Ocupe Estelita: esperanças de retomada do diálogo

Hoje soube que, após o lamentável episódio da reintegração de posse do cais José Estelita, no Recife, no mês passado, ontem a prefeitura retomou o diálogo com o movimento Ocupe Estelita.

Após a reintegração, a prefeitura continuou com as negociações, mas sem convidar o movimento. Em protesto, os manifestantes ocuparam a sede da prefeitura pra reivindicar a participação nos debates. Sem dúvida a retomada do diálogo é um grande avanço.

Este encontro de ontem serviu basicamente para rever e acordar os procedimentos das negociações daqui pra frente. O resultado oficial foi divulgado na página da Prefeitura do Recife no Facebook.

Para saber mais sobre o que acontece no Recife, leia aqui no blog outros posts sobre o assunto:

*Uma outra cidade é possível?
*Recife pra quem?
*Grupos se mobilizam no Recife contra projeto imobiliário no cais José Estelita

Abaixo compartilho dois vídeos em apoio ao Ocupe Estelita, realizados por pernambucanos que moram em São Paulo. Confira.

Truculência impede exercício da advocacia

Compartilho a seguir o vídeo da prisão do Dito (Benedito Roberto Barbosa), advogado dos moradores que ontem sofreram a reintegração de posse do prédio que ocupavam na Rua Aurora, região central de São Paulo.

Dito é advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e tem uma trajetória marcada pela seriedade, espírito de conciliação e defesa irrestrita dos mais vulneráveis. A truculência da polícia militar, como atesta o vídeo abaixo, impedindo o livre exercício da advocacia, é muito grave e intolerável num contexto democrático.

Certamente a OAB precisa se pronunciar sobre este caso, como faz em situações semelhantes em que advogados têm suas prerrogativas violadas no exercício de sua atividade profissional.

 

Vejam também a nota de repúdio divulgada pelo Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, União dos Movimentos de Moradia, Frente de Luta por Moradia e Central de Movimentos Populares.

NOTA PÚBLICA

As entidades CENTRO GASPAR GARCIA DE DIREITOS HUMANOS, UNIÃO DOS MOVIMENTOS DE MORADIA, FRENTE DE LUTA POR MORADIA e CENTRAL DE MOVIMENTO POPULARES, através da presente nota, vêm a público manifestar desagravo e total indignação à violência e abuso de poder policial cometido contra o Advogado Benedito Roberto Barbosa durante ação de reintegração de posse ocorrida em São Paulo em prédio ocupado pelo movimento MSTRU vinculado à Frente de Luta Por Moradia.

O exercício da profissão do advogado Benedito Roberto Barbosa foi brutalmente violado quando este tentava manter contato com as famílias que se encontravam no interior do
imóvel reintegrado localizado na Rua Aurora, 713.

Sabendo ser sua prerrogativa adentrar no edifício para conversar com os moradores que se encontravam incomunicáveis pelo cerco da polícia, o advogado tentou ultrapassar o bloqueio do choque quando foi brutalmente agredido e imobilizado por agentes da tropa de choque da Polícia Militar sendo depois detido e encaminhado ao 3º Distrito Policial onde foi lavrado Boletim de Ocorrência tipificado como crime de “resistência”.

Discordamos plenamente da tipificação de crime de resistência. O Advogado Benedito Roberto Barbosa encontrava-se no exercício de seu mandato – protegido pelo Estatuto da Advocacia-, e gozando de suas prerrogativas profissionais quando foi agredido e imobilizado. Portanto:

Exigimos apuração dos abusos cometidos pelos agentes da tropa de choque contra o advogado Benedito Roberto Barbosa, e em fase de inquérito, a plena desconstituição de crime
de resistência.

Exigimos a imediata apuração de abusos cometidos nesta operação policial, seja em face do advogado , seja também em face de moradores, moradoras e crianças também agredidos e
hostilizados no direito de luta por moradia digna.

Exigimos a imediata mudança no procedimento adotado pela Justiça Paulista e Polícia Militar nas ações de reintegração de posse e de despejos coletivos realizados na Capital.

Exigimos, finalmente, que a luta pelo direito à moradia digna seja plenamente respeitada e não hostilizada pelo Poder Público.

RESPEITO E APURAÇÃO DA VIOLAÇÃO DE DIREITO E AGRESSÃO COMETIDA CONTRA O ADVOGADO BENEDITO ROBERTO BARBOSA
RESPEITO AOS MORADORES E MORADORAS DE OCUPAÇÕES NA CIDADE DE SÃO PAULO
RESPEITO À LUTA PELO DIREITO À MORADIA DIGNA

Pobre arquitetura residencial paulistana

Ontem o convidado do programa Roda Viva, da TV Cultura, foi o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, e eu participei como entrevistadora. Um dos melhores momentos do programa foi quando, perguntado sobre a qualidade dos projetos de arquitetura dos edifícios de São Paulo, Jorge lamentou a perda de uma tradição de projetos de edifícios residenciais notáveis, verdadeiras lições de arquitetura moderna que nos foram legadas por arquitetos como Abrão Sanovicz, Rino Levi, Vilanova Artigas e muitos outros. O trabalho desses arquitetos está entre o que há de melhor na arquitetura moderna brasileira e internacional.

Todos os entrevistadores concordaram. A opinião unânime entre eles é de que hoje não se veem mais projetos como esses na cidade de São Paulo. Infelizmente, o que é valorizado hoje nos edifícios são penduricalhos e traquitanas, como espaço gourmet, espaço zen, ou (pasmem!) pet play, ou seja, playground de cachorro… Tudo acompanhado por um marketing raso que valoriza esses produtos. Aliás, a propaganda abaixo, enviada por uma leitora do blog que assistiu ao programa, ilustra muito bem essa situação grotesca.

 

 

A entrevista completa com Jorge Wilheim pode ser vista abaixo ou no site da TV Cultura.

 

Documentário “555 Chocolatão” mostra processo de remoção de comunidade em Porto Alegre

Compartilho abaixo com vocês o documentário “555 Chocolatão”, filmado em 2011 por alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sobre a Vila Chocolatão, uma ocupação numa área nobre do centro de Porto Alegre, que durou 25 anos, até que, no ano passado, um processo de reintegração de posse removeu a comunidade para uma região periférica da cidade.

O filme acompanhou o processo de remoção da comunidade, mostrando os últimos meses da Vila no centro de Porto Alegre e os primeiros momentos do local batizado de “Residencial Nova Chocolatão”, com vários depoimentos de moradores. A equipe que produziu o documentário diz que a recepção do filme na Vila foi bastante positiva e já pensa em realizar um segundo filme, mostrando a situação dos moradores um ano depois da remoção.

Equipe: Marcos Andrade Neves, Arthur Lang, Arlei Damo, Paola Morais, Talita Eger

Vidas Sem Lar: documentário mostra drama da falta de moradia

Sábado passado, o programa Domingo Espetacular, da TV Record, exibiu um documentário especial sobre moradia. Produzido ao longo de 3 meses, o vídeo mostra as condições de vida de pessoas que não têm onde morar, ouve integrantes de movimentos de luta por moradia e especialistas. Confiram abaixo.

Áreas de risco: informação para prevenção

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) elaborou um vídeo para orientar a população na prevenção de desastres em áreas de risco. Trata-se de uma excelente ferramenta, que, de forma didática, coloca a questão exatamente nos termos em que deve estar. Ou seja, como ocupar estas áreas de forma a minimizar ao máximo os riscos.

Confira abaixo:

Se a USP quer ser vanguarda, não pode ser tão conservadora do ponto de vista espacial e político

Recentemente fui entrevistada pelo coletivo “USP por São Paulo”, que reúne estudantes de diversas faculdades da universidade e, atualmente, tem desenvolvido o projeto #USPOCUPA.

De acordo com o grupo, o projeto pretende aproveitar o ano eleitoral para “mapear propostas inovadoras pensadas pela comunidade uspiana não só para qualificar o debate eleitoral, mas para pedir dos candidatos um posicionamento e, assim, resgatar a capacidade da universidade em influenciar a vida pública.”

Além de mim, já foram entrevistados os professores da ECA Eugênio Bucci e Luli Radfahrer, e também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Confira abaixo o vídeo.

 

O grupo também está elaborando um concurso para selecionar 12 propostas da USP para a cidade de São Paulo. As ideias recebidas ficarão reunidas em uma plataforma virtual, onde 12 serão escolhidas para serem apresentadas aos candidatos à Prefeitura. Poderão participar com envio de propostas estudantes, professores, funcionários, núcleos de pesquisa e de extensão, centros acadêmicos e outras entidades ligadas à USP.

Mais informações sobre o #USPOCUPA:

Página no Facebook: http://www.facebook.com/USPocupa
Site: http://uspocupa.org.br/

Veja o segundo vídeo da série “Desurbanismo”, que propõe reflexão sobre espaços públicos do Recife

Dando continuidade à série “Desurbanismo”, que propõe uma reflexão sobre os espaços públicos do Recife, o coletivo Contravento apresenta mais um vídeo curto sobre o tema, desta vez enfocando a praia e a expansão da cidade em direção ao litoral sul. Confira abaixo.

Veja também o primeiro vídeo da série, Velho Recife Novo.

Sinopse: A praia, um dos principais espaços públicos da cidade, é o tema da fala de Jan Bitoun (geógrafo) e Luiz Amorim (arquiteto). Os especialistas chamam a atenção para o modo de utilização deste espaço no Recife e questionam o modelo adotado na expansão da cidade no sentido do litoral sul, mais especificamente, na Praia do Paiva.

Realização: Luís Henrique Leal (cineasta), Caio Zatti (cineasta), Cristiano Borba (arquiteto) e Lívia Nóbrega (arquiteta).

Brasília, contradições de uma cidade nova

Filmado poucos anos depois da fundação da capital federal, “Brasília, contradições de uma cidade nova”, do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, foi censurado pelos próprios patrocinadores em 1967. O filme, um curta-metragem de 22 minutos, teve uma única projeção surpresa no Festival de Brasília. Há poucos anos reapareceu como extra de um DVD de “Macunaíma”. E recentemente descobri que também está disponível na internet. Veja abaixo.

Leia também: texto de Jean-Claude Bernadet sobre os bastidores do filme.

Ficha técnica:
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, Luís Saia e Jean-Claude Bernardet
Fotografia: Affonso Beato
Edição: Bárbara Riedel

Que impactos sociais o estádio do Corinthians causará no bairro de Itaquera?

Ontem o programa A Liga, da Band, falou sobre o bairro de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Participei do programa conversando com moradores de comunidades que serão afetadas por obras viárias ligadas à construção do estádio do Corinthians. Estima-se que 5 mil famílias sejam despejadas por conta destas obras.

O programa mostrou também como é o transporte, o abastecimento e o lazer do bairro. Os vídeos estão todos disponíveis no site dA Liga. Veja abaixo a primeira parte:

Documentário propõe reflexão sobre o espaço público do Recife e seus processos de transformação

Em meio às atuais discussões sobre a questão urbana no Recife, um grupo de arquitetos e cineastas produziu o documentário “Velho Recife Novo”, propondo uma reflexão sobre o espaço público da cidade e seus processos de transformação.

Segue abaixo o vídeo, acompanhado de sinopse:

 

Sinopse: Oito especialistas de diversas áreas (arquitetura e urbanismo, economia, engenharia, geografia, história e sociologia) opinam sobre a noção de espaço público na cidade do Recife e destacam temas como: a história do espaço público na cidade, o efeito dos projetos de grande impacto no espaço urbano, modos de morar recifenses, a relação entre a rua e os edifícios, a qualidade dos espaços públicos, legislação urbana, gestão e políticas públicas e mobilidade.

Realização: Luís Henrique Leal (cineasta), Caio Zatti (cineasta), Cristiano Borba (arquiteto) e Lívia Nóbrega (arquiteta).

Confira: debate na pósTV sobre urbanismo, política habitacional, megaeventos, direito à moradia e outros temas

Ontem à noite participei de um programa de debates no estúdio da pósTV, na casa Fora do Eixo. O programa, apresentado pelo jornalista Lino Bocchini, é transmitido ao vivo, todas as quintas-feiras, às 22h, e o público participa enviando perguntas por chat. Abaixo vocês podem conferir o vídeo da conversa.

“More than a roof”: documentário mostra crise financeira e hipotecária nos Estados Unidos

No último dia 10, por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos, foi lançado o documentário “More than a roof” [Mais que um teto], que registrou a missão que realizei como Relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada, em 2009, aos Estados Unidos, no auge da crise financeira e hipotecária que afetou o país. O destaque do filme, sem dúvida, são os depoimentos de pessoas atingidas pela crise em diversas cidades e regiões.

Para além dos efeitos econômicos e financeiros, a crise atingiu em cheio as pessoas e suas condições de moradia, o que é muito pouco comentado quando se fala nesse assunto. A mobilização da sociedade civil que acompanhou a missão e produziu esse vídeo continua até hoje, acompanhando a situação, apresentando propostas alternativas de enfrentamento da crise e apoiando grupos e pessoas que têm seus direitos violados.

Produzido por NESRI (National Economical and Social Rights Initiative), CRNHR (Campaign to Restore National Housing Rights) e projeto Housing is a Human Right, o vídeo está agora disponível gratuitamente na Internet (apenas em inglês, sem legendas) e pode também ser adquirido em DVD.

Para mais informações, acesse o site morethanaroofmovement.org

More Than a Roof from NESRI on Vimeo.

Mais um incêndio em favela de São Paulo, mais famílias sem teto

Na noite do último sábado um incêndio atingiu duas favelas no Jaguaré, zona oeste de São Paulo. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Há dois anos, uma delas já tinha sido atingida por um incêndio.

Hoje de manhã, menos de três dias depois, uma construtora já está no local preparando o canteiro de obras para a construção de edifícios na área. Não deu tempo nem de terminar o rescaldo. Estes edifícios fazem parte de um projeto de reurbanização do local, mas as famílias que foram atingidas pelo incêndio não estão incluídas entre os beneficiários destas novas moradias.

As pessoas que tiveram suas casas incendiadas receberam da Prefeitura cobertores e cestas básicas. E só. As famílias estão hoje improvisando abrigos no meio das ruas e das calçadas.

Segundo os moradores, a proposta da Prefeitura de pagar aluguel social por dois anos ou R$ 1500,00 pelo barraco não resolve o problema habitacional da comunidade.

Há suspeitas de que os sucessivos incêndios em favelas, especialmente em áreas que estão em litígio ou onde já existem projetos previstos, sejam criminosos. Essa é uma questão que precisa ser apurada e, se confirmada, os responsáveis precisam ser punidos. Vale a pena saber também se alguma apuração foi feita com relação aos demais incêndios que já ocorreram nas favelas em São Paulo.

Hoje à tarde haverá uma reunião entre a Prefeitura e os moradores. Espero que a Prefeitura apresente uma proposta sustentável, que garanta a todos o direito à moradia digna.

Abaixo segue o vídeo que o pessoal do Cinema de Rua fez um dia depois do incêndio:

O Dia Seguinte from Cinema de Rua on Vimeo.