Arco do Futuro: começando mal?

Na semana passada, a imprensa paulistana noticiou que a prefeitura de São Paulo deu início ao processo de implementação do Arco do Futuro, com a publicação de um edital de chamamento às empresas interessadas na “realização de estudos de viabilidade de desenvolvimento urbano do Arco do Tietê”, (trecho central do Arco do Futuro, incluindo as margens do Rio Tietê). É importante lembrar que essa foi uma das principais propostas apresentadas por Fernando Haddad durante as eleições. Seu objetivo é promover uma nova forma de desenvolvimento no entorno do que hoje é o centro expandido de São Paulo, inclusive promovendo o repovoamento desta área, procurando reverter o modelo perverso de expansão contínua da cidade em direção a uma periferia desequipada, a necessidade de grandes deslocamentos etc. De acordo com o edital, o estudo tem que demonstrar a viabilidade do projeto de intervenção, já definido de antemão como uma parceria público-privada. O fato é que as empresas interessadas têm 60 dias para apresentar um estudo de viabilidade para um projeto a ser implementado em parceria com o setor privado, levando em conta um modelo urbanístico, jurídico, e econômico-financeiro para a operação.

De acordo com notícia da Folha Online, em dezembro do ano passado, Fernando Haddad visitou o projeto Porto Maravilha, no Rio, a convite da Odebrecht, uma das empresas do consórcio que está à frente do empreendimento na capital fluminense. A mesma empresa já declarou seu interesse na montagem de PPP semelhante em São Paulo, exatamente na área do Arco do Futuro. Ou seja, a publicação do edital pela prefeitura parece partir de uma manifestação clara de interesse por parte de uma empresa que já desenvolve um projeto semelhante em outra cidade. E, cá pra nós, só quem faz um estudo de viabilidade em 60 dias é quem já está estudando área ou tem estudo pronto, ou seja, a própria Odebrecht.

Mas a questão fundamental nem é essa…

Obviamente, a ideia do Arco do Futuro faz todo sentido e, na verdade, ela já está contida no atual plano diretor de São Paulo, aprovado em 2002, que considera essa área uma “macro área de requalificação urbana”. Porém, se o caminho para sua implementação for mesmo esse que está sendo anunciado, a história já começa com dois erros fundamentais: um de processo, outro de projeto. Na Faculdade de Arquitetura, na disciplina de Planejamento Urbano, nós ensinamos que primeiro se define o que se quer para a área, debatendo amplamente com a sociedade: ou seja, que cidade queremos? Qual é a transformação que desejamos para este lugar? Depois, uma vez definido o que se quer, discute-se quais são os melhores instrumentos para implementar a proposta. O caminho que está sendo colocado agora é o contrário, ele começa com o instrumento, que é a parceria público-privada. A partir daí se definirá o projeto.  Mas se é parceria, a empresa tem que necessariamente ter lucro, e isso, claro, implica e compromete o projeto, na medida em que ele só ficará de pé se incluir a possibilidade de gerar grandes lucros imobiliários. A pergunta central, a partir disso, gira em torno da questão “qual é o uso mais rentável deste solo?” e não do que a cidade quer, demanda e precisa, ou seja, “do  que mais precisamos neste momento nesta cidade?”.

O segundo problema é o próprio conteúdo anunciado da proposta. Estamos vendo se desenhar um projeto que já parte do pressuposto de que vai enterrar a linha de trem e construir um viário sobre esta. Mais uma vez o pressuposto “qual é a grande obra viária que vamos fazer”?, que orientou a maior parte dos governos de nossa cidade, aparece de novo. Ótimo para empreiteiras de túneis e avenidas, ótimo para aparecer no rol das atuações dos prefeitos/governadores. Mas seria ótimo para a cidade? Será que é isso que a cidade quer? E se os trilhos na superfície alavancarem um transporte de massa de alto desempenho para usos que não requererão os carros, não seria melhor? Não é esta a revolução que queremos?

Finalmente, justificar a PPP com o argumento de que não há recursos públicos para se investir na cidade e usar o Porto Maravilha como modelo é um grande equívoco. O Porto Maravilha não conta com investimentos privados, a não ser nas futuras trump towers  e congêneres que ali se erigirão (estas, aliás, também alavancadas com fundos públicos, como a Caixa). Todos os recursos são públicos, desde o solo (em sua maioria federal e estadual) até os milhões que a prefeitura do Rio está repassando mensalmente para o consórcio que está implementando e gerindo o projeto.

A discussão do Arco do Futuro, portanto, já começa invertida e torta. Quem disse que parceria é o melhor instrumento para esse projeto? Quem disse que não já temos instrumentos de uso e ocupação do solo que podem ser mobilizados para implementar mudanças, inclusive uma revisão radical, mais que necessária e urgente, do nosso caquético zoneamento? Com a revisão do plano diretor em pauta, esse é o momento de enfrentar esse debate.

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33 comentários sobre “Arco do Futuro: começando mal?

  1. Concordo Raquel O Arco do Futuro não pode ser o arco do despejo e da exclusão e ou arco da especulação imobiliária

     DITO CMP

    ________________________________

  2. Mais uma vez, ao que parece, o poder imobiliário dita as regras, na capital, expandindo-a para onde seus interesses apontam. Porém chama a atenção a omissão dialogante com os municípios que formam o ABCD e Mauá. O projeto inicia-se exatamente nas linhas abstratas de divisas dos municípios vizinhos.

  3. Sem pender para qualquer bairrismo, diria que enquanto o Rio experimenta uma formidável revitalização urbana com o proximidade da Copa e Olimpíada, São Paulo não consegue sair do imobilismo.

  4. Rogério, São Paulo não consegue sair do “imobiliarismo”. É uma pena constatar que, mais uma vez, a lógica de mercado vai conduzir o desenvolvimento urbano…

  5. Como sempre foi, Paulo. São Paulo foi moldada assim.

    Entretanto, não consigo imaginar como essa cidade pretende sediar a Expo-2020 sem fazer pesados e certeiros investimentos. Só para lembrar, já foram gastos 4,5 bilhões na despoluição do Tietê e o rio continua aquela gosma preta. oleosa O que temos a argumentar para sediar tão importante exposição? Diversidade, só? Poderíamos oferecer um rio revitalizado, cheio de barcos e vida, um Tietê dado como morto finalmente recuperado e devolvido à cidade. Uma cidade renascida a partir do renascimento do seu rio. O mundo inteiro ficaria estupefato com tamanha capacidade do povo paulista.

    Mais: enquanto estamos aqui discutindo o Arco do Futuro, a Tecnisa está construindo um bairro na zona oeste para 12 mil habitantes. Dentro da cidade mas segregado dela. É a iniciativa privada mostrando sua força ante um poder público anêmico, impotente, incapaz.

    Como já disse em outro comentário, o prefeito precisa resgatar o planejamento urbano, algo que encontra-se em vias de extinção. Hoje, isso é assunto tão secundário que sequer consta nos debates eleitorais. Tá feia a coisa! Grande abraço.

  6. Como ficaria então a execução do projeto pelo poder municipal considerando a imensa dívida deixada por nefastos prefeitos anteriores?

  7. E algo que ninguém está lembrando: como o Projeto Arco do Futuro se relaciona com a revisão da Operação Urbana Água Branca, que já tem licença ambiental e cujo projeto de lei está chegando na Câmara? Ele propõe um modelo de ocupação horizontal e esparsado para as várzeas do Tietê. Toda aquela região era ocupada pelos meandros do rio há menos de um século. Adensar ali, como ocorreu nas margens do Pinheiros, é a melhor opção? Vamos lembrar o que o Saturnino de Brito (sabiamente) propôs para aquela zona?

  8. ‘Revitalização urbana’ carioca ocorre às custas de milhares de pessoas que estão sendo despejadas para o suburbio (de acordo com a própria relatora da ONU para moradia e dona deste blog) e de uma “Manhattanificação” do metro quadrado. Enfim, só uma opinião. Obrigada pelo post, Raquel Rolnik!

  9. Os projetos públicos de um modo geral necessitam de um estado forte, com equipes multidisciplinares com carreiras de estado que formulem junto com a sociedade e outros níveis de governo os projetos dessa envergadura, principalmente porque esses projetos são de longo prazo e a garantia de continuidade está vinculada à estrutura pública. O diálogo com o setor privado deve existir após esta formulação. Um bom alerta Raquel, ajuda na reflexão dos projetos futuros para São Paulo.

  10. Realmente preocupante! Mais uma vez inverte-se a ordem do processo que deveria partir de um amplo debate e da priorização do interesse público nas intervenções urbanas! Vamos ficar de olho e cobrar, afinal cabe a sociedade exercer o direito do controle social!

  11. Lembrando que toda a proposta está sendo feita em uma área de várzea, roubada ao Tietê, será possível criar parâmetros para que haja grandes vazios e áreas de parques no meio dos edifícios criados nesta operação? Se forem criadas premissas bem claras, que os projetos sejam obrigados a respeitar, poderemos, apesar de todos os entraves, chegar a um resultado inovador, enquanto solução de drenagem natural e de criação de um conjunto de parques para os bairros tão adensados cujas encostas se debruçam sobre o rio? Poderíamos então, talvez, aproveitar a grande escala da intervenção para reverter o processo de ocupação que existiu nesse lugar

  12. Mais uma vez, infelizmente, os urbanistas brasileiros colocam o diálogo a partir de uma oposição excludente entre setor publico e privado. Como de um lado tivéssemos os mocinhos e de outro os bandidos. Certamente que a cidade não deve ser ditada pelos objetivos de lucro das grandes construtoras, mas olhá-los como um ” crime” e ponto final, é o principal fator de descrédito e inviabilizacão das propostas urbanas defendidas por eles a décadas. Porque na economia, após atingirmos certa maturidade democrática, temos um pensamento de indução e regulação de agentes privados apoiados por diretrizes estruturais públicas, que elevou vigorosamente o crescimento e concomitante distribuição de renda no país e não podemos pensar sob a mesma chave a nossas cidades? O princípio de demonização do ” mercado” no qual os urbanistas tanto se orgulham e se apoiam desde o século pasado, sob a influência do movimento moderno, ao contrário do que imaginam, é o que os tornam uma classe de idéias combativas, porém extremamente frágeis politicamente, inviáveis economicamente, utópicas no mal sentido e muitas vezes a reboque dos perversos processos que tentam lutar.

    • Franklin, de acordo com a sua visão, o Porto Maravilha carioca deve ser um modelo a ser seguido.
      Será mesmo aquele projeto um modelo? Para quem? A empregada da minha vizinha, moradora de um bairro a 40 km do Centro do Rio, nunca – mas nunca mesmo – vem ao Rio para usufruir dessa estética burguesa asséptica que o Porto Maraavilha quer implementar (nos intervalos das quadras das torres que ali serão erguidas, claro)
      Dizer que se demoniza o “mercado” a priori é meio ingênuo e vazio. Demoniza-se os atores que dão vida a esse “mercado”, e, no caso, estamos falando de uma elite emergente (emergente desde 1500), sem educação (pós em Harvard, Stanford, etc não é, necessariamente, garantia de boa educação), predatória, de visão sempre estreita e determinada pelo seu próprio umbigo malhado em academias-spa.

  13. Cara Raquel, acompanho seu blog e sempre gostei muito do conteúdo dos seus posts. Apesar de não ser morador de São Paulo, me interessei pelo tema específico desse post e, alarmado pelo seu alerta, fui atrás do documento oficial desse chamamento.

    Imagine a minha surpresa, após ler o documento divulgado pela prefeitura de São Paulo no site da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/chamamento_publico_arco_tiete_1360327548.pdf), ao constatar que não há menção alguma ao tipo de instrumento que será usado e, muito menos, a qualquer PPP. Dessa forma, chego à conclusão de que você se pautou unicamente pela reportagem da Folha – e não pelo documento oficial –, o que muito me entristece… Perdi algo? Enfim, vamos continuar de olho nessa história de “Arco Tietê” pra ver onde vai dar…

    • Prezado Carlos Marinho, leia o Comunicado de Chamamento Público com um pouco mais de atenção e vc verá que na página 2 está escrito:
      “2. Condições e prazos para manifestação de interesse
      Poderão participar da presente PMI pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, individualmente ou em grupo.
      Nos termos do Decreto n. 51.397/2010, os interessados em desenvolver os projetos e estudos do presente chamamento…”
      Você sabe do que trata o referido Decreto 51.397/2010? Aqui vai:
      “DECRETO Nº 51.397, DE 8 DE ABRIL DE 2010
      Institui procedimentos para registro, avaliação, seleção e aprovação de projetos básicos, projetos executivos, estudos de viabilidade de empreendimentos, investigações, levantamentos e demais elementos previstos no artigo 21 da Lei Federal nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, relacionados a projetos de parceria público privada, concessão comum de obras e de serviços públicos e permissão de serviços públicos.”
      Não é preciso ser versado em Direito para perceber que a Profa. Rolnik está certa e que não se pautou pela reportagem. O Sr. perdeu algo sim, sua acusação é infundada.

      • Luiz, na sua própria resposta já fica claro que não se trata apenas de parcerias público-privadas (PPPs), mas incorpora concessões e permissões.

        Você tentou dar uma de espertão mas infelizmente não conhece sobre o que fala. De fato, não está restrito apenas a PPPs. No entanto, entendo que a crítica da autora não é ao instrumento PPP em si (que é uma das formas mais inteligentes de atuação do privado junto ao público), mas sim à participação da iniciativa privada, demonizada nos discursos deste blog.

        O chamamento de estudos obviamente deve prever a participação privada de alguma forma, não fosse este o caso, não seria necessário iniciar este processo e apenas o estudo interno da PMSP juntamente à sociedade seria suficiente. Obviamente, se essa análise puramente do ente público fosse suficiente (principalmente em termos financeiros), essa grande região da cidade não teria chegado à degradação atual.

  14. Mais uma vez, infelizmente, os urbanistas brasileiros colocam o diálogo a partir de uma oposição excludente entre setor publico e privado. Como se tivéssemos de um lado os mocinhos e de outro os bandidos. Certamente a cidade não deve ser ditada pelos objetivos de lucro das grandes construtoras, mas olhá-los como um ” crime” e ponto final, é o principal fator de descrédito e inviabilizacão das propostas urbanas defendidas por urbanistas a décadas. Porque na economia, após atingirmos certa maturidade democrática, temos um pensamento de indução e regulação de agentes privados apoiados por diretrizes estruturais públicas, que elevou vigorosamente o crescimento e concomitante distribuição de renda no país e não podemos pensar sob a mesma chave a nossas cidades? O princípio de demonização do ” mercado” no qual os urbanistas tanto se orgulham e se apoiam desde o século pasado, sob a influência entre outros, do movimento moderno, ao contrário do que imaginam, é o que os tornam uma classe com algumas boas idéias combativas, porém extremamente frágeis politicamente, inviáveis economicamente, utópicas no mal sentido e muitas vezes a reboque dos perversos processos que tentam lutar.

  15. Não seria novidade se esse suposto acordo entre Odebrecht e governo tivesse financiado a campanha eleitoral. Enfim, a cidade desordenada se dá por conta não da falta de conhecimento do que se deve fazer em cada região, mas sim pela política corrupta e inescrupulosa que temos desde o início da democracia brasileira. Infelizmente o debate vai muito além de planejamento urbano.

  16. Carlos Marinho (e Franklin Lotufo), sobre a PPP, tenho impressão que parte da crítica da Raquel se refere ao pontapé inicial dessa intervenção. Não é a própria Prefeitura que irá elaborar esse estudo de viabilidade. A Prefeitura está delegando esse estudo a quem estiver interessado em fazê-lo (e convenhamos que seria ingenuidade pensar que o setor da construção civil / mercado imobiliário não teriam esse interesse). Pela dimensão e complexidade desse tipo de encomenda, é provável que neste curto espaço de tempo (60 dias), várias das propostas mais detalhadas e desenvolvidas venham de grandes empresas privadas ou consórcios privados bem estruturados. E nesse contexto, existe a possibilidade que os estudos tenham maior enfoque no aspecto econômico do território, do que nos aspectos social, urbano, ambiental, etc.

    • Note que são estudos de pré-viabilidade. Tais estudos deverão ser pautados sim por análises dos quatro setores: Econômico; Ambiental; Mobilidade e Habitacional. Após este primeiro estudo, outros virão, detalhando as propostas enviadas inicialmente, para só depois ser considerada algum tipo de participação privada, seja por qualquer modalidade

  17. Pingback: VEREADOR PAULISTA PEDE AO MP INVESTIGAÇÃO | Jornal Metropolitano News - Grande Florianópolis - Santa Catarina

  18. Rogério, sou um paulista que mora no Rio há 3 anos e pergunto: onde está essa formidável revitalização que você ta falando? Eu só vejo bagunça no lugar de obras, levo duas horas de trânsito pra chegar no trabalho (moro no Cachambi e trabalho no Centro), imóveis podres, velhos e caríssimos, especialmente na marketadíssima zona sul, além das incontáveis favelas, que a única coisa que fazem é pintar e colocar teleférico. Enfim, queria que alguém me explicasse isso, pois SP cresce cada vez mais sua malha metroviária e seus corredores de ônibus, coisa que no Rio ainda vão implementar. Claro, fazendo muito marketing e pouca qualidade

      • Não concordo quanto às favelas, Rogerio. Acho que, com mais esforços, educação e investimentos, mesmo que a longo prazo, elas possam ser extintas sim do nosso país. SP tem defeitos inegáveis também, e muitos! Acho que isso é coisa do país todo, tem que se investir pesado pra o Brasil ser decente, com muito mais esforço do que o marketing que fazem, não só no Rio ou em SP, mas em toda a pátria. Talvez o arco do futuro seja uma ótima saída, moro pela região da Cupecê em SP e sei do quanto que aquela área precisa de uma atenção especial.

  19. As favelas não serão extintas, meu caro Gabriel. Elas já fazer parte da cultura brasileira cuja vitrine é a televisão que por sua vez é o cérebro desse país. Só chorando mesmo, como disse o Rogerio.

    Porém, o coitadismo reinante na política não permite que elas sejam tratadas como as maiores responsáveis pela degradação urbana que assistimos impotentes. Muito pelo contrário, representam um inesgotável manancial de votos.

    Desde que começou a favelização há mais de 50 anos tudo que tem sido feito é um eterno enxugamento de gelo. Os governos reclamam, o ministério das cidades responde com verbas para construção de conjuntos habitacionais que depois de prontos servem de aceno para que mais famílias desloquem-se para as já saturadas metrópoles do sudeste. Enquanto isso, betoneiras estão rodando para produzir concreto que vai encher a laje de centenas de novos barracos, novas invasões vão pipocando aqui e ali na serra do mar e no que restou de mata atlântica;

    Algumas questões entretanto precisam ser respondidas:

    Quem vai pagar a conta do passivo ambiental deixado no rastro dessas ocupações?

    Segundo Benedito Braga, vice-presidente do WWC – Conselho Mundial da Água – o racionamento de água em São Paulo é só uma questão de tempo. A metrópole hoje já busca água a 100 km de distância na divisa com MG e no vale do Ribeira. Podemos imaginar a transposição do rio Amazonas para São Paulo?

    Se juntarmos as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista, Vale do Paraíba, Baixada Fluminense e Rio de Janeiro, temos aí um monstro de 35 milhões de pessoas. Como vamos construir habitações para tantas famílias em tão pouco espaço sem sacrificar ainda mais o já agonizante meio ambiente?

    O que justifica a concentração de tanta gente em tão pouco espaço menor que o estado de Sergipe com seus 2,2 milhões de habitantes enquanto o território brasileiro é pleno de espaços ociosos?

    Não precisa ser arquiteto, sociólogo, PHD ou coisa que o valha para afirmar que enquanto persistir a lógica de combater problemas urbanos a partir dos efeitos ignorando as causas, as cidades serão territórios conflagrados.

  20. Estado, poder público, administração pública estão ligados ao interesse público. A ideia de parceria corrói o conceito de interesse público e coloca as corporações em pé de igualdade com o poder público. As prerrogativas públicas – em nome do bem comum – se esvaem para dar lugar ao chamado “interesse coletivo”, imposto pelas empreiteiras em busca de lucro. É uma crônica conhecida. O discurso de “falta de verbas” é o “sinal” para as propostas de interesse coletivo calcadas na supervalorização do metro quadrado, à espera dos grandes e caros projetos de ocupação.

  21. Enquanto tivermos as composições de alianças para conquistar o poder não baseadas em princípios muito claros e com programa estabelecidos e com compromisso em aplicá-los amargaremos a decpção de ganhar e não levar.
    Sim, a dez anos ganhamos e não levamos. Sobram migalhas de políticas públicas para o povo cansado, amargurado mas que não deixa de ter esperanças. Por tanto enquanto a correlação de forças penderem para o lado dos fortes, como empreiteiras, medicina de grupo, e educação como um negócio muito mas muito rentável amargaremos estas decepções. avante não desistir, resistir e nos posicionarmos sempre e rumo a fortalecer nossa organização por uma sociedae com justiça social e ambiental. Rogerio podemos até chorar, sim, mas não baixarmos nossa guarda e fortalecer o controle social.

  22. E onde foi parar o debate sobre desenvolvimento socio-economico e urbano das centralidades que uma vez li numa publicação, no periodo eleitoral, sobre o programa de governo do haddad no jornal?

    Na minha opinião temos de pensar a São Paulo metropole, as conurbações, a mobilidade, a diminuição dos deslocamentos, a implementação do sistema de transporte metropolitano de fato e o fortalecimento das centralidades.

    Temos tantos outros instrumentos, curioso que as PPP seja o mais lembrado.

    E a revisão do Plano Diretor na forma participativa?

    São tantas questões…

  23. Cara Raquel,

    apoio completamente o seu texto. Acho um absurdo o que a prefeitura está fazendo (com muita lástima digo isso), pois parece sim que o projeto está dado para alguma empresa. Que outra empresa, senão uma que já esteja trabalhando a tempos nessa área, poderia desenvolver um projeto tão complexo, em tão pouco tempo e sem receber nada e nem sequer a previsão de ganhar o projeto?

    A prefeitura já divulgou a lista de empresas que se apresentaram para a PMI do Arco do Tietê. Foram no total 45.
    Você comenta em seu texto que a Odebrecht poderia ser uma dessas empresas que já estariam com as cartas marcadas. No entanto, acredito que é importante destacar que existe nessa lista de 45 empresas uma outra empresa que parece bastante relevante: a Urbem.

    A Urbem já vem pedindo projetos e estudos para muitos arquitetos da famosa General Jardim para diversas áreas da cidade de São Paulo, inclusive a área do Arco do Tietê. O mais interessante ainda é que o nosso novo secretário do planejamento, arquiteto fundador do MMBB, o Sr Fernando, era curador de tal organização, atualmente pasou o cargo para outro arquiteto de seu escritório. É, no mínimo, interessante de se comentar, não é Raquel?

    Outra que chama atenção é a Escola da Cidade. Afinal, essa Escola da Cidade é empresa ou é Escola de Arquitetura? Gostaria de entender como uma escola pode entrar em um processo como uma PMI Qual seria o papél dos alunos? Como os professores seriam remunerados por esse trabalho caso eles ganhassem? Será que não seria mais uma maneira para que o clube de professores leve esse projeto para dentro de seus escritórios?

    O que eu quero dizer, afinal de contas, é que 45 empresas entraram na PMI, porém apenas uma grande vai ganhar (construtora que vai reparcelar a área como interessar), que vai se associar a uma empresa média da lista, e, como consequencia, chamará muitos escritórios famosos da General Jardim que vão ACABAR de desenvolver os estudos que já estavam fazendo há muito tempo para a área, usando mão de obra super mal remunerada e sem qualquer tipo de vínculo e diretos do trabalho (afinal os escritórios são de esquerda até onde tocam os próprios bolsos) e assim sairá o projeto para o Arco do Tietê.

    É muito triste, votei no Haddad pensando que as coisas iriam mudar…

  24. Senhores Governantes, necessitamos de METRÔ, mínimo 200km. de metrô p/ SP., pois cidades equivalentes no mundo possuem 400km. O preço da tarifa também terá que ser reduzida, pois o cidadão trabalha p/ o Governo contribuindo c/ 36% em impostos do que consome, portanto, não é justo o trabalhador perder em média 4 horas por dia por conta do transporte, com isto se produz menos, arrecada-se menos, compromete a qualidade de vida do trabalhador. Portanto, c/ solução desse gargalo o resto o Setor Privado
    resolve.

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