No Quarteirão da Cultura, no Itaim-Bibi, quais são os valores em jogo?

Segundo matéria publicada no Estadão, no fim de semana, o plano da prefeitura de vender para incorporação imobiliária a última área verde do Itaim-Bibi – que abriga diversos equipamentos públicos – está suspenso, ao menos por enquanto, por conta da instauração de um processo de tombamento pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo).

A prefeitura afirma que pretende viabilizar a construção de duzentas creches com os recursos da venda da área, avaliada em R$ 230 milhões. Associações de moradores do bairro e outras organizações da sociedade civil são contra o projeto, defendendo a preservação do uso atual da área.

Segundo a organização Preserva SP, o quarteirão, de 20 mil metros quadrados, concentra praticamente todos os serviços públicos da região. No local estão instalados a Biblioteca Pública Anne Frank, uma escola infantil, uma a creche, uma unidade básica de saúde, uma escola estadual, a APAE – Escola Zequinha, um centro de atenção psicossocial e um teatro (os dois últimos, recentemente reformados pela prefeitura).

Nestes equipamentos são atendidos, diariamente, centenas de crianças, pessoas com necessidades especiais, pessoas em busca de atendimento médico e psicológico, estudantes, usuários da biblioteca, entre outros. A Biblioteca Anne Frank, do anos 1940, inclusive, foi o primeiro prédio modernista em São Paulo fora do centro.

Não há dúvidas de que a cidade precisa de duzentas creches, ou mais. Mas certamente esta não é a melhor forma de viabilizá-las.

A abertura do processo de tombamento impede que qualquer transformação ocorra na área até que o Condephaat tome uma decisão. Isso não impede que a prefeitura venda o terreno, mas limita tremendamente o seu uso.

A ideia de que toda e qualquer área de grande potencial imobiliário tenha, necessariamente, que ser objeto de incorporação, não apenas contribui para a destruição da memória da cidade, mas também desconstitui qualquer valor que não seja estritamente financeiro.

As melhores cidades do mundo são aquelas que conseguem equilibrar um processo de modernização e atualização com a preservação de valores intangíveis. Não é apenas o terreno do Itaim-Bibi que neste momento está em discussão, a área do Jóquei Club também, de certa maneira, vem sendo objeto das mesmas indagações. Mas essa história fica para outro dia.

5 comentários sobre “No Quarteirão da Cultura, no Itaim-Bibi, quais são os valores em jogo?

  1. Atenção!!!!
    Camara Municipal de SP vai colocar em plenário a votação do PL agua espraiada(NA SURDINA)
    Compareçam todos no viaduto jacarei, 100 amanhã as 14:00 hrs para impedir esta tragedia social.

  2. Velha tática de efeito, explorar uma demanda (qto mais comovente melhor) para justificar ações em prol do capital.
    A próxima seria deixar de investir nos equipamentos públicos, esperando que a região se degradasse para então o capital entrar “revitalizando” tudo.
    Raquel, por acaso vc saberia dar nome aos bois? Digo, prefeitura seria exatamente que pessoa responsavel, e incorporadora seria qual empresa?
    Seria muito bom que esses nomes pudessem ser divulgados.

  3. O MOVIMENTO POPULAR EM DEFESA DO QUARTEIRÃO DA CULTURA/SOS ITAIM BIBI, E A ASSOCIAÇÃO GRUPO MEMÓRIAS DO ITAIM BIBI, AGRADECE O APOIO E A TOMADA DE POSIÇÃO DA CONCEITUADA URBANÍSTA -RAQUEL-. REAFIRMAMOS QUE “A LUTA CONTINUA”, iniciada em dez/2010. AFINAL O “QUARTEIRÃO É NOSSO” – prof. Helcias (Coord. Geral SOS ITAIM BIBI e Presidente Executivo-AGMIB

  4. Pingback: Boa notícia: prefeitura de São Paulo não vai mais vender o Quarteirão da Cultura no Itaim-Bibi «

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