Trabalho igual e salários mais baixos: desigualdade entre homens e mulheres vai além da questão econômica

O Estadão divulgou hoje informações do “Global Gender Gap Report 2011″, um relatório do Fórum Econômico Mundial sobre as desigualdades de gênero no mundo. De acordo com o documento, o Brasil encontra-se na 82ª posição no ranking da desigualdade global entre homens e mulheres, sendo o último colocado na América do Sul. Um dos problemas mais graves em nosso país, de acordo com o relatório, é a disparidade salarial entre homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo.

A notícia me chamou a atenção porque, como Relatora da ONU para o Direito à Moradia, venho me dedicando este ano a estudar o direito das mulheres à moradia e à terra no mundo. Nos últimos meses, fizemos um amplo processo de discussão sobre o tema, em nível global, através da plataforma de debates: www.direitoamoradiadebates.org.

No Brasil, e em muitos outros países, as diferenças econômicas entre homens e mulheres são um obstáculo à realização do direito à moradia para as mulheres. A dimensão mais dramática dessa questão é a violência doméstica: muitas mulheres não conseguem romper com o ciclo da violência porque não têm alternativas economicamente viáveis de moradia. Os salários mais baixos para as mulheres para a mesma atividade também impactam na dependência financeira que elas têm de seus companheiros ou familiares e, portanto, limitam sua autonomia.

Leia mais sobre o Gender Global Report 2011 no site do Fórum Econômico Mundial.