Segurança do pedestre: queremos mais!

Na semana passada, a Companhia de Engenharia de Tráfego anunciou que vai ampliar a campanha de proteção ao pedestre, que desde maio vem desenvolvendo ações no centro de São Paulo. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, 13 novas regiões da cidade receberão ajustes viários e nova sinalização e contarão com a presença de agentes para ajudar a travessia na faixa.

Além disso, a CET garante que os motoristas que desrespeitarem o pedestre na faixa serão multados. Prevista no código de trânsito de 1998, essa é uma multa que nunca foi aplicada na prática. Não dar prioridade ao pedestre na faixa é considerada infração gravíssima. A multa é de R$ 191,54.

Outra mudança anunciada recentemente diz respeito ao tempo dos semáforos. A CET diz que diminuirá em 25% o tempo de espera do pedestre nas calçadas. A medida será aplicada em 412 semáforos. O objetivo é evitar que as pessoas se arrisquem na travessia quando o tempo de espera é demorado.

No entanto, não haverá mudança no tempo de travessia do pedestre, que às vezes é muito curto. Esse é um problema comum em vários pontos da cidade e que também deveria ser pensado.

Em um país como nosso, em que pedestres morrem diariamente, qualquer medida que venha para ajudar a garantir o conforto e a segurança dessas pessoas é bem-vinda.

Fico pensando, no entanto, por quê nossas cidades não adotam o modelo que já existe, por exemplo, em Brasília: quando o pedestre pisa na faixa, com ou sem semáforo, os carros simplesmente param para que ele possa passar.

14 comentários sobre “Segurança do pedestre: queremos mais!

  1. Raquel, tem um semáforo em frente ao Hospital do Campo Limpo onde o pedestre tem que esperar 120 segundos para atravessar. Óbvio que a maioria se arrisca. Fico feliz com essa iniciativa da CET, mas 400 semáforos é pouco.

    Em frente ao Metro Paraíso, na vergueiro, tem uma faixa de pedestres e muitos carros passam a mais de 60 km/h, a velocidade da via (que já considero absurda). Quando estou a pé me arrisco obrigando os motoristas a reduzirem e sempre recebo xingamentos (mesmo em cima da faixa). Ficarei feliz em ver um agente multando esses motoristas que consideram sua pressa mais importante que minha vida.

  2. Complementando, em Brasília isso só funciona dentro das asas do Plano Piloto e olhe lá Experimente cruzar o Eixo Monumental a pé. Você tem que esticar a mão e geralmente só o terceiro para. Agora se estiver carregando duas sacolas, esqueça, vai ter que atravessar quando der e correndo!

  3. Raquel, eu costumo dizer que o grau de civilização de uma cidade pode se medir pela forma com que ela trata os pedestres – e, nesse aspecto, as nossas cidades (com raras exceções) são um exemplo negativo. Aqui no Rio, os tempos de espera nos semáforos (devido aos enormes tempos de ciclo) são insuportáveis, e os tempos de travessia parecem ser feitos para atletas. As calçadas são estreitas e muitas vezes obrigam os pedestres a andarem no asfalto. Os raios de curva são grandes, o que favorece as altas velocidades dos carros girando nas transversais. O uso errado de passarelas e travessias subterrâneas é incompatível com a qualidade de vida. Esses são apenas alguns exemplos de erros que os nossos engenheiros de tráfego – meus colegas – cometem contra os pedestres.

  4. Na verdade, em faixas com semáforo o pedestre não tem a preferência, pois ali é a cor do semáforo que regula quem deve parar. Infelizmente no Brasil o desenho da faixa é exatamente igual nas situações em que há ou não semáforo. Isso é um equivoco, pois traz confusão. Em muitos outros países, a faixa “zebrada” é usada apenas quando não há semáforo: todos conseguem reconhecer que o pedestre tem a preferência, não havendo dúvidas. Nos demais casos, há apenas duas faixas perpendiculares à calçada, e o pedestre reconhece que deve esperar o semáforo. Aliás, deveria haver sempre o semáforo de pedestre. Onde já se viu esperar pelo vermelho para poder atravessar? A cor padronizada para “seguir em frente” é verde.

  5. O que vigora em todo país é a prioridade de projetos que viabilizem a eficácia no trânsito de veículos, principalmente em grandes centros onde é sinônimo de atraso e estresse.
    Faltam iniciativas governamentais como essa que priorizem a segurança, conforto e melhores vias de acesso ao cidadão também enquanto pedestre, melhoria na sinalização, conscientização de pedestres e motoristas, esses métodos em conjunto podem realizar uma mudança no comportamento no trânsito, não só neste caso em São Paulo, mas em todo o território brasileiro.
    Resido na Região Metropolitana da Grande Vitória e passo enquanto pedestre diariamente situações de risco, seja por falta de sinalização ou conscientização dos motoristas, medidas como essa serão sempre bem-vindas.

  6. Percebe-se, creio eu que na maioria dos Estados brasileiros, a falta de cultura quanto à preservação da vida, e a sua banalização. Aqui no Espírito Santo, especificamente no município de Vila Velha, não há respeito nenhum pelo pedestre, nem quando há semáforos, muito menos em faixas, exclusivamente. A “correria” das grandes cidades leva a crer( para aqueles que possuem um veículo automotor) que um minuto de respeito à vida custará muito do seu preciosíssimo tempo. Todavia, alguns pedestres também devem levar um puxão de orelha: é costumeira cena pedestres atravessando fora da faixa e do semáforo. Cabe a cada um, em primeiro, zelar pela própria vida, para aí sim zelar pelo próximo.
    Quanto às calçadas, cada dia que saio à rua com meu filho de 10 meses no seu carrinho, tenho plena convicção que calçada foi feita para carros, ou para super-heróis. O desnivelamento, a falta de zelo de seus donos e claro, do poder público deixa claro de quem é a preferência. Aqueles que possuem alguma dificuldade de locomoção, que dispute seu espaço nas ruas, em meio aos carros. Deve-se já mudar nossa cultura!

  7. Desde que a urbanização começou a aflorar nos grandes centros brasileiros, desenvolveu-se uma cultura, até então, pouco conhecida. Podemos chamá-la de ‘’cultura do automóvel’’, antes sinônimo de status na sociedade, hoje, vista como necessidade nesse mundo onde os transportes públicos não funcionam como deveriam. Superlotação de ônibus, má vontade das pessoas, calor: são algumas das reclamações mais freqüentes.
    A partir disso, o automóvel é encarado com um subterfúgio para resolver problemas como esses. Mas se todos tiverem essa idéia, como ocorre hoje em dia, como será? Não será nada bom, pois a cidade não suportará esse intenso fluxo de veículos, que a cada dia aumenta formando diversos engarrafamentos.
    Além desse problema, vemos pessoas cada vez mais inabilitadas estão sendo inseridas no trânsito. Seja por incompetência das auto-escolas, seja por displicência dos próprios condutores, seja por falta de entendimento das leis de trânsito, etc..
    Com isso, o desrespeito ao pedestre é flagrante, tanto em vias mais tranqüilas, como em vias de acesso rápido. Os direitos do pedestre são suprimidos por carros, motos e ônibus que se acham ‘’os donos da rua’’.
    Uma opção viável, como foi destacada pela blogueira, seria fazer como em Brasília e também aqui em Vitória – ES, mais especificamente, no bairro de Jardim da Penha, onde o pedestre coloca o pé na faixa e o condutor pára até que ele chegue ao outro lado da calçada. Não deveria ser uma coisa louvável, pois tinha que ser feito em todos os lugares do país. Mas enquanto não é, damos como exemplo de cidadania no trânsito.Uma outra idéia interessante seria tornar lei o que a VOLVO Cars desenvolveu. A empresa apresentou um veículo que possui airbag para pedestres em caso de batida, diminuindo assim o impacto e de certa forma protegendo o pedestre.
    Devemos olhar também o outro lado, lembrando daqueles pedestres que não usam com cautela o direito de ir e vir. Atravessam fora da faixa; descem do transporte coletivo correndo e, ao invés de se dirigirem para a traseira do veículo para ter maior visibilidade, atravessam de qualquer lugar, correndo o risco de serem atropelados.
    Conclui-se que campanhas para estimular a educação no trânsito são bem vindas, investimentos do Poder Público nessa questão também, mas nada disso basta se a vontade por um trânsito melhor não partir de cada um.

    Notícia do carro da VOLVO

    http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/625073/?noticia=VOLVO+APRESENTA+CARRO+COM+AIRBAG+PARA+PEDESTRES

  8. A moda hoje em ano de eleição municipal é falar de mobilidade urbana, como resolver o trânsito caótico das cidades. Cada dia que passa pior o trânsito Brasileiro fica e em uma medida desesperadora para alavancar a economia o governo reduz os impostos na compra de um carro, é como eu vejo uma medida que não pensaram em suas consequências ou pensaram e pouco se importaram. É como dizem por aí “sonhar não paga imposto”, nesse caso específico sem o IPI foi que muitos brasileiros compraram seu zero quilômetro. Consequência é um transito cheio de mau condutores e pedestres vivendo perigosamente no meio das cidades sem segurança. Ou seja falar sobre medidas para melhorar a mobilidade no trânsito, fazer projetos que não sai do papel porque a realidade é outra.

  9. Infelizmente sabemos que aqui no Brasil, a prioridade sempre será a fluidez do trânsito, tentando deixá-lo menos lento e estressante. Com isso, sentimos a falta de projetos e até mesmo leis que protejam os pedestres.
    Achei bem bacana as propostas da Companhia de Engenharia de Tráfego, se elas forem aplicadas e fiscalizadas, com certeza reduziremos o número de acidentes envolvendo pedestres.
    Acredito que se essa multa para quem desrespeita os pedestres, fosse eficazmente fiscalizada, também teríamos mais segurança ao nos movermos a pé pelas cidades, porque é bem mais fácil seguir a lei do que desembolsar R$191,54 por uma multa. Porém sabemos que na maior parte dos Estados brasileiros, não há fiscalização, logo o desrespeito com o pedestre continua, gerando acidentes.
    No que diz respeito à travessia de pedestres pela faixa, aqui no bairro Jardim da Penha, Vitória – ES,acontece algo semelhante ao que ocorre em Brasília, ou seja, se um pedestre precisa atravessar, basta ele pisar na faixa que os carros param. Isso só acontece nesse bairro em Vitória, em outros lugares, como por exemplo, na Jerônimo Monteiro, sentimos a falta de faixas para a travessia, dessa forma, infelizmente temos que nos arriscar para atravessar a avenida.

  10. Acredito que são necessárias campanhas mais incisivas, claras e focadas na Educação no trânsito, de forma a conscientizar os usuários dessas vias, sejam os motoristas, os motociclistas, os ciclistas e os pedestres, quais são os seus direitos e principalmente os seus “deveres”. No entanto, a educação de transito não deve ser preocupação somente na época de “tirar a carteira”, isto faz parte da nossa vida, devemos desde cedo ter conhecimento sobre a sua importância.
    A multa será que é a única solução? Não seria mais uma forma de arrecadação para o poder público? Eu sei que a multa pesa no bolso, as pessoas ficam mais receosas, mas será esta a única solução deste problema? Se uma pessoa é multada, é porque não respeitou “algo”. Por favor, não quero enfatizar que não seja grave o fato de um motorista não respeitar a faixa de pedestre, e não parar para que este possa atravessar, e também não aprovo a travessia fora da mesma, bem como, em locais inadequados…
    No entanto, será que nós não merecemos a implantação de mais faixas de pedestres, ciclovias, semáforos (que não demore uma eternidade para abrir e que a pessoa tenha que atravessar na velocidade da luz, para que o mesmo não fique vermelho), o melhoramento das calçadas para que possamos exercer o nosso direito constitucional de ir e vir. Penso também, que este dinheiro arrecado através de aplicação multas de transito sejam revertidos em sua melhoria e conservação. Por que o dinheiro pago ao IPVA ainda não sei qual o seu destino?! Diz a lenda que o valor arrecadado tem como finalidade de cuidar da manutenção das rodovias , das vias de acesso…….

  11. Acabei de tirar carteira de motorista, e durante todo o processo, os instrutores, tanto teórico quanto prático, deram bastante ênfase na questão do pedestre, sempre diziam: “A preferência é sempre do pedestre.”
    No entanto, não é o que se vê posto em prática na vida real.
    Eu mesma quase fui atropelada por uma motocicleta em uma avenida movimentada, onde existia sinalização, que aliás estava liberada para mim e fechada para ele (o motociclista). Até aonde vai o desrespeito dos motoristas em relação aos pedestres?
    Penso que a educação no trânsito nos dias atuais é algo quase inexistente, principalmente nas regiões metropolitanas, onde se concentram os aglomerados urbanos. É essencial o respeito mútuo, mas como as pessoas não fazem isso por conta própria, se faz realmente necessário uma “pressãozinha” do poder pública para que os cidadãos tenham o mínimo de respeito. Como a autora mesmo disse: “Em um país como nosso, em que pedestres morrem diariamente, qualquer medida que venha para ajudar a garantir o conforto e a segurança dessas pessoas é bem-vinda.”

  12. Sabemos da existência de uma transformação das pessoas quando estão no trânsito, tomando às vezes atitudes bem diferentes do que adotariam fora desse contexto. Essas atitudes e as diversas culturas próprias do trânsito existem em diferentes âmbitos, sejam estas construídas em virtude de uma omissão por parte das autoridades competentes ou mesmo por conceitos enraizados tanto nos motoristas como nos pedestres. Sendo assim, é preciso se fazer um trabalho de mudança de comportamento efetivo. O mesmo motorista que mora na Praia do Canto (Vitória ES) que sabe fazer uma rotatória, que respeita a faixa é o mesmo que trafega em outras vias da cidade que não possuem sinalização adequada. O que se verifica especificamente na Praia do Canto é um número enorme de motoristas que não sabem contornar uma rotatória, pergunto: esse condutor mora no bairro? Pois são poucos bairros que possuem essa situação, outros não possuem ruas calçadas (cidades vizinhas), por outro lado também muitos pedestres não sabem se “comportar” adequadamente na travessia de uma rua com faixa ou sem faixa, toda mobilidade do trânsito local é feita de acordo com esse contexto. É necessário, que o pedestre compreenda que o seu comportamento na travessia de uma rua com faixa deve seguir o regulamento e não atravessar no mesmo ritmo que vem caminhando pela calçada, adentrando rua (faixa) de qualquer maneira. A rodovia do Sol localizada no município de Vila Velha, trecho que liga ao município de Guarapari é totalmente privatizada com dezenas de passarelas, mesmo assim a empresa concessionária implantou divisórias de concreto entre as pistas embaixo das passarelas para evitar que os pedestres se arrisquem ao atravessar, também colocou alambrados, que diariamente são danificados pelos pedestres, fazendo com que a mesma cotidianamente faça vistorias e reparos. É necessária uma conscientização maciça tanto de pedestres, quanto de condutores e por outro lado o sistema governamental garantir toda e qualquer infraestrutura necessária, física e preventiva (educação) para que realmente funcione toda a interação motoristas-pedestres.

    FERNANDA B. DOS SANTOS – GEOGRAFIA – NOTURNO-UFES

  13. Fernanda Santos. Os motoristas da Praia do Canto, ou que trafegam pela Praia do Canto, não tem um pingo de respeito pelo pedestre. Assim como a Prefeitura de Vitória também não tem. Desde 2013 estou solicitando ao orgão responsável uma revisão de faixa em um local de altissimo risco de vida e sequer tive uma resposta. O risco continua. A população insatisfeita. Com relação às rotatórias são projetadas indevidamente, quero dizer, com erro de projeto. As rotatórias para funcionar tem que ter um dimensão adequada e as do bairro não são assim. O motorista já não é respeitoso e a PMV ainda não ajuda, sobra para o pedestre, que sai de casa com a imagem do filho na mão sem saber se vai voltar.

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