As chuvas vêm aí: como estão as vítimas hoje e o que foi feito para prevenir novas tragédias?

Em breve começa o verão e, com ele, a temporada de chuvas em algumas regiões. Infelizmente, isso nos faz  lembrar situações que vivemos no ano passado em alguns lugares como o Rio de Janeiro, São Luiz do Paraitinga, em São Paulo, e a própria capital paulista. Muitas pessoas ficaram desabrigadas por causa das chuvas, que mais uma vez devem voltar a castigar o país. Mas como será que está a situação dos desabrigados quase um ano depois dos temporais?

Por acaso, nas últimas semanas eu acabei encontrando vítimas das enchentes em três diferentes lugares do país. Em Niterói, por exemplo, conversei com as vítimas do Morro do Bumba e de outras comunidades. Em todos os lugares, a situação é bastante preocupante, evidentemente em escalas bem diferentes, já que o número de atingidos varia de uma cidade para outra.

Em Alagoas, por exemplo, 47 mil pessoas ficaram desalojadas por conta das enchentes dos rios Mundaú e Canhoto que atingiram mais de 15 municípios no Estado. Lá pude testemunhar gente morando em barracas provisórias e ouvi denúncias de que nem mesmo cestas básicas e auxílio-aluguel foram providenciados para muitas das famílias.

Já em São Luiz do Paraitinga mais ou menos 2.400 pessoas ficaram desalojadas. A demora do Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo) em fazer o parecer de alguns casarões que eram tombados está impedindo que as famílias comecem a reconstruir suas próprias casas, apesar de existir crédito para isso. O resultado é que muitas famílias ainda estão abrigadas em casas de parentes ou vivendo de forma totalmente precária.

Passados alguns meses, desligados os holofotes das câmaras de televisão e silenciados os microfones dos rádios, o que pude perceber é que boa parte dos desabrigados não conquistou moradia definitiva e está simplesmente abandonada. Em todos esses lugares anunciou-se uma série de mediadas e, terminada a pressão, verificamos que o poder público foi incapaz de responder com presteza as demandas importantes dos cidadãos.

É lamentável que passados tantos meses nós tenhamos ainda famílias completamente desabrigadas sem receber sequer o auxílio-aluguel. Ou seja, elas é que estão arcando com todo o prejuízo. Além disso, como falei no início, as chuvas vêm de novo aí. E o que foi feito nas áreas mais vulneráveis das nossas cidades? Quais foram as ações preventivas? Mais uma vez me parece que não estamos preparando os municípios brasileiros para a ocorrência desses eventos extremos que, com as mudanças climáticas, parecem ser na verdade muito comuns e não mais excepcionais.

4 comentários sobre “As chuvas vêm aí: como estão as vítimas hoje e o que foi feito para prevenir novas tragédias?

  1. Desde janeiro de 2009 realizamos e coordenamos projetos de recuperação da cheias que atingiram o Estado de Santa Catarina. Ainda hoje existem cerca de 1.200 famílias em abrigos improvisados ou alugados. Dos quase 700 milhões que foram anunciados pelo Governo Federal, pouco chegou ao destino, interrompidos pela “burrocracia” dos técnicos da Caixa Econômica Federal ou de disputas político partidárias. A única ação cuja palavra eu definiria como “bom senso” não existe nos indecifráveis e inacessíveis manuais de instrução internos da CEF. Enquanto técnicos desprovidos de conhecimento e boa vontade ainda obstruem a liberação de recurso, as famílias continuam a mercê da sorte. Este é o estigma de um país onde em se tratando de recursos públicos todos são tachados de ladrões e corruptos. Pouco mais de 20% dos recursos previstos estão sendo aplicados, até que uma nova catástrofe se anuncie…

  2. A catástrofe está anunciada há tempos. Todo ano a chuva tem data marcada pra pegar os governos de surpresa.

  3. Em Belo Horizonte as primeiras 10 horas de chuva mais intensa já provocou estrago e morte. A prefeitura da cidade recebeu o alerta da possibilidade de um temporal, mas nada fez. Segundo reportagem do Estado de Minas, “preferiu não causar pânico aos moradores”. Realmente deve ser muito melhor acordar no meio da madrugada com a água já dentro de casa não é mesmo?! Pensar em recursos para áreas de risco e habitação – não só em BH, mas em todo o país – está mais sonho do que para realidade. Afinal, estamos “às vésperas” de uma copa do mundo e temos que fazer bonito! Os subsídios para hoteis e estádios de futebol – esses sim! – são rapidamente aprovados e liberados! Pensar naqueles que já estão desabrigados e nos desabrigados que infelizmente ainda estão por vir, parece realmente não fazer parte da agenda de nossos gestores nos 03 níveis de governo, independente da filiação partidária.

  4. Pingback: Surpresa com data marcada « Numeralha

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