Ocupação irregular de milionários em bairro nobre: que fim terá essa novela?

É muito comum encontrarmos no discurso midiático a associação de ocupações irregulares a populações de baixa renda. E é por isso que salta aos olhos uma matéria publicada hoje na Folha de São Paulo. Segundo o jornal, no edifício Villa Europa, mais conhecido como espigão da Tucumã, moradores resolveram ocupar seus imóveis apesar de eles estarem embargados pela prefeitura desde 1999. Cada apartamento do edifício, localizado no bairro nobre de Pinheiros, custa R$ 9 milhões. E de acordo com a Folha, desde setembro de 2010 os proprietários estabeleceram um condomínio e vêm pagando, mensalmente, R$ 8.150,00.

O Villa Europa não recebeu o certificado de regularidade porque foram erguidos 30m acima do limite permitido pela legislação do município. O projeto inicial previa que o edifício teria 87m, mas, no fim das contas, ele ficou com 117m. A prefeitura entrou na Justiça pedindo a demolição de parte do prédio e, em 2004, a demolição foi autorizada. Em 2009, no entanto, a decisão foi revertida no Tribunal de Justiça, mas a prefeitura recorreu e a novela continua.

A diferença básica entre esse e a maioria dos casos de ocupação irregular que vemos noticiados na mídia é o fato de, num caso como esse, a Justiça proteger os irregulares, desmontando a regulação urbanística para favorecer interesses poderosos. Se conseguirem um alvará de funcionamento, este será, infelizmente, mais um caso em que a Justiça beneficia proprietários de imóveis irregulares que foram embargados pela prefeitura com razão.

No entanto, se quisermos levar a sério a gestão do uso e ocupação do solo na cidade de São Paulo, não há a menor dúvida de que parte desse edifício precisa ser demolida.

Clique aqui para ler a matéria resumida na Folha Online.

3 comentários sobre “Ocupação irregular de milionários em bairro nobre: que fim terá essa novela?

  1. Não caberia à Prefeitura Municipal o ressarcimento deste “solocriado”, revertendo-se em algum programa para HIS?

  2. Triste a morosidade da justiça, essa demora acaba sendo um dos argumentos para deixar tudo como está.
    Espero que no fim prevaleça nada mais que o cumprimento da lei e bem estar da população, mas enquanto tiver gente que pensa que quem compra um apartamento de 9milhões vale mais que quem compra uma casa de 35mil, vai ser difícil uma decisão que não seja pró réu.

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