Será que o alívio no trânsito depois da inauguração do trecho sul do Rodoanel é duradouro?

É muito cedo para fazer uma avaliação sobre a inauguração do trecho sul do Rodoanel. Tudo vai depender da integração dessa obra com as demais intervenções que também estão sendo feitas, simultaneamente, na capital paulista e na região metropolitana. O efeito imediato foi o alívio da Avenida dos Bandeirantes, com a diminuição do número dos caminhões. Muitos constataram este efeito, e as medições que a imprensa fez também demonstraram isso. Mas a pergunta é: a situação será resolvida definitivamente? Essa diminuição no trânsito veio para ficar?

Depende. Primeiro, cada vez que se abre um novo viário há uma tendência de que passem a existir novas viagens naquela região. Isso significa que mais gente vai começar a usar aquela via. Motoristas que não usavam a Bandeirantes, se ela está mais livre, vão começar a usá-la. Isso vai ter impacto. Segundo, vamos lembrar que a Bandeirantes tem ligação com o porto, funcionando como eixo importante para o transporte de carga. E como há uma sazonalidade na questão da carga, picos de exportação, dependendo do que acontecer com a safra agrícola, com o dólar, etc, isso pode aumentar ou diminuir o número de caminhões circulando.

E, finalmente, eu queria lembrar que, inicialmente, a Secretaria Municipal de Transportes anunciou que haveria proibição de circulação de caminhões na Bandeirantes. Se isso realmente acontecer, a chance de o tráfego na Bandeirantes fluir melhor é muito grande. Um último possível impacto, mais no médio prazo, é algo que aconteceu com o trecho oeste do Rodoanel.

Muitas áreas da região metropolitana que estavam vazias passaram a acolher condomínios residenciais, industriais e pontos de centrais de logística. Essas áreas se constituíram em pólo gerador de tráfego. Rapidamente, o trecho oeste do Rodoanel começou a ficar congestionado em função da atratividade que gerou em termos de novas ocupações do solo. Será que isso também vai acontecer na zona sul? Esse é um outro elemento.

O problema todo é que se faz uma obra como o Rodoanel sem planejamento metropolitano e de ocupação do solo. Sem planejamento, o mercado vai se abrindo e ocupando o espaço. É a mesma discussão que eu faço em relação à ocupação de áreas de risco e em relação ao impacto de obras. Temos obras viárias, mas não temos um planejamento metropolitano que poderia, talvez, controlar, gerar, induzir ou impedir ocupações.

Um comentário sobre “Será que o alívio no trânsito depois da inauguração do trecho sul do Rodoanel é duradouro?

  1. O ex-prefeiro de Washington, renomado especialistas em questões urbanas, Anthony Williams, me comentou uma vez durante os eventos do Urban Age, como ele havia se arrependido de ter dedicado tantos recursos a construção do “rodoanel” de Washington, a custas de muitos outros projetos muito mais importantes, já que depois de alguns anos, ele não servia para os propósitos que fora criado, pelo contrário. O rodoanel havia criado uma nova demanda por trafego de veículos privados e deixou a cidade sem recursos para investir no transporte publico e não resolveu os congestionamentos…

    O congestionamento só será resolvido com grande investimento nos transportes públicos na superfície, em especial nos sistemas de ônibus rápido (BRT), já que a grande maioria da população está nos ônibus (75% dos usuários de transporte publico) e mesmo depois das linhas 4 e 5 do Metro, ela ainda continuará nos ônibus. Londres, com 1800 kms de Metro leva 1 milhão a mais de passageiros nos ônibus!!!

    E’ uma ilusão achar que os metros são a solução das cidades, e que os congestionamentos podem ser resolvidos com mais ou maiores avenidas… Os metros são importantes, investimentos no viário estrutural também, mas a solução deve ser integrada, com prioridade aos BRT (mais baratos rápidos e, se bem construídos, com estações fechadas, pagamento antecipado e faixas de ultrapassagem, pode ser a solução, como Curitiba ou Bogotá).

    Atualmente, uma pequena parte do bolo vai pros ônibus… Porque não mudar isso? E Investir prioritariamente nos sistemas de ônibus, ao estilo BRT, com paisagismo, boas calcadas e integração modal com bikes e sistemas alimentadores de ônibus expressos?

    Combater a obesidade com roupas mais largas não funciona… Eu já tentei!!!

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