Proibição das sacolinhas plásticas: o que não está sendo dito

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem um substitutivo ao Projeto de Lei 496/2007 que proíbe a distribuição e venda de sacolas plásticas em toda a capital paulista.  O projeto segue agora para sanção do prefeito Gilberto Kassab.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que esse é um debate, de fato, relevante. Em muitos países do mundo, essa proibição já existe há vários anos. A discussão parte de constatações relacionadas ao impacto ambiental da produção do plástico – o longo tempo para a sua degradação na natureza -, o impacto que as sacolinhas causam em períodos de enchente etc.

Mas algumas questões parece que não estão sendo ditas no debate que vem sendo feito na imprensa. A primeira versão do PL obrigava a substituição das sacolinhas de plástico por congêneres biodegradáveis: ou seja, diminuía o mercado dos produtores de sacolas plásticas e aumentava o mercado dos produtores de sacolas biodegradáveis, mas sem levar em consideração os impactos ambientais que estas últimas também geram.

No fim das contas, substituiríamos um produto por outro, mas sem tocar no tema dos limites para o planeta de uma produção infinita de produtos, biodegradáveis ou não. Afinal, toneladas de biodegradáveis também degradam o meio ambiente.

Na nova versão do projeto, que foi aprovada ontem, todos os estabelecimentos comerciais são proibidos de distribuir e vender sacolas plásticas de qualquer tipo aos consumidores para acondicionamento e transporte de mercadorias. Tais estabelecimentos devem estimular seus clientes a usar sacolas reutilizáveis.

Além disso, a Lei aprovada exclui da proibição as embalagens plásticas originais das mercadorias, e as utilizadas para venda de produtos a granel ou que vertam água. Assim, continuam as emabalagens plásticas.

O trecho mais curioso, no entanto, é o Artigo 5º, que  proíbe que fabricantes de sacolas plásticas insiram rótulos como “degradável”, “biodegradável”, “oxidegradável” e “oxibiodegradável”. Esse artigo é estranhíssimo. Significa que hoje os fabricantes de sacolas plásticas inserem essas terminologias de má fé? Que na verdade tais produtos não são o que indicam seus rótulos?

Diante dessas questões, fica a pergunta: estamos discutindo a indústria do degradável versus a indústria do biodegradável? Trata-se de uma guerra de mercados? Uma discussão que se pretende de sustentabilidade do planeta transformou-se numa guerra entre fabricantes de sacola X e fabricantes de sacola Y?

Se for isso, estamos desperdiçando uma oportunidade de avançar na discussão sobre a necessidade das embalagens, seus impactos ambientais, e também sobre o nível de consumo da nossa sociedade.

18 comentários sobre “Proibição das sacolinhas plásticas: o que não está sendo dito

  1. Não estao fazendo uma outra observação: a introdução dos saquinhos se deu como uma cortesia, quando houve a proibição de usar latões de lixo que eram descarregados nos caminhoes. Aos poucos, alguns supermercados começaram a oferecer os saquinhos ao invéz das sacolas de papel e caixas, e principalmente quem nao mora em grandes coletividades, foi beneficiado pois o saquinho tem um excelente tamanho para ser usado no descate dos resíduos de uma residencia. Agora, simpesmente, teremos que voltar a comprar sacos ou sei lá o que. isso realmente não é o problema na minha opinião: é muito mais sério discutir a redução das áreas de preservação em mananciais, que “passou batido” e que vai prejudicar muito mais o planeta todo…
    enfim, mais uma cortina de fumaça…
    pão e circo…

  2. É óbvio que se trata de uma luta por mercados, seria ingenuidade achar que alguém – governo, varejistas, consumidores – estão interessados em sustentabilidade.

    Para o governo é uma agenda positiva que acreditam lhes permitirá ganhar votos sobre um tema inócuo, livre de polêmica.

    Para os fabricantes de produtos ‘degradáveis’ é uma festa, recebendo incentivos dos governos e da mídia que também quer abraçar um tema que lhes dê uma certa percepção de modernidade.

    Os varejistas embolsarão milhões que hoje gastam na compra de sacolinhas de plástico, uma vez que a lei não os obriga a repassar essa enorme economia para o consumidor.

    O consumidor quer praticidade e não ter que se preocupar de lembrar se trouxe ou não a sacola. Em uma época em que todos falam tão facilmente de plebiscito, qual você acha que seria o resultado se essa questão fosse colocada ao escrutínio popular?

    Vale lembrar também que a imensa maioria dos consumidores reutilizava as sacolas plásticas para acondicionar lixo. Agora terão que comprar sacos de lixo, bem mais espessos e menos degradáveis que as sacolinhas de supermercado.

  3. Pode até não ser ambientalmente recomendável, mas milhares de pessoas, após as compras, reutilizam as sacolas plásticas no transporte e acondicionamento de lixo nos locais onde há a coleta pública. Com a proibição do uso dessas sacolas nas compras, restará aos consumidores transportar e acondicionar os dejetos nos resistentes sacos plásticos pretos, usados especificamente para armazenar lixo. Não estamos trocando plástico poluente por plástico poluente? Além da proibição da distribuição das sacolinhas nos mercados, temos que buscar materiais alternativos, que não o plástico, para transportar e acondicionar os dejetos. Até por uma questão de coerência…

  4. Eu reutilizava as sacolas do mercado. E quando estava com muitas sacolas eu fazia a compra em caixas de papelão.
    Se tiver que comprar sacolas de lixo, não dará na mesma? Eu sei a resposta, não. Terei que pagar mais, e alguém vai ficar mais rico vendendo sacolas de lixo. Então tem algo errado ai sim. A menos que as prefeituras fornecessem as sacolas para lixo, não faz sentido remover as sacolas do mercado sem prejudicar aqueles que fazia reutilização das mesmas.

  5. Olá Raquel, Outro assunto correlacionado é coleta seletiva com a integração dos catadores. A cidade está esperando a boa vontade do Kassab para indicação dos galpões de triagem. PARECE QUE NÃO EXISTE VONTADE POR PARTE DA PREFEITURA. Outra preocupação é impedir a incineração como $olução para empresa e alguns outro$. Se ficarmos quietos eles tirarão o lixo de nossos olhos e esconderão em nossos pulmões.

  6. Eu acho inútil a retirada destas sacolinhas nos supermercados. Ela substitui os sacos de lixo. Deviam sim proibir o excesso do uso dos plásticos (ou não) em produtos, como absorventes femininos (embalados um a um), brinquedos, roupas, sabonetes, chicletes(!) e muitas outros.

  7. A dita mania de resolver paliativamente um problema. Reutilizamos nossas sacolinhas de mercado. Elas vão para o lixo da cozinha, do banheiro…
    Que a quantidade que acaba indo para nos aterros é ‘aterrorizadora’, sim é, mas isso é questão de educação, porém educação não faz ‘barulho’ e os lucros do investimento, vem a longo prazo… É mais facil (e mesquinho) ganhar os holofotes com temas polêmico (na próxima novela da Gloria Perez vai estar lá, a Sustentabilidade #certeza) do que de fato se preocupar com algo que vale a pena!
    E os substitutos para as sacolinhas de plasticos, será o que? A de papel?? É biodegradavel (molha e vai se desmanchando… Mas para tanto.. materia prima do papel é… Árvores!!)
    ou mesmos as biodegradaveis plásticas que sobram… o ‘oxibiodegradavel’ ninguem sabe qual o ciclo de vida do catalisador do processo! Que muda de industria? Nem tanto, as adequações de um tipo (convencional) para o outro (biodegradavel) é o de menos.

  8. A proibição tambem fará com que as pessoas tenham que comprar saquinhos plasticos para acondicionar lixo de pia e de banheiro, e os tais saquinhos para lixo são biodegradaveis? ou mais um desagradavel descarte poluente ? e o outros tipos de plásticos que estão sendo produzidos em grandes escalas para fins inúteis e sem nenhum controle,acho que a solução passa sempre por interesses comerciais e enquanto for assim não haverá avanço.

  9. Prefiro ver as coisas com um olhar positivo. Veremos;

    Tal proibição já é um avanço muito grande em relação ao comportamento coletivo para com o meio ambiente. Finalmente sairam do zero em relação aos danos ambientais causados por residuos plásticos. Essa decisão dá abertura para que com o decorrer dessa nova experiência possa se dar passos ainda maiores em relação a toda embalagem descartável, bem como a produção massiva de produtos não degradáveis. Mas peço que pensem no seguinte paradigma: As pessoas tendem a não sair da sua zona intima de conforto; ou seja; o que pode se assimilar com preguiça – digo por exemplo – Se não fossemos mais fabricar embalagens Pet de refrigerante, e voltássemos a usar apenas garrafas de vidro, você levaria uma garrafinha retornável no seu carro para beber sua coca light sem degradar tanto o meio ambiente?

    É bom parar para pensar, a maioria das pessoas preferem morar em metropoles globais pela praticidade de serviços e consumo, que as dão uma sensação de conforto…
    Sinto que as pessoas não modificariam seus ócios, auto-glorificações e conforto para salvar-se em coletivo. Elas andam preferindo morrer sozinhas em seus apartamentos.

    Com grande respeito e admiração!

    Wagner Silva Campos
    Cientista da Informação – USP

  10. Querida Raquel: A lei sancionada pelo prefeito Kassab nada mas e duque uma piada ;porque ele que esconder sua incompetencia criando factoide para nao debater com sociedade a coleta seletiva de lixo, e fuje do debate macro da sustentabilidade que começa na educação básica discutido todas cadeias produtiva e o ambiente

  11. É muita hipocrisia ou burrice total mesmo de todos que dizem que a sacolinha plástica é a grande vilã da natureza. A lei foi solicitada pela associação dos supermercados, que tem um gasto enorme com despesas das mesmas, e passarão a ganhar muito sem esta despesa e com o aumento das vendas de sacos para lixo (que são de plástico também). Ou seja, o lixo continuará sendo jogado em aterros em sacos plásticos, só que agora, com lucro aos mercados. E você, grande defensor da natureza que odeia sacolinhas, continua comprando arroz, feijão, fubá, manteiga, refrigerante, etc, tudo embalado em plástico, daí você diz: “mas eu mando pra reciclagem”… é mesmo??? e porque não pode mandar também a sacolinha pra reciclagem junto? Sem contar que continuam andando com seus maravilhosos carros poluindo diariamente o ar que respiramos. Donos de supermercados estão se “lixando” com a natureza, estão somente preoucupados com os lucros, políticos só querem fazer alguma lei pra fingirem que estão trabalhando e o povo, principalmente o mais pobre, pagará a conta. Sem contar que provavelmente este povo mais pobre descartará o lixo produzido em casa em qualquer terreno vazio, já que dificilmente terão condições de gastarem com sacos para lixo. Ah, e para os asnos que não sabem, papel é feito de árvore, querem acabar com a Amanônia? Quanta hipocrisia!!! ou burrice mesmo!!!

  12. Apesar dos apesares, levando em conta as questões de interesses econômicos, que obviamente sempre estão presentes, prefiro ver um pouco pelo lado do Wagner. Essa pode não ser a solução, mas sim um primeiro passo. Como tudo que acontece no mundo em grande escala, é difícil encontrar soluções definitivas de uma vez.

    No caso dos sacos de lixo, fala-se da criação de sacos “verdes”, provindos da cana-de-açúcar, e não do petróleo. Nesse caso, poderia ajudar na redução do uso de petróleo, mas ainda assim há a questão do descarte, levando em conta que os sacos de lixo, em geral, são grossos. E, de qualquer maneira, tanto para os de petróleo quanto para os de cana-de-açúcar, há gastos (opcionais. No caso dos mercados, o preço das sacolas já está embutido nas mercadorias, e mesmo com as ‘ecobags’ eles geralmente mantém o valor. Então pode complicar comprar itens pagando pela sacola, não usá-la, e ainda comprar sacos de lixo).

    Além disso, há a questão de comprar itens “verdes”. Cadernos com folhas recicladas, por exemplo, costumam ser mais caros que cadernos com folhas normais. Ou seja: paga-se bem mais para tentar levar uma vida sustentável (sendo que não necessariamente o item custou tanto para ser criado).

    Então sempre haverá dois lados… obviamente há interesses econômicos nisso, e por aí vai. Mas tudo no mundo tem… então talvez o princípio da solução esteja em haver pessoas menos gananciosas heheh

    Quanto ao que o Wagner disse, concordo parcialmente com a questão das garrafas de vidro. Por exemplo, uma coca de 2 litros está sendo vendida em mercados grandes por aproximadamente R$ 4,50. Já, em mercados pequenos, costuma-se trocar o ‘casco’ por uma garrafa de 1 litro cheia por R$ 1,00. Ou seja, você paga R$ 2 por 2 litros. Basicamente a metade da garrafa de plástico. Então, se a pessoa tiver acesso a um lugar com essas garrafas de vidro perto de casa, pode valer a pena sacrificar alguns minutos do dia para comprá-las, já que reduziria o custo pela metade (e famílias que tomam muito refrigerante, tipo pelo menos 1 por dia, poderiam reduzir o gasto de R$ 120 para R$ 60, por exemplo). O problema é ter acesso a esses lugares, infelizmente.

    Gostei bastante do texto! Ainda não tinha visto tão bem o lado crítico da situação.

  13. Pingback: Dissecando o saco de lixo | Blog do Voluntarios Online

  14. Historia da sacolinha
    O Comerciante
    Maravilha! Não vou mais gastar com as malditas sacolinhas, elas representavam um custo altíssimo no meu negócio agora se o consumidor quiser terá que comprar sacolas personalizadas e fazer minha propaganda para levar suas compras e eu vou faturar mais.
    O fabricante de sacolinha.
    Vou comprar algumas maquinas e passo a fazer sacos de lixo porque afinal de contas ninguém mais poderá usar sacolinhas para botar no lixo então saco de lixo será um grande negócio.
    O consumidor.
    Caramba agora sem sacolinha não tenho mais como por lixo na rua vou ter que comprar sacola para carregar minhas compras e vou ter que comprar saco de lixo também, que não é nada barato pelo visto parece que sobrou pra mim a conta vai ser grande.
    O Governo.
    Que beleza com essas medidas a gente ta fazendo a maior média com o primeiro mundo e camuflando que estamos cuidando do meio ambiente ,enquanto que por dia são derrubadas um campo de futebol de arvores no amazonas
    O mundo.
    Você brasileiros são umas gracinhas. comem mortadela e arrotam caviar.

  15. Em Zurich todos os estabelecimentos, inclusive grandes mercados oferecem sacolinhas de plastico. A questao mais interessante e que la o transporte publico, a saude, a educacao,a seguranca publica, o salario minimo e tantos outros beneficios sao eficientes 100% e nos deixam como nativos em pleno seculo 21! E vergonhoso observar nossos politicos com essa vontade voraz e tanta enfase para resolver um assunto insignificante como esse. Enquanto isso a grande massa se esquece dos direitos basicos e indispensaveis a uma nacao que quer crescer de forma “sustentavel”. Deixar o Brasil crescer as custas da ignorancia e politicas de arrocho salarial e vergonhoso e so beneficia uma minoria de cachorros sedentos! Ate quando ficaremos de bracos cruzados observando essa palhacada? O fato de hoje em dia uma familia pobre conseguir comprar um video game ou uma TV de led em 60x diz o que? Isso e sustentabilidade? Infelizmente o Brasil ainda e o pais do “oba oba” e para mudar isso iremos precisar de muita acao e pouco papo!

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