A falta de informação e os entraves na reconstrução de São Luiz do Paraitinga

Recebemos um comentário aqui no blog sobre a reconstrução de São Luiz do Paraitinga, que merece atenção. Segundo o leitor Eduardo Canela, há uma falta de informação segura sobre as providências públicas que estão sendo tomadas e muitas dúvidas e perguntas no ar. Por exemplo, por que a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) desmonta um morro e aterra a várzea do Rio Turvo para fazer um conjunto habitacional? Por que foi escolhido um terreno que põe em risco iminente a paisagem histórica da cidade, parte do patrimônio? Por que nada se faz em relação à mata ciliar inexistente em toda a bacia do Paraitinga?

Eu somaria a essas observações enviadas pelo Eduardo, outras que foram feitas através da imprensa, uma espécie de balanço dos 100 dias da reconstrução da cidade, que mostra a lentidão no processo de aprovação da reconstrução dos imóveis privados, que não estão dependendo de um investimento público, mas que dependem de autorização para que as reformas nos casarões que foram devastados pelas chuvas possam ser feitas.

O grande problema desse processo, que a imprensa chama de burocracia, é que no âmbito do CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), órgão ligado à Secretaria de Cultura do Estado, não basta haver um parecer técnico, eles precisam ser aprovados pelo conselho. Isso realmente faz com que o processo seja extremamente lento. Eu me pergunto se não seria possível, diante de uma situação emergencial como essa, trabalhar com outro tipo de procedimento.

Além disso, há também uma notícia muito triste nos últimos dias. A casa de Oswaldo Cruz, que era uma das únicas casas tombadas pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e uma das poucas a resistir às chuvas, começou a cair. Por fim, mais uma questão importante: a garantia de informação aos moradores é um elemento fundamental que parece não estar sendo realizado de maneira adequada.

4 comentários sobre “A falta de informação e os entraves na reconstrução de São Luiz do Paraitinga

  1. Raquel, esse é o tipo de situação pronto para dar em problemas sérios – não dá para esperar o Condephaat brincar de museu enquanto o pessoal está querendo morar num lugar decente; daqui a pouco a tragédia maior, a descaracterização da cidade, será evidente e não se poderá fazer nada para evitá-la.

  2. Oi Raquel.
    Estou linkando seu blog no meu, que é sobre S. Luiz, por recomendação de uma leitora.
    Só como observação à sua postagem, acredito que mais do que lentidão na aprovação de projetos de casas particulares, o que acontece é que há pessoas que não têm os recursos necessários (ou não querem investir) para a recuperação, e ficam aguardando algum tipo de facilidade.
    Quanto ao morro usado pela Cdhu, um outro, bem na direção da praça, também foi destruído.
    Muito triste.

  3. Olá!

    Estou no último período de graduação em Geografia. Moro a 30 minutos de São Luiz do Paraitinga e vou fazer meu TCC sobre a “grande enchente”. Uma das minhas barreiras é a falta de conteúdo quanto aos eventos climáticos que ocorreram no período. Se puder me ajudar, eu agradeço.

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