Os municípios precisam ter políticas de prevenção que evitem tragédias como a do Rio de Janeiro

Essa tragédia no Rio de Janeiro é muito emblemática do que pode acontecer em outras cidades do Brasil, inclusive aqui em São Paulo. Embora na capital não existam muitas ocupações em morro, em alguns municípios da região metropolitana isso é realidade e podem acontecer situações semelhantes.

São duas as áreas mais vulneráveis a eventos extremos como esse. Uma são as áreas de enchente, que já conhecemos aqui em São Paulo. A outra são as áreas sujeitas a escorregamentos. O problema é que, em geral, os municípios nem sabem quais são essas áreas, nem têm planos claros que identifiquem exatamente quais são os riscos de cada uma.

Em princípio, nenhuma área é uma área de risco em si e são variados os graus de risco ou de vulnerabilidade, como chamamos. Dependendo da situação, a vulnerabilidade pode ser maior ou menor. Então nunca temos risco total ou risco zero. Tanto é que no Rio de Janeiro nós vimos áreas alagadas em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, no bairro do Humaitá. Se houver uma ressaca forte, todos os bairros em frente ao mar, como Copacabana e Leblon, serão inundados.

A pergunta que todos estão fazendo neste momento, portanto, é: como enfrentar essa questão? No curtíssimo prazo, é preciso que haja um modelo de gerenciamento e prevenção que informe onde é o risco, qual o seu grau, e que consiga trabalhar com sistemas de alerta, de retirada provisória da população, de atendimento emergencial etc.

Há vários lugares no Brasil que já conseguiram montar sistemas como esse, como, por exemplo, a região metropolitana do Recife. E o mais importante é como acabar com a vulnerabilidade e como impedir que pessoas que moram em áreas de risco sejam atingidas nesses momentos extremos e que ocorram tantas mortes.

Um comentário sobre “Os municípios precisam ter políticas de prevenção que evitem tragédias como a do Rio de Janeiro

  1. Olá Raquel,

    quando me formei em 2006, estudei políticas urbanas nos municípios de Franco da Rocha e Francisco Morato, tendo encontrado um mapa em estudos da Emplasa dos anos 80 com todas as áreas de solo impróprio para urbanização da Região Metropolitana.

    É interessante que aqui na RMSP esse tipo de parâmetro não impediu a expansão de loteamentos, especialmente na direção norte-noroeste onde formaram-se núcleos urbanos muito densos (não obstante essa expansão ter sido menos intensa que nos vetores leste, oeste e sul da metrópole)

    E praticamente todos os núcleos -conurbados ou não- de Pirituba a Francisco Morato têm a maioria dos lotes em terreno íngreme.

    Gostei muito do blog, seguirei acompanhando.

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