Em declaração ao jornal Metrô News, o morador explica os motivos da sua intervenção: “Queria dividir um pouco a minha dor. É uma pena que o destino de um local parado há tanto tempo não tenha sido alvo de discussão”.

Quem me contou toda essa história foi Maria Cecília Tavares, que me escreveu hoje para divulgar o ato que moradores do bairro realizarão no dia 1º de outubro, um sábado. Segundo ela, a ideia é provocar uma “reflexão sobre a cidade e as formas de uso e ocupação de seu espaço”. A manifestação acontecerá por volta do meio-dia e terá a participação de músicos e artistas apoiadores da causa.

Leia mais sobre o assunto:

Estadão: Morador faz protesto criativo contra obra

12 comentários sobre “Manifestação na Vila Mariana desperta reflexão sobre falta de espaços para discutir o destino do bairro

  1. No mesmo bairro há outro mega empreendimento saindo do forno, no quarteirão da Rua Caravelas com a Amancio de Carvalho. Dezenas de casas vão cair para subir um mega conjunto de prédios residenciais e comerciais, em um ponto já congestionado da cidade. Pobre Vila Mariana, antes agradável e residencial, está se tornando uma Moema. Mas, afinal, o que esperar de um prefeito cuja campanha foi paga pelo Secovi e pelas construtoras??

  2. Ao ler a notícia fiquei me perguntando porque ele escolheu um empreendimento imobiliário privado na Vila Mariana, que tem uma estrutura razoável pra média de renda de quem mora lá. Ele fez algo assim em uma estrutura pública mal cuidada (temos vários exemplos), em um bairro periférico, em uma área carente de investimentos?

    • Ele é morador da Vila Mariana, Luciana. Está próximo do empreendimento e sendo diretamente afetado pelas novas construções.
      Bom, mas a melhor resposta para a sua pergunta seria: “Ele que criou a manifestação, então ele faz onde quiser. Se quiser criar a sua manifestação, você escolhe o local.”

      • Pois é “anônimo”…Agora, o oligárquico judiciário brasileiro, acaba de “proibir” tal manifestação. No entanto, ainda, não conseguiu, igualmente, “nos proibir” de – solidariamente – manifestar-mos (ainda que restritos á esta mesma Internet) a nossa semelhante manifestação. – Xô especulação !…

  3. Sim, felizmente temos liberdade de fazer manifestações, e justamente o que elas provocam – e acredito quererem provocar – são reflexões, reações, posicionamentos. Essa em particular me deixou com essa questão das prioridades em mente, e uma preocupação com o possível efeito da banalização das manifestações. Daremos tanta importância a elas se cada um fizer a sua, por qualquer coisa que nos incomode?

  4. Raquel, esta manifestação é um grande exemplo do egoismo humano. O morador, depois que o prédio dele está pronto, não quer saber de nínguem mais morando ao seu lado. Egoísmo puro de quem não tem o que fazer… Gostaria que eles fossem trabalhar…

  5. Raquel, esse Ricardo Fraga de Oliveira é funcionário da Secretaria do Verde, assessor jurídico, usando o poder público em benefício próprio!!!!
    Que vergonha a senhora apoiar um sujeito picareta desses !!! Fácil fazer caridade com o patrimônio alheio!!! Quero ver se ele joga a primeira pedra e doa a casa dele para fazer um abrigo…
    Porque a Prefeitura não faz praça nos terrenos que já sâo públicos, por exemplo o do Itaim da Apae??
    Porque não cuida das praças abandonadas??

  6. Sr(a) Anônimo(a), usando o poder público em benefício próprio!? Poderia por gentileza explicitar quais benefícios são estes? Entendo que suas afirmações são vagas, desprovidas de fundamentação fática, o que não contribui para a reflexão pretendida pelo movimento. No entanto, o senhor acredita mesmo que exigir que o poder público analise questões técnicas cruciais não contempladas (omitidas) no processo administrativo caracteriza benefício próprio, picaretagem? Ou expressa respeito aos princípios da administração pública, do direito ambiental e da coletividade? Facebook: “o outro lado do muro – intervenção coletiva”. Atenciosamente
    Ricardo Fraga Oliveira

  7. Eu ainda não estou a par do assunto, mas tudo me leva a concordar profundamente com Ricardo e a elogiá-lo por algo que me parece não apenas QUE NÃO é utilização do Poder Público em benefício próprio, mas utilização de seu tempo privado para O BEM PÚBLICO. Diferentemente de LUCIANA e o ANÔNIMO que infelizmente, como a maioria dos brasileiros, só encontram motivos para criticar tudo. Só vêem picaretagem em tudo, nada está bom. Tudo é errado, toda manifestação é egoísta e deveria ser melhor… Luciana, porque ao invés de criticar você não faz uma manifestação em um lugar periférico? Fazer na V. Mariana, por um lado, é bom, porque se é um bairro de classe alta, como você mesma disse, é a classe mais alta que faz esses empreendimentos, quem sabe não seja ela mesma quem deve ser conscientizado dessas coisas primeiro? E sr Anonimo, ao acusar uma pessoa, pelo que vi, sem saber de nada, você comete um erro quase tão grave quanto ser corrupto. Ao colocar qualquer pessoa que participe de algum ato político, ou que seja funcionário público, no mesmo “saco” que os corruptos, você faz com que a corrupção não faça diferença, porque todos vão ser considerados como corruptos. Faz um grande mal à nação, por mais que pense que está sendo um grande crítico ou algo parecido… Talvez eu esteja errado, mas me parece que você não faz a mínima ideia do que está falando e fez uma argumentação baseada em raciocínios não apenas simplistas como esquizofrênicos. O fato de alguém ser funcionário público impede que faça manifestações? E em que momento ele utilizou recursos públicos para fazer essas manifestações? Você tem essa mesma coragem para criticar um policial quando o vê utilizando o dinheiro público para cometer abusos e corrupção? Ou faz isso apenas de forma descabida, sem saber de nada, pela Internet, contra alguém que, até onde vi, não fez nada de errado e está inclusive fazendo algo que falta à maioria dos brasileiros: agir pelo INTERESSE COLETIVO, e não apenas de uma meia dúzia de moradores.

    Esse tipo de argumentação me faz vontade de sair do Brasil às vezes, parece que somos poucos lutando por uma maioria que talvez não mereça essa luta, porque só sabem defender o interesse próprio e/ou criticar quem defende o interesse coletivo e duvidar deles (talvez vocês duvidem de quem defende o interesse coletivo porque são muito egoístas e não conseguem conceber que alguém não seja tão egoísta quanto vocês)….

  8. Eu acho que meu comentário anterior não foi publicado. Por via das dúvidas, falando agora de forma resumida: eu não vi evidência alguma de que Ricardo esteja usando recursos públicos em benefício próprio. Sr. Anônimo, se você viu alguma evidência, não soube explicar, seu argumento pareceu um misto de simplismo, esquizofrenia, e desconfiança exagerada e que está se tornando comum entre os brasileiros, de achar que todo mundo é egoísta, corrupto, e que qualquer boa ação deve ser mais criticada e questionada até do que as ações mais egoístas…

    Você e Luciana, talvez desconfiem de quem faz boas ações porque vocês mesmos sejam muito egoístas e é impossível a vocês conceberem que alguém possa ser menos egoísta do que vocês….. Luciana, realmente é um bairro rico, mas essa é uma luta que deve ser da cidade inteira, e se alguém começou, devemos elogiar e expandir, ao invés de ficar criticando… Além do mais, tem um lado bom em fazer isso em bairros ricos: são os mais ricos que fazem esses mega-empreendimentos e os mais ricos que compram apartamentos nesses mega-empreendimentos.. .Então, são os primeiros a serem conscientizados….

    Pensem antes de falar, pesquisem mais antes de acusar. Acusar alguém que talvez esteja não apenas agindo dentro da Lei, alguém que não parece estar utilizando recursos públicos para benefício próprio e, pelo contrário, está utilizando seus recursos privados para um INTERESSE COLETIVO, fazer isso que vocês estão fazendo é quase tão ruim quando ser corrupto. Quando colocamos no mesmo “saco”, quando igualamos os corruptos e os que não apenas não são corruptos mas são até mais generosos do que a maioria dos brasileiros, estamos fazendo com que não valha a pena agir pelo benefício coletivo, porque você será tão criticado quanto os egoístas e corruptos, ou até mais criticado do que eles, porque ainda será chamado de mentiroso. Parem com essa síndrome, ela está destruindo o Brasil e impedindo que as boas ações e as pessoas que fazem essas ações surjam! Você acha que as manifestações estão se banalizando, Luciana? Talvez sejam pessoas como você que estejam banalizando elas…. Não precisa fazer uma estátua para o Ricardo, mas fazer o que vocês estão fazendo é lamentável… Deveriam questionar a si mesmos antes de questionar os outros….

    • Em primeiro lugar, não acusei ninguém de nada. Fiz apenas um questionamento. Tente entender a diferença antes de sair acusando, você, as pessoas. Ainda assim, só tenho a lamentar sua aversão a críticas, que são parte do exercício da cidadania e do crescimento conjunto. Quanto às especulações sobre o caráter de quem você não conhece, mais lamentável ainda. Você acha que isso é melhor do que uma crítica? Questione-se a si mesmo.

  9. Pingback: Leia manifesto em apoio à liberdade de expressão: movimento Vila Mariana |

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