Em SP, os monumentos andam: escultura instalada em 1920 na Guarapiranga voltará ao seu lugar original

Todo mundo já usou pelo menos uma vez a expressão “tal pessoa ficou parada feito uma estatua”. Mas em São Paulo, como tantas outras expressões, esta não deve ser levada ao pé da letra.

Um exemplo é a história do monumento “Heróis da Travessia do Atlântico”, que desde os anos 80 vem sendo submetido a um verdadeiro périplo pela cidade.

Esta obra foi doada pela Itália no final dos anos 20, na época do Mussolini, e instalada na região da Guarapiranga. O ex-prefeito Jânio Quadros decidiu tirá-la de lá, porque achou que era muito longe, na periferia, e mandou reinstalá-la na Avenida Brasil, nos Jardins. Agora, por um pedido e dos moradores da Região Sul, ela vai voltar para seu lugar original.

Mas não é só essa escultura que passeia pela cidade. Em São Paulo, os monumentos andam, apesar deles teoricamente serem definidos e desenhados para ficarem em determinado lugar, constituindo uma paisagem de referência.

Um é muito conhecido, que é o monumento a Ramos de Azevedo, instalado em 1934 bem na frente da Pinacoteca, criando um espaço monumental na região que depois virou a Avenida Tiradentes. O monumento foi deslocado para a Cidade Universitária, perto do edifício da Escola Politécnica, nos anos 60, em função da própria abertura da avenida. E ainda está lá, desterrado.

Uma outra estátua que também já andou bastante é o famoso “O Beijo”, uma escultura de um beijo entre uma índia e um francês atualmente instalada no Largo de São Francisco, em frente à Faculdade de Direito. Ela originalmente estava lá, mas em 56 o Jânio Quadros resolveu mandá-la para o Largo do Cambuci.

Porém as senhoras moradoras do Cambuci acharam que ela não era muito adequada para fica numa via pública, e ela foi parar num depósito. Em 66, o Faria Lima resgatou a estátua e colocou na frente do túnel Nove de Julho. Até que, finalmente, na década de 70, após um ato libertário de estudantes das Arcadas da Faculdade de Direito, “O Beijo” foi levado de volta para o Largo de São Francisco.

2 comentários sobre “Em SP, os monumentos andam: escultura instalada em 1920 na Guarapiranga voltará ao seu lugar original

  1. Oi Raquel,
    Legal seu blog. É, infelizmente não temos essa cultura de valorizar os monumentos, quiça as fontes que são poucas ou quase inexistentes na cidade. A da entrada da Av. 9 de Julho, de quando em quando restauram e logo ficam abandonadas, assim como, a do Obelisco, o espelho d’água do Masp e por ai vai. Quando temos a oportunidade de visitar outras cidades fora e nem tão longe como Buenos Aires deparamos com lindas praças, monumentos e fontes. A Votorantim ando restaurando muita coisa, mas no último sábado passei pela Ladeira da Memória, o mais antigo monumento da cidade e está todo pichado novamente. Que pena! Nos resta através de nossos espaços cibernéticos dar um grito de alerta. Abs.

  2. Oi professora!

    Parabéns!!!

    Seu texto é encantador, a cidade de São Paulo têm histórias maravilhosas!

    Abração do geógrafo Cristiano.

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