Festa junina colaborativa no Minhocão

Desde o mês passado, o pessoal que realizou o Festival Baixo Centro está envolvido na organização de uma grande festa junina no Minhocão, em São Paulo. Mas, para viabilizar a infraestrutura do evento, os organizadores precisam arrecadar R$ 8 mil até o dia 21 de junho.

A festa está marcada para acontecer no dia 1º de julho, a partir das 15h, e os idealizadores do evento convidam todos a “aproveitar o domingo para comer pipoca, pé de moleque e bolo de fubá, um domingo para brincar com as crianças, escutar baião, sentir o cheiro do quentão e dançar quadrilha no Minhocão!”.

Além de homenagear o centenário de Luiz Gonzaga, a festa contará com oficinas de arte, brincadeiras típicas, teatro, grupos folclóricos, contação de história, palhaços, projeções de arte digital e, claro, forró pé de serra e sambada de coco.

A alimentação, no entanto, será por conta dos participantes, ressaltando o caráter colaborativo do evento. Segundo os organizadores, “A ideia é realizar um piquenique coletivo em que cada participante traga um prato típico.”

Até o dia 15 de junho, os organizadores receberão propostas de atividades de colaboradores. A ideia é que estas atividades sejam realizadas com apoio dos recursos arrecadados coletivamente. Para enviar propostas, é necessário preencher este formulário.

Para mais informações sobre a festa (inclusive com relação ao orçamento) e para participar da vaquinha, clique aqui.

O evento tem também uma página no Facebook.

Leia também o comunicado enviado à imprensa pelos organizadores.

Queremos uma virada cultural pra valer

No último fim de semana, a população de São Paulo e do Rio de Janeiro contou com uma grande opção de atividades artísticas e culturais, graças à realização da Virada Cultural e do Viradão Carioca.

Em sua 8ª edição, o evento paulistano atraiu mais de 4 milhões de pessoas às 900 atrações espalhadas em mais de cem locais da cidade, a maior parte concentrada na região central. A programação da Virada Cultural começa sempre às 18h de sábado e termina às 18h de domingo, com programação ininterrupta e metrô aberto durante toda a madrugada para atender o público.

Já no Rio de Janeiro, cerca de 300 mil pessoas compareceram a um dos quatro palcos espalhados pela cidade para assistir a uma das 60 atrações programadas para a 4ª edição do Viradão Carioca. Foram dois palcos na Zona Sul – um em Copacabana, outro no Arpoador -, um na Zona Oeste, em Bangu, e outro na Zona Centro-Norte, na Quinta da Boa Vista. Diferentemente de São Paulo, a programação na capital carioca começa na sexta-feira e termina no domingo, com intervalos.

Obviamente que programação cultural farta e gratuita, ocupando ruas e espaços públicos – livres dos carros – com transporte coletivo 24 horas, é um sonho… Mas um megaevento artístico que ocupa a cidade durante apenas um dia, ou um fim de semana, é mesmo uma virada cultural?

No caso de São Paulo, o desafio da nossa cultura é ocupar a cidade permanentemente, de forma segura e heterogênea. A arte, com sua capacidade de deslocar sentidos, produz reflexão, rebeldia, transformação. Mas essa capacidade de promover mudanças de fato na cultura urbana só é possível se não estiver confinada a um único evento, em um único dia. Uma política permanente que abra espaço para a ocupação artística da cidade é que seria de fato uma grande virada cultural.

Viva a voz das ruas

Nas últimas semanas, manifestações de rua em todo o país foram destaque em vários veículos de mídia. O que há de novo – mas nem tanto – nesta forma de protestar e manifestar opiniões?

Não é de hoje que ocupar ruas, praças e avenidas para reivindicar direitos e manifestar ideias publicamente tem marcado nossa história: sem ir muito longe, a chamada “revolta da vacina”, no Rio de Janeiro dos primeiros anos do século passado, parou a cidade durante dias. Os manifestantes se opunham à imposição da vacina obrigatória, mas também protestavam contra o bota-abaixo que o então prefeito Pereira Passos estava promovendo na cidade, destruindo bairros e rasgando avenidas.

Das barricadas anarquistas à campanha das diretas, da passeata dos cem mil em 1968 à marcha da maconha, das marchas a favor dos direitos das mulheres aos atos contra o racismo e a homofobia, das manifestações contra os baixos salários em diversos setores da economia às lutas por moradia, em defesa do meio ambiente, por melhores condições de transporte público e contra o aumento das tarifas: as ruas sempre foram nosso espaço prioritário de reivindicação de direitos e de manifestação pública de opiniões.

A novidade, hoje, talvez, seja a utilização da internet como ferramenta de mobilização – rápida e instantânea –, com capacidade de alcançar públicos mais amplos, heterogêneos e não previamente organizados em movimentos, associações, partidos, torcidas ou confrarias. O “churrascão da gente diferenciada”, em Higienópolis, convocado por Facebook, é um ótimo exemplo disso.

Quando a rua vira palco, o transeunte – que não vive a rua, apenas passa por ela – de repente vira ator, protagonista e, portanto, cidadão. Por sua vez, a cidade também se transforma: de lugar puramente de circulação e consumo a espaço público, polis. Quem já foi gritar nas ruas sabe que a sensação é indescritível: o tempo para, criando uma espécie de vácuo onde tudo é possível. Claro, de vez em quando, as buzinas, e/ou a polícia, nos lembram que aquele era só um momento, que não podia nem devia durar para sempre. E parece que tudo volta ao normal… Será?

Texto originalmente publicado no Yahoo!Colunistas.

Virada Esportiva: evento pontual ou política permanente de esporte e lazer?

Começa neste sábado, às 8h, a quarta edição da Virada Esportiva de São Paulo. Serão 36 horas de atividades gratuitas – voltadas para públicos de todas as idades – em várias regiões da cidade. Segundo os organizadores, duas mil atividades foram programadas e cerca de três milhões de pessoas são esperadas. O evento termina às 20h de domingo.

Você pode checar a programação no site oficial da Virada Esportiva: http://viradaesportiva2010.com.br

A participação da população num evento como este – 1 milhão de pessoas na primeira edição, 3 milhões na última – evidencia que existe na cidade uma forte demanda por atividades esportivas e recreativas. A ocupação dos espaços públicos com esse tipo de atividade é positiva em vários aspectos: tanto pela promoção da saúde, quanto pela inclusão social através do esporte e até mesmo do ponto de vista urbanístico pela valorização dos espaços.

No entanto, falta a São Paulo uma política pública permanente de esporte e lazer, que ofereça à população, gratuitamente, programas regulares de atividades físicas – com orientação de profissionais de educação física, nutrição e de outras áreas da saúde – e que qualifique os espaços públicos, principalmente na periferia da cidade. Algumas cidades já têm políticas deste tipo, como Recife e Fortaleza. No Recife, por exemplo, desde 2002 funciona o programa Academia da Cidade, tanto em regiões nobre quanto em bairros da periferia.