Leitores comentam o uso dos espaços públicos em São Paulo

Na semana passada, escrevi aqui no blog que tenho observado em São Paulo um uso cada vez mais intenso dos espaços públicos. Vários leitores deixaram comentários e compartilharam suas experiências, acrescentando novos exemplos.

O Eduardo, por exemplo, falou do parque Zilda Natel, que fica no final da Av. Dr. Arnaldo, esquina com a Cardoso de Almeida. Para ele trata-se de “um exemplo incrível desse resgate do convívio geracional, de qualidade e da transformação do uso coletivo do espaço”. Segundo Eduardo, “o parque tem aparelhos para ginástica, quadra de esporte e sua maior área dedicada aos skatistas – rampas de todo tipo, arquibancada sempre cheia de grupos de amigos, pais ansiosos e lá embaixo, jovens, marmanjos e crianças bem pequenas até em cima de um skate. [...] O minúsculo parque é uma antítese viva de todas as demais ‘praças’ completamente inúteis e abandonadas do Pacaembu e da vizinha Sumaré.”

Para Flávio Scavazin, “a praia dos paulistanos são os parques (e não os shoppings como sugerem as grandes grifes) e cabe às suas administrações democratizá-los cada vez mais e oferecer condições para que nele todas as classes sociais convivam em harmonia, como deve ser o convívio em uma praia.” Paulo Cezar, por sua vez, avalia que para que este tipo de prática se espalhe pela cidade precisamos “de um governo que considere toda a população digna de ter praças, parques e outras áreas de convivência”.

O leitor Durval nos lembrou também da Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, ponto de encontro adotado pelo pessoal da Bicicletada. Diz ele: “Até 2002, ela nem se chamava ‘praça’, não era mais que o canteiro central da Av. Paulista, que fica um pouco mais largo na sua extremidade com a R. Consolação [...]. Hoje o local é tomado por centenas de ciclistas toda última sexta-feira do mês, faça chuva ou faça sol [...]. O movimento, além de defender o direito das bicicletas de trafegarem nas ruas, também busca o resgate dos espaços públicos como locais de reunião e convívio.”

Já a leitora Arlenice destaca algumas atividades oferecidas em espaços públicos, como aulas de dança. Ela diz que “hoje há danças circulares todos os domingos e em alguns dias da semana em vários parques da cidade (quem se interessar: http://www.dancacirular.com.br). Há práticas de Lian Gong, Tai-Chi e tantas outras! O que constato é que poucos munícipes aproveitam todas essas ofertas.”

Ricardo alerta para a má conservação do mobiliário urbano na cidade de São Paulo. “Uma mentalidade exclusivista e mesmo higienista da utilização de praças e parques levou à instalação de bancos sem encosto, incômodos e desconfortáveis, como forma de afugentar os moradores de rua e andarilhos desses espaços. Ocorre que, ao tentar excluir os despossuídos da convivência que esses locais poderiam oferecer, pune-se por consequência toda a coletividade, que se vê sem poder utilizar um equipamento adequado [...]”, diz. Ele aproveitou para divulgar o grupo “bancos com encosto para Sampa!”, criado no Facebook com o objetivo de chamar atenção para esta questão.

Por fim, o Jair, que mora no centro de São Paulo, diz que muitas atividades já acontecem na região, em locais como “a rua Conselheiro Crispiniano, Galeria Olido, Praça Dom José Gaspar, Largo Santa Cecilia, Praça Monteiro Lobato, Parque da Água Branca aberto até 22hs e por ai vai.” Ele diz ainda que “Estes acontecimentos são diários. Existem há muito mais tempo que esta onda ‘urbana artística’. São acontecimentos moldados naturalmente por populares, moradores, por todos. Não são eventos, mas um modo de viver.”

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3 comentários sobre “Leitores comentam o uso dos espaços públicos em São Paulo

  1. Um exemplo incrível é o que aconteceu com uma pracinha esquecida entre o Largo do Arouche, o Minhocão e a Av. Duque de Caxias. A praça sempre abrigou moradores de rua, cheirava a cocô e não tinha manutenção dos jardins, como consequência, as pessoas evitavam cruzar por ela. De certo modo, ela continua assim, mas recentemente a prefeitura instalou equipamentos de ginástica nela. Foi instantâneo: as pessoas ocuparam o espaço. Até altas horas da noite, gente de todas as idades estão no local exercitando-se.

  2. Acho ótimo. Gosto particularmente do Baixo Augusta. Só não concordo com essa coisa de ‘praia de paulistano’. Tem uma conotação negativa de pecha, de constrangimento por São Paulo não ter praias. Não tem e nem precisa. São Paulo tem ruas e precisa delas. A vocação de São Paulo é a rua.

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