Projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II: nós já vimos esse filme

A prefeitura de São Paulo divulgou esta semana o mais novo projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II, no centro. A região, que é uma parte da antiga Várzea do Carmo – um belíssimo parque que já teve uma ilha, a Ilha dos Amores, e onde, reza a lenda, realizou-se a primeira partida de futebol no Brasil -, desde o século XIX vem sofrendo várias intervenções.

A Várzea do Carmo foi sendo sucessivamente maltratada e mutilada, primeiro, através da canalização do Rio Tamanduateí, depois, através das várias intervenções do sistema viário, que transformaram o local num cebolão e, mais tarde, num grande terminal de ônibus.

O projeto da prefeitura, orçado em R$ 1,5 bilhão, prevê o rebaixamento de uma avenida, a construção de túneis, estacionamentos e terminal urbano, a demolição de viadutos, a criação de um centro de compras e de uma unidade do SESC/SENAC.

Nós já vimos esse filme: derrubam-se viadutos e constroem-se túneis; um edifício residencial (o São Vito) transforma-se em megaestacionamento. Apenas o custo do rebaixamento da Avenida do Estado e da construção dos túneis representa mais de 70% do orçamento da obra.

Mais uma vez, um projeto de sistema viário, com o objetivo de atender ao fluxo de automóveis, tem precedência sobre qualquer outro. E mais pessoas serão desalojadas de seu local de moradia. No meio disso tudo, a unidade do SESC/SENAC é o lacinho rosa na cabeça de mais uma obra rodoviarista.

Há vinte anos, um projeto da Lina Bo Bardi para a região previa a demolição do viaduto Diário Popular e a criação de um parque. Foi quando a sede da prefeitura saiu do Ibirapuera e se deslocou para o centro. Naquela época, a polêmica era em torno da retirada do viaduto (mas agora, fazendo túnel, tudo bem). Depois disso, muitos outros projetos já foram apresentados, inclusive na própria gestão do Kassab.

A primeira pergunta é: qual o sentido dessa intervenção? E a segunda, inevitável: será que ela vai mesmo acontecer ou trata-se de mais um factoide anunciado pela prefeitura? A única certeza é que aquela região foi degradada e tornou-se cada vez pior, graças à intervenção do poder público.

8 comentários sobre “Projeto de revitalização do Parque Dom Pedro II: nós já vimos esse filme

  1. Não gostei desse post. É preciso criticar a proposta se não for boa. Atacar outras propostas e pessoas atingindo essa por tabela, sem julgar o mérito, não contribui para o debate.

  2. Gostei muito do post. Acho que tanto a proposta, como o post em si, estão inseridos no contexto das chamadas revitalizações (o que tinha antes não era vida?) e do sistema que dá preferências aos carros, e portanto me pareceu que cabe a crítica a outras propostas e atores envolvidos direta ou indiretamente.

  3. Mais uma vez fala-se em construir túneis, avenidas e estacionamentos e a cidade se degrada ainda mais. Por que será que é tão difícil para as pessoas perceberem isso?

  4. Raquel,
    Sou estudante da FAU-Santos e estou realizando meu Trabalho Final de Graduação na área do Parque Dom Pedro. Concordo plenamente com a sua opinião, essa região sofre intervenções da prefeitura a mais de meio século. Todas estas obras e projetos tentam contornar as chagas deixadas pelas gestões de Maia a Maluf, mas acabam no insucesso por nunca serem finalizadas.
    Porém, uma dúvida me veio a cabeça lendo seu post. Não seria talvez uma obra rodoviarista uma possível solução a este emaranhado de vias que se tornou o parque conforme os anos? É claro que não é só isso que o fará ser requalificado. Uma obra que valorize de diversas maneiras a região e a população seria o correto e principalmente um grande aporte público em transporte coletivo.
    Admiro muito seu trabalho!
    Denis

  5. Pq. D. Pedro que deveria ser o principal parque e ponto turístico de São Paulo é hoje uma região degradada que comercializa produtos contrabandeados,cheio de imigrantes ilegais, aloja casas de prostituição em prédios feios e degradados e por último recebeu um terminal eleitoreiro do Maluf e mais recentemente o ” Elefante Branco” Terminal do Expresso Tiradentes. Ninguém deve se lembrar que foi no desrespeitado rio Tamanduateí que foi atracado as barcas que traziam os jesuítas e fundaram a cidade. Tempos depois existia o Porto Geral de São Paulo, isso mesmo a região do Pq era alagada e tinha até ilha e devido a ganância de alguns a região foi aterrada o rio foi rebaixado a córrego poluído e a degradação não parou mais. A região não precisa ser revitalizada mas sim “resgatada”, era uma região linda com prédios baixos charmosos (arquitetura européia) tinha um rio lindo que corria trazendo navegantes de longe que atracavam na região. Aquele terminal horrível precisa ser pulverizado (em troca de mais metrô), o rio precisa ser despoluído e alargado a sua largura original, a área ao redor do o Palácio das Indústrias voltar ser a ilha dos amores criando um cenário turístico, prédios que enfeiam a região demolidos e construção de edifícios baixos iguais aos que existiam na década de 20 e uma ligação direta do rio/parque com o pátio do colégio, uma escadaria/ viela que viria a ser um ponto turístico; região da 25 de março precisa ser refeita com padronização e extinção da circulação de veículos e claro muita área verde e muita segurança em toda essa região. Hoje enxergo que a cidade de São Paulo está se mudando para a zona Sul (Av. Paulista para baixo) lá está tudo e todos e a região histórica vem perdendo cada dia sua história, sua identidade, valor e está condenada a morte juntamente com todos que por lá circulam.

  6. Creio que para corrigir erros anteriores, calcados em propostas rodoviaristas que se sobrepõem e demais demandas, somente mexendo nas vias… oras, para corrigir o emaranhado de viadutos, somente os removendo e criando alternativas.

  7. Revitalização do Parque Dom Pedro. É!
    Quando me lembro da Praça da Sé, que de tempos e tempos recebe uma nova cara, que certamente não custa barato. E quando terminado o resultado final é sempre o mesmo “Uma Praça Revitalizada e ocupada por mendigos, moradores de rua, usuários de drogas e sem falar é claro dos bandidos”. Fico pensando se vale apena gastar rios de dinheiro (nosso dinheiro) em um projeto desses.
    Fica a pergunta: Não seria a hora de mudar a estratégia? Investir primeiro nas pessoas e depois em tijolo e concreto?

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