Conheça sua cidade… a pé!

Em várias cidades brasileiras e do mundo, são muitos os grupos de pessoas que se organizam para andar de bike, promover discussões sobre a bicicleta como meio de transporte e sobre novas formas de percorrer as cidades e se deslocar. Menos conhecidos, mas também se multiplicando, são os grupos que se organizam para andar a pé… isso mesmo! No ano passado, por exemplo, visitei o “Tenement Museum” no Lower East Side, tradicional porta de entrada de imigrantes em Nova York, e tive a grata surpresa de, ao invés de percorrer salas fechadas com exibição de fotos e documentos, participar de uma caminhada pelas ruas do bairro, guiada por um monitor que ia, ponto a ponto, esquina a esquina, contando a história da cidade e da imigração.

Na semana passada, recebi de um leitor informações sobre a “Jane’s Walk”, uma iniciativa surgida em 2007, em Toronto, no Canadá, em homenagem à urbanista e ativista Jane Jacobs (1916-2006), cujo livro – “Vida e morte das grandes cidades” – tornou-se, há décadas, uma verdadeira ode à vida nas ruas par vida nas ruas e sua importância para as cidades. Anualmente, no mês de maio, para coincidir com o nascimento da urbanista, são realizadas caminhadas em grupo para explorar e conhecer diversos bairros. Para se ter uma ideia, da criação do grupo, em 2007, até maio de 2011, a iniciativa se expandiu, alcançando 75 cidades em 15 países do mundo. Além do evento anual em maio, as caminhadas podem acontecer em qualquer época do ano, desde que grupos locais se organizem.

Coincidentemente, na mesma semana, uma leitora entrou em contato para divulgar uma iniciativa semelhante em São Paulo. Trata-se do grupo SampaPé, que organiza caminhadas temáticas em diversos bairros, a fim de estimular o conhecimento dos caminhos a pé que a cidade oferece. A última caminhada aconteceu no dia 16 de março, no bairro da Penha. No site do grupo, além da agenda de caminhadas, é possível denunciar problemas nas ruas e calçadas, acessar materiais – como um mapa das feiras de rua e das obras de arte espalhadas pela cidade – e aplicativos.

Outra iniciativa que conheci recentemente é o “Rios e Ruas”, que realiza expedições a pé ou de bike para descobrir córregos e rios ocultos na cidade. O próximo passeio será no dia 30 de março, com concentração às 14h, na praça do Ciclista (Paulista x Consolação), com destino à Vila Pompeia, a fim de explorar o curso do córrego Água Preta.

Assim como no caso dos grupos de bikers, os grupos urbanos de caminhada apontam para outro tipo de relação com a cidade: ao invés de um cenário de passagem entre um ponto e outro de um deslocamento, o espaço da cidade passa a ser um espaço vivido. É evidente que a cidade, tal qual se organiza hoje, é absolutamente hostil a essa prática, uma vez que claramente a prioridade no espaço público é a circulação e, particularmente, a circulação de automóveis. Entretanto, quem busca conhecer a cidade a pé tem a oportunidade de se reconectar com a cidade, sendo capaz de fazer a crítica desse modelo e exigir outro, no qual estar será tão importante – ou mais – do que passar!

Texto publicado originalmente em Yahoo! Blogs.

Furacão Sandy: poucos comentam que as áreas mais atingidas foram aquelas aterradas sobre os rios

Domingo passado, o caderno Aliás, do Estadão, publicou um artigo meu sobre o furacão Sandy. Confira abaixo.

O quase Dia Seguinte

Até Hollywood, especialista em destruir Nova York, poderia se inspirar nas imagens dos milhares de nova-iorquinos vagando pelas ruas em busca do horizonte familiar da cidade que nunca dorme
04 de novembro de 2012 | 2h 08

Uma cidade às escuras, com filas de pessoas se acotovelando para entrar em um ônibus lotado. Periferia de alguma grande cidade brasileira de madrugada? Não: New York City, quarta-feira, 1º de novembro de 2012, dois dias após a passagem do furacão Sandy.

Dificilmente Hollywood teria produzido uma paisagem tão insólita. A “cidade que nunca dorme”, como Nova York gosta de ser chamada, parecia não conseguir sair de uma espécie de pesadelo: milhares de pessoas andando pelas ruas em busca da familiar paisagem de vitrines com seus produtos à venda, encontrando apenas portas de ferro abaixadas sem data para reabrir. Aqui e ali, numa mercearia ou restaurante abertos, prateleiras se esvaziando rapidamente e filas para comer se avolumando no correr do dia.

Os sinais da tormenta, que atingiu a região em seu ponto máximo na segunda-feira à noite, estavam em toda parte, particularmente nas áreas mais baixas da ilha, com árvores caídas, garagens e porões inundados, extensas áreas sem luz, trens e metrôs sem funcionar. As televisões, jornais e blogs não falavam de outro assunto, competindo pela melhor cobertura ao vivo pelos depoimentos mais dramáticos, pelas cenas mais impactantes da fúria dos ventos, das inundações e dos salvamentos.

Já na terça-feira de manhã, o tema da campanha política atravessava o debate nos meios de comunicação, tomando quase o mesmo espaço que o rastro do furacão: quem sairia ganhando com o desastre? Obama ou Romney? Eram basicamente duas as apostas: se Obama provasse solidariedade genuína com as vítimas e diligência na recuperação, poderia se beneficiar eleitoralmente. Mas, se os cidadãos expostos às consequências (quinta-feira ainda eram milhões sem luz, mais de 300 mil desabrigados em condições ainda provisórias, a gasolina já tinha acabado na maior parte dos postos da região e, consequentemente, as atividades ainda não podiam ser retomadas) começassem a se irritar com a incapacidade do governo de reestabelecer rapidamente a normalidade, um sentimento anti-Obama poderia prevalecer, beneficiando Romney.

O tempo todo eu me perguntava como teria sido se o mesmo evento atingisse uma de nossas grandes cidades. Afinal, Sandy parecia mesmo uma daquelas tempestades que castigam o Sudeste no verão e o Nordeste no inverno, com muito vento, provocando enchentes, desabamentos e colapso nos sistemas de circulação. Evidentemente, são situações em que a “normalidade” tem um padrão muito diferente: nas cidades da Costa Leste americana, região densamente povoada, não existem assentamentos informais e os sistemas de transporte público e de gestão urbana são em geral mais abrangentes e estruturados que aqui. Além disso, a região tem uma geografia menos acidentada que a maior parte de nossas metrópoles. Considerando tudo isso, vamos às comparações.

Em Nova York, o processo de preparação e alerta antes da tormenta foi impressionante. Enormes áreas receberam avisos de evacuação desde sábado; em todos os bairros havia um centro de desabrigados para receber aqueles que não tinham para onde ir; os sistemas de transporte foram interrompidos e pontes e túneis, fechados; os avisos foram amplamente distribuídos com mais de 24 horas de antecedência; barricadas e outras formas de proteção foram construídas em torno de prédios e estações públicas.

Nunca vi uma preparação como essa por aqui. Isso certamente evitou mais mortes e acidentes. Passado o furacão, o lixo que boiava nas ruas não era tanto quanto o que costumamos ver no Brasil. Muito mais guardas de trânsito, policiais e funcionários trabalhavam no controle da crise e na recuperação dos sistemas públicos, sinais de uma capacidade de gestão pública bem maior.

As semelhanças, porém, também são impressionantes. Em primeiro lugar, a vulnerabilidade do padrão de urbanização a eventos desse tipo é chocante. Poucos comentam que as áreas mais atingidas pelas enchentes foram aquelas aterradas sobre os rios (que a sanha imobiliária de Nova York não cansou de produzir, desde o século 19). A mais nova frente de expansão desse tipo – as áreas em torno do HighLine e do Hudson River Park, onde a arquitetura de grife expõe seus mais novos bibelôs – foi duramente castigada. Aliás, foi patético passar terça-feira na porta do IAC Building (um superchiquetrendy condomínio desenhado por Frank Gehry) e testemunhar o esforço das equipes para bombear água da garagem, com seus Cadillacs e BMWs boiando.

Também me chamou a atenção como a resposta do setor privado – por exemplo, das companhias aéreas que tiveram que cancelar seus voos – deixou tudo a desejar. Ninguém conseguia falar com as empresas – eram horas esperando nos call centers e a ligação sempre caía. Nenhum esquema de emergência parecia realmente ter sido acionado. E a pior das consequências, ao menos em Manhattan, foi a falta de energia em todo um setor da cidade, sob a responsabilidade de uma corporação privada – ConEdison -, até agora sem previsão de pleno reestabelecimento.

Finalmente, o sensacionalismo da cobertura dos meios de comunicação, que prevaleceu claramente sobre os esforços de comunicação e mobilização para a reconstrução, nos lembrava sem parar que os disasters são business, especialmente nos Estados Unidos.

Ocupe Wall Street: mais do que um bando de jovens desempregados contra banqueiros yuppies

Acabo de voltar de Nova York, onde além de apresentar um relatório à Assembleia Geral da ONU, como Relatora para o Direito à Moradia, tive a oportunidade de conhecer de perto o Ocupe Wall Street, um movimento de desobediência civil não violento, que questiona as formas hegemônicas de organização socioeconômica e de ação política nos Estados Unidos e no mundo, e que, há quase dois meses, ocupa a Liberty Plaza, bem em frente à Wall Street.

Liberty (Liberdade) é, na verdade, o antigo nome da Zuccotti Park, que foi retomado para representar o que o movimento pretende naquele lugar: mais do que um simples espaço de protesto, uma espécie de cidade dentro da cidade, estruturada a partir de princípios de solidariedade, respeito mútuo e tolerância, e da democracia direta, sem líderes nem comitê central. Para as milhares de pessoas participantes do movimento, o atual modelo econômico e político que gerou a crise financeira é responsável pelas “flagrantes injustiças perpetradas por 1% da população – elites econômicas e políticas – afetando a vida de todos nós, os 99%”.

Diariamente, entre 7h e 9h da noite, quem passa pela Liberty Plaza pode participar de uma Assembleia Geral em que as decisões sobre as estratégias do movimento são tomadas por consenso. Engana-se quem pensa que se trata apenas de um protesto contra os ganhos absurdos dos banqueiros e a não regulação do sistema financeiro. Embora esta questão esteja presente, os temas, pautas e ações vão mais além. Caminhando pela praça, encontrei os mais diversos grupos, com as mais diversas agendas sociais: coletivos feministas, grupos anarquistas, jovens, idosos, indígenas, brancos, negros, roqueiros tatuados da cabeça aos pés, religiosos, ambientalistas, entre tantos outros grupos, com causas individuais e coletivas das mais variadas.

Em um dos cantos da praça, há uma biblioteca com mais de dois mil volumes; em outro, há uma tenda de auxílio médico, onde médicos e enfermeiras voluntários mantêm um plantão de 24h. No meio da praça fica um microfone permanentemente aberto para quem quiser falar. As tarefas cotidianas são dividas entre os grupos de trabalho. Mais de duas mil refeições são distribuídas diariamente; artistas e designers trabalham na comunicação, grupos saem pelo metrô para convocar assembleias gerais nos subúrbios da cidade. E, em todo canto, há barracas, sacos de dormir e muita, muita gente.

Enraizado na história e nas tradições estadunidenses – sim os Estados Unidos não são apenas fast food, carrões e valentões – o Ocupe Wall Street retoma as lutas dos movimentos pelos direitos civis, do pacifismo e da contracultura dos anos 1970, passando pelas lutas antiglobalização em Seattle, no início dos anos 2000, com uma tremenda capacidade de organização e solidariedade da sociedade civil.

Apesar das tentativas da prefeitura de Nova York de acabar com o movimento e das ameaças da polícia, a ocupação física da praça não parece estar com os dias contados, nem muito menos sua influência, que, via internet, tem se multiplicado em marchas, ocupações-relâmpago e protestos em muitas outras cidades dos Estados Unidos e do mundo, como ocorreu no dia 15 de outubro.

Fotos: Lia Rolnik de Almeida

Texto originalmente publicado no Yahoo!Colunistas.

Mais um bom programa: ver e sentir a cidade através dos clássicos do cinema

Para as indicações de hoje, escolhi três filmes clássicos do cinema mundial em que as cidades cumprem importante papel. São títulos que vale a pena ver e rever muitas vezes na vida, não só nas férias. Segue abaixo um pequeno resumo sobre cada um:

1. Rio 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos
O filme acompanha um domingo na vida de cinco garotos pobres que vendem amendoim nas praias do Rio de Janeiro. O corcovado, o Pão de Açucar, as praias e o Maracanã são alguns dos cenários que compõem a paisagem. De estética realista, marcadamente documental, o filme é um marco da nossa cinematografia.

2. Roma (1972), de Federico Fellini
A cidade eterna – seus tipos, suas cores, suas ruas, seus hábitos – é aqui sem dúvida a principal personagem. Com uma narrativa não-linear, sobrepondo tempos do passado e do presente, Fellini conseguiu construir um filme intenso, de cores fortes, apresentando um olhar peculiar sobre a cidade.

3. Manhattan (1979), de Woody Allen
A abertura do filme (abaixo) é considerada uma das mais bonitas da história do cinema. Filmada em preto e branco, a Nova York de Woody Allen é o cenário para as reflexões de seus personagens sobre os relacionamentos humanos, a filosofia e a sociedade.

O que dizem os números sobre São Paulo em comparação com outras cidades do mundo?

No dia do aniversário de São Paulo, resolvi buscar dados comparativos entre a nossa cidade e outras grandes metrópoles do mundo, aquelas que têm dimensão parecida em termos de população. A cidade de Tóquio, por exemplo, se levarmos em conta a sua região metropolitana, que tem 36 milhões de habitantes, ela é maior que a de São Paulo, que tem pouco mais de 20 milhões, e mesmo assim parece que a cidade japonesa funciona muito melhor que a nossa. Ou mesmo Nova York, cuja região metropolitana tem a mesma população que a de São Paulo.

Esses números me fazem pensar – para além da discussão de políticas publicas, da capacidade de implementação dessas políticas, dos recursos nas mãos das prefeituras e dos governos – sobre as diferenças entre essas cidades. Será que tem a ver com a época em que surgiu cada uma? Na verdade, não. São Paulo nasceu em 1554, uma data parecida com a de Tóquio, que não tem nem cem anos a mais que São Paulo. Nova York é mais nova, de 1624. Já a cidade do México é mais antiga, se a pensarmos a partir da ocupação asteca de 1300. Ou seja, não é uma coisa tão significativa essa antiguidade.

Mas uma coisa é a idade da cidade, outra coisa é quando que a cidade explodiu em termos populacionais. Porque isso, sim, é muito relevante. Sabemos que São Paulo teve um crescimento muito intenso e acelerado em dois momentos importantes, um entre o final do século XIX e o começo do XX, com a migração estrangeira; outro nos anos 1950, 1960, com o processo migratório interno do Brasil. Será que as outras grandes cidades do mundo também tiveram grandes picos de crescimento populacional? Sim.

Londres e Nova York, por exemplo, também sofreram um crescimento muito intenso e acelerado no final do século XIX e depois continuaram crescendo, mas num ritmo bem mais lento. Naquele momento da explosão demográfica, essas cidades também tiveram condições urbanísticas muito precárias e precisaram enfrentar esse problema. O nosso último pico de crescimento acelerado já aconteceu há uns 30 anos, ou seja, há uma luz no fim do túnel.

Uma curiosidade que eu encontrei enquanto buscava esses dados tem a ver com a densidade populacional, ou seja, o número de habitantes por quilômetro quadrado. A densidade de São Paulo é de 7.247 hab/km². Você acha que São Paulo é densa? O número parece grande, mas corresponde à metade da densidade de Tóquio, a um pouco menos da metade da densidade de Nova York e a um terço da densidade de Bombaim ou de Dehli, que tem 30.438 hab/km2. Aliás, as grandes cidades asiáticas, em geral, são muito mais densas que a cidade de São Paulo.

De acordo com os cálculos, São Paulo é a quinta ou sexta maior cidade do mundo. Se considerarmos a região metropolitana, ela é a quinta, atrás de Tóquio, Nova York, Cidade do México e Bombaim. Se considerarmos só a cidade, que tem 11 milhões de habitantes, ela é a sexta. As cinco primeiras, com exceção de Istambul, são todas asiáticas. Para quem acha São Paulo tão grande, estamos vendo que é possível, sim, ser ainda maior.

E um último elemento que eu pensei foi a composição social da cidade. São Paulo é uma cidade bastante desigual, com uma diferença socioeconômica muito grande entre que tem mais renda e que tem menos. Essa diferença é expressa através de um índice que se chama Gini. Quanto maior esse índice, maior a desigualdade. O de São Paulo é 0.6, muito parecido com o da Cidade do México. E o menor entre essas grandes cidades é o de Londres, 0.4. Enfim, no aniversário de São Paulo, acho que esses números são muito significativos para pensarmos o que queremos para a nossa cidade.

Por que têm ocorrido tantos problemas no metrô de São Paulo?

Nas últimas semanas têm ficado cada vez mais frequentes as queixas de usuários do metrô e do trem em São Paulo. Na semana passada, por exemplo, parte da linha vermelha, uma das principais da capital paulista, ficou parada por mais de uma hora. O problema central do nosso metrô é a superlotação em função da inexistência daquilo que chamamos de rede de metrô.

Ou seja, o metrô precisa ser um sistema em rede, com vários cruzamentos. Assim, se houver problema em uma rede, e isso acontece em todas as cidades do mundo, os usuários contam com outros caminhos no sistema de transporte coletivo para chegar ao mesmo destino. Esses outros caminhos fazem parte da mesma rede de trens ou da articulação da rede com bondes, corredores de ônibus, entre outros.

Para se ter uma ideia de como a nossa situação está absolutamente trágica, com a inauguração das novas estações e com a maior interação com a CPTM, passaremos dos atuais 70 km para 200 km de rede. Mas outras cidades do mundo comparáveis com São Paulo em termos de extensão e/ou população, têm redes muito maiores, como, por exemplo, Xangai, com seus 420 km, Nova York, com 418 km, Londres, com 408 km e Tóquio, com 300 km. E até cidades com dimensões muito inferiores, como Madri, têm redes de metrô muito maiores que a nossa.

É possível argumentar que Londres e Nova York começaram a construir seus metrôs no século XIX. Hoje o desenho de suas linhas viraram até ícone em estampas de camisetas. De fato, Londres inaugurou sua primeira linha em 1863. Mas Xangai, que tem a maior rede de metrô do mundo, começou a construir a sua em 1995.

Muito diferente do eu ocorreu aqui em São Paulo, que inaugurou sua primeira estação em 1975 e continua engatinhando. O Rio de Janeiro inaugurou o seu metrô em 1979 e apresenta também até hoje uma rede absolutamente famélica. Cruzamento de duas linhas não é rede. E é justamente a extensão da rede o que significa possibilidades de alternativas diante de crises como essa que aconteceu na semana passada na em São Paulo.

UN housing expert talks to Hurricane Katrina survivors

Reportagem publicada na United Nations Radio.

By Jocelyne Sambira

Former residents of New Orleans and survivors of the 2005 Hurricane Katrina met with UN Housing Expert, Raquel Rolnik, on Thursday to share their testimonies and present the problems they face getting adequate housing.

Senior citizens, youth, veterans, immigration advocates came together at the Union Theological Seminary in New York City to meet with Raquel Rolnik who is conducting her first official visit to the United States.

At the town hall meeting, she was given a first hand account of house-related concerns people living in the United States have. She says while many government officials recognize the housing challenges, listening to community residents, she felt a sense of urgency.

“As a person I love the idea of having town hall meetings, that I can hear the people themselves. Here, you feel the radicality. When you talk with technicians, of course all of that it’s a little bit more diluted. But I’m happy to see that these issues that are here, today, I heard also in the meetings with city officials.”

During her two week tour, Ms. Rolnik will also visit Chicago, Pennsylvania, an Indian reservation in Pine Ridge, South Dakota, Los Angeles, New Orleans and Washington, DC.

She will present her formal report on US efforts to protect the right to housing to the UN Human Rights Council next March.

Sound bites

“As a person I love the idea of having town hall meetings, that I can hear the people themselves. Here, you feel the radicality. When you talk with technicians, of course all of that it’s a little bit more diluted. But I’m happy to see that these issues that are here, today, I heard also in the meetings with city officials.”

“Well, the feeling is that we definitely need to have a discussion, open discussion and re-appraisal of housing policies. I think a lot has been done in this country. This country has a history of intervening in housing sector, of building public housing, or intervening in the homelessness sector on innovating programs like rent subsidizing and other schemes. But in a way I think that was stuck in some point now. And I think the way forward need to be discussed.”

U.N. Rapporteur For Housing Visits Tenants Facing Foreclosure In The Bronx

Reportagem publicada no blog The Village Voice.

By Aaron Howell

Right now she’s in New York. Runnin’ Scared caught up with her as she toured The Bronx, where tenants and organizers prepped her on what they described as the newest phenomena of housing woes, “predatory equity.”​ Followers of the Times‘ City Room blog may have seen that the United Nations has dispatched Raquel Rolnik (pictured), its Special Rapporteur for housing issues, to America. She’ll visit various U.S. cities on her trip, including Los Angeles, Chicago, New Orleans.

At an hour-long presentation at the Sedgwick Branch Library on University Avenue and 176th Street — a futuristic 90′s building that looks part space shuttle and part Star Wars, — the rapportuer was told that in a four-square-mile area of the North and South Bronx, six private equity firms have officially driven 2,738 apartment units into foreclosure or risk of foreclosure.

Cesar Guzman, who lives at a building formerly owned by Ocelot Capital Group, said when Ocelot officially “disappeared” — meaning they literally can’t be traced, they “packed up everything and left town” — they also left his 16-unit building in foreclosure and total disrepair, with things to this day “getting worse.”

Other tenants told the the rapporteur similar horror stories. Dina Levy, organizing and policy director for the Urban Homesteading Assistance Board, who helped organize the tenants, found one common denominator in all these cases: buildings with over-leveraged mortgages that their rent revenues can’t support.

And when a building is over-leveraged, said Levy, the landlord inevitably fails to maintain it. “The landlords have these outrageous mortgage payments,” she said. “And they either have two choices: they can pay the mortgage, or they can fix the building.”

Every single building holding the 2,738 endangered or foreclosed units saw a dramatic increase in violations, going from a handful to over 200 in less than a year. For Guzman and many others, this meant no heat and no hot water last winter. (He told us he took a cold shower this morning because the boiler broke down — again.)

Before leaving the prep talk for her tour of a few of the foreclosed buildings, the rapporteur said she’d file reports with the City, the U.S. government and the U.N. But, she added, “I am glad to see that you tenants have organized. Nothing can ever replace people’s organizing. Without pushing from below and taking direct action, nothing ever changes.”

UN to look at U.S. housing conditions

Entrevista concedida à rádio Marketplace de Nova York, neste link. Para ouvir clique aqui.

BILL RADKE: A special envoy from the UN Commission on Human Rights is touring the United States this week and next to review housing conditions here. This is the first time a UN fact-finding mission has come to this country. From Washington, John Dimsdale tells us what the UN is looking for.


JOHN DIMSDALE: As the UN’s advocate for adequate housing, Raquel Rolnik is visiting seven U.S. cities — looking at foreclosure rates and the availability of low-income shelters. Usually UN housing rights advocates are in countries like Romania or Cambodia. But Rolnik says the housing crisis in the U.S. bears closer scrutiny.

RAQUEL ROLNIK: Because of the specific link between the financial crisis and the issue of housing and especially housing for low-income people, a great interest raised to the situation of the United States.

The UN Commission for Human Rights did not send her to investigate specific violations of housing policies.

ROLNIK: But indeed I have received complaints on the demolition of public housing and the situation of the people that became homeless or live in a precarious situation.

She’ll deliver a report on U.S. housing conditions in the spring — before her next investigation in either Laos or Indonesia.

In Washington I’m John Dimsdale for Marketplace.

Exclusive: U.N. Special Rapporteur on Adequate Housing Speaks with the Indypendent

Entrevista publicada no The Indypendent neste link.

Last night, the United Nations’ Special Rapporteur on Adequate Housing, Raquel Rolnick, kicked off her nationwide tour by hosting a town hall meeting with New Yorkers affected by the housing crisis.

To read more about the town hall meeting, click here.

Rolnick is a Brazilian architect and urban planner, and a professor at the University of Sao Paolo.  She is also the former Director of the Department of Planning for Sao Paolo, and from 2003-2007 served as the National Secretary for Urban Programs of the Brazilian Ministry of Cities.

After the event, I caught up with Rolnick for an exclusive interview about the housing crisis in the United States, the economic recession, and the Obama administration.

Alex Kane:  Explain the purpose of your trip.

Raquel Rolnick:  This is an official mission of the Special Rapporteur on the right to adequate housing.  The Rapporteur on the right to adequate housing was appointed by the U.N. Human Rights Council in order to monitor the implementation of the right to adequate housing in the world.  And in order to do that, the instruments that the Special Rapporteur has as an independent expert, one of the instruments is doing fact-finding trips that we call missions, to different countries, in order to meet both with official government and non-government and community and see what’s going on in the country in this specific topic, the specific right to adequate housing and then report back to the Human Rights Council.

AK:  And when will that report back be?

RR:  I will present the full report next March 2010, in the meeting, in the next Human Rights Council meeting, where I’m supposed to report.  I report there once a year.  But before there, by the end of the meeting, I will do a very, very short, preliminary, two-pages, preliminary report, and I share that with the government, and after that, I issue a press release with key findings or key sentences, and that will be by the end of the mission, that will be on November 8.

AK:  What do you think the Obama administration should do to combat the housing crisis?

RR:  Well, I think one of the hopes that we have with the Obama administration is to face the basis, original basis, of the financial crisis, which is the failure of housing policies to address the issue of housing, and the radical shift from taking housing as a social issue into housing as a commodity and a financial asset, opening ground to sub-prime, and the whole thing in terms of predatory lending that came after that.  So I think it’s very important to do an evaluation of all that and retaking the path the United States had in the past, from the 30s and up to the 80s, taking housing as a human right.  And I hope the Obama administration will do that, but of course, the agenda for this government is huge.  Housing is one of the issues, but there are of course many others.

AK:  How has the global economic crisis exacerbated the housing crisis here?

RR:  Well, of course the fact that when you have economic crises, you have unemployment, you have increasing poverty, and that immediately exacerbates the housing crisis because more people cannot pay their rent anymore, more people cannot pay their mortgage anymore, and this is a vicious cycle.  So, of course the economic crisis, one of the aspects of the economic crisis, is exactly the housing crisis.

AK:  What do you think is the best way to hold the U.S. government accountable and to make housing as a human right a priority?

RR:  I think the best way to do that is really thinking out of the box, which means going out of the scheme one-size fits all, like home ownership is the path, the only solution, credit is the only solution, and taking the issue, and the complexity of the issue has, means having housing policies to address the different needs of different groups and different situations.  Combining rent schemes, subsidized rent schemes, with public housing, with other types of community development housing, and other types of schemes.  And of course, putting more priority on that in the government agenda and take that as a responsibility of the state.

AK:  You said earlier you met with members of the City Council and local government.  Who did you meet with exactly, and do you think anything will come out of those meetings?

RR:  Well, the meetings were much more for me to learn.  So, it was basically a meeting where I asked about the numbers, about the situation, about the structure, about how it functions, and how it works, what has been discussed.  So, I don’t expect any immediate outcome from this meeting.  The meetings, like today, were to inform me, basically, but now it’s there.

AK:  Did you meet with Mayor Bloomberg?

RR:  No, unfortunately.  I asked to meet him, I would love to meet Mayor Bloomberg, and I asked to meet him and all the mayors in the trip, but unfortunately I didn’t get a positive answer.

AK:  Last question:  What’s your final message to get out to everyone?

RR:  First, which is not so clear to everyone, adequate housing is a human right.  Second, today, now, it’s time to go forward, to implement that.  I think that few countries in the world have the conditions to do that.  And U.S. is one of them.

U.N. Housing Rapporteur Kicks Off U.S. Tour in New York City

Publicado no site The Indypendent neste link.

By Alex Kane

Public housing residents, victims of foreclosure, and homeless people gave testimony on New York City’s housing crisis Oct. 22 at a town hall meeting with the United Nations’ Special Rapporteur on Adequate Housing, Raquel Rolnick.

In what was often disturbing and emotional three-minute testimonies, New Yorkers shared stories of unscrupulous landlords, predatory equity firms, and a broken homeless shelter system with the Special Rapporteur, a Brazilian urban planner and architect.

“It’s time for America to look in the mirror and realize how land is a significant factor in the class struggle,” said Rob Robinson, the New York City chair for the U.N. visit and a housing organizer withPicture the Homeless.  “It’s time for America to abide by the Articles of the Universal Declaration of Human Rights.  After all, housing is a human right.”

The town hall meeting, held at the Union Theological Seminary in Morningside Heights, kicked off Rolnick’s nationwide tour that will bring her from the rural community of Wilkes-Barre, Pennsylvania, where the foreclosure crisis has hit hard, to New Orleans, Louisiana, where public housing has been demolished and privatized.  Her visit marks the first time a U.N. Special Rapporteur on Housing has visited the U.S.

In New York over the next two days, Rolnick will be visiting homes in foreclosure and public housing sites in Queens, the Bronx and Upper Manhattan, where she will be hosted by grassroots organizations.

The site visit to New York comes as the economic recession has only exacerbated the homeless and affordable housing crises in the city.  The homeless shelter population is at its highest level since the Great Depression, while the shortage of public housing continues to plague the area, with about 130,000 families on the waiting list for public housing.

Across the country, unemployment, poverty and homelessness continue to rise.

“I see this mission as an opportunity to open a dialogue, to open a movement, towards the achievement and implementation of the right to adequate housing,” said Rolnick, who was appointed to her post in May 2008 by the United Nations Human Rights Council.  “We know very well that changes will come only if people organize.”

Before the town hall meeting, Rolnick met with members of the New York City Council, and while in Washington, D.C., will meet with Housing and Urban Development and Obama administration officials.  The National Economic and Social Rights Initiative and the National Law Center on Homelessness and Poverty are coordinating the U.S. State Department approved trip around the country.

The New York City visit is being sponsored by a wide range of grassroots organizations from the five boroughs, including Good Old Lower East Side, the Coalition to Save HarlemMothers on the Move, and Organizing Asian Communities.

Cynthia Butts, a New York City Housing Authority resident in Fort Greene, Brooklyn, shared her story with Rolnick.  “If you come to Brooklyn, I will take you personally on a tour of Fort Greene.  I will explain to you the history of Fort Greene, and I will also show you the damage of Fort Greene,” said Butts, a member of Families United for Racial and Economic Equality.  “We have been displaced, we have been relocated…There are still empty, vacant apartments.  So who are you holding these apartments for?”  Fort Greene, like other neighborhoods in Brooklyn, has experienced a wave of gentrification in recent years.

At least 25 people testified in front of the Rapporteur, who will use the testimony, as well as information from site visits, to present a report to the U.S. government and the Human Rights Council next March.

“I am disgusted by the disinvestment [in public housing].  State, federal, where’s the money?” said Nova Strachan, a resident of Claremont Consolidated, a public housing site in the Bronx, and a Housing Justice staffer with Mothers on the Move.  “You know, you bailed out Wall Street, bail out the people.”

Brenda Stokely of the New York Solidarity Coalition for Katrina/Rita Survivors urged the audience to use the meeting and testimonies to build a housing justice movement.

“This is not the end, brothers and sisters.  This is just another beginning for how to build our movement,” she said.

Deu no New York Times: Moradia acessível? ONU envia olhar crítico para a habitação em Nova York

Reportagem publicada nesta sexta, 23, disponível neste link.

Raquel Rolnik

Michael Premo
Raquel Rolnik, United Nations special rapporteur, meets New Yorkers at a town hall meeting on Thursday.

Affordable? U.N. Puts a Questioning Eye on New York’s Housing

By Mike Reicher

Everybody knows New York City is an expensive place to live. But the United Nations wants to know if affordable housing is so tough to come by that it actually violates human rights.

The United Nations has assigned an official, “a special rapporteur on the right to adequate housing,” to check the city’s affordable housing. The rapporteur, Raquel Rolnik, is to tour the city for the next three days with housing advocates and city officials to “hear the voices of those who are suffering on the ground,” she said.

The United Nations Human Rights Council appoints a rapporteur, or independent experts, to investigate human rights conditions around the world. In the case of Ms. Rolnik, a professor of urban planning at the University of Sao Paulo in Brazil, her “mission” is to tour New York City and six other places in the United States and to report back to the United Nations General Assembly about housing rights violations and advances.

After that, “We send off letters to governments to ask, ‘Is this true? What’s going on?’ and to please intervene,” she said.

Housing advocates will be taking Ms. Rolnik to the Atlantic Yards site in Brooklyn to see the results of the government’s use of eminent domain to seize property; to the New York City Housing Authority’s Grant Houses in Harlem to see how public housing residents live; and to the Bronx to meet residents whose landlords are in foreclosure.

At a town hall meeting last night in Morningside Heights, residents wept and shouted at Ms. Rolnik. They complained about deteriorating public housing, the lack of housing subsidies for AIDS patients, landlord harassment and many other issues, large and small.

She told them: “I am representing the right of adequate housing as a human right.”

One advocate and resident of public housing, Agnes Rivera, wept after telling Ms. Rolnik that Mayor Michael R. Bloomberg “doesn’t care about the poor.” Rob Robinson from Picture the Homeless, a local advocacy group, embraced Ms. Rivera and gazed toward the special rapporteur. Later, Ms. Rolnik hugged a resident herself.

“Affordable housing here is not that affordable,” said Ms. Rolnik, who studied urban history as a New York University doctoral student in the 1980s. Her eyes lit up when talking about inclusionary zoning and other city housing policies. New York is unusual, she pointed out, because it has a city-level obligation to ensure that homeless people have shelter. Now it should make affordable housing a priority, she said.

Ms. Rolnik was appointed as special rapporteur by the United Nations Human Rights Council in May 2008. This is her first official mission.

After her tour of New York City, she will survey the housing situations in Chicago, New Orleans, Los Angeles, Washington, a South Dakota Indian reservation, and Wilkes-Barre, Pa. Her report to the General Assembly is planned for March.

Across the United States, residents may tell her the same stories as those of New Yorkers — of mortgage scams, too many luxury condos and the stigma associated with public housing.

“We have no one to help us,” said Delores Earley, 73, who said her landlord has been trying to push her out of her Harlem rent-stabilized apartment for 20 years. “Somebody has got to know.”