A dura vida dos pedestres na cidade

Mais de 30% do total de deslocamentos na região metropolitana de São Paulo são feitos a pé, de acordo com a pesquisa Origem e Destino realizada pelo metrô em 2007. Entretanto, são raras as políticas que protegem, qualificam e dão sustentação a esse tipo de deslocamento.

A consequencia disso é o fato de que são os pedestres as principais vítimas do trânsito paulistano. Pesquisa da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) divulgada hoje mostra que, mesmo onde existem faixas de pedestre, a maioria dos motoristas não respeita esta sinalização.

Dentro do universo pesquisado, 89,6% dos motoristas desrespeitaram a regra de prioridade ao pedestre na faixa. Além disso, 69,5% das pessoas que se deslocam a pé sentem-se desrespeitadas pelos motoristas.

No fim do mês passado, o Estadão divulgou que a prefeitura anunciará, em breve, a criação de onze zonas de proteção para pedestres. Estas áreas terão sinalização específica, reforço de agentes de trânsito para garantir que motos e carros não invadam as faixas de pedestre, e orientadores de tráfego que usarão bandeiras para sinalizar que os veículos devem parar.

O fato é que é mesmo difícil o deslocamento de quem anda a pé em São Paulo. Não apenas em termos de segurança, mas também da própria qualidade das calçadas, da iluminação, entre outros aspectos. Até mesmo o transporte coletivo recebe mais atenção por parte do poder público do que o espaço do pedestre.

Esperamos, então, que as medidas anunciadas pela prefeitura sejam apenas o começo de uma política muito mais ampla de melhoria do espaço do pedestre na cidade.

21 comentários sobre “A dura vida dos pedestres na cidade

  1. Acredito que no Rio de Janeiro a situação seja muito pior, o governo deveria investir fortemente em educação no trânsito.

  2. raquel, sou pedestre e constato as mesmas coisas que você andando pelas ruas da cidade. no entanto, percebi que há também problemas na circulação das pessoas junto com os carros por conta de uma certa falta de educação para ser pedestre. é triste, mas a circulação se dá de forma tão precária em SP que as pessoas não sabem, pro exemplo, esperar o farol de pedestre acusar o “verde”! enfim, questões…

    • Cara Ana Luiza, em cidades onde tudo é pensado para os automóveis e seus motoristas, o pedestre tem que ser obediente bem bonitinho?

      • Cara Raquel, não acho que temos que nos comportar e nos submeter à força dos veículos motorizados… de jeito nenhum! Acho que temos que tomar as ruas mesmo, mas vejo que há uma certa negligência no uso do espaço que me chateia e preocupa. Não sei como solucionar isso a não ser pela simples via da prática de andar pela cidade e se apropriar dela com mais atitude!

  3. Raquel
    tem um conto do Ray Bradbury (escritou q escreveu Fahrenheit 451 e inspirou o filme do Truffaut), chamado “O pedestre”, q é bárbaro. Um cara resolve dar uma volta para fumar um cigarro e ver a noite. Estamos alguns anos adiante… Eis q um carro de polícia o cerca, o carro é robótico, uma voz sai do carro e pergunta o que ele está fazendo aquela hora, deveria estar vendo tv, pq não está? “Vim fumar um cigarro”. “Cigarro!? Como assim?” “Quis dar uma volta.” E por aí vai… O lugar não é São Paulo mas é.
    abs
    Adriana Fernandes
    ps. e a bicicleta, é

  4. ´De fato, é alarmante a condição do pedestre no espaço urbano brasileiro – nisto incluem-se os ciclistas outrossim – que ambos são vítimas do desrespeito generalizado.
    A pressa do estilo de vida moderno, ultrapassa as fronteiras do ego-centrismo, insulflada por egoísmos e individulismos crônicos, tornam o transito de pedestres algo muito perigoso.
    São raras as cidades, que possuem um plano urbano de trafego em coerência com as leis de transito; ao que resta ao pedestre, ser estar n’um duelo com titãs.
    Enquanto, não ouver uma atividade policial de transito restritiva, que pune estes delitos, nossa realidade urbana continuará a reter acidentes e desrespeito a pessoas das mais diversas idades.

  5. Essa também é a triste realidade para os pedestres na cidade do Rio de Janeiro, inclusive nas áreas turísticas da orla marítima.
    Aqui as concessionárias quando fazem obras, seja de manutenção ou ampliação, nem sempre devolvem as calçadas nas mesmas condições. As rampas tem ressaltos, o caimento não é uniforme e as pedras portuguesas ficam incompletas formando-se poças quando chove, os arremates esses nem existem!
    Além disso convivemos com bicicletas e triciclos que fazem manobras perigosas nas calçadas de Copacabana onde vivem muitos idosos.

  6. Na reportagem do Estadão o exemplo usado pela CET pra implantação dessas zonas de proteção ao pedestre é a Augusta x Paulista. E lá está escrito que o conflito ocorre qdo pedestres tentam atravessar no vermelho, já que o farol pra pedestres fica verde por 12 segundos e o fluxo de pessoas é muito grande.

    Fiquei com a impressão que essa ação é para disciplinar os pedestres e não os motoristas, pq é relativamente raro alguém furar sinal em cruzamentos tão movimentados. O que não é uma idéia ruim, mas e o tempo de espera, vai ser alterado? A CET vai multar quem não respeita faixa sem farol em outros locais?

    A prioridade ainda é o carro, e essa ação da prefeitura parece reforçar essa idéia.

  7. Disciplina-Mobilidade-Maria Célia C. S.- Realizar alterações em áreas urbanas que foram concebidas priorizando a fluides de automóveis requer impenho e esforços do poder público e conciência e educação por parte dos cidadãos, basta lembrar que nós enquanto cidadãos não somos 100% do tempo condutores (motoristas) ou pedestres em dado momento representamos ambos e com certeza temos a oportunidade de experimentar o sentimento de ambos e é apenas uma questão de postura,conciencia e educação pois, não vejo onde reside a dificuldade em entender o significado daquelas listras pintadas de branco no asfalto (nas ruas) mesmo porque isso é ensinado nos centros de formação de condutores e acredito que tambem em nossos lares estou certa?

  8. A difícil vida dos pedestres nas grandes cidades brasileiras, é um reflexo da “cultura do automóvel” que existe em nosso país, onde o automóvel não é visto somente como um meio de locomoção, mas como instrumento de poder, ou mesmo, em certos casos, como uma arma de intimidação. O próprio modelo de estrutura urbana das cidades brasileiras, privilegia o automóvel, em detrimento dos pedestres. A própria industrialização do Brasil, ocorreu com o processo de implantação da indústria automobilística, na era JK, que é considerada a “era da modernidade”. Os tais “50 anos em 5”.
    O maior exemplo é Brasília, que foi planejada para os automóveis.
    Dentro de tal realidade, um processo de mudança do quadro atual, será lento e gradual, sendo muito mais, por conscientização de todos, afinal todos são pedestres, inclusive os motoristas, do que por ações fiscalizatórias do poder público. Vejo como sendo de pouca utilidade prática, a criação de zonas de proteção para pedestres, por parte da prefeitura, onde o efeito será localizado e portanto, parcial, não resolvendo a questão na totalidade do tecido urbano, principalmente nas vias periféricas. A própria escolha da área para implantação das onze zonas de proteção para pedestres, segue um critério geográfico nitidamente econômico, ou seja, entre o Centro e a Avenida Paulista, “coração” econômico e financeiro da capital paulista.
    A verdadeira mudança de comportamento, deve começar no interior de cada um, dentro de uma lógica onde o espaço público da cidade, seja o espaço de todos, não um território a ser disputado e ocupado pelo “mais forte”, ou que dispõe de instrumentos de intimidação, como é o caso dos automóveis.
    Vivemos em uma realidade, onde o poder econômico sobrepõe os direitos do cidadão, onde aqueles que comandam os órgãos de arrecadação, pensam prioritariamente em aumentar e defender as fontes de arrecadação, no caso, os impostos gerados pelos automóveis, deixando as necessidades dos pedestres em segundo plano.

  9. Ilusória é a idéia de que o pedestre tem preferência em alguma coisa dentro das cidades, o que a gente vê na realidade é o grande desrespeito com o ser humano, que ora está articulando com o meio na forma de motorista e ora como pedestre, e é incrível como a mentalidade se transforma quando se está do outro lado do volante de um veículo. Parece que as regras não existem, que o certo é não parar para o pedestre na faixa, pois como motorista já ouvi buzinas e reclamações por parar para que um pedestre atravesse a faixa. Acredito que tudo isso é um problema cultural da população, pois em cidades como Brasília, basta colocar o pé na faixa que os carros param, e isso eu comprovei pessoalmente. É claro que toda e qualquer política pública que vier a favor dos pedestres será muito bem vinda, pois como a maioria das pessoas andam a pé, acho que é hora do governo olhar um pouquinho mais para estes que também contribuem com seus impostos, afim de melhorar sua qualidade de vida destes dentro dos grandes centros urbanos, onde a cada dia está mais difícil de ser pedestre, em outras palavras, a massificação da idéia de obedecer a faixa de pedestre, tanto pelos motoristas como pelos pedestres, pois muitas vezes estes também não usam a faixa para atravessar as vias, tudo isso e ainda a conscientização da população na construção de calçadas padronizadas onde se leve em consideração a acessibilidade de todos, semáforos com sinalizadores sonoros para deficientes auditivos. Quando todos tiverem a consciência de que somente respeitando o próximo conseguiremos viver em harmonia, conseguiremos ter uma melhor qualidade de vida para motoristas e pedestres, afinal todos somos humanos e precisamos de respeito, e que nosso direito de ir e vir seja respeitado.
    Emerson Fernandes de Medeiros

  10. Infelizmente, ainda não presenciei essa boa educação dos motoristas de Brasília que os colegas postam no blog. Toda vez que visito a cidade me defronto com os mesmos problemas que encontro em Vila Velha, cidade que resido, e em Vitória, cidade que trabalho. Inclusive em Brasília, podem reparar que muitas vias não têm nem calçada, geralmente são as de grande fluxo. A cidade realmente foi planejada para automóveis, mas não os coletivos, por que a ampliação da utilização do transporte público em detrimento do automóvel privado é de fato, a última preocupação dos governantes do Distrito Federal. O que envolve também questões de saúde pública e ambientais, já que os veículos são importantes fontes de gases poluentes.
    Mas em fim, também não acredito que a criação de zonas de proteção para pedestres solucionará os problemas de quem anda a pé nas grandes cidades, até por que, mais uma vez, somente parte da população terá acesso a esse privilégio. Não minha opinião é uma utopia tentar encontrar uma solução para esses problemas que envolvem motoristas e pedestres, por que de fato, a mudança deve partir de cada um, da educação.

  11. Pensar a melhoria da mobilidade nas cidades deve ser algo feito com a parceria do poder público e a população. Claro que tudo começa através da criação de uma Lei, porém, essa não é a única solução. Do contrário, como a própria postagem mostra, a única mudança que veremos será o aumento das multas.
    Por se tratar de uma responsabilidade social, pois visa à melhoria da acessibilidade de idosos, deficientes físicos, visuais e da população de modo geral, cabe ao Estado levar ao conhecimento da população a criação da Lei e a importância do seguimento dela, justamente como forma de respeito às pessoas com necessidades especiais, uma campanha educativa seria a forma ideal para transmitir essas informações.
    Por parte da população fica o dever de exigir do Estado, a manutenção periódica das calçadas públicas e a contribuição na melhoria do transporte coletivo com elevadores, dos semáforos sonoros, da calçadas cidadãs, das ciclovias, dentre outros. Haja vista que em várias cidades existem locais que nem calçada possuem direito, em outros o grande problema é a falta de espaço para ciclovias e calçadas, nesse último caso a única forma de solução seria criar projetos inovadores.

    • A realidade é inequívoca: os pedestres têm pouquíssima prioridade dentro dos centros urbanos. Tal fato é consequência da “cultura do automóvel”, destacada por Ivando. É clara a insistência em investimentos na construção de vias asfaltadas e ampliação de avenidas, causando congestionamentos, expansão das áreas impermeabilizadas, poluição e, é claro, acidentes. Andar a pé é algo cada vez mais perigoso, já que a circulação do pedestre não é privilegiada nesses espaços. O descaso pode ser facilmente comprovado em diversos pontos da Região Metropolitana da Grande Vitória, onde às vezes é necessário fazer um verdadeiro trabalho de equilibrista ao andar, ante a presença de irregularidades e desníveis nas calçadas, normalmente estreitas e com algum impedimento no caminho (como lixo), isso sem contar com o desrespeito em relação à faixa de pedestre por parte dos motoristas, mesmo após a sinalização da intenção de travessia.
      A mudança para o quadro exige um amplo esforço de diferentes segmentos da sociedade, já que necessita de uma mudança não só em relação ao planejamento e execução de políticas públicas, claramente desarticuladas e pontuais, mas também de uma mudança de atitude por parte das pessoas, o que exige rever conceitos e ações, ou seja, envolve o elemento cultural, sensível. A consciência da importância do fato de ceder ao outro já seria um bom começo.

  12. Infelizmente o desrespeito ao pedestre não se limita apenas a cidade de São Paulo, mas esta enraizada na cultura do automóvel, onde as vias são feita para melhor fluir o transito de carros e não de pessoas. Calçadas irregulares e faixas de pedestres mal colocadas são encontradas nos quatro cantos do país, incluindo a cidade de resido Cariacica-ES, onde diga-se de passagem nem tem tantas calçadas e portanto as ruas são cheias de pessoas, carros e buracos. Pensar no pedestre no atual padrão de vida da nossa sociedade e considerado retrocesso.

  13. A problemática envolvendo pedrestres e motoristas nas grandes cidades, passa por uma cultura da não criação de espaços para o pedrestre, privilegiando a indústria automobilistica? Fato, contudo, somente a melhoria de calçadas, criação de corredores de transeuntes, ciclovias, por si somente não contornarão o problema da mobilidade nas cidades, e isso está longe de ter solução. Digo isto, meus caros, pois falta o básico, em nossa cultura, para que qualquer convivência possa existir de maneira satisfatória, falta educação…nós, brasileiros, não enxergamos o bem comum a todos, temos um ranço de somente olharmos nossa parte, darmos nosso jeitinho, seja ganhando “vantagems” em se furar uma fila, ou acelerar no sinal amarelo para não perder tempo ou pagar algo, receber um troco a mais e não devolver. A falta de respeito/educação está presente não somente na megalópole, é uma cultura nacional, verifica-se isto através dos comentários de experiências de pessoas em diferentes estados do Brasil, alia-se a isto o crescimento populacional, o aumento de praticamente 50% da frota de veiculos nos últimos 10 anos, e o que teremos é o atual panorama de total desrespeito ao direito de ir e vir das pessoas.Não adiantaria em nada ajustar a cidade, com faixas de pedrestres, calçadas decentes, ciclovias e semáforos inteligentes, se quem se beneficiará com isto, de uma maneira ou de outra, não saberá utilizar.

  14. Essa problemática da dura vida dos pedestre na cidade, revela o predomínio de um pensamento hegemônico, onde impõe-se os fluxos dos automóveis como prioritários na constituição da cidade. No entanto, a cidade é complexa, composta de uma diversidade de fluxos, que deveriam ser levados em conta nos processos de planejamento urbano.

  15. É vergonhoso ver que no transito, cada dia mais, o perdestre é o diminuído e não é respeitado na dinâmica da mobilidade urbana. Os valores são totalmente desprezados e o motorista esquece que em algum momento ele também será um pedestre. Chegamos a um ponto que são necessários leis e punições para que possa haver um mínimo de respeito entre as pessoas.
    Se houvesse respeito talvez esse pessoal disponibilizado para a essa área de proteção do pedestre estaria ajudando em uma função de importados maior para cidade.

  16. O que ocorre em São Paulo também ocorre em outras tantas cidades brasileiras, as pessoas que preferem caminhar a ficar horas paradas no trânsito das grandes cidades ficam entregues ao descaso com esse tipo de infraestrutura tão necessária.
    As calçadas são indispensáveis para a circulação, mas elas se encontram em péssimas condições e até mesmo em falta em alguns locais, dificultando muito a vida dos pedestres na rotina das cidades.
    Esses problemas com as calçadas podem gerar casos graves como atropelamentos, principalmente nos locais onde não há calçada ou onde ela está tão degradada que as pessoas preferem se arriscar entre os carros, ou até as mesmo quedas, tão frequentes.
    Na correria constante em que vivem as cidades, faz-se útil dar preferência as rodovias, onde circulam cada vez mais carros, do que aos meios alternativos de locomoção, como as calçadas e ciclovias. As estradas também tem grande importância, mas não deve-se esquecer dos pedestres, eles também são cidadãos e também possuem direitos.

  17. é interessante notar também o impacto desigual no espaço, dessa política para os pedestres. No centro da cidade de são paulo certamente o comportamento deve ser ” menos pior”, assim como na rede viária interna dos bairros.

    o que me preocupa são os eixos viários mesmo. estes são um espaço de selvageria, que o poder publico deveria dedicar mais atenção. tentando conquistar um respeito que vá além da representação( a faixa de pedestre), que vá além do semáforo.

    o pedestre, assim como o ciclista também, naturalmente entram em confronto com o tal “tempo rápido” das cidades. é nessa perspectiva, da importancia de uma cidade para as pessoas, que tem que seguir o planejamento urbano. usando técnicas de “traffic calmin”, redução da velocidade maxima nos eixos viários… dentro outros aspectos positivos a circulação não-motorizada, que da vida as nossas cidades

    acho até que o detran poderia fazer um bom “recall” educativo nas renovações de carteiras dos proximos anos. a desregulação e o desrespeito de hoje está beirando o absurdo.

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