A discussão sobre a realização dos jogos da Copa do Mundo de 2014 no estádio do Morumbi continua. Esta polêmica em torno do estádio não é uma questão apenas para o futebol, mas para toda a cidade. E é só eu falar neste assunto que me chegam muitos comentários e mensagens de ouvintes. Gostaria de falar sobre duas dessas mensagens que recebi.
O Luiz Antônio de Jesus diz que todo o erro na preparação para a Copa é focar no evento e não pensar o planejamento da cidade, como se outras experiências não tivessem existido. Ele é contra a construção de um novo estádio, acha que a reforma no Morumbi pode servir e é contra inclusive a desapropriação de áreas para criar estacionamentos, já que estes só seriam usados para a Copa. Ele acha ainda que seria possível usar um esquema próprio, como foi feito na França, com o Stade de France.
O Sérgio Gollnick acha que o importante é pensar como trabalhar essa questão no âmbito do planejamento da cidade. Ele cita o exemplo da Copa da Alemanha, que construiu um estádio novo, o Allianz Arena, em Munique. Aliás, a construção foi feita pela iniciativa privada, que investiu 340 milhões de euros. O estádio fica a 3 km do aeroporto, fora do centro, e fez parte da estratégia de mudar o sistema de transporte coletivo da cidade. Em função desse projeto, houve um grande investimento no sistema de transporte coletivo de massa. Então o que o Sérgio coloca é que, qualquer uma das hipóteses, reformar ou fazer outro estádio, deveria levar em consideração as necessidades da cidade.
Neste sentido, penso que há coisas mais urgentes hoje em São Paulo que precisam ser feitas. E não se trata simplesmente daquela conversa de quem é o terreno ou de quem vai ganhar ou não, que parece ser a conversa por trás disso tudo.
Eu não sou são paulina, nem tenho nada a ver com o estádio do Morumbi, mas tenho noção do que é prioridade para São Paulo. E a prioridade zero hoje é transporte coletivo de massa. Uma melhor ligação com o Morumbi, portanto, já facilitaria muito a vida dos paulistanos. Então acho que não se trata de uma questão de ser são paulino ou corinthiano, mas de bom senso e de foco nas necessidades da cidade de São Paulo.